O ditador e a chinesinha

As notícias são, sobretudo, silêncios, por muito barulhentas que sejam, porque o ruído não é mais do que a melhor maneira de não deixar ouvir o que é verdadeiramente importante.

Na Líbia, um assassino foi assassinado por uma multidão tão cheia de mortos que não soube ou não pôde ser civilizada. A História repetiu-se, como tem acontecido milhares de vezes, e mais um ditador foi reduzido a algo menos que um homem, colhendo aquilo que semeou. Os homens que o mataram foram também eles menos homens, como muitos outros antes deles, num repetição tão inesperada como frequente dos Idos de Março. O problema, como sempre, está na ilusão de que a notícia da morte de um ditador significa o fim de uma ditadura ou o princípio de uma liberdade, ideia que ocupa o discurso de todos os poderosos do mundo cuja função é falar com grande segurança do que se passa noutros países. Não estará o futuro da Líbia obscurecido pela morte de um homem, tão importante por ser homem e tão dispensável por ser um ditador?

No entanto, e evitando o ruído, podemos perguntar: que vale a morte de um ditador face à morte de uma criança? Na China, no dia 13 de Outubro, uma bebé de dois anos foi atropelada duas vezes e, apesar de estar inanimada no chão, foi ignorada por dezoito pessoas cuja desumanidade parece menos compreensível do que a de uma turba que representava quarenta e dois anos de muitas mortes de vários tamanhos. A criança acabou por morrer. Será mais um exemplo de morte por ignorância: talvez tivesse morrido mesmo que a primeira pessoa a passar a socorresse, mas nenhum corpo humano, sobretudo se infantil, pode ser tão ignorado.

Qualquer vida é, necessariamente, um desperdício, se caminha para o fim, mas ser humano implica saber que respeitar a vida obriga a respeitar a morte, porque cada vida e respectiva morte são tão únicas como uma impressão digital. E ser humano é difícil. Se fosse fácil, qualquer animal podia ser homem.

Comments


  1. permita-me que cite:

    “Na Líbia, um assassino foi assassinado por uma multidão tão cheia de mortos que não soube ou não pôde ser civilizada” e acrescente

    apoiada por bombardeamentos de aviões da Nato apoiados e pagos por quem diz que sabe e pode ser civilizado..


  2. coincidencia

    tanto se tem falado de Salazar e Kadafi .. 2 Ditadores

    mas curiosamente em Portugal:

    – OS DITADORES DEIXAM DINHEIRO

    – OS DEMOCRATAS ROUBAM-NO

    • MAGRIÇO says:

      Sem deixar de ser verdade, é também redutor e tendencioso. Faz lembrar aquela célebre falácia dos tempos da Filosofia do Liceu: “um gato tem duas orelhas e um bigode, o meu vizinho também, logo, o meu vizinho é um gato”. São poucos os ditadores que não se banquetearam com dinheiros alheios – e admito que Salazar possa ter sido um um deles – desde Saddam Hussein, Kadafi ou José Eduardo dos Santos, mas, exceptuando esta nossa cavacolândia, em que o poder tem sido exercido por oportunistas e calaceiros, não conheço nenhuma outra democracia em que isso tenha acontecido. Basta recordar as democracias escandinavas…


      • caro Magriço

        no Aventar tem-se falado muito dos ditadores Salazar e Kadafi

        que por coincidencia doram os que mais dinheiro deixaram em Portugal

        como sabe Kadafi deixou 1300 milhões de euros na Caixa Geral de Depósito

        daí… a conclusão..

        Se conhecer “democratas ” que o tenham feito…

        podemos acrescentar à “falácia”

      • Miguel martel says:

        Caros
        -Não misturem o Estadista, Homem honesto, competente e que trabalhou a Bem da Nação, com a escumalha como “democrata” de angola e sua filha, Sadam ou outros. Só quem está amordaçado ao ódio e ignorância dos abrilinos, pode julgar que há comparação entre os regimes.
        Só a título de exemplo, Churchill assassinou mais de doismilhões de indianos à fome, ao tirar-lhes o legítimo alimento para os europeus durante a II guerra mundial…, o Prof. Oliveira Salazar, livrou-nos dos seus horrores!

        • António Fernando Nabais says:

          Salazar foi responsável pelo atraso, até cívico, em que ainda hoje vivemos. Foi responsável por décadas de terror. Foi um homem sinistro e a possibilidade de que não tenha criado riqueza pessoal não faz dele menos sinistro. Poupou Portugal aos horrores da II Guerra para o atirar para a Guerra Colonial. O que é isso de comparar ditaduras? É comparar o número de mortes do regime ou de presos políticos e é menos ditadura quem tiver menos ou só se é ditadura a partir de um determinado número?

          • MAGRIÇO says:

            Exactamente! Mas não é fácil explicar a quem não viveu aqueles tempos de opressão, perseguição e horror o que é a ditadura de um fanático, De facto, de nada serve ter-se finanças saudáveis se não se investir no desenvolvimento económico do país e na formação cívica e cultural da população.

          • Miguel Martel says:

            Caro Sr. Nabais

            -Quanto ao acusar o Prof Salazar de ser responsável pelo nosso atraso, é querer desculpabilizar os reais responsáveis…, como é hábito, não é a primeira vez que ouço tal posição…, ainda só o não culparam do assassinato de Sá carneiro e Adelino a. Costa, porque não calhou. Também é responsável pelo atraso e dívidas que o País tinha quando era estudante universitário? -Ou quem é?

            -Em meu entender, o maior culpado do nosso atraso, é a nossa tacanha mentalidade de vistas curtas, de analisarmos as questões de forma subjectiva, por simpatias e afinidades…., já Eça de Queiroz dizia que os Portugueses só eram ricos na inveja. Veja-se como os políticos dos últimos 37 anos estão bem retratados num artigo que ele escreveu.

            Cordialmente.

            MLima
            P.S.- Quanto ao ser fanático, não ter desenvolvido o País, etc… olhem à vossa volta, abram os olhos, pois há muita coisa que o regime deixou, basta pensar nos liceus, escolas, universidades, hospitais, centros de saúde, etc… quanto ao fanatismo, etc… sugiro que leiam uns livros sobre o estalinismo, maoismo, e o que se passava em algumas democracias, para saberem o que aquilo era…, não foi por acaso que Calouste Gulbenkiam optou por viver em Portugal e deixar-nos grande parte dos seus bens! -Se fosse hoje…
            Também vos sugiro que frequentem o Museu república e resistência, onde a malta maçónica e vermelha por vezes, faz uns debates interessantes e oiçam aqueles que tiveram a sorte de frequentar a brandura das prisões do regime, embora defendessem o regime que criou gulagues onde havia temperaturas de -35ºC

  3. MAGRIÇO says:

    Caro Mário Carvalho, deixe-me ver se percebi: desde que qualquer sanguinário ditador ou mesmo um criminoso do calibre de Pablo Escobar, por exemplo, deixe dinheiro nos nossos bancos, já são melhores do que os democratas. Lembro-lhe que esse dinheiro está longe de ter sido uma dádiva generosa: estava a salvo para poder ser usado quando lhe aprouvesse. Mas estou de acordo consigo quanto à condenação dos actos de selvageria que se seguiram à sua captura, possivelmente até por parte de quem anteriormente o adorava. E nesta vergonha incluo alguns moralistas países ocidentais.


  4. Caro Magriço

    o que eu pretendi transmitir, talvez sem o conseguir .. foi que o caricato era que estamos todos a mendigar dinheiro e os unicos que nos ajudam são os tão criticados ditadores ou sejam deixam dinheiro quando morrem .. os outros roubam-no em vida ..++

    Já agora tantos paises amigos, tantas democracias e tantas boas vontades..no paleio da televisão.. onde estão os resultados? Até a Brasileira defensora dos desprotegidos disse que ajudava Portugal…(foi o que passou) mas se tivesse o rating AAA***** (que não passou)..estão todos é a ver se nos afogam ainda mais até ao ponto de lhes dizermos … pois nós vendemos o páis por 1 euro .. pois é melhor do que aguentar com o prejuízo.

    pelos vistos , nesta fase , quem confiou e depositou cá uns milhares de milhões foi o amigo da altura Kadafi e ditador depois de morto..(isto revolta-me) cujo dinheiro já deve ter sido gasto com os amigos das PPP e que agora nós vamos ter de pagar com os subsidios de Natal e férias durante 50 anos

    quem se ofereceu para ajudar.. foi Timor …mas ninguém ligou .. fica longe e não tem hoteis, nem casinos par receber as elites governativas portuguesas

    obrigado pelo seu comentário


  5. Ah e caro Magriço também é verdade .. infelizmente… recuando só à 1ª Republica democrática, deixou o pais na bancarrota.. Salazar foi chamado a resolver o problema .. resolveu e com superavite , depois vieram os politicos democratas e pelo que se sabe e sentimos.. estamos pior do que nunca..++

    dai uns juntam para o país e outros roubam

    neste momento não me revejo nem como salazarista , nem como democrata.. revejo-me como um cidadão que está é preocupado com o futuro dos filhos e com a sua subsistencia

    oub seja tanto me faz que seja o salazar ou o democrata o que eu quero é sobreviver

    • António Fernando Nabais says:

      Se o único problema de um país é estar ou não na bancarrota, viver em democracia ou em ditadura é, efectivamente, indiferente. Quando o critério que orienta as suas opções cívicas é “sobreviver”, seja com o salazar ou com o democrata, estamos conversados. Com um bocado de jeito, o Mário até passava pela chinesinha e seguia em frente.


      • Caro António Fernando

        Pode ter a certeza que não… nem que corresse o risco de ser atropelado

        se fosse desses dizia amen com todos os que parem estar certos .. o dificil é dizer não ou alertar

        Agora pergunte às pessoas simples, aos sem abrigo, aos necessitados, aos que sofrem .. aos que têm fome .. se eles querem um ditador que lhes dá um pão ou um “democrata” que lho rouba…

        Penso que a confusão não é minha .. será talvez de quem considera que
        os responsáveis pelo descalabro deste país são “democratas”.. Não são … são é responsáveis pela minha imagem da democracia e pela implementação das ditaduras…

        cump

        mario carvalho

        ps . se considerarem que esta minha posição realista não está de acordo
        com as orientações do AVENTAR… façam o favor de me banir

        • António Fernando Nabais says:

          Para mim, é inaceitável pôr ao mesmo nível democracia e ditadura, por muito imperfeita que seja uma democracia. A democracia portuguesa tem demasiadas imperfeições e é demasiado permeável a muitas ditaduras, como as dos mercados, para que me sinta satisfeito. O que não aceito é que isto se possa resolver com uma ditadura, nem aceito que Salazar tenha praticado o bem só porque teve as contas públicas controladas (e é fácil controlar as contas públicas se não houver investimento e apenas poupança). Muito mal está um país cujos cidadãos estejam tão embrutecidos pela fome que aceitem uma ditadura.
          O AVENTAR é um blogue plural e o principal critério para banir comentadores tem a ver com o facto de usarem linguagem ofensiva. O facto de não gostar das suas opiniões só me dá o direito de argumentar contra elas e, por isso, lamento a provocação que lhe fiz a propósito da hipótese de agir como as 18 pessoas que ignoraram a morte de uma criança.


          • Ok António Fernando

            quem me conhece sabe bem a minha opinião sobre ditaduras.. agora não aceito que os quemuitos que se dizem democratas sejam piores que ditadores pois são falsos , oportunistas e denigrem a verdadeira democracia e os verdadeiros democratas..


          • e.. já agora , considera .. ou consideram O Coronel Vasco Lourenço , um militar de Abril, um ditador por se insurgir e se necessário incitar as forças armadas contra esta “democracia”?


        • Caro Mário, este seu comentário é dos melhores que aqui tenho lido. Acima de todas as polémicas, acima de todos os ódios, sempre deverá estar a humanidade. É ela que nos define. A sua presença dota-nos de uma sensatez intrínseca e a sua ausência de uma crueldade sem par.


          • Muito obrigado cara amiga Isabel

            só pelas suas palavras .. valeu a pena .. felizmente a sua sensibilidade interpretou , correctamente o que eu pretendia transmitir

            cump e é um grande prazer partilhar consigo e outros , este espaço

            mario carvalho

    • MAGRIÇO says:

      Caro Mário Carvalho, não me interprete mal, gosto do debate de ideias mas nunca seria capaz de insultar o meu interlocutor (a propósito, gostei da sua excelente réplica à provocação que lhe foi feita pelo Rui) cujas posições são tão dignas de respeito como as minhas, mas acho que o meu caro ainda não encontrou o que procura, o seu espírito está um pouco confuso e isso leva-o a algumas subtis contradições. Primeiro colocou os ditadores num patamar superior aos democratas, só porque deixam dinheiro nos bancos (alguns “democratas” também deixam, em paraísos fiscais e em seu próprio nome!) depois diz que “os unicos que nos ajudam são os tão criticados ditadores ou sejam deixam dinheiro quando morrem “ como se o dinheiro a que alude tivesse sido doado ao país, acabando por afirmar “que tanto me faz que seja o salazar ou o democrata o que eu quero é sobreviver”. Chega assim à conclusão, implicitamente, que o mal não está na democracia mas em quem a pratica mal. E meu caro, não seja tão dramático! Acho que ninguém pensa bani-lo do Aventar, perdia-se um combativo e leal interlocutor.
      Cumprimentos.


  6. Raras vezes tenho lido tamanhas atoardas sobre os benefícios da morte dos ditadores, especialmente se tiverem sido cúpidos e corruptos durante toda a sua vida para explorando tudo e todos deixando tudo e todos na miséria, deixarem milhões ou biliões nos bancos que os “democratas” se contentarão em roubar. Primeiro, para além de ser um oxímoro – acusa os democratas de fazerem exactamente o mesmo que os ditadores fizeram a vida toda – é tão imbecil que nem chega a perceber que toda essa riqueza nunca fica no país onde estão os bancos. Esse dinheiro tem dono e é sempre – obviamente – restituído à nação soberana de onde provém. A burrice de considerar Salazar um génio das ontas públicas só é possível para quem, como salazar tudo faz – por interesse político ou mera ignorância e calaceirice de ler e estudar – o que pelas contas de Portugal fez Afonso Costa. Ide lamber sabão.


  7. O episódio da morte bruta de Kadhafi tem um detalhe que passou despercebido a muitos e que é revelador do ponto a que chegara o culto da personalidade naquela ditadura. Rodeado de uma chusma de homens enfurecidos, esbofeteado e torturado e finalmente executado (qual fogo cruzado qual quê…) Kadhafi vai repetindo aos torcionários que o irão matar pouco depois: “Haram, Haram” que significa “É proibido, É proibido”. Repare-se, mesmo no último instante, o ditador invoca a lei da sua inviolabilidade para se salvar. Não implora clemência, não insulta, antes reivindica a lei para, acriançadamente, impedir que os ferros com que matou, o matem agora a si. Espantoso.

    Outra coisa: para quem se horroriza com o velório macabro e indigno do déspota líbio, recorde-se que não é menos macabra a repetição em todos os canais de televisão, até à exaustão, dos vídeos da captura angustiante do beduíno assassino.

    Outra coisa, ainda, mais voltada para os educadores: como se fala às crianças sobre estes episódios de morte de uma figura pública por vingança?


  8. hei hei..temos arruaceiro? Não, não me parece.. será talvez um estado de euforia fruto de um jantar prolongado de comemoração da vitória de algum clube de futebol.. amanhã passa


  9. Realço .. este foi o homem que mais odiei desde o ataque ao avião

    hoje considero os que o atacarem ” barbaramente ” do avião.em nome não sei de que civilização.. piores que ele..

    A primavera ” pode não ser àrabe” está a chegar a Wall Street.. vamos ver como reajem

    os “civilizados”

    http://www.youtube.com/watch?v=WmEHcOc0Sys&feature=player_embedded

    Revelado testamento de Kadhafi

    Um documento póstumo revela que Muammar Kadhafi não afastava a possibilidade de uma morte no campo de batalha e que o antigo ditador recusou várias ofertas de asilo político.

    O testamento foi divulgado pelo site Seven Days News, conotado com o antigo líder líbio.

    «Se for morto, gostaria de ser sepultado, de acordo com os rituais islâmicos, com as roupas que estava a usar no momento da minha morte e o meu corpo por lavar, no cemitério de Sirte, junto à minha família», declara Kadhafi na missiva.

    «Quero que a minha família seja bem tratada após a minha morte, sobretudo as mulheres e as crianças», acrescenta.

    A carta transforma-se depois num testamento político de defesa das acções do ditador. «Que o povo líbio preserve a sua identidade, os seus feitos, a sua história e a honorável imagem dos seus antepassados e os seus heróis. (…) Apelo aos meus apoiantes que continuem a resistir e a lutar contra qualquer agressão estrangeira contra a Líbia, hoje, amanhã e sempre», declara Kadhafi.

    «Que as pessoas livres de todo o mundo saibam que podíamos ter negociado e abdicado da nossa causa em troca de segurança pessoal e de uma vida estável. Recebemos muitas ofertas para este efeito mas escolhemos estar na frente de batalha como prova do nosso dever e da nossa honra», afirma.

    «Mesmo que não ganhemos imediatamente, deixamos às gerações vindouras a lição de que escolher proteger a nossa nação é uma honra, e que vendê-la é a maior traição que a história poderá recordar», termina Kadhafi.

    O antigo ditador foi morto na quinta-feira logo após a captura em Sirte, sua cidade natal. Apela-se agora a uma investigação às circunstâncias da morte de Kadhafi. A liderança interina líbia afirma que este terá sido vitimado por uma bala perdida, mas vários vídeos entretanto divulgados sugerem um linchamento às mãos dos rebeldes.

    SOL


  10. Afinal, a sociedade somos nós. Nela se reflectem as atitudes individuais. Assim sendo, porque nos espantamos?
    http://facedaletra.blogspot.com/2011/10/por-que-lutamos-afinal.html


  11. Video

    Um exemplo que se esta a tornar novo heroi americano

    “O movimento Occupy Wall Street teve um apoiante inesperado no protesto global de 15 de Outubro: o sargento dos Marines Shamar Thomas. O militar estava numa rua de Nova Iorque quando viu a polícia bater em manifestantes, não gostou e puxou dos galões à frente de cerca de 30 agentes, que ficaram sem reacção”

    Isto não é uma zona de guerra”, grita Shamar Thomas, a um surpreendido grupo de agentes policiais. O vídeo – que foi publicado no YouTube no domingo e que, em dois dias, já foi visualizado quase meio milhão de vezes – não mostra o que motiva a reacção do marine. Apenas a sua ira crescente e a forma veemente como condena as acções violentas da polícia nova-iorquina.

    “Estas pessoas não estão armadas. Magoá-las não vos fará mais duros”, argumenta. “Se querem lutar, vão para o Iraque e para o Afeganistão. Deixam estas pessoas em paz. São cidadãos norte-americanos. Cidadãos norte-americanos! Cidadãos norte-americanos! Norte-americanos!”

    Shamar Thomas é, ele próprio, um veterano de guerra. Com 24 anos de idade, foi destacado para o Iraque duas vezes, informa a legenda do vídeo. O militar corrobora de viva voz. E acrescenta: a mãe também esteve no Iraque; o pai foi mobilizado para o Afeganistão. A ligação da sua família às Forças Armadas vem, de resto, ainda mais de trás: o avô serviu no Vietname e o bisavô na Segunda Guerra Mundial.

    É este passado que faz o sargento sentir-se autorizado para afrontar os agentes. “Parem de magoar estas pessoas. O que estão a fazer? Fui 14 meses para o Iraque pelo meu povo e vocês chegam aqui e magoam estas pessoas. Elas não têm armas. Elas não têm armas! Porque é que estão a magoá-las? Não faz sentido nenhum”, insurge-se. “Como é que dormem à noite? Não há honra nisto. Não há honra nisto!”

    “É inacreditável que estejam a fazer isto às pessoas”, continua. “Que género de malucos magoam pessoas que não estão protegidas?” E acaba com mais uma pergunta antes de se afastar, desta vez lançada aos agentes vestidos com equipamento anti-motim: “Porque é que andam [equipados] como se estivesse a passar uma guerra? Ninguém tem armas

  12. António Fernando Nabais says:

    Em resposta ao Miguel Martel
    24/10/2011 às 15:45

    Responsabilizar Salazar pelo atraso do país não é desculpar todos os outros, especialmente os que têm tido oportunidade de governar em democracia.
    Concordo consigo quanto à desorganização, ao nepotismo, ao amadorismo, ao provincianismo.
    Medir a qualidade de um estadista pelo betão ou pelo cimento que deixou é muito pouco.
    Finalmente, nunca hei-de perceber a utilidade de comparar ditaduras ou prisões: Salazar foi menos ditador porque as prisões portuguesas tinham uma temperatura mais amena? Um preso político em Portugal não se devia queixar porque as torturas na União Soviética ainda eram piores? Uma ditadura é uma ditadura é uma ditadura.