O equívoco Alegre

-Inicio aqui a minha colaboração no Aventar. Deixando para trás as apresentações, começo por cumprimentar todos os autores do blogue, mas principalmente os leitores, sem os quais nada disto faria sentido. Ponderei o tema a escolher para este post, hesitando, acabei por me decidir sobre a eleição presidencial, mais concretamente Manuel Alegre e sua relação com o PS, partido onde milita desde 1974.

Almocei há dias com uma amiga, militante socialista, que me confessou estar incumbida de mobilizar os filiados na estrutura local a que pertence. Começou como habitualmente por enviar mails e sms, mas estranhou receber menos telefonemas de retorno que noutras ocasiões, até que constataram no primeiro evento realizado, uma apresentação em sala num Concelho dos arredores de Lisboa, adesão abaixo do mínimo expectável. A minha amiga terá efectuado a partir daí alguns telefonemas, mas encontrou de tudo um pouco, os que vão porque sim, não podem, sabem ou lhes convém recusar, mas outros menos dependentes ou assíduos, apresentam justificações como trabalho excessivo ou falta de saúde, que segundo a minha amiga, se percebe facilmente serem desculpa. Quando lhe perguntei a interpretação para o facto que me acabara de confessar, respondeu que os militantes do PS estão habituados a vitórias, as notícias de sucessivas sondagens com resultados desfavoráveis para Manuel Alegre, estarão a contribuir para a falta de entusiasmo que todos percebem nas hostes. Ontem no Algarve, em Loulé, não conseguiram mais num jantar de campanha que encher metade do restaurante escolhido.

A verdade que ninguém quer ver, é o desconforto existente na própria candidatura, as estruturas do PS e BE olham para o lado com desconfiança, muitos militantes socialistas, não esqueceram ou perdoaram ao candidato presidencial as “traições” cometidas durante a anterior legislatura enquanto deputado, que até lhe poderiam ter rendido maior simpatia no eleitorado, se delas tivesse retirado consequências, mas Manuel Alegre cometeu um equívoco, ao pretender representar durante uma legislatura, o milhão de votos que recebeu na eleição presidencial, afinal é suposto que a maioria se esgote no acto eleitoral, seria absurdo e impraticável se a minoria permanecesse. Normalmente costumamos afirmar que as grandes vitórias começam precisamente na nossa casa, mas as derrotas também, não é necessário estar muito atento à política nacional, ou esperar pelo dia 23, para perceber quem já perdeu.

Comments

  1. graça dias says:

    Pois é, patetas há muitos. Pateta alegre só há um o alegre e mais nenhum…
    Parabéns, para os camaradas lúcidos, estão ocupados….

  2. Fernando Moreira de Sá says:

    Boas postas e sê muito bem-vindo ao Aventar!


  3. Bem-vindo, António de Almeida.

  4. Ricardo Santos Pinto says:

    Bem-vindo, caro António. Mas permite-me discordar quando dizes que sem os leitores nada disto faria sentido. Um blogger escreve para si próprio, pá, por isso os leitores não interessam para nada. Isso é para os taradinhos das audiências, que também os há neste blogue. Eu cá não, não quero saber disso para nada.

  5. Antonio de Almeida says:

    Obrigado, Ricardo. Quando escrevi os meus primeiros posts em 2007, já ficava satisfeito se atingia 10 visitas por dia, mais ainda se alguém comentava. Entendo que um blogger quer ser lido, o que não significa que busque audiência fácil, para isso basta permitir e até incentivar todo o tipo de comentários, e encher de trolls as caixas, todos conhecemos exemplos, de contrário o blogger escreveria um diário ou caderno de apontamentos, eventualmente teria um blog fechado a visitas, conheço quem o faz. Quanto a mim um blogger escreve pelo prazer que sente, nesse sentido já concordo com a tua afirmação, eventualmente às vezes por rotina, porque se habituou, mas nessa altura a meu ver, é quando isto perde a piada. Claro que também existem os que escrevem por obrigação, procurando marcar ou condicionar uma agenda, política ou outra, fazendo disto uma quase profissão, ou até parte dela, mas isso caberá ao leitor julgar e todos somos também leitores, uns mais assíduos que outros…

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Se alguém te disser que eu sou obcecado pelas audiências, António, não acredites. 🙂
      Caro Joshua, claro que podes e deves chamar amigo ao Aventar. O Palavrossavrvs Rex também é um amigo do Aventar.


  6. Finalmente, António! Desejo-te um regresso bom à bloga e logo no Aventar, blogue legível, um daqueles a quem posso e devo chamar amigo, creio. Também estou de acordo com o Ricardo Santos Pinto: a bloga é um belíssimo solilóquio. Leitores isso é coisa que não há: ‘no problemo’, mais fica.

    Subscrevo a tua tese acerca de Alegre e digo mais. Uma coisa é perder, perder garantidamente, perder em toda a linha, perder. Ponto. Outra coisa é ser bronco enquanto se perde, boçal enquanto se perde, desatinado enquanto se perde, obstinado enquanto se perde, rottweiler enquanto se perde. Alegre superou todas as expectativas do péssimo e do insuportável.

    Oxalá a votação em Nobre o demonstre bem.

  7. Antonio de Almeida says:

    Olá Joshua, julgo que percebeste o meu ponto, escrevemos o que queremos ou sentimos, mas gostamos sempre que a nossa mensagem passe, mesmo se não chega ao destinatário. A escrita é sempre um acto individual, mesmo se escrita a duas mãos, como acontece num dos teus projectos. Mas se gritas, preferes ser ouvido por 5 pessoas com atenção, a teres 1000 que te olham sem perceberem o que dizes, é nesse sentido que posso concordar contigo e também com o Ricardo Santos Pinto.
    A votação em Nobre não será expressiva, porque a campanha está mal conduzida, como muitos também não querem votar Cavaco, a grande vencedora será mesmo a abstenção. Obrigado pelas palavras, abraço!


  8. Realmente, em tempo de crise não ser capaz de encher um restaurante com almoço à pala… é mesmo muita falta de entusiasmo.

    • Antonio de Almeida says:

      Era jantar Manuel e normalmente esses almoços ou jantares não são de borla, mas os militantes são convidados, eu diria, quase obrigados a irem…


  9. Bem vindo António.


  10. Esperemos que te dês bem por cá, António, sê bem vindo.

  11. carlos fonseca says:

    Uma avaria do ADSL alentejano, prolongada e remediada com um lentíssimo serviço de “Banda Larga” da Vodafone, só agora me permte dar-te as boas-vindas ao Aventar.

    • Antonio de Almeida says:

      Conheço muito bem o Alentejo, apesar de lisboeta, as minhas origens estão a Sul, nessa terra onde a rapidez pode não ditar as regras, antes preferem desfrutar os prazeres da vida. Obrigado, Carlos!


  12. Quem perdeu? Isso é fácil, foram os portugueses.

  13. Antonio de Almeida says:

    Os portugueses já andam a perder há muito tempo, Daniel. Provavelmente desde o início do século XIX, se não for antes, o resultado desta eleição não será relevante…


  14. De volta a Lisboa, venho finalmente dar-te as boas vindas públicas 🙂 Confesso que volta e meia passava pelo Direito de Opinião para ver se havia novidades. E agora, andado por aí, andas por cá 😉

    • António de Almeida says:

      Obrigado, Jorge, com muito gosto, confesso que já sentia alguma falta, o bichinho entranha-se! Obrigado pela ajuda.


  15. Bom reinicio. Parabéns.

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