Momentos de mudança

Em 1971 saiu no San Francisco Chronicle a frase enigmática “A Comissão dos Caminhos de Ferro do Texas anunciou uma admissibilidade de 100% para o próximo mês“. Para decifrar esta frase, temos, em primeiro lugar, de saber que a Comissão dos Caminhos de Ferro do Texas tinha por missão definir a produção máxima admissível das empresas extractoras de petróleo. Adicionalmente, uma admissibilidade de 100% queria dizer que os produtores estavam autorizados a produzir tanto quanto conseguissem.

A frase também contém, ainda, um segundo significado, esta frase pode ser entendida como o marco da chegada do pico da produção de petróleo aos 48 estados continentais dos EUA. Antes ou depois dessa data nunca se produziu tanto petróleo nos Estados Unidos (por coincidência mesmo que juntemos o petróleo do Alasca e as descobertas em águas profundas esse pico nunca foi ultrapassado). Este tipo de comportamento é observável na extracção de produtos não renováveis – especificamente com o petróleo este comportamento já foi observado em várias províncias.

Seria de esperar mais do que um enigmático apontamento para marcar o pico da produção de petróleo nos EUA. No entanto, talvez a história se esteja a repetir.

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A Falta de Memória nas Redacções

Este programa já tem alguns anos, mas continua tão actual como no dia em que foi transmitido. Os jornalistas seniores foram removidos das redacções. Isto permite por um lado poupanças nos respectivos salários, por outro lado lado resulta também numa nova geração de jornalistas mais fáceis de moldar pelos interesses de cada momento. Aqui chamam-se os bois pelos nomes num raro momento de franqueza pública sobre estes assuntos.

Parte 1

(As partes 2 e 3 estão disponíveis a seguir.)
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São burros, são extrema e irreversivelmente burros!

Haverá saída?


Estou-me a referir, neste caso aos elementos do nosso governo, governo esse que tutela a CP e que por inerência define os objectivos estratégicos e mantém em funções os administradores da empresa. Por favor notem que não vou fazer distinção entre as várias empresas que constituem o que em tempos foi simplesmente a CP. Diz a teoria que essa divisão serve para melhor administrar as empresas, na prática as operações foram mal estudadas e ainda pior executadas, entrando as empresas quase imediatamente em falência técnica. A única diferença palpável, parece ser haver muito mais lugares de administradores disponíveis, para distribuir ou acumular. Como convém.

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A Reacção Egípcia

Eis o motivo pelo qual não pudemos, nunca, apoiar ditadores, mesmo que sejam os nossos ditadores, o seguinte foi feito um pouco também em nosso nome, vejam por favor ao minuto e dez segundos:

http://www.liveleak.com/e/aaf_1296315210

O elefante na sala

As pessoas estão fartas dos políticos e das suas cantigas de embalar. Da esquerda à direita vemos todos os dias aparecerem novos casos que provam, sem sombra de dúvida, que a nossa classe política vive cada vez mais apenas para ela mesma. Desligada das necessidades e sentimentos daqueles que supostamente são a sua razão de ser, os eleitores e demais cidadãos pelos quais são responsáveis. Os políticos preferem chafurdar no pântano da pequena política, preferem o golpe mesquinho que lhes dá uma um pequenino ganho material, preferem representar “O Padrinho“.

Estas últimas eleições presidenciais são exemplo disso:


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Leilão de Quarta

Cassandra

Na próxima quarta-feira vamos pedinchar mais 1250 milhões de euros, se tivermos sorte.

Vai ser necessária sorte porque o juro que nos está a ser imposto já é quase insustentável, se aumentar muito não conseguiremos comprar todo o dinheiro que queremos.

Se não obtemos o dinheiro que queremos, ficamos impossibilitados de fazer mais estradas, aeroportos ou TGVs, as remodelações de interiores nos gabinetes ministeriais ficam limitadas às requisições de obras de arte aos museus nacionais, os motoristas deixam de puder estar “on-call” vinte e quatro horas por dia (quem irá levar os putos à escola!?), vai ficar complicado encomendar cinquenta estudos a empresas de amigos por cada decisão a tomar, os militares ficam sem brinquedos novos, a PSP deixa de puder comprar blindados para cenários de guerrilha, e por aí adiante até à náusea (para reforçar a ideia, não deixem de ler isto).

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Em Londres é assim

Protesto estudantil, ontem em Londres

O Príncipe, O Grande Jogo e a Wikileaks

É conhecido como O Grande Jogo a disputa pelo domínio da Ásia Central, que opôs os impérios russo e britânico durante o século XIX e inicio do século XX. Durante esse período toda a Ásia Central foi considerada um tabuleiro de xadrez onde os dois impérios fizeram as suas jogadas. Muita da acção centrou-se no Afeganistão que constituía a base perfeita para uma invasão da Índia (sob domínio britânico) ou do Turquemenistão (sob domínio russo). Em 1898 o vice-rei da Índia, Lord George Nathaniel Curzon, declarava:

Turquemenistão, Afeganistão, Transcaspia, Pérsia – para muitos estes nomes transmitem apenas uma sensação de extremo afastamento. Para mim, confesso, eles são peças de um tabuleiro de xadrez sobre o qual está sendo jogado um jogo pelo domínio do mundo.

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Retratos Directos

O base.gov.pt é um manancial de informação sobre a forma como os nossos governantes desbaratam o erário público. Já sabemos que se gastam milhões em festas e enchidos. Mas nem tudo é dinheiro desperdiçado, para benefício das artes também existem adjudicações directas!

O retrato que reproduzo neste post, de Sua Excelência Tenente General Fernando Manuel Paiva Monteiro, comandante da Academia Militar custou a módica quantia de 17 150 euros. Coisa pouca para ilustração dos nossos garbosos militares.

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A guerra é um negócio sujo

A guerra não tem nada de nobre, romântico, limpo, ou honroso para aqueles que nela participam. Pode na melhor das hipóteses ser um mal necessário, mas nunca em circunstância alguma deixa de ser um mal. Ultimamente temos assistido a um branqueamento das guerras, não são mostradas atrocidades, muitas vezes nem se contam os mortos.

Assim, tendo em conta o que foi decidido na cimeira da NATO, é uma boa altura para recordar as palavras do Major-General Smedley Butler, USMC, num discurso proferido em 1933:

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Quem vai a Irlanda salvar?

A Irlanda finalmente cedeu e vai hoje pedir ajuda ao FMI (como me parece que em breve vai acontecer a Portugal). Poderemos dizer que o boom económico da Irlanda se fez à custa de crédito fácil e era por isso insustentável, o que é verdade. O problema é quando se fala nisso, raramente se explica que os responsáveis disso são fundamentalmente os Bancos que se alavancaram de uma forma obscena e em muitos casos criminosa, encontrando-se por isso neste momento numa situação insustentável.

Os leitores mais atentos certamente estarão a interrogar-se sobre o que o estado irlandês tem exactamente a ver com a folia dos Bancos, especialmente num país onde o estado não tem intervenção directa nos mercados financeiros. Aqui encontramos a parte verdadeiramente dramática de toda esta história que vamos recordar a seguir.

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Post de não incitamento ao terrorismo

Tenham cuidado, muito cuidado…

No conselho de ministros do dia 11 foi aprovada uma proposta de lei que visa criminalizar o incitamento ao terrorismo. Foi publicado o seguinte resumo:

4. Proposta de Lei que criminaliza o incitamento público à prática de infracções terroristas, o recrutamento para o terrorismo e o treino para o terrorismo, dando cumprimento à Decisão-Quadro n.º 2008/919/JAI do Conselho, de 28 de Novembro, que altera a Decisão-Quadro n.º 2002/475/JAI relativa à luta contra o terrorismo, e procede à 3.ª alteração da Lei n.º 52/2003, de 22 de Agosto (pdf)

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Que energia usamos?

Existe uma representação muito interessante dos fluxos de energia que torna imediatamente evidente a origem e utilização da energia, bem como as perdas associadas. O Lawrence Livermore National Laboratory disponibiliza um desses gráficos para os EUA:


Fluxos de energia EUA 2009Clicar na imagem para aumentar

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Os Mercados

Nos dias que correm toda a gente fala numa coisa a que chamam “mercados”. Ninguém se dá ao trabalho de clarificar o que vem a ser isso dos mercados e parece-me que a maior parte dos “comentaristas” que falam nos nossos media não fazem a mais pequena ideia do que estão a dizer.

Há inclusive teorias de conspiração a circular que apresentam ideias mirabolantes para tentar explicar a situação em que estamos, sem apresentarem o mínimo resquício de prova do que estão a dizer. Por exemplo acabei de ouvir na televisão (SIC Notícias), numa tentativa muito débil de explicação, os seguintes argumentos:

  1. Estamos a ser vítimas de um ataque concertado pelos “mercados internacionais” (outro que defende este ponto de vista: Alegre critica silêncio de Cavaco sobre agitação dos mercados);
  2. Há outros problemas com indicadores tão maus como os de Portugal que não estão a ser tão castigados como nós;
  3. Há algo que não bate certo quando o BCE empresta a 1% aos bancos e estes por sua vez emprestam a 7% a Portugal (este último argumento nem se qualifica como tal). – (Ideia também repetida aqui: Louçã culpa bancos nacionais pela subida dos juros da dívida portuguesa)

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A crise eterna

Andamos muito entretidos em Portugal com a aprovação do orçamento, com as medidas que o governo anuncia, com as medidas que o PSD sugere e especulamos se o FMI vem ai até ao fim do ano ou se aguentamos até ao fim do primeiro trimestre. Tudo coisas muito excitantes.

Depois do primeiro impacto de todas estas questões, começamos a tentar perceber as causas. Atiramos as culpas para o bloco central – e quando o fazemos não erramos na identificação dos responsáveis – depois culpamos os banqueiros – e é verdade que estes com a sua cega ganância não têm feito grande obra pelas pessoas que vivem no rectângulo. Toda a nossa indignação é perfeitamente justificada.

Atingimos um ponto onde é gravíssima (e insustentável) a nossa dívida externa pública de cerca de 77% do PIB (est. 2009), ou a ainda mais grave a dívida privada a parceiros não nacionais de 146% do PIB (a 30 Junho 2009), esta situação não é nova para Portugal e muito menos qualquer coisa de imprevisível.

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