Ricardo Ferreira – Uma Aventura no Gerês – A fenda da Calcedónia*

placas

Boas dia, boa tarde, boa noite, dependendo do fuso horário e país e, quem sabe, planeta. Ora “Bámos lá”: para quem não me conhece eu sou o “miúdo da Trofa”, sim essa bela localidade, que em muitos aspectos é parecida com o Gerês, pelos seu vastos espaços verdes montanhas e buracos nas estradas. Quem conhece o Gerês sabe que o que não falta são locais para aventuras, desde andar de kayak, fazer rappel ou slide, btt, passear a cavalo, fazer trekking (as famosas caminhadas), ou seja é uma maravilha, só aquele ar puro que se respira lá, haaaaaa que maravilha.

No passado fim-de-semana fui até la acampar, para o Parque de Cerdeira, que fica nas Terras de Bouro. Este é o meu retiro espiritual, muita mosquitada; aranhitas; formigas de todos os géneros e feitios; abelhas do tamanho das orelhas do Vieira, e as malandrecas andam de mota, suspeito que seja uma zundapp; dormir em cima de pedras, sem almofada, não há melhor vida que esta.

Depois de montar o estaminé, por volta das 17h00 de sexta, resolvi ir dar uma volta seguindo um dos muitos trilhos que vai dar à beira do rio para ir chapinhar na água. Até aqui, tudo bem, nada a relatar a não ser que a água estava fresquinha. De volta ao parque para uma boa jantarada e uma noite mal dormida (a pedra que fazia de almofada não era la muito fofa). Segue-se o sábado, aqui sim, de mochila às costas com um litro de água, umas sandes e dois pacotes de belgas, a máquina fotográfica e o GPS do iphone, fui dar o meu passeio pedestre até à aldeia de Vilarinho das Furnas, submersa nas águas do Rio Homem.

Infelizmente não tive o prazer de ver as ruínas propriamente ditas pois estas só se vêm se o leito do rio estiver baixo, ou se levarmos uns óculos de mergulho, mas o passeio em si de cerca de 10 km vale bem a pena, pela beleza natural da zona. Chega o domingo com umas alturas de chuva mas com sol e calor, depois de uma noite bem dormida após ter trocado de almofada, embora os meus vizinhos tenham feito um certo barulho durante a noite. Acho que o colchão de encher que levaram não era muito confortável, então resolveram começar a pinchar em cima dele para ver se estourava.

fenda 1

Da parte da tarde, antes de seguir rumo para a minha bela localidade, resolvi fazer uma última caminha, (música do Indiana Jones) à fenda da Calcedónia, trilho não muito complicado se for feito sem ser a partir da Vila de Covide pois aí são 3,5km a subir com partes medonhas. Pelo lado contrario até é razoavelmente fácil até chegarmos à própria fenda, que, basicamente, é uma mini montanha rachada a meio, com pedras como obstáculos que vão dar à superfície, onde parece que a vista sobe o Gerês é fantástica. Não fui lá cima, como tinha chovido, as rochas da fenda estavam molhadas e as sapatilhas estavam a escorregar muito, por isso a fenda, em bom português, quilhou-me.

Da próxima ela não vai ter hipótese, vou de botas hahahahah (riso à Darth Vadher). Resumindo, o Gerês é cinco estrelas, recomendo a toda a gente passar la uns dias, pois ir lá e vir no mesmo não dá para ver nada, nada mesmo.

Cumprimentos do “miúdo da Trofa” e boas caminhadas.

*Ricardo Ferreira é leitor do Aventa

Comments

  1. maria monteiro says:

    Ricardo F., isso de dormir com tanta bicharada e em cima de pedras é a parte negra do passeio….