A imprensa portuguesa ao serviço da Geringonça


media

Nesse antro de esquerdalhos que é a imprensa portuguesa, o grupo Imprensa, propriedade do fundador do PSD, Pinto Balsemão, é quem mais ordena. Como afirmam, e bem, os indignados à direita, meios como a SIC, o Expresso ou a Visão estão obviamente ao serviço da agenda dos partidos de esquerda, conferindo-lhes maior tempo de antena, nas peças noticiosas como no comentário político, e defendendo as suas posições, ao mesmo tempo que atacam, sem dó nem piedade, tudo o que mexe à direita.

O exemplo que se segue, encontrado n’Uma Página Numa Rede Social, dá-nos conta disso mesmo. Caso entenda, caro leitor, que o conteúdo em baixo não é conclusivo, poderá sempre usar o comando da TV para puxar atrás e rever o telejornal em questão. Rapidamente perceberá o quão chocante é a forma aberta e denunciada como a imprensa se deixa controlar pela Geringonça, ao mesmo tempo que discrimina os partidos da direita nacional. É preciso combater este flagelo.

Isto aconteceu há poucas horas, no Jornal das 12, na SIC Notícias. O jornal abriu, mais uma vez, com a novela das declarações de património da equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos. A novela é interrompida com uma notícia de última hora, acerca da entrada da chinesa FOSUN no capital do BCP. Explicam que o conglomerado chinês comprou 16,7% do banco e que quer chegar aos 30% do capital accionista total. Acaba a notícia de última hora e prossegue a novela.
O bloco de notícias nacionais continuou da seguinte forma:

1º – A SIC Notícias, pela enésima vez, dá destaque à opinião de Passos Coelho, em relação ao caso CGD. A jornalista refere que Passos Coelho falou em falta de ética, na gestão do processo, e o noticiário exibe o vídeo das declarações de Passos, em Vila Real, com uma sequência de críticas violentas, e até de insultos, à actuação do Governo. Durante toda a duração da notícia, o jornal exibe, destacado no ecrã, a seguinte caixa de texto: “Passos Coelho arrasa Governo que acusa de ter batido no fundo e fala em despudor, indignidade, falta de decência.”

2º – Após as declarações de Passos Coelho, a SIC Notícias passa para as declarações de Assunção Cristas, a propósito da mesma novela. A pivô do noticiário destaca o facto de que a líder do CDS-PP referiu que, citando, “[…] é altura de António Costa deixar de esconder-se atrás de Ministros e de Secretários de Estado.” Logo de seguida, exibem o vídeo das declarações de Assunção Cristas.

3º – Após o destaque dado às declarações de Passos e Cristas, a SIC desenvolve a novela com as declarações de um ex-deputado do PSD, Miguel Frasquilho. É a terceira personalidade de Direita consecutiva que a SIC Notícias apresenta para comentar a novela.

4º – Após Passos, Cristas e Frasquilho, o Jornal das 12 noticia as jornadas parlamentares do PS. Esta notícia dura cerca de 30 segundos, não exibe declarações de dirigente algum do PS e refere apenas que o encontro socialista começa hoje e acaba na terça-feira.

5º – Já com saudades de Passos Coelho, a SIC Notícias volta a passar outra peça com mais críticas e insultos de Passos ao Governo. Exibem mais um vídeo de Passos em Vila Real, onde o líder do PSD acusou o Governo de usar o Estado para fazer campanha partidária. O vídeo abre com Passos a alegar que os membros do Governo “[…] querem tomar as pessoas por parvas”, e prossegue com Passos a afirmar que a reposição de rendimentos aos funcionários públicos e o aumento de rendimentos aos pensionistas são meras estratégias para ganhar as eleições autárquicas, como se estas medidas tivessem sido inventadas agora e não fossem a prioridade inscrita já há muito tempo no programa do Governo. E é especialmente interessante ver Passos Coelho a falar de usar o Estado para fazer campanha partidária, sobretudo depois do vergonhoso caso da mentira acerca da devolução da sobretaxa, prometida por Passos pouco antes das Legislativas de 2015. No vídeo, Passos parece ter-se esquecido deste episódio e diz que, citando: “[…] eu tinha vergonha de andar a usar o Estado para fazer campanha partidária.”
Irónico.

6º – Com um bloco de notícias preenchido pelas declarações de Passos, Cristas, Frasquilho e Passos novamente, a SIC Notícias encaixa agora o separador do espaço de comentário de Marques Mendes, no Jornal da Noite. No separador, descrevem este espaço como “Sempre certeiro” e “A opinião que conta.” As outras opiniões são para ignorar, claro está.

E foi aqui que bloco de notícias do Jornal das 12 fechou a secção da actualidade económica e política nacional, passando para o desporto. O PCP foi ignorado, o Bloco foi ignorado, o PEV foi ignorado e o PAN foi ignorado. A SIC destacou apenas a opinião de pessoas da Direita e, pelo meio, dissolveu uma notícia genérica acerca do PS, que durou cerca de 30 segundos.
Esta descrição do alinhamento do noticiário da SIC Notícias é factual e pode facilmente ser verificada, retrocedendo a programação do canal até ao meio-dia.

As pessoas que escrevem nesta página partilham valores políticos, e é à luz desses valores que analisamos a realidade. Mas isto nada tem a ver com o filtro das convicções pessoais. Preencher todo um bloco de notícias com pessoas de Direita, sem qualquer espaço para o contraditório ou para a pluralidade de opiniões, é mau jornalismo e é manipulação mediática.
Pior: é propaganda.

Imagem by Rodrigo@ToonPool

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Só para quem anda distraído e desconhece que o Subdirector desinformação da SIC se chama José Gomes Ferreira.
    Ao que presumo, Alcides Vieira é o diretor atual, mas interinamente, o que induz logo que quem manda naquilo é o Zezé Ferreira, uma vez que o outro deve ter mais tarefas a cumprir. Caso contrário não se percebe a razão de ser interino.
    Longe vãos os tempos de Ricardo Costa e António José Teixeira, apesar de tudo gente mais coerente.
    Só quem não conhece o avençado Zezé Ferreira se pode admirar do alinhamento da informação da SIC com a direita.
    Depois admiram-se que o maralhal fuja para as redes sociais, essas mentirosas e manipuladoras máquinas de deturpar factos, e inventar fenómenos nunca ocorridos…
    Se a DBRS classificasse hoje a imprensa portuguesa, ela estaria de certeza pior do que o rating da nossa dívida soberana.
    Ao nivel do lixo tóxico!

  2. tá bem tá says:

    sufoco informativo pafioso. uma coisa inacreditável e anti-democrática. pós-democrática mesmo.

  3. Vamos repisar, para que quem não percebeu, perceba: “David Dinis foi assessor de imprensa de Durão Barroso e no mês seguinte a deixar o cargo estava como editor de política no Diário Económico a entrevista Morais Sarmento – entrevista que um João Pedro Henriques, cronista e jornalista político no DN, defendia com a supina inteligência argumentativa de que não havia regras que impusessem um período de nojo.”

    • Rui Naldinho says:

      Muito bem observado!
      Os períodos de nojo (pausa temporal defina por lei ou por códigos deontológicos) para essa gente não existe, uma vez que eles querem logo é começar a meter nojo.

  4. Paulo Só says:

    A partir do momento em que a media é descapitalizada pelo progresso da internet, e digitalização de um modo geral, outros interesses passam a controlar a media, ou diretamente ou empregando, pagando, os jornalistas, que transitam entre empregos em grupos empresariais ou políticos e a media. Outras solidariedades se constroem. Por isso é fundamental que na TV, rádio e internet haja um serviço público que não concorra com os canais de divertimento. É uma questão grave, vide o que aconteceu no Brasil. A primeira decisão deste novo governo criado por influência conjunta da media privada (que vive à custa da publicidade do estado e outras negociatas públicas e se sentiu ameaçada) e a justiça/política, foi acabar com o serviço público, ainda que fraco. Ver também o que aconteceu nos EUA.
    Aqui, o caso da Caixa é exemplar. É óbvio que a insistência diária por parte da TV num problema no fundo menor, sem que houvesse a mínima notícia, respondia a outros interesses que não sabemos quais são, mas que podemos imaginar que fossem de impedir a reorganização da CGD, de garantir que o passado e a roubalheira serão acobertados, e o futuro continuará a sorrir a quem vive disso.
    A financeirização do mundo empresarial, que é um outro aspecto da digitalização, acabou com o poder dos verdadeiros empresários, incluindo os da media, assim como está a acabar com as profissões intermediárias e a classe média. O modelo passará a ser figuras abjetas como o Trump e seus lobistas de um lado, as massas do outro, sem mediação. É um fenómeno que faz lembrar o início do rádio e o uso que dele foi feito pelos fascistas. Essa batalha tem de ser ganha pela media pública de um lado, e do outro pela conjugação de forças na internet, tentando não perder o seu lado democrático maltratado por facebooks e twiters, com vimos com Trump também. Outra questão é a da formação dos jornalistas pelas escolas de jornalismo que são na realidade empresas de formação de uma corporação de técnicos vazios, sem experiência de vida e conhecimentos reais dos assuntos que tratam, impedindo o recrutamento de profissionais de vivência e interesses populares, sem meios para entrarem nessas escolas.

  5. Os biltres, em desespero, cumprem tarefas.

  6. Carlos alves says:

    Sr João Mendes tanto falou para dizer que tambem você é de direita e talvez até seja do Sporting, pela conversa que também estes têm é igual dizwm que o Benfica manda na imprensa. Mas eu respondo a eles e a si sr João Mendes, os órgãos de comunicação social têm total independência e imparcialidade e isso devesse ao facto de vivermos num estado democrático e de direitos coisa que a direita tentou tirar aos portugueses obrigado e boa tarde

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