Agora, o fogo de artifício do presidencialismo

    

 

«É o presidencialismo possível ou desejável em Portugal?» Debate com a participação de João Gonçalves e de Pedro Mexia. Ciclo de debates – "QUE DEMOCRACIA PARA O SÉC. XXI? – organizado pelo CADC – Centro Académico de Democracia Cristã, em colaboração com as Livrarias Almedina. Na Almedina, Estádio Cidade de Coimbra. 23 de Outubro 2009, às 21h 00."

 

A resposta só pode ser uma: não! 

Tivemos uma experiência presidencialista com Sidónio Pais e uma tentativa abortada com Manuel Arriaga – Pimenta de Castro. A 2ª república não foi presidencialista, devido aos condicionalismos impostos pela personalidade do primeiro-ministro Oliveira Salazar e à clara necessidade de manter as Forças Armadas tranquilas e aparentemente ttulares do exercício da soberania. Gomes da Costa jamais poderia ter sido o "presidente-total" e ainda menos um general Carmona ou a conhecida nulidade Craveiro Lopes. Pelo contrário, o sempre subestimado Américo Tomás, viu crescer a sua importância – embora discreta e camuflada pelo governo de Marcelo Caetano – após o desaparecimento político de Salazar.

 

O ilusório presidencialismo, não passa de uma reedição de um neo-sebastianismo disfarçado de "novos tempos", enfim, um bonapartismo querido por alguns, num projecto de moralização da coisa pública. Conhecendo a personalidade e a carreira de alguns – ou melhor, do único – candidato(s) a salvador(es) da pátria, conclui-se com um simples apontar do dedo à manipulação e à quimera. Não será desta forma que a república conseguirá sobreviver ao vórtice que criou. Aliás, temos coisas mais importantes para tratar.

Comments


  1. Com o actual regime vamos tendo dois pilares que se equilibram e que permitem um envolvimento popular mais vasto.Não me parece que reduzir a participação popular seja coisa boa.

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