A história do tacho da esposa do autarca que tirou o tacho ao marido da autora da história

gaia

Não me vou alongar sobre os detalhes de mais um episódio siciliano a sul do Douro. O Bruno já aqui expôs o compadrio (lixos jornalísticos à parte, não façam de nós parvos) e o João Paulo acrescentou algumas informações sobre o jornalismo de sarjeta que impera no rectângulo e sobre a habitual manipulação da opinião pública que se faz sentir nesta fase de pré-pré-pré-pré-campanha. Sim, João, já começa a valer tudo.

Contudo, e porque sou um grande fã da cosa nostra gaiense, quero aproveitar a deixa para dar os meus cinco tostões para o peditório. Curtinho e grosso. Cá vai: a jornalista que faz manchete na capa do Público de há dois dias é ex-mulher de Rogério Gomes, que tinha um belo tacho de administrador na empresa municipal Águas de Gaia, que lhe havia sido dado por Luís Filipe Menezes, apesar da falta de qualificações para o cargo. Quantas vezes escreveu Margarida Gomes sobre o assunto? Zero, claro.

Entretanto, subiu ao poder Eduardo Vítor Rodrigues, o homem que atacou, processou, derrotou e condecorou o PSD, e Rogério Gomes foi corrido da panela, sendo despromovido e o seu salário reajustado em função das suas habilitações e competências. Por esta altura, e apesar de agora divorciados, a jornalista Margarida Gomes e Rogério Gomes, também jornalista, eram ainda casados. E, claro, a redução salarial do marido, a par da perda de benefícios, não devem ter caído bem à jornalista do Público.

Agora, passados três anos desde a eleição do socialista, e já na antecâmara da campanha para as Autárquicas, surge a polémica peça de Margarida Gomes, sobre o tacho da esposa do autarca que tirou o tacho ao seu ex-marido. Polémica, com a particularidade, como já foi provado, de abusar de um discurso vago e enganador, em larga medida despido de objectividade, e revestido da deliciosa ironia de ser escrito por uma jornalista que, em tempos, beneficiou do exacto mesmo tipo de compadrio que denunciou. Ou será normal que um jornalista, sem competências, experiência ou habilitações para administrar uma empresa pública de gestão de distribuição de água potável, tratamento de águas residuais e saneamento, seja nomeado para o cargo?

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Comments

  1. Aaaaa says:

    Tacho a trabalhar a full time e ganhar mil euros? Tenha vergonha na cara autor deste site de merda. Meta o click bait num sitio que sabemos. Vendido.

  2. Paulo Só says:

    Não me pronuncio sobre esse caso que não conheço, e efetivamente pode ser apenas a instrumentalização de um jornal por interesses privados. Acho que é no entanto uma boa oportunidade para esses dirigentes do “público” e outros jornalistas e carreiristas do momento se debruçarem sobre o jornalismo de denúncia, ou de sarjeta, como queiram. Quantos casos equivalentes a esses não poderiam denunciar em empresas privadas? Por que não o fazem? O dono de uma empresa que possui (a empresa) um avião, e o usa para levar os filhos de férias é mais ou menos corrupto que o ministro que faz o mesmo com um avião público? A empresa é ou não uma entidade pública com obrigações sociais, mesmo sendo privada? Não acham que pode haver alguma intenção atrás dessa febre de denúncias nos serviços públicos além das que vos fazem crer vender mais jornais? Por que acham que todo o lucro é legítimo enquanto todo o imposto é um roubo? O inverso não poderia ser verdadeiro? Será que existe um fosso tão profundo entre o público e o privado ou ambos deveriam estar a serviço da sociedade? Será que não estaria aí a raiz de alguma coisa que poderia vir a ser uma verdadeira fonte de consenso? Eu vejo os media hoje em dia como uma arma contra o serviço público e a democracia, via a insistência na maldade de tudo que é público e bondade de tudo que é privado. Ora eu me sinto roubado ou beneficiado por ambos. Sendo que normalmente mais roubado pelo privado, que cria falsas necessidades enquanto o público responde mal às pré-existentes. Que o presidente da CGD ganhe tanto quanto o do BCP não me parece escandaloso. O que me parece escandaloso é que ambos ganhem tanto. E 20 vezes mais que um professor ou um pedreiro. Tanto me faz que um seja privado e o outro público.

  3. Pedro Ant. says:

    Tachos? Vejam a Lei de Organização do Sistema Judiciário.
    Mas isto é só esquemas pouco claros.
    Então e o art. 174º da nova LOSJ? Justiça ou injustiça? Promoção de juizes sem concurso, na secretaria? Não havia outra forma mais digna e justa?
    E querem aplicá-lo aos T Centrais Administrativos apesar do art. 144º-2 da nova LOSJ…

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