Vai votar ou vai deixar outros decidirem por si?

Vai a campanha eleitoral a meio, ou muito provavelmente a um quarto, já que cheira-me a segunda volta, e o que sabemos sobre o que tenciona fazer o próximo presidente? E quanto do anterior mandato já foi escrutinado?

Muito se tem falado de espingardas e de venda de acções mas quando, daqui a uns meses, não mais for possível esconder a ruína das contas públicas, o que vai o presidente fazer? Soubemos que o governo vendeu à China, na semana passada, títulos da dívida soberana, sem que tenha sido tornado público a taxa de juro do empréstimo nem que outras condições foram negociadas. O que pensam os futuros presidentes de uma plausível venda de soberania? Preocupá-los-á mais uma temporária incursão do FMI ou compromissos não publicitados que tenham sido estabelecidos com outras nações?

Estas e outras questões laterais, como insistir em iniciativas de carácter legislativo numa eleição presidencial, têm saltado das campanhas eleitorais para as parangonas. E no entanto, surpreendem-se os candidatos com a abstenção que se prepara para, novamente, ganhar as eleições. O que será uma pena, pois não votar é delegar nos outros a pouca voz que cada português ainda tem na condução deste país. Contrariamente às outras eleições onde o eleitor não tem voto na matéria quanto à escolha dos deputados, dos ministros e dos autarcas, nas respectivas eleições, a eleição presidencial é a única verdadeiramente democrática. Onde o eleitor elege de facto quem se apresenta a votos, em vez de votar em listas de pessoas escolhidas pelos partidos.

Não votar na próxima eleição é renunciar à democracia, somando poder à partidocracia. Mesmo quem não se reveja em nenhum dos actuais candidatos, continuará a ter duas outras, o voto nulo e o voto em branco. É por esta razão que no próximo domingo não deixarei de exercer o meu direito de voto.

Comments


  1. Vamos abalar a partidocracia nestas eleições e abrir espaço para:
    Petição em prol de uma verdadeira democracia representativa
    http://www.gopetition.com/petition/26885.html

  2. Rodrigo Costa says:

    … Meu caro Jorge, nem voto nem passo procuração. Nunca votei nem passei procuração… porque nunca acreditei e porque não vejo quem, fazendo-me acreditar, justifique que eu o procure.

    Dir-se-á que não tenho consciência cívica, que não sou elemento com que possa contar-se para continuar a erecção da democracia —erecção é o termo ajustado, por ser com a democracia que nos f…

    Pois eu prefiro assumir, conscientemente, essa falta de consciência, e não desempenhar o papel de trouxa; porque, quando diz que a eleição do presidente é a mais democrática, tenho que lhe dizer, antes de mais, que a democarcia, na prática, nem sequer existe, em lugar algum —é figura de estilo—; e que mesmo a eleição do presidente é influenciada pelo modus operandi daquilo a que chamo de regime das putas —é assim que eu entendo a democracia.

    Quais são os candidatos que são propostos ou se propõem?…
    Eu respondo: 1- um homem cansado, que, à inteligência não deve grande coisa; que aprova diplomas, mesmo sem concordar com o que eles promovem, refugiando-se nos “superiores interesses da nação”;

    2- Um indivíduo que nunca mexeu um garfo, que escreveu uns poemas e que passa a vida a aludir aos seus tempos de “luta” —eu também acho que não é fácil convencermos alguém a que nos sustente, sem termos o que dar em troca—; um indivíduo que, com um milhão de votos conseguidos nas últimas presidenciais, se escondeu, desbaratando a esperança de papalvos que acalentaram a ideia de que o homem iria trabalhar… É o tanas! Apesar de tudo, ser secretário-geral do Partido e correr o risco de chegar a ministro é forte ameaça de ter que fazer alguma coisa… O ideal, concordo, é o lugar da presidência; onde, a partir daí, é sempre possível justificar a passividade com a legislação que coarcta a acção de qualquer soba que queira fazer ou impedir alguma coisa.

    E há, ainda, um pormenor importante: tem o apoio do Bloco de Esquerda; aquele agrupamento de rapazes e raparigas de toque incomum, descendentes, muitos, pelos tiques, de famílias que puderam e/ou podem sustentar-lhes os devaneios —há um ou outro mais idoso… mas isso deve ser visto como coisa sem importância; e há aquela rapariga que participa naquele programa da RTPN, com o Emídio Rangel e outro comentador de que não lembro o nome… Bem!…, é um espectáculo; a gente ficaria a perguntar-se a que “esquerda” pertence, se não soubesse que não há ninguém, de facto, de “esquerda”, porque toda a gente quer viver bem —designações!

    3- O Fernando Nobre parece-me ser alguém animado de boa vontade, mas incapaz de perceber —suspeito— as limitações do cargo; desconhecendo, inclusive, que os “carreiros” não é o presidente quem os rasga, mas a ninhada de ratos que não é sujeita a eleições, porque fazem parte, em parte, da mobília de um “palácio” alimentado pelo caos, pela ruína. Diria que é demasiado ingénuo, para se bater contra as tendências.

    4- O do PC… é do PC. É o representante de um aglomerado de gente azeda, que pensa ser de “esquerda”, mas que espera, inconscientemente —alguns, admito—, a hora de ferrar a sua tranche —o país deve a sua situação, em grande parte, à acção de pessoas que estavam convencidas e/ou que tentaram convencer serem de “esquerda”; quando todos estavam preocupados e precavidos contra o pessoal de “direita”, eis que surgem, do outro lado, hordas de mascarados procurando o mesmo —muito dificilmente um corpo resiste à invasão de vermes inesperados.

    5- Defensor Moura… Acho que não merecia que lhe fizessem isto. Alguém da família ou amigo deveria convencê-lo a contentar-se com o que tem. É verdade que me parece ser pessoa donde não vem mal ao Mundo, mas que não deveria entrar neste tipo de jogos, até porque, a par de Cavaco Silva, também já denota cansaço.

    6- Por fim, o José Manuel Coelho. O único que pode ser levado a sério, pela forma como se apresenta, perfeitamente em sintonia com a natureza do país: vai e diverte-te, não penses em coisas sérias, nem, muito menos, em coisas muito sérias…

    Como vê, em duas penadas, deixo, aqui, a razão da minha inconsciência. Isto depois de ler “O Jogo” e “A Bola”, porque isto não está para mais do que pensar em desporto. No entanto, nem no Mourinho voto.

    Nunca votei para nada, porque sempre achei que as atitudes inteligentes não podem estar dependentes de votações maciças, em que a maior parte dos eleitores nem têm, sequer, tempo suficiente para pensar, analisar, reflectir. E não acredito nos partidos, saliento. Por mim, destinava todos os deputados a uma mesma bancada.

    Abraço

  3. amsf says:

    Já encontrei o candidato que há-de levar o meu cartão vermelho às elites portuguesas, esse candidato é o José Manuel Coelho.

    Palhaço e maluco é o povo que vota sempre da mesma maneira esperando obter resultados diferentes!

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