Os chico-espertos voltaram a atacar

Há uns meses o assunto foi falado. A reacção negativa de muitos sectores levou os paladinos detentores da moral legalista a enfiar a viola no saco. Agora, como quem não quer a coisa, pela calada e de forma até algo envergonhada, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu chegaram a um acordo para que as autoridades administrativas dos Estados-membros poderem cortar o acesso à Internet aos utilizadores que façam downloads de ficheiros protegidos por direitos de autor sem uma ordem judicial prévia. Sem ordem judicial, reforço.

 

O centro da questão é mesmo este. É claro que quem efectua downloads piratas comete uma ilegalidade e pode ser punido por isso. A questão é não ser necessária a intervenção do poder judicial. Basta um fulano sentado a uma secretária assinar um papel e pronto, está feito. Não sei se haverá muitas infracções punidas assim, de forma tão leviana.

Isto não acontece por acaso. É fruto das pressões dos detentores económicos dos direitos, sobretudo editoras musicais, que ainda não perceberam como reagir ao fenómeno da Internet.

 

Há uns dias, um estudo, mais um, veio confirmar que os “piratas” compram mais música que os não “piratas”. Esta é uma certeza que tem anos. Os génios que administram o mundo da edição musical é que ainda não perceberam isto. Ou não querem perceber.

Não me interpretem mal. Não defendo os piratas. Mas também não defendo os administradores e gestores das empresas editoras que se aproveitam da criatividade de outros para ganhar mais dinheiro com as suas criações do que os próprios criadores.

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