A Pax Americana

Em primeiro lugar, com o declínio acelerado da União Europeia, a Pax Americana, cujo líder (ainda) são os EUA, encontra-se em vias de perder a sua “classe média e média alta”, ou seja, uma parte substancial do seu suporte no subsistema de liderança. Isto é muito grave e tanto americanos como europeios deviam reflectir sobre as causas dessa perda de poder no mundo (também já escrevi sobre esse tema).

Em segundo lugar, como já escrevi em 1998, a introdução prematura do euro foi mesmo um erro. Todavia, este erro podia ter sido facilmente corrigido – postulei isso – se na altura tivesse havido em simultâneo  uma mudança radical de estratégia/comportamento da UE, no sentido do meu esboço New Deal. Não foi corrigido, porque tanto o pessoal de Bruxelas como os seus chefes nas capitais europeias são gente de segunda e de terceira que marcam passo e apenas perseguem objectivos introvertidos. Isto ao longo dos anos acabou por transformar a UE de um sistema outrora aberto em um sistema fechado incapaz de aceitar novos conhecimentos. E agora a “Euro Trap” (cf. artigo abaixo de Paul Krugmann) ameaça a fechar.

Duvido que os EUA, mesmo que quissesem, seriam capazes de destruir o euro, pois este está a auto-destruir-se pelas conhecidas razões. E mais: constituindo os EUA, juntamente com a UE, ainda o sistema de liderança do tal chamado 1º mundo, com a queda da UE e eles próprios em graves turbulências, terão que haver-se com a China e outros que farão tudo para lhes passar a perna. E de resto, como é sabido, todos nós, isto é, god’s own country and his partners in misleadership, estamos a fazer mesmo todos os possíveis para perdermos imagem e poder no mundo através da estúpida guerra no Afeghanistão. Saltámos para lá que nem um tigre e sairemos feitos um tapete de cama em pele de tigre.E qualquer dia, se os americanos e nós não acordamos, teremos uma nova Pax. Esperemos que seja benévola e não bárbara.

“Vae Victis !” – ai dos vencidos. Exclamação do líder gaulês Brennus aquando da tomada

de Roma em 18 de Julho 387 a.C.

Comments

  1. Andre says:

    No Séc. XIX o 3º mundo era apenas um “fornecedor” de matéria prima ao mundo desenvolvido, no Séc. XX decidimos que era mais fácil e barato deslocar para lá a produção, entretanto no Séc. XXI o 3º mundo já aprendeu como produzir por si só e já descobriu que a Europa e os EUA não possuem matérias primas para alimentar as suas economias, as quais como tal começaram a tornar-se especulativas… O resultado está à vista e não vai ficar por aqui. Não tenhamos, portanto, dúvidas quanto aos papeis futuros da China, África ou América do Sul.
    O problema, mais que económico, reside nas politicas e nas práticas de Gestão, como tão bem têm denunciado Henry Mintzberg e Jeffrey Sachs.

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