Solidariedade com o camarada Pacheco Pereira

Declaro por minha honra que fui revolucionário uma vez, e não passou. Fui ao médico, receitou-me, tomei a medicação toda, agravou-se. Fiz curas termais, estive quase a rebentar aquilo à bomba. Estive num centro de desintoxicação, organizei uma comissão de utentes, intoxicámos a administração toda. Só a morte me libertará desta sina, sei. Sócrates tem razão.

 

Agora a sério: uma das duas anedotas que sei de cor e salteado vem mesmo a propósito da última piada do primo-ministro:

 

Quando Lenin (também pode ser Marx) morreu foi obviamente para o inferno. Tempos depois o Diabo dirigiu-se a Deus:

– Ó pá, tenho lá um tipo que me anda a desorganizar o inferno todo. Aquilo é comissões de diabretes para aqui, sindicatos de condenados para acolá, já não consigo ter mão em nada. Tu, como és infinitamente bom e misericordioso, podias ficar-me aqui com um gajo durante uma semana, enquanto reponho a ordem natural das coisas.

E Deus, como é infinitamente bom e misericordioso, aceitou.

Passou uma semana, duas, e Deus não devolvia Lenin. E o Diabo dirigiu-se ao céu, bateu à porta, e disse:

– Então Deus, como te tens dado com o revolucionário?

Ao que Deus respondeu rispidamente:

– Em primeiro lugar Deus não existe.