Daniel Oliveira ARRASA André Ventura

Quando Ana Gomes anunciou a sua candidatura a Belém, André Ventura afirmou, sem rodeios, que se demitiria da liderança do Chega, caso ficasse atrás da antiga eurodeputada socialista.

Várias sondagens depois, com André Ventura sempre atrás de Ana Gomes, que não precisou sequer do apoio oficial do PS para se destacar no segundo lugar em todos os estudos de opinião, o representante da extrema-direita começou a virar o bico ao prego, porque a sua palavra tem sempre o mesmo valor: o que melhor se adequar às suas necessidades momentâneas.

Daniel Oliveira “apanhou-o na curva” (expressão oportuna, nestes tempos áureos do motociclismo nacional), recordando-lhe a promessa do candidato presidencial Ventura, enquanto limpava o chão do Twitter com o político profissional do sistema que diz combater os políticos profissionais do sistema.

Com tanta discussão sobre pandemias, vacinas e crises económicas, ver a extrema-direita ser exposta, todos os dias, sempre vai dando algum alento.

Necessitamos de um Ministério do Ambiente que defenda as pessoas e o ambiente

A propósito da exploração de lítio…

“O contacto íntimo com a natureza refresca-nos a alma, dá-nos nova energia para este combate pelo futuro deste planeta.” “Que seja uma revolução pacífica e silenciosa, mas que seja feita, que se esteja presente, mesmo que dê trabalho e se tenha que tirar um bocadinho de tempo (…)”.

“Ai se nós tivéssemos feito…”

Proibiccionismo vs Liberdade

Vivemos numa ditadura do politicamente correcto, quem não segue a cartilha ou pior, quem ousa discordar publicamente da cartilha que governa a choldra, é vilipendiado, desacreditado. A sociedade de forma bovina acata as orientações dos hipocondríacos e riscofóbicos que influenciam os governantes. A comunicação social serve de correia de transmissão, nos noticiários os jornalistas opinam, as reportagens de rua editadas, apenas mostram opiniões concordantes com as medidas em vigor, tudo à boa maneira das ditaduras. Apenas os maluquinhos negacionistas das teorias conspirativas ou teorias pela verdade, recebem algum destaque, apresentados como bizarria. [Read more…]

Nótula de fim-de-semana: a culpa é deles

When I say that there is nothing like “household pet”, I don’t mean, you know, that your cat doesn’t exist.
Noam Chomsky

Given that we cannot control for all possible learning variables and individual differences, we take a “big data” approach to examine the putative benefits of explicit instruction and HVPT as they pertain to a wide range of adult nonnative Mandarin learners.
— Wiener, Chan & Ito (2020)

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As ocorrências por mim aqui frequentemente trazidas de fato e contato, em vez de facto e contacto, são uma mera amostra da actual adopção do Acordo Ortográfico de 1990 em português europeu. Mesmo assim, convém sublinhar: há vida além da superfície, ou seja, do Diário da República. E o panorama é francamente assustador.

Por exemplo, este empregador de “gestores comerciais” escreve fator e proativo, não aceita candidatos falantes de português não-europeu, mas faculta contatos (exactamente, contatos), tornando-se assim um belíssimo exemplar do desaste e uma prova da vitória da doutrina “agora facto é igual a fato (de roupa)” e afins (sim, há afins).

O mal está de facto feito e os responsáveis são efectivamente conhecidos.

Continuação de um óptimo fim-de-semana

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Tardio, mas sentido

Hoje é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Não podia deixar de assinalar este dia dedicado a pessoas que não tiveram a sorte de nascer com todas as capacidades como a maioria.

Estou num projeto de voluntariado, na República Checa, que envolve crianças deficientes, desde setembro. Nestes meses, aprendi que temos um papel fundamental em permitir que estas pessoas sejam felizes. E não é difícil. Não é difícil dar um minuto da nossa atenção para que pessoas conscientes das suas limitações possam mostrar do que são capazes. Uns fazem-me rir, outros ensinam-me a localizar o Sri Lanka no mapa, mas todos ensinam-me que qualquer um de nós é capaz de melhorar o mundo. E apesar de não podermos mudar o mundo, podemos mudar o mundo de alguém.

Mantenham-se firmes e ajudem os outros a fazer o mesmo. Vale a pena.

Grande paneleiro!

Gosto de pessoas que façam bem umas às outras, independentemente da profissão, não me interessa se são mais convexas ou mais côncavas ou se alternam em dias da semana. Que sejamos todos muito felizes, é o que vos desejo, especialmente a mim.

Paneleiro é um termo delicioso que serve, sobretudo, para apoucar, de forma jocosa, homens, heterossexuais ou não, porque no mundo não necessariamente desagradável do humor masculino, machista ou machistóide, pôr em causa a virilidade alheia é um passatempo fundamental. Há outras brincadeiras maravilhosamente idiotas entre os homens e que consistem, por exemplo, em insinuar ou, de preferência, afirmar que o outro tem problemas de erecção ou que é traído pela legítima com uma multidão de outros homens, que podem corresponder, entre outras possibilidades, a uma chusma de marinheiros que estavam há meses sem ver claramente vista uma mulher que fosse. São palhaçadas idiotas, o que não impede ninguém de ser saudável.

É, também, uma palavra perfeitamente desagradável, quando usada (ou escondida) para insultar. Os homofóbicos escarram-na, com horror, misturando na saliva, quando calha, razões religiosas ou manifestações de superioridade. Os não homofóbicos também podem usá-la como insulto gratuito que não chega sequer a conter alusões sexuais, podendo ter o mesmo valor de tantas outras injúrias e podendo ser complementada por referências vácuas ao órgão sexual masculino, que, como se sabe, é um órgão do caralho. [Read more…]

Do Mataste-os, Miguel à morte do homem branco

Miguel Oliveira, o nosso herói em duas rodas, venceu o Grande Prémio de Portimão. O seu director, no final, disse-lhe “Mataste-os, Miguel!”

Éder, o herói de um golo só, gritou em público, no meio das comemorações do Europeu de 2016: “Amanhã, é feriado, caralho!”

Num mundo em que se tomasse tudo à letra, Miguel Oliveira estaria a ser interrogado pela polícia e milhares de trabalhadores teriam ficado em casa por ordem de Éder.

Mamadou Ba defendeu, num vídeo, que é preciso “matar o homem branco assassino, colonial e racista”. Houve gente de uma certa direita que preferiu parar em “branco” e gritar que houve ali incitamento ao ódio, racismo e tudo.

Efectivamente, essa certa direita vive muito preocupada em demonstrar que não há racismo estrutural ou que não há racismo ou que o anti-racismo é outra espécie de racismo. No fundo, essa direita é filha de gente que nunca se conformará com esta mania da igualdade e que vê com maus olhos os filhos dos proletários e dos escravos de há cem anos que se atrevem a dizer o que pensam.

Dir-se-ia que a direita tem dificuldades cognitivas e que, por isso, não sabe lidar com metáforas. Seria redutor e insultuoso para a inteligência de tantos.

Há casos de grande inabilidade no uso das metáforas, é certo: há uns anos, Assunção Esteves chamou “carrascos” a vítimas que se queixavam. Os mesmos que hoje se indignam com Mamadou, por desejar o fim da toxicidade, ficaram, então, muito calados. Percebe-se: os que protestavam pertenciam a uma raça inferior.

Águia ganha. Pára o susto.

Exactamente, é possível. E repete-se.