Quando ou o quê?

Está assumido por todos que a receita laranja não vai curar a doença, antes pelo contrário. Como sugere Manuela Ferreira Leite

“Concordo que é preciso emagrecer, mas aquilo que recomendo é que as pessoas não aceitassem morrer antes de emagrecer. Morrer gordo é do pior que há, especialmente depois de se fazer uma dieta tremenda”,

Tirando o Tipo que me quer pagar uma dívida que eu não lhe quero cobrar e os que nunca trabalharam, não se vê ninguém a defender o que não tem defesa possível.

Mas continua a faltar uma alternativa, ou antes, é necessário tornar mais claras cada uma das alternativas que vão aparecendo:

– da parte do PS e não só, há uma divergência em relação ao governo: queremos pagar ESTA dívida, mas num tempo diferente. Ou seja, a pergunta do PS é PAGAR QUANDO?

– o BE e o PCP colocam a questão de outro modo, questionando a própria dívida, isto é, consideram que parte da dívida é imoral e por isso o país deve questionar a “quantidade” da dívida, ou seja, a pergunta é PAGAR O quê?

A divergência entre o BE e o PCP andará mais à volta do tom da crítica ao PS: da parte do BE, perceberam que qualquer solução à Esquerda terá que incluir o PS. O PC, como sempre, prefere bater forte no PS, matando à nascença qualquer tipo de solução conjunta.

Mas, será isto que nos resta? Pagar tudo  e a correr tal como defende o governo, pagar tudo, mas mais devagar como sugere o PS ou então pagar, mas não tudo, como dizem o BE e o PC.

Se me permitem o abuso, iria sugerir outra coisa: será que podemos pagar, mas dizendo aos credores que nos próximos três anos não vamos tocar no serviço de dívida e, usando esse dinheiro, vamos animar a nossa economia real? Uma espécie de pausa no pagamento aos credores. Será isto possível? Alguém teria coragem de o defender? Seria isso suficiente?

Comments

  1. Marão says:

    Lamentável o batalhão de políticos na reserva feitos comentadores que diáriamente nos invadem. A comunicação faz o seu sinistro papel de lançar achas para a fogueira na ânsia de chamar anões ao circo e fazer venda de candonga. O que espanta é como que toda essa gente sem um pingo de decoro tem o descaramento de se apresentar como peregrinos que querem salvara Pátria. Desde Soares a Sampaio, de Manuela a Bagão, e toda a comandita ataviada que se movimentou nos bastidores da tragédia ainda com as mãos sujas da massa que criaram e fizeram merdar. De entre tantos facínoras que agora assomam ao palco indecorosamente travestidos, uma palavra de excepção para Ramalho Eanes pela sua seriedade, carácter, compostura e verdadeiro sentido patriótico a que sempre nos habituou. Fora com as carpideiras bem instaladas à conta da desgraça que os cerca.

  2. João Paz says:

    “Seria isso suficiente?”
    Claro que não!
    O tempo irá provar que a única solução é NÃO PAGAR uma dívida que nada tem a ver com o povo português mas que serve de PRETEXTO E CAPA para todo o tipo de roubos a quem vive do seu salário.
    E deve ser realçado que o roubo do salário não é, em si mesmo, o maior dos roubos.

    • António M. C. Carvalho says:

      Infelizmente não se pode fazer essa experiência de não pagar.
      Será bom não termos ilusões.
      E o Povo Português, embora com a desculpa de ter caido nas armadilhas que os bancos armaram, também tem culpas. Houve muita gente que comprou casa e carros e viajou para todo o mundo, sem ter recursos garantidos para tal, com a despreocupação dos que pensam “logo se vê, alguém ha-de pagar”. Já estamos a ver

      • João Paz says:

        Caro António M.C. Carvalho “não se pode fazer essa experiência de não pagar”.
        É a sua opinião que respeito contudo não deixo de lhe fazer notar que NENHUM dos países que ousou fazê-lo ficou em pior situação do que estava antes de o fazer (penso não ser necessário dar-lhe exemplos dos muitos países que o fizeram) e certamente será difícil para si afirmar que Brasil, Equador e Islândia não ficaram MUITO MELHOR depois de o terem feito.
        E, reafirmo, o tempo irá mostrar que essa É A NOSSA ÚNICA OPÇÃO. E, naturalmente, quando mais tarde o fizermos pior será para nós próprios enquanto povo e para o país no seu conjunto já que a destruição do pouco que temos continuará até lá.
        Mas se quiser persistir nessa ideia da “inevitabilidade” de pagar uma dívida ODIOSA que nada tem a ver com o povo português certamente não estará sózinho e os que suportam o desgoverno certamente lhe agradecerão a sua posição pois os ajuda a continuar a destruir Portugal a mando dos abutres estrangeiros.


  3. A proposta do PSD é meter tudo a pão e água e pagar, inaceitável.
    A proposta do PS é empurrar para a frente, foi essa mentalidade que nos enterrou como estamos.
    A proposta do BE e PCP, é ver que dívidas são estas e a quem devemos, é importante esclarecer isso pois se calhar até devemos muito menos do que se diz…
    Pensem, na Grécia foi declarada incobrável 75% da dívida, mas só depois de destruírem toda a economia para níveis parecidos com o pós-guerra. Ou seja, nem os credores recuperaram o dinheiro, nem os Gregos ficaram com ele.
    Era importante evitar o mesmo desfecho aqui.

  4. António M. C. Carvalho says:

    A hipótese até é interessante e simpática. Só que aponta para o maior problema que Portugal tem que resolver. Produzir o quê ? Para vender a quem?

  5. João Paz says:

    A pergunta´produzir o quê está bem colocada a resposta é simples produzir aquilo que precisamos.Para comer em primeiro lugar e depois para podermos ter máquinas, ferramentas que aumentem a nossa produtividade com as quais possamos produzir o que faz falta. Quanto ao “a quem?” como dizia há algum tempo atrás Chac Ket ” ou sont situées les force de croissance de notre pays? Dans notre territoire oú á l´export?” E a resposta é , a meu ver, se não produzirmos para suprir as nossas necessidades não poderemos de todo criar condições para vender a terceiros.

  6. artur almeida says:

    Meu caro João Paulo, professor (ou será Prof.Dr.), o senhor está a ser muito injusto e sectário quanto ao PCP.
    Não tenho a certeza, mas ao que fontes (mal informadas?) dizem que em tempos o senhor se encostou ao PS na Direcção Regional de Educação do Norte (se estiver mal informado peço desculpa). Duma coisa eu tenho a certeza: Ou é militante do PS que aí para as bandas do Norte da geito, ou pelo menos veste a capa de simpatizante. Mas certeza absoluta en tenho o Senhor é mais um Crticoanalista do PCP.
    O Sr. sabe que temos sido MAL governados na lógica capitalista durante mais de 36 anos polo PSD, PS e a muleta prostitutatravestidabixesual chamada CDS. E o sr. continua na sua (i)lógica de dar porrada no PCP.
    O Sr. tem todo o direito de ser do partido que quizer, tal como a história do censor do ministério salazarento, quando afirmava que em Portugal a Impressa era Livre porque cada um comprava o Jornal que queria. Mas por Consciência Politico/moral deveria abster-se de andar a dar PORRADA nos que da sua situação não tem culpa.
    A certa altura do seu texto o Sr. afirma “o PCP como sempre prefere bater forte no PS”. Quantas vezes o PS tomou a iniciativa de Formar um Governo de Esquerda (PS,PCP,BE) quantas?
    Quantas vezes o PS se aliou com os Partidos a que agora chamam de “Arco Governamental” ??? (eu prefiro chamar Arco-Iris), Quantas meu ilustre Aventeiro de Café do Norte???? Quantos Prejuizos aos trabalhadores causou o PS, incluindo a nova Lei-Laboral? O encerramento de maternidades, centros de saúde, Dinheiros desbaratados em Tudo o que é mau sitio, e quase sempre à sucapa? E quantos são os Sucateiros que os senhres abafam debaixo da v/esfarrapada batina, e o Freeport? E os Submarinos? e compras efectuadas de produtos que nunca apareceram? E as PPP ( a que eu chamo Porra Para Polvos)?. E tanta, tanta merda que foi feita e que poderia escrever AQUI. Experimente fazer o Pino e beber o Cimbalino depois.

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