escritores chilenos – Pablo Neruda

Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, el deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida. [1] Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La

porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La Chascona, feita para o agrado da mulher que amava, Matilde Urrutia e os seus encontros clandestinos. La Chascona, por causa do telhado de totora[1]. Nem pensar que, por ser poeta, falasse em verso, falava como todo ser humano nascido no centro Sul do Chile, engolindo as consonantes e um cantar típico que compassava as suas frases.

Era de Parral e foi, como digo em nota de rodapé, criado pelo seu avô paterno. O nome Neftalí da sua partida de nascimento de 12 de Julho de 1904, era o da sua mãe. O padre José del Carmen, no perdoava a causa da morte da sua mulher por causa do nascimento de Pablo. Foi-se embora e foi criado pelo seu avô paterno nas suas terras de Parral. Como Neftalí Reyes, era neto e filho terra tenente, esse de prosápia mas sem dinheiro…. As suas ideias socialistas nasceram de ver como eram mal tratados os trabalhadores, obrigados a trabalhar desde a manhã cedo, até a tarde noite.

Lia, gostava ler, especialmente poesia. A casa do avô paterno, José Angel Gomes Hermosilla uma mansão rural, tinha uma Biblioteca, onde livro nenhum era perdoado de não estar ai. O pelo menos, era o que ele dizia. Quem toma conta dele é a sua avó das segundas núpcias do seu Avô Dona Encarnación Parada, quem procura entre os inquilinos a melhor mulher para amamentar ao seu neto adoptivo – a sua mãe era fruto do primeiro matrimónio do Avô com Tomasa Opazo, a avó consanguínea de Pablo Neruda, morta como a sua filha, ao dar a luz a Rosa Basoalto, a mãe de Neruda

Chegada a hora dos estudos, apesar do Avô querer e poder preparar a sua instrução. A criança não quis e teimo em assistir a escola pública de Parral. Grande sorte. Ensinava ai Lucila Godoy Alcayaga, que mudou o seu nome para Gabriela Mistral após ganhar os Jogos Florais de Santiago, em 1914, com seus poemas Sonetos de la Muerte. Foi o encontro feliz da vida de Neruda: ela lia poemas, ele começava a escrever. Dizem que um dia o pequeno Pablo foi a casa da sua maestra [2] Ela lia, ele ouvia ensinou-lhe, como se for um menino atrasado nos estudos, como escrever. Anos volvidos, tornaram-se a encontrar na Itália, ela como consulesa. Aliás, a maestra era amiga de Rosa Nefatlí, quem ensinara à mãe como fazer do pequeno, um poeta. Entre a mãe e a sua colega amiga, começaram por Virgílio e outros textos, até o enredo de relações acabar: morre a mãe, Gabriela é transferida a altos cargo e o pai, todo arrependido pela sua atitude prévia, casado outra vez, leva ao pequeno desde Parral para Temuco.

El padre se casa en segundas nupcias con doña Trinidad Candia Marverde. Era diligente y dulce, tenía sentido del humor campesino, una bondad activa e infatigable. No puede nombrarla madrastra. Ella es su “Mamadre”: “Mi boca tiembla para definirte/ porque apenas/ abrí el entendimiento/ vi la bondad vestida de pobre trapo oscuro”. También ahora pertenecen a este nuevo hogar sus hermanos Laurita y Rodolfo. Atrás quedó Parral como recuerdo vago, blanco y polvoriento. Es Temuco, su geografía: lluvias, bosques, madera, pájaros, insectos cogidos por los ojos hacia el arca de su curiosidad desmedida. Y son de Temuco las tiendas identificadas con objetos inmensos: zapatos, serruchos, caballos, llaves, olletas para los que no saben leer. Ciudad de incendios, las casas de madera no están preparadas para el verano. Allí entra al Liceo, sus compañeros de apellidos extranjeros “iguales entre los Aracenas y los Ramírez y los Reyes, brillaban con luz oscura los apellidos araucanos olorosos a madera y agua: Melivilus, Catrileos.”

Reencontra à maestra, essa amiga da sua mãe, já no cargo de Directora do Liceo de Niñas de Temuco, leva-lhe, confiante, o seu primeiro poema. A directora, com esse carácter mal-humorado que todos sabiam, perguntou-lhe: de onde o copiaste?…. Após este (des)encontro, Neruda apenas a encontra na Itália, onde ela era consulesa e Neruda, fugido da perseguição chilena aos comunistas, não tem outra alternativa que acudir a ela. Mistral, envergonhada do passado, faz os possíveis, para o proteger. O resultado foi um sucesso[3].

A minha lembrança mais clara de Neruda, era a sua forma de rir e de levar a vida alegremente, especialmente na Sebastiana. Onde nem os seus piores poemas eram maus para ele. Aliás, com a excepção de, Veinte poemas de amor y una canción desesperada. Santiago, Nascimento, 1924, Canto general. México, Talleres Gráficos de la Nación, 1950 e outros.

O que dele não se conhecia, mas foi tornado público, eram os poemas escritos enquanto era estudante do Liceo de Homens de Temuco. Em quanto caia a chuva, ele escrevia o que hoje conhecemos por Cuadernos de Temuco,[4] manuscrito perdido ao longo do tempo e de um tipo de poesia que não seriam o seu orgulho mais tarde.

Um poema diz:

Cansancio I

Dejar fecundamente clavado el corazón.
Para qué rebeldías? Para qué sufrimientos?
Elevemos más grande nuestra eterna canción
en el molde callado de los propios momentos.

Los pájaros ignaros sigue el rumbo eterno
y nosotros humildes, seguiremos también,
nos blanqueará el cabellos la nieve del invierno,
la racha más helada nos herirá la sien.

Para qué sufrimientos. Para qué rebeldías?
Tendrá que helar huesos la racha del dolor,
fatalmente tendremos que sentir que no ardía
eterna, eternamente nuestro primer ardor.

Essa alegria de viver acabou a 23 de Setembro, aos 69 anos, onze dias depois de morte do seu melhor amigo, Salvador Allende, Presidente Constitucional do Chile. Acabou a 10 o seu livro, Confieso que he vivido. (Memorias), Barcelona, Seix Barral, 1974. (autobiografia) sua segunda obra em prosa, após a peça de Teatro, em verso e prosa: Fulgor y muerte de Joaquín Murieta. Bandido chileno injusticiado en California el 23 de julio de 1853. Santiago, Zig-Zag, 1967. (Obra teatral)

Allende defendeu ao Chile com a sua vida: Pablo Neruda, com as suas letras.

Haveria mais para dizer, mas o espaço…

[1] Pablo Neruda nasceu em Parral, em 12 de Julho de 1904, como Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto. Era filho de José del Carmen Reyes Morales, um operário ferroviário, e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária, morta quando Neruda tinha apenas um mês de vida. Ainda adolescente adoptou o pseudônimo de Pablo Neruda (inspirado no escritor checo Jan Neruda), que utilizaria durante toda a vida, tornando-se seu nome legal, após acção de modificação donome civil. Retirado da Biografia Pablo Neruda, escrita pelo meu amigo que falecera em 2005, com 101 anos, livro escrito em 1984 na União Soviética e publicado no Chile pela Editorial Sudamericana Chilena em 1996


[1] totora.

(Del quechua tutura).

1. f. Am. Mer. Planta perenne, común en esteros y pantanos, cuyo tallo erguido mide entre uno y tres metros, según las especies. Tiene uso en la construcción de techos y paredes para cobertizos y ranchos.

[2] No Chile as professoras primárias recebem esse nome, enquanto entre nós todas e todos são professores, excepto os docentes do jardim da infância: Educadores da Infância. O encontro foi feliz.

[3] Contado a mim por um nosso parente do Corpo Diplomático e por Volódia Teitelbom que, por recato, não o escreve no seu livro Neruda

[4] ,Neruda, Pablo, poemas entre os anos 1919-1920, 1997: Cuadernos de Teumco, Seix Barral, 1997

Pablo Neruda, Theodorakis, Algunas bestias parte 2

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