A roupagem do poder – o Papamóvel!

O Papamóvel é um exemplo da “roupagem” de que o poder necessita para “demarcar” o território de que é soberano. Colocar o Papa acima dos outros homens é como o “elevar” à condição de alguem que está logo abaixo de Deus. Que tem com Ele uma aproximação que não é permitida a mais ninguem, que fala com Ele todos os dias, que tem a chave da “terra prometida”!

Foi o que me ocorreu qundo hoje, por mero acaso, me encontrei com a comitiva papal. Um aparato de motas e carros tudo em silêncio, o helio que nos sobrevôa, a ambulância, os dignatários civis e religosos, até o adeus dos seres humanos e os gritos, aqui e ali, tentados, compõem uma “liturgia” que tem em vista “demarcar” essa distância que  eleva o Papa à condição de “acima do humano”.

Não é só a religião que traduz o poder nessa composição visual, o Estado tambem o faz embora com menos aparato, aí funciona mais “a força bruta” , o exibir os edificios magestosos( Madrid foi construída monumental para ser a capital da peninsula e no centro do hexágono), a capacidade de se mostrar nos espaços mediáticos, tudo bem mais terreno, a exibição das forças armadas, a polícia…

Lembro-me de um excelente filme (cujo nome, em Japonês, não me ocorre)  que face à morte do rei, que representava o país unido, num território devassado por guerras entre guerreiros poderosos e territoriais,  a nomenklatura o substituiu por um sósia e o manteve à distância, com as mesmas “roupagens”, fazendo crer aos povos, finalmente em paz, que se tratava do seu senhor!

Somos nós, o povo, o homem e a mulher  que faz todos os dias pela vida que precisa de uma componente “éterea”, alguem que garanta a paz? O poder a que em última instância se recorre? Quem olhe por nós? Queremos acreditar que na solidariedade, na justiça, na segurança, há quem “trate dessas coisas?

Cientistas sociais, os primeiros a apontar o dedo a estas manifestações de poder e a ajudar os povos a uma maior autonomia, satisfeitas as necessidades básicas dos povos, confrontam-se agora com gente desiludida, sem esperança e voltam a indicar essa componente “éterea” como essencial a uma humanidade mais realizada!

Comments


  1. Kagemusha (1980) Akira Kurosawa, é o nome do filme..

  2. Luís Moreira says:

    p, obrigado, é isso mesmo!Tambem o impressionou.


  3. sim, e um filme que tinha gravado numa velha videocassete.

  4. Pedro Rocha says:

    E os netinhos do sr. Silva? Não me diga que o Kurosavva, também sabia o nome deles!

    • Luís Moreira says:

      Com o que ouvi hoje ao almoço numa esplanada quando passou a ave canora, julgo que vai que ter que aguenter mais 5 anos de sr. Silva!

  5. Pedro Rocha says:

    Mas depois desses 5 anos, ele regressará a Boliqueime, onde cultivará o seu gosto pelos matraquilhos e ping-pong, tratará da horta e não mais se ouvirá falar do senhor. Graças a deus.

    • Luís Moreira says:

      Não sei. O marocas ainda hoje anda por aí a apoiar o Sócrates que apoia a fundação do mário …

  6. maria monteiro says:

    Só com o susto de mais 5 anos, até vou atirar uma velinha, para o “crematório das velas”, a pedir um milagre

  7. Pedro Rocha says:

    Eventualmente poderá apoiar o Dias Loureiro que lhe ofereceu 70.000 contos de mais valias não cotadas.

    • Luís Moreira says:

      O homem não é santo! É como o Figo, no dia em que deixar de jogar já ninguem o conhece. Agora o Mário é demais, a Fundação afunda-nos!

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