A dupla vergonha das eleições da Ilha da Madeira

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LA MARSEILISE 

No dia 7 de Outubro, comentava um texto de António Fernando Nabais, que diz no fim: Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua estranha”, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA. (o sublinhado é meu).

De imediato escrevi um texto, publicado uma hora depois. Criticava duramente ao candidato a Presidente da Região Autónoma da Madeira pela sua personalidade paranoide, demonstrada em esse afã de se manter sempre no poder, por cima de todos os habitantes do arquipélago. Comentava que esse afã de ganhar e se manter no poder durante 33 anos, começando a sua nona presidência, após da votação de ontem de quatro em quatro anos, há eleições na Região autónoma da Madeira. De quatro em quatro anos, ganha um poder absoluto, uma ditadura permanente que nem comenta, por se sentir certo e seguro do seu triunfo. Uma dupla vergonhosa caiu sobre ele, nesta nona corrida ao poder: o terror que viveu antes, por causa do duplo medo de perder ou as eleições, ou a sua habitual maioria absoluta. As forças políticas começam a cercar esta longa ditadura legalizada pelos votos dos seus apoiantes, apoiantes que começam a se fartar e pela primeira vez perderam a maioria absoluta, levando um puxão de orelhas por parte do governo central. Foi procurado para um governo de colisão, rejeitado por ele, certo estava de obter essa ansiada maioria absoluto. Grande engano! Em dias proibidos, alugou autocarros da empresa de electricidade, a que deve dinheiro, levando assim pessoas que, pensava ele, iriam votar para a sua presidência. Grande engano. Muitos votantes fugiram para a nova direita que começa a surgir na Região, o CDS, que incrementou a sua votação em quase 18%, colocando ao Partido Socialista em terceiro lugar, partido que sempre era o segundo no poder, laçando a rua ao único membro do Bloco de Esquerda, que se mantinha solitário no poder. O PSD teve menos do 50%, mas com 25 deputados, o que faz pensar ao Presidente que obteve a maioria absoluta. Uma grade ilusão, desmentida pelas urnas

A minha segunda vergonha é ver um candidato alastrar votantes para si em autocarros da empresa a que deve milhares de euros gastos na sua campanha.

O candidato teve, ou todos eles, um brilhante dia de sol que levara a uma abstenção de 43%: o povo foi a praia a se divertir, como faz o candidato a espera do triunfo habitual. A sua personalidade infantil foi mostrada quer pela televisão, quer pelos jornais de hoje, vestido de palhaço, em reparar que os seus dias estão contados. Esta eleição será a derradeira que ganhe.

É-me difícil entender que um rapaz como ele, alastre multidões, com partidos tão sérios como esse que é o meu inimigo ideológico, e o outro a meu alter-ego. O combate deve-se centrar nos segundos e terceiros, com apenas três deputados de diferença, enquanto o palhaço da Madeira vai perdendo votos por andar a brincar à presidência. Não é um vaticínio nem uma premonição: é o que a realidade nos mostra no medo ao poeta Nobel e a três serias mulheres que ganharam o Nobel da Paz, com luta e galhardia, com tormento e guerra. Há actividades que não são para brincar. Um posto de mando e de luta, é uma actividade séria. Os quatro ganhadores do Nobel, têm essa virtude da que carece o eterno candidato da Madeira: é ler o jornal e reparar que, se têm sorte, o rapazito não é admoestado uma vez mais pelo PM.