O despudor, a indignidade e a falta de ética de Pedro Passos Coelho

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Já sabemos, mas nunca é demais recordar, que não podemos deixar os partidos de direita sozinhos com os bancos. Quando tal acontece temos BPN’s a explodir em corrupção, Banifs empurrados para o precipício por tacticismo eleitoral e Novos Bancos, recém-nascidos, onde nem os milhares de milhões de euros derretidos permitem camuflar a gestão ruinosa. 

Como insistimos em entregar o poder a estes indivíduos, estamos sujeitos a isto e, a julgar pelas mais recentes notícias sobre a CGD, a muito mais. Andam eles muito emproados, a soltar umas bacoradas sobre a irresponsabilidade do actual governo no dossier CGD, e eis que somos confrontados com factos concretos, que remontam ao final da governação PSD/CDS-PP e às manobras de engenharia eleitoral que tantos votos renderam a Pedro Passos Coelho, que revelam e desmascaram velhas artimanhas e que colocam o líder do PSD e respectivos correligionários em mais uma embaraçosa situação. Já aqui falei sobre o embuste que foi o conto para crianças da saída limpa, orquestrado pelo mesmo Passos Coelho que, hipocritamente, numa das várias e patéticas tentativas de se vender ao país como um abnegado, afirmava, de pin na lapela, “Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal“. Afinal, Passos Coelho estava mais interessado nas eleições. Um lobo com pele de patriota, disposto a tudo para manter o poder. Não admira que tenha sido atraiçoado por Portas em 2013. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

Não foi preciso muito tempo para perceber que fomos enganados por quem afinal não olhou a meios para atingir resultados eleitorais. As promessas de 2013 foram um embuste, a devolução da sobretaxa também, a saída limpa é afinal um amontoado de lixo e sujidade incrustada debaixo de um tapete que desde cedo se mostrou insuficiente para esconder tanta porcaria e a CGD, que aparentemente tão útil estava a ser para as tropas do velho regime, escondia afinal mais um embuste. Durante meio ano, o Ministério das Finanças, liderado pela moralíssima Maria Luís Albuquerque, ocultou dois pareceres da Inspecção-Geral das Finanças, relativos a relatórios trimestrais da Comissão de Auditoria da Caixa Geral de Depósitos de 2014, especificamente sobre o terceiro e quarto trimestres do ano, que revelavam o agravamento das imparidades na Caixa, e que dizem respeito ao período em que foi implementada a recapitalização do banco público, decidida por Vítor Gaspar e executada pela sua sucessora. Os relatórios acabariam por ser despachados a apenas duas semanas das eleições. Há coisas convenientes, não há?

Estamos, portanto, perante mais um caso de irresponsabilidade, negligência e, para usar a terminologia corrente da direita ressentida e avessa à democracia representativa, “despudor, indignidade e falta de ética“. As palavras de Pedro Passos Coelho assentam-lhe como uma luva:

É um despudor total e eu penso que não é só uma indignidade para a função do Estado, eu acho que é também uma total falta de ética política. Se isto não é bater no fundo, o que é bater no fundo? Se isto não é faltar ao respeito às pessoas, o que é?

Por quem nos tomam? Tomam-nos por gente muito distraída que não liga ao que se está a dizer, não há vergonha? Diz-se o que se quiser? Isto e o seu contrário?

(Pedro Passos Coelho, Novembro 2016)

Quando na passada semana vi Passos Coelho acusar o PS de fazer uma “triste figura” para agradar a quem o apoia, fiquei com a sensação de que não seriam precisos muitos dias para que tais palavras se virassem contra ele. Era uma questão de tempo e, a julgar pelo histórico, não seria necessário muito. E, apesar de este caso não mudar grande coisa quanto às “tristes figuras” que o ex-primeiro-ministro fez para agradar ao governo alemão ou a outras entidades supranacionais, ele demonstra que, mais do que figuras tristes, Passos Coelho prestou-se à desonestidade de varrer uma quantidade enorme de entulho para debaixo do tapete, para assim poder fazer o frete aos arautos da austeridade virtuosa e apresentar ao país uma saída limpa que, nunca o tendo sido, serviu na perfeição para aldrabar centenas de milhares de portugueses, mesmo em cima das eleições Legislativas. Há quem não se contente em fazer figuras tristes para agradar quem o apoia. O despudor, a indignidade e a falta de ética continuam de mãos dadas com o líder do PSD.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Comments


  1. Passos Coelho é um politico perigoso. Foi imprescindível afasta-lo do poder.


    • Sputnik, Russia Today

      De Sputnik em repletos abarrotados
      Que é o Pravda dos tempos d´agora,
      A Rússia, com efeito, não melhora,
      Vão os tansos assim municiados:
      Um polícia elevado a Presidente
      Para mais da política inspetor
      Diz tudo a quem for inteligente

      Sequer a Guerra Fria terminou
      Vai tudo na mesma, nada mudou.

      licas


  2. Este autêntico primeiro-ministro no exílio, anda por aí a arrastar-se de “pin” na lapela duma forma arrepiante como actor principal de uma permanente rabula, qualquer coisa entre o trágico e o cómico, dando aso a que pessoas comecem já a ter pena dele e dos seus dislates. Tirem rapidamente o homem de cena e por caridade, levem-no ao médico. Pouco a pouco ir-se-ão conhecendo os contornos da sua desgovernação cheia de truques e hiatos dignos de farsolas, autênticos vigaristas encartados para quem o interesse nacional ficou bem demonstrado quando eles duma forma criminosa deixaram passar os PECs (1,2 e3) que pior do que arrasarem o PS, arrastaram o país para as mãos de FMI e seus capangas. Para depois num autêntico golpe de asa aparecerem como salvadores da pátria. A CGD desde sempre tem sido um paraíso para a escumalha que tem governado o pais que tem utilizado a CGD para a infestar de “boys” e “girls” e tratar duma forme infame das finanças aos seus correligionários políticos que depois de a exaurirem recorrem à denominado “recapitalização” só que desta vez somos nós, os camelos de sempre, a pagar a factura. Todo o resto não passa de conversa fiada ou se quiserem a tal conversa pantanosa do politicamente correcto que tem trazido ao país e a aos portugueses as nefastas consequências que todos vivemos.É caso para perguntar até onde irá a nossa paciência.


  3. Teve mais votos que o PS-Costa, NÃO FOI?

  4. martinhopm says:

    Mas este homem Coelho não desampara a loja?! É preciso ser-se muito cara de pau. Chiça!

  5. Pablo says:

    Crime, dolo escolham


  6. Depois da notícia vem o desmentido. Triste país.

  7. Paulo Só says:

    Deixem-no lá. Enquanto ele e a Maria Luís estiverem lá o A. Costa não oposição. Mas acho que que desta vez foi a pá de cal. Duvido que vá além das autárquicas, se é que não cai antes do verão.

Trackbacks


  1. […] sério que não olha para as sondagens? A sério […]

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