Protestos Educativos, SIMplex – resposta a Sofia Loureiro dos Santos

No SIMplex, ponto de encontro dos que vão votar PS, a Sofia Loureiro dos Santos faz a apologia da política educativa do actual governo, a propósito da intenção declarada da FENPROF em continuar a lutar.
E se me permite, Sofia, gostaria de reflectir um bocadinho em torno do que escreve até porque estou preocupado com o súbito interesse do seu secretário pela blogosfera.
Eu explico. No vosso manifesto escrevem que “Interessa debater o que foi feito, de bom e de mau, neste últimos quatro anos; mas também projectar o que de melhor se pode fazer para a próxima legislatura. Queremos que o ritmo das reformas se mantenha ou acelere. Queremos transformações concretas na justiça, na segurança social, na saúde e na educação. A dignificação dos profissionais, em todas as áreas, é fundamental. O fosso entre ricos e pobres não pode continuar a alargar.”

Obviamente, sabemos os dois, que nunca como nos últimos quatro anos avançou o fosso entre ricos e pobres em Portugal, mas disso dirá que a culpa é do estrangeiro. Claro, se até o BENFICA entra em campo com 11 forasteiros…

Mas, a minha chamada ao Manifesto vai também no sentido de perguntar onde está a sua capacidade de debater o que de mau foi feito, por exemplo, em termos de educação?

No que diz respeito ao conteúdo, uma contradição, se me permite:

Valida a divisão na carreira dos professores porque “dando aos mais experientes a possibilidade de terem funções mais específicas e diferenciadas, entre as quais a avaliação de desempenho dos colegas mais inexperientes” se está a dignificar a carreira.

Depois, mais à frente escreve que a FENPROF combate a avaliação do PS porque ” o reconhecimento do mérito não lhe interessa.”

Ora vamos lá ver se a gente se entende: o que interessa é dividir a carreira para os mais velhos avaliarem os mais novos? Ou é o reconhecimento do mérito?
Sabe, por acaso, como foram escolhidos os titulares?
Se calhar poderia ir procurar saber.

Por exemplo, pense nesta contradição: para ser Coordenador de Departamento tem que se ser titular. Algo enquadrado na lógica dos mais velhos a orientar os mais novos.
Mas, e para ser Director, o órgão máximo da escola?
Pois… É algo do tipo o Secretário de Estado tem que ser titular, mas alguém para ser Primeiro-Ministro não necessita de tantas “habilitações”… É coerente.

Depois, termina com uma frase “roubada” à FENPROF: “Haverá que corrigir e melhorar muitas coisas, mas sempre com o sentido numa escola pública de qualidade, que é um dever do estado e o único meio de garantir igualdade de oportunidades a todos os cidadãos.”
Integralmente de acordo. Por isso é que sou Socialista e por isso é que colaborei na elaboração do Programa do PS nas eleições anteriores. E, também por isso, é que me sinto enganado.
Obviamente reconheço o trabalho na área das TIC, o alargamento da oferta no 1ºciclo, as obras nas secundárias…
Mas, e a Sofia? Consegue reconhecer o que não correu bem?

Só para concluir: as manifestações de professores, significaram o quê, para si?

Comments

  1. Emanuel Rocha says:

    Bela perspectiva. Mas se o Simplex foi criado para apelar ao voto no PS, acha que eles vão reconhecer que alguma coisa correu mal? Claro que não.

  2. dalby says:

    Só há um único problema real na reforma e é este ponto que mobiliza velhos, novos, ministra e governo e o RESTO É MESMO DEMAGOGIA HIPÓCRITA: AS MA$$AS!! UNS FORAM feitos e pagos para travar as carreira$, outros para evitar que isto aconteça..é só isto..o resto é MESMO treta!

  3. Alberto says:

    Com um calibre destes esta Dr não conhece o conceito de humanidade, se fizesse parte da Ordem dos Médicos esta Sr era corrrida

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