Vou botar o meu voto no José Manuel Coelho

JoseManuelCoelho Onde botar o voto nestas presidenciais estava complicado.  O voto rege-se pela sua utilidade e necessidade,* e perante António Cavaco Silva só votando noutro gajo se fica com a consciência tranquila. Qual gajo?

Manuel Alegre foi demasiadas vezes deputado por Coimbra para não ter reparado nele. É da geração do meu pai na sua passagem pela aldeia universitária, quando deixei de o ouvir em ondas curtas continuou a ser um poeta muito pouco interessante para o seu tempo (convém lembrar que Herberto Helder é seu contemporâneo mas sempre escreveu poemas e não se lhe conhecem rimas para cantarolar), caçador, e aquela parte da voz ficou-se-me eternamente associada a coisas politicamente muito más quando passou a ouvir-se em frequência modulada. Voto numa segunda volta, sem urticária, mas irrita-me. Os tactitismos dos meus camaradas que continuam no Bloco de Esquerda são tacticismos muito pouco estratégicos, que é quando se faz da politíca um jogo de sorte e azar. Para a próxima espero que tenham sorte.

Fernando Nobre, que não é grande apelido para um presidente da República como Mário Alberto Nobre Lopes Soares percebeu ao deixar-se conhecer simplesmente por Mário Soares, li esta piada algures e copiei, escutei-o numa missa no Pátio da Inquisição quando a Marisa Matias e o Rui Tavares eram candidatos ao parlamento europeu e fiquei com a ideia de que não iria votar nele para a presidência da república se uns meses mais tarde lhe desse para ser candidato, julgamentos de Inquisição em seu pátio, admito, precipitado, aceito, mas sem dúvidas pelo menos para uma 1ª volta.

Francisco Lopes é natural do meu distrito e eu nunca votaria num natural do meu distrito. A forma profissional (de revolucionário profissional, leninista, sem ironias) como cumpre (bem) a sua (respeitável) missão (reformista) não desmorona o meu bairrismo primário.

A Defensor Moura conheço o ter tentado mandar abaixo um mamarracho. Mandar abaixo um mamarracho é um currículo muito razoável para um autarca, mas nem tenho ido a Viana do Castelo, nem sou de lá, e sou bairrista primário.

E nisto fui salvo pelo José Manuel Coelho. Já tinha aventado, numa das vezes em que levou porrada, que o homem era a oposição que Alberto João merecia, dando aulas aos oposicionistas do costume.

O voto 2 em 1, contra Jardim e Cavaco, surgiu como uma tentação, mal Jardim disparou.

Encontro agora um comunista independente, com um cheiro ao pessoal que às vezes aparecia nos tempos de antena deputais do PCTP ou mesmo do POUS, é certo, cheiro a trolha, mas com obra feita contra o jardinismo, um percurso coerentemente incoerente, como só pode ser o percurso de um comunista nas décadas em que vivi, um discurso que o aproxima  mais do Lula que do Tiririca, como armado em  tiririca já pensei.

Um homem da minha geração chamado José Manuel que não tem vergonha de se chamar José Manuel, é povo.

Um voto no meu bairro já o José Manuel Coelho tem garantido. Dispam-se de preconceitos, fantasias e fantasmas e pensem lá no vosso.

* esta é para ti Renato Teixeira. O voto nunca foi a arma da povo mas não deixa de ser uma estalada como outra arma qualquer. A tua sorte é ainda seres um jovem esquerdista – de bem piores eleições te safaste camarada.

Comments

  1. Papoila says:

    a contrainformação no site das presenciais é tão óbvia… como podem blogs com quase nenhuma visita estarem em destaque?! 🙂
    como podem candidatos com quase ninguém em campanha estarem “tantoooooo tempo em 1ª página”?! 🙂
    como?! 🙂
    daaah sou loira e não percebo ah ah ah

  2. Renato Teixeira says:

    Nem utilidade, nem necessidade. Como expliquei ao meu puto: Não votes para que os papões deixem de meter medo, se ninguém está capaz de os tirar do quarto. O voto serve quando serve, e desta vez, por culpa que me é alheia, não serve para nada.

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