Tudo bons autarcas II – ‘pra cima de 300 polvos

Portugal é um país onde ainda existe muito medo de escrutinar o poder. Não faltam machos latinos para insultar homossexuais nas redes sociais, fascistas de armário a clamar por Salazar ou fanáticos preparados para tudo se a honra do seu clube for questionada, mas quando chega a hora de escrutinar o senhor ou a senhora presidente, que tão reverencialmente cumprimentamos no final da missa das 11h, tendemos para comer, engolir e calar.

Porque somos fáceis, e porque os predadores políticos sabem que somos fáceis, a corrupção acontece. Acontece em todas as estruturas estatais, da base ao topo da pirâmide, com maior ou menor descaramento. E porque o descaramento faz parte da equação, nada melhor que gerir uma pequena autarquia, onde o respeitinho que é bonito abunda e o senhor ou senhora presidente é intocável e acima de qualquer suspeita. [Read more…]

Brasil reabre alas ao glifosato

Foto disponibilizada por Isabel Falcão

A Bayer e o seu presidente administrativo Werner Baumann devem ter respirado muito fundo e agradecido profundamente, sabe-se lá por via de que modalidade, ao presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), Kássio Marques, que aceitou, a segunda-feira passada, “o recurso contra liminar da Justiça Federal que suspendia o registro do Glifosato e demais agrotóxicos até a conclusão da análise de toxicidade pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a decisão do TRF, os agrotóxicos voltam a ter o uso liberado nas plantações brasileiras.“

O que interessam argumentos em defesa da Saúde e do princípio da precaução, se “sua proibição causaria impacto nos lucros da indústria do agronegócio, modelo de negócios seguido no país”???

O Brasil é o segundo maior mercado da monstruosa Monsanto, e portanto da Bayer, e a Bayer Cropscience do Brasil é a quarta maior operação do Grupo Bayer no mundo, possuindo duas importantes fábricas localizadas em São Paulo, cidade onde também fica a sede brasileira, e em Belford Roxo.

No que diz respeito ao controle das transnacionais sobre a agricultura brasileira, o que mais chama atenção nos dias de hoje é a crescente difusão das sementes transgênicas pelas grandes empresas do setor, como Monsanto, Bayer, Syngenta, que também são as grandes produtoras de agroquímicos, o que contribuiu para a transformação do Brasil no maior consumidor mundial de agrotóxicos (…).

No que toca ao agronegócio, modelo de produção agrícola dominante no Brasil, também os governos de esquerda produziram um colossal desastre, para mal do planeta e de toda humanidade. Nem é bom pensar no futuro.

Dois dedos de testa

Lê-se no PÚBLICO:

UTAO estima défice de 1,6% no semestre com impacto do Novo Banco

No período de Janeiro a Junho de 2018, destaca-se “o accionamento do mecanismo de recapitalização contingente do Novo Banco”, salientou a Unidade Técnica de Apoio Orçamental

E na TSF:

Bruxelas avisa: despesas com salários e carreiras vão pesar no défice

A Comissão Europeia reitera que a situação financeira de Portugal continua “largamente favorável”, mas reforça a importância de o país prosseguir a consolidação fiscal e reformas estruturais.

Esta segunda notícia, oportunamente semeada quando se discute o orçamento de estado, leva-me a pensar se esta gentinha da política acha que não temos dois dedos de testa. A resposta é óbvia.

Quanto à primeira notícia, então esse BES não tinha sido “resolvido” sem custos para o contribuinte? Pergunte-se à dona dona Cristas, que ainda por aí anda, apesar de entretida a ver passar os comboios (descobriu-os agora, mas nós avivamos-lhe a memória: “Ex-deputado do CDS nomeado presidente da CP“).

Anormalidades de um ano “normal”

[Santana Castilho*]

Tiago Brandão Rodrigues, em registo que já constituiu padrão, disse várias tolices a propósito do início do ano-lectivo, a saber: “estão criadas todas as condições para que o ano escolar possa começar a tempo; pudemos fazer algo que não acontecia até 2016. Em 2016, 2017, e acreditamos que também em 2018, começámos com normalidade e tranquilidade os anos-lectivos e em Setembro; há pouco tempo tivemos anos-lectivos que se iniciaram em Outubro e Novembro”.

Anos-lectivos a começarem em Novembro? Só quando o pequeno ministro era ainda mais pequeno e usava fraldas. Nunca há pouco tempo.

Vejamos, agora, detalhes de um ano-lectivo que para o ministro começa com normalidade e tranquilidade, mas que para o vulgar dos mortais arranca com uma pesada dúvida: os sindicatos ameaçam com uma paralisação de aulas logo em Outubro.

É pouco chamar obscena à colocação de professores a 30 de Agosto, por parte de um Governo que, ao invés de os proteger, os agride desumanamente. Porque é desumano, até ao último dia das férias, muitos professores não saberem se têm trabalho ou se têm que ir para a fila de um qualquer fundo de desemprego; porque é inumano, depois disso, dar-lhes 72 horas para arranjarem alojamento e escola para os filhos, algures a dezenas ou centenas de quilómetros de casa, como se não tivessem família nem vida pessoal. Esta forma com que o Governo tratou os seus professores esteve ao nível da insensibilidade patenteada por quem o representa, quando afirmou que a desgraça de Monchique foi a “excepção que confirmou a regra do sucesso”. [Read more…]

Espalhafatos e coisinhas assim

Lear. Get thee glasse-eyes, and like a scuruy Politician, seeme to see the things thou dost not.
— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)

A TextGrid is a collection of tiers (this rhymes with cheers, not with liars).
— Paul Boersma (p. 350)

… ’tás sempre a falar coisinhas assim.
— Rodolfo Reis, 2/9/2018

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Mais imagens esclarecedoras.

A propósito, convém sempre regressar a este belíssimo texto de Donald Davidson, cujo trecho mais célebre é o seguinte (p. 47):

A picture is not worth a thousand words, or any other number. Words are the wrong currency to exchange for a picture.

oito anos, dois meses e dez dias, o Expresso anunciou a adopção do AO90. Eis um dos resultados tangíveis das grafias utilizadas por quem actualmente adopta esse modelo ortográfico [Read more…]

A Ciência e Cultura em chamas no Brasil

O mundo ficou perplexo diante da destruição de milhões de peças com o incêndio do Museu Nacional , no Rio de Janeiro, Brasil, na noite deste domingo, 02 de setembro, e que abrigava 200 anos de história, arte e ciência.

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Eu gosto é do verão

Também gosto do verei, do verás, do verá, do veremos e, efectivamente, do vereis, actualmente tão menosprezado.

A nova ordem mundial em curso

Malcolm Nance discute o best-seller do New York Times, “O enredo para destruir a democracia: como Putin e os seus espiões estão a minar a América e a desmantelar o Ocidente“.

O tom da palestra começa com algum humor.

«Vou dizer-vos uma coisa sobre o mundo da espionagem. Trabalhamos [a equipa de observação] em edifícios, e em salas pequenas, sem janelas e não se consegue entrar numa dessas salas sem uma cripto-chave e uma autorização para ter acesso a essa chave. E tudo o que fazemos é dizer piadas durante todo o dia. A sério, não é nada sério, tal como se vê nos filmes do Jason Born. É apenas piadas seguidas de piadas. Tal como, “Ups, alguém teve um mau dia no Congo, foi o que aconteceu agora. Tiveram outro golpe palaciano? Não! O avião do primeiro-ministro caiu e morreram 40 pessoas.” Literalmente. E depois vem algo espirituoso. “Ele estava no avião?” Claro que ele estava no avião. Está no avião nesta parte do Congo, está no avião naquela parte Congo. É isto que faz a Secção de Observação da Espionagem. Se alguém da comunidade estiver a ouvir, sabem do que é que estou a falar.»

Sem abandonar o registo, logo passa a um tom mais sério, dissertando sobre o que está à vista de todos, mas coberto pelo manto da contra-informação. Toda a informação apresentada está disponível publicamente e pode ser verificada por quem o quiser fazer. A diferença está em ligar as pontas soltas.

Post scriptum
Não é claro a que acidente aéreo se refere Nance. Eventualmente poderá ser aquele onde, entre outros, faleceu Augustin Katumba Mwanke (assessor sénior do Presidente) e onde Matato Ponyo Mapo (ministro das finanças) sofreu graves ferimentos. Como sempre, nunca podemos desligar o sentido crítico perante a informação que recebemos.

Poema do detetive e companhia singular

Detetive, detetiveste, deteteve. Fim.