Veio das jotas!

Hoje estive numa reunião de trabalho que, bem à maneira portuguesa, demorou imenso tempo.

Falou-se de tudo, da política, das empresas, do Sporting, e de vez em quando voltavamos ao assunto. O problema é que logo que alguem conta uma história, fora da agenda, todos se vêm na obrigação de contar a sua e aquilo torna-se numa roda de vaidades.

Eu fiz, eu sou, eu vou, e é um fartote de egos à sobremesa, sobrepondo-se com a pressa de dizer primeiro, ou antecipar-se a uma história que todos conhecem e, quando alguem tem o bom senso de voltar ao assunto que ali nos trouxe, temos que começar tudo do principio.

Depois há sempre uns gajos muito cheios de trabalho que aparecem duas horas depois do combinado que em vez de irem para casa, ou irem beber um café à pastelaria da esquina e ficarem por lá, não, acham que são imprescendíveis e vá de arranjar cadeira com o ar mais sério deste mundo, enquanto os cumpridores, que estão lá a tempo e , que fazer um resumo, e tudo volta ao principio.

Ao fim de três horas, já ninguem ouve ninguem sendo preciso que alguem com alguma autoridade, faça um ponto de ordem à mesa e rabisque algo parecido com umas conclusões que depois se hão-de ver daqui a uma semana em próxima reunião.

Mas hoje estava-me reservada uma para o final da reunião que me envergonhou. Um dos presentes é um homem que é empresário em Angola e no Maputo, e para dar uma ideia do nível de pessoas que nos representam a nível de governo, contou-nos que um secretário de estado foi a Maputo entregar um prémio literário a Mia Couto e só descobriu que o escritor era um homem quando se confrontou com ele fisicamente.

Isto é verdade ou foi para me (nos ) achincalhar?

Comments


  1. Tanto quanto julgo saber, a gaffe da confusão com o Mia Couto não foi do Guterres, que ficou muito incomodado com a questão, mas de quem ao microfone ia fazendo a chamada dos agraciados (alguém da Embaixada? do Ministério da Cultura?). Um jornalista português comentou em voz alta, depois de acalmada a gargalhada geral: «Ainda bem que não veio a dona Sara… Mago!». Afinal não é razão para ficares envergonhado, Luís. O Mia Couto não é o Camões, o Cervantes ou o Shakespeare – não é obrigatório tê-lo lido e muito menos saber se é um homem ou uma mulher. É apenas um bom escritor. E temos de deixar de nos ofender com essas coisas. Não porque seja machista ou politicamente incorrecto, mas por que de facto uma confusão dessas não pode ofender ninguém.

  2. Luis Moreira says:

    Mas ,Carlos, alguem do Ministério da Cultura?