José Ferraz Alves – Cidades e artificialidades

1. O concelho de Paredes pretende vir a acolher uma cidade tecnológica, denominada Planit Valley, que ocupará uma área de 17 quilómetros quadrados e que será um laboratório vivo à escala urbana, no qual serão implementadas, de forma sustentável, “tecnologias que melhoram a qualidade de vida”. A Planit Valley terá “edifícios inteligentes, soluções avançadas de mobilidade, transportes e comunicações”. Além de espaços dedicados à investigação e desenvolvimento, na Planit Valley vão nascer também espaços de retalho, hotéis, centros de conferência, uma pista de testes, um centro de entretenimento e habitação. As razões que levaram à escolha de Portugal para a instalação desta cidade sustentável prendem-se não só com as políticas nacionais sobre o ambiente, mas também com o apoio que a Living Planit encontrou junto dos autarcas de Paredes, da CCDR-N e da agência de investimento AICEP”, tendo sido referido que o seu financiamento será exclusivamente externo à esfera pública.

2. A construção da nova cidade deverá começar este ano, apesar da crise económica mundial. Já agora, não esqueçamos de que há centenas de milhares de habitações desocupadas em Portugal e dezenas de milhar a necessitar de uma urgente reabilitação.

3. Tendo já referido a desarticulação que encontro entre os discursos teóricos sobre a regionalização e o efeito concreto das medidas no terreno, este é um projecto que poderá fazer sentido desenvolver-se dentro do perímetro de reabilitação urbana do centro histórico do Porto e não com o intuito de criar uma nova centralidade urbana. É um projecto com muito mérito e potencial demonstrador do que seria uma reabilitação dos espaços de retalho e centros de habitação, um verdadeiro “living lab” em espaço urbano, com recurso a um forte investimento em TIC, e resultar num efeito demonstrador mundial capaz de catalisar fluxos de peritos urbanísticos, historiadores, arquitectos, geógrafos, artistas, turistas, estudantes e empresas.

É mais fácil construir de novo do que reabilitar. Mas este projecto só será efectivamente desafiante se for desenvolvido num espaço urbano a reabilitar. Paredes tem a sua função no espaço da região Norte, e os seus responsáveis têm muito mérito na concepção do projecto, mas não me parece claramente que, depois, tenha de passar por mais uma obra faraónica e geradora de mais estátuas na Terra.

José Ferraz Alves

Comments


  1. Pode ser um projecto interessante mas, admitindo alguma desconfiança, prefiro ver para crer, como S. Tomé. É uma dúvida metódica.

  2. isac says:

    Uma nova cidade em Paredes? Como assim? Isso não será uma outra maneira de dizer, urbanizar em zona que não se pode? Um cidade nova de 17 quilómetros quadrados onde se “estima-se que sejam aplicados “múltiplos biliões de euros”” por apenas uma empresa estrangeira? sou só eu que acha isto estranho?


  3. não és só tu a achar estranhovê por exemplo: http://www.porto.taf.net/dp/node/5317 ou http://www.porto.taf.net/dp/node/5354

  4. isac says:

    Vá lá! eu também andei à procura do site da empresa e não o consegui encontrar. se calhar investiram tudo no projecto e não chega para o site.