Na Escola, os Pais fazem a diferença

O estudo divulgado pelo Diário de Notícias de ontem (descoberto aqui) surge em contraponto a outro anunciado com muito mais pompa e circunstância e que mereceu algum debate no Aventar. Mais uma vez, nesta análise, terei como base apenas a notícia.

A autora do estudo, Teresa Guimarães, é investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, dado que nos é facultado pela notícia. Em síntese, procedeu à comparação entre dois grupos de 12 famílias carenciadas no Vale do Ave: num grupo, os alunos têm bons resultados, enquanto no outro há insucesso escolar. A investigadora conclui que a diferença, não estando nos rendimentos das famílias, está na atitude dos encarregados de educação relativamente ao percurso escolar dos filhos. Mesmo correndo o risco de abusar da auto-citação e de parecer que estou a brincar ao “eu já tinha dito isso”, a verdade é que já opinei sobre este assunto aqui, com uma base absolutamente empírica e sem pretensão de originalidade, mas com conclusões semelhantes.

No que é possível saber do estudo, penso que é de louvar, antes de mais, a descida ao terreno, falando directamente com as pessoas envolvidas no processo escolar das crianças, mesmo que se possa considerar que a amostra é curta. Já me parece mais apressada a inferência de que os recursos económicos não têm influência directa nos resultados escolares, até porque, por exemplo, são os membros das próprias famílias com alunos de sucesso que temem que as limitações económicas possam levar ao abandono escolar. É certo que uma sociedade justa não pode aceitar que a condição económica ou sociocultural sejam uma maldição, mas não devemos ignorar o peso que têm sobre o rendimento escolar, sob risco de não termos em conta um factor fundamental.

As propostas feitas pela investigadora merecem, mais uma vez, um louvor: proporcionar acompanhamento psicológico aos jovens e incentivar um maior acompanhamento parental. Relativamente à importância das actividades extracurriculares, não se pode negar a sua importância, mas não apenas ou sobretudo para ocupar os alunos.

No que respeita ao título da notícia, se a tónica da investigação está colocada na importância de intervenção dos pais, parece-me infeliz acentuar a questão socioeconómica.

Seja como for, entre um estudo realizado por especialistas em Gestão ou Estatística que ouvem papéis e outro em que uma investigadora interroga pessoas, prefiro este último. Se o governo tivesse a mesma capacidade para escutar, poderia, entre muitas outras coisas, dar início a uma campanha em prol de um maior envolvimento dos encarregados de educação na vida dos respectivos educandos.

Comments

  1. Telmo Barbosa says:

    Resta pouco ou nada a acrescentar, acho que se trata de uma mostra competência.

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