Adoro perífrases, eufemismos e areia nos olhos

Secretário de Estado das Comunidades também abdica do subsídio de alojamento

José Cesário, Secretário de Estado das Comunidades, à semelhança do ministro Miguel Macedo, optou por prescindir do subsídio de alojamento a que tinha direito. Segundo fonte da Secretaria de Estado “decidiu abdicar do subsídio para não introduzir qualquer tipo de ruído na gestão política da secretaria de Estado que tutela.”

É em momentos destes que descubro que, afinal, perífrase é frase mas no mau sentido, tal como eufemismo é uma treta codificada. O que José Cesário poderia ter dito, se estivesse minimamente interessado em parecer uma pessoa séria seria qualquer coisa como: “Um subsídio como este só faria sentido se pudesse ser aplicado a qualquer funcionário público que fosse obrigado a trabalhar longe da sua residência oficial, sendo obrigado a pagar alojamento perto do local de trabalho. Como eu ganho mais do que a maioria dos funcionários públicos e, ainda por cima, possuo uma segunda casa na cidade em que, agora, trabalho, é imoral receber esse subsídio, ainda para mais num país em dificuldades financeiras.”

Não tenho dúvidas nenhumas de que esta notícia será comentada por todo o país de diferentes maneiras. A zona em que vivo é célebre pelo delicioso desbragamento de linguagem com que as pessoas se exprimem diariamente. Antevendo as reacções que esta notícia suscitará pelos cafés e similares aqui à volta, ficam com um provável comentário traduzido para a linguagem que José Cesário utilizaria: “Talvez devessem introduzir qualquer tipo de corpo estranho na gestão de um determinado orifício que Vossa Excelência possui na retaguarda do organismo.”

Comments

  1. Filipe says:

    Já cá faltava este: Aguiar Branco vai renunciar também, “apesar de não ter casa própria em Lisboa.” E porquê, perguntamo-nos? Porque são tempos de sacrifícios e o senhor deseja contribuir para o esforço que é exigido aos portugueses? Não! Por solidariedade com os seus colegas de Governo… F&/%#&%#/!!!

    http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=31902


  2. Bando de comedores.
    São os mesmos que dizem de quem rejeita um emprego de 600€ (acima do salário mínimo) longe de casa “é porque não querem trabalhar” e por isso toca de lhes roubar o subsídio de desemprego.
    Já eles fazem uma grande coisa em prescindir de uma mordomia escandalosa, pois o salário normal é muito suficiente para arcar com as despesas de alojamento.
    No entanto, toda esta temática são manobras de diversão para desviar a atenção de colossais despesas que esgotam as contas públicas, enquanto nos distraem com anúncios de poupança de milhares de Euros. Recuperem os milhões, prendam os ladrões!

  3. Konigvs says:

    Este foi o governo dos “sinais”!!
    Viajar em económica quando depois se veio a saber que nem um cêntimo poupavam. Depois foi o despir as gravatas para poupar na eletricidade!!
    Como escrevi na altura num outro poiso, esses sinais rapidamente se iriam virar contra eles como agora se vê.

    Também Vale e Azevedo quando chegou ao Benfica mostrou esse populismo do “um cêntimo é cêntimo” e depois foi o que se viu.