Ainda o esquecimento

Continuação daqui

Sem as bases históricas correctas e uma extensa pesquisa (seria preciso regressar a tempos até anteriores à 1.ª Guerra Mundial), é difícil perceber como uma única pessoa, um artista frustrado, conseguiu montar um esquema maléfico, de tal modo aliciante ao ponto de levar consigo milhões de seguidores numa rota de colisão com a própria Humanidade, deixando uma marca tão profunda e duradoura no Mundo Moderno, atingindo proporções à escala planetária e que ainda hoje é sentida. Tudo parece sempre centrado numa única pessoa, Hitler, que juntamente com um punhado maléfico de controladores, conseguiu fazer uma lavagem cerebral a uma nação inteira com único objectivo de aniquilar judeus.

Na realidade, ao longo dos tempos, uma visão “holywoodesca” da situação, contribui com uma perspectiva muito redutora, extremamente centrada no conflito armado (talvez até em demasia e ainda assim não totalmente reveladora), deixando quase sempre de parte o enfoque sobre os pilares que sustentaram uma ideologia que teve tanto de perverso como de eficaz.

Não resisto a deixar mais alguns excertos do prefácio de “A Deportação”. Faço-o por várias razões. Tão ou mais importante que o conflito militar e as batalhas, os horrores da guerra e o sangue derramado, é também tudo o que lhe serviu de base, o sofrimento civil e os pilares que permitiram que uma mentalidade tão deturpada pudesse nascer e fortalecer-se ao ponto de ter, obrigatoriamente, que se expandir para fora do seu próprio território e acima de tudo, de ter poder para o fazer. Também, porque noto as incríveis semelhanças, ainda que para já mais ténues, entre tempos tão distantes como os que precederam a  2.ª Guerra Mundial e os de hoje em dia, nomeadamente depressão económica, aproveitamento político duma situação social instável, desemprego crescente e propaganda. Costuma-se dizer que a História se repete. Fico na dúvida se serão apenas reminiscências de um passado que já se tornou longínquo ou raízes de um qualquer futuro próximo.

Excertos de “A Deportação”, 1970

“A origem de todo este mal encontra-se em Hitler. Mas Hitler não estava só. A derrota tinha momentaneamente desarmado os Senhores da Guerra sem ter reduzido as suas ambições nem despertado os seus escrúpulos. Impacientes e vigilantes, eles aguardavam. Por Senhores da Guerra não devemos apenas entender o alto comando mortificado, mas também aqueles que vivem da guerra e da preparação para ela, o grande capital e a grande indústria, o “Herren Klub” de Hugenberg, os Krupp, os Thyssen e os outros.”

(…)

“Sem poder sobre o povo, tinham de agir por interposta pessoa. Um aventureiro demagogo começava então a fazer-se ouvir. Disfarçada com umas pinceladas de “socialismo” e o pretexto de servir os interesses e a honra da raça germânica, a doutrina que ele pregava era a mesma deles. Mas deram-lhe ouvidos. Tinha a audiência que lhes faltava. Eles tinham o dinheiro que fazia falta a Hitler. Ao apoiarem a sua empresa, pensavam que esse agitador se tornaria um instrumento dócil nas suas mãos. O “socialismo”, para ele, mais não era do que uma palavra de apresentação de que nem ele nem os outros faziam o menor caso. Não foi inteiramente assim que as coisas se passaram. Guindado ao Poder pelo seu ascendente popular e pelos Senhores da Guerra, Hitler instalou-se nele. Mas que importava, se eles tinham tudo a ganhar com isso? Já tinham fornecido os estandartes e as botas envernizadas; passaram a fornecer também as armas e depois os tanques e os aviões. Era Hitler que reinava, mas quem prosperava eram eles. O mais seguro poder é o que permanece invisível: Hitler caiu e eles sobreviveram.”

(…)

“Em 1929, escrevia Hitler no Angriff, de Goebbels: “Quando a propaganda impregnou de uma ideia um povo inteiro, bastará um punhado de homens para a organização poder extrair disso as consequências desejadas”. Quatro anos mais tarde, ao ser chamado ao Poder pelo velho marechal Hinderburg, ele não tardou a mostrar a que é que chamava “um povo inteiro” e o que é que entendia por “uma ideia”: um povo inteiro subjugado à mais feroz das tiranias em nome de uma ideia que não passava de uma impostura estúpida e sedutora. O pangermanismo sempre fez receita. A propaganda tinha cumprido bem a sua tarefa. Não era já de um punhado de homens que o Führer dispunha, mas de centenas de milhares ébrios de orgulho, carregados de ódio, mentalmente fanatizados pelo mito da superioridade da “Raça dos Senhores”, e aos quais tudo era prometido, tal como tudo era permitido. Todos os que vegetavam, todos os que a inveja roía, todos os que se viam num desemprego sem esperança, todos os que não comiam o suficiente, e também todos os cobardes que preferiam matar a sujeitar-se a morrer, toda essa gente sem distinção, infelizes misturados com a escória, era convidada para a grande carniça. Os jovens sentiam-se objecto dos seus particulares cuidados. Ele definia-os assim: “Uma juventude fortemente activa, dominadora, brutal, eis o que desejo. Quero ver no seu olhar aquela centelha de orgulho e de independência que transparece nos olhos dos animais selvagens. Não quero nenhum adestramento intelectual. Para os meus jovens, o conhecimento constitui uma ruína.”

(…)

“A solidariedade era uma das formas da Resistência [nos campos de concentração]. Até aos últimos meses da guerra era praticamente impossível preparar uma verdadeira revolta armada. Não só o estado de esgotamento físico e moral dos deportados não permitia que se encarasse a hipóteses de um levantamento, mas também a delação que grassava, praticada abundantemente por todos os indivíduos duvidosos de que falei, misturados na multidão dos outros, tornava difícil a menor combinação. Tanto mais que certos detidos, que não eram dos tais cadastrados duvidosos, mas que eram fracos de espírito, se submetiam à “lei” dos campos em vez de lhe oporem uma recusa total; acreditavam esses que, ao denunciar o “delinquente” ou o suspeito, realizavam uma espécie de acto cívico, que, de resto, logo era recompensado com uma ração melhorada ou uma isenção do serviço de faxina.”

(…)

“Apesar da quase impossibilidade de se estabelecer qualquer combinação, de se organizar, de encontrar armas, 1944 e 1945 assistiram, no entanto, a verdadeiras revoltas, as primeiras das quais foram, que eu saiba, as dos campos judeus de Treblinka, em Agosto de 1943, de Sobibor, em Outubro de 1943, do Sonderkommando de Auschwitz, em Outubro de 1944, e de Mauthausen, em Fevereiro de 1945. Revoltas selvaticamente reprimidas, mas que provam a inabalável recusa de submeter-se, recusa transformada em acção, que não foi inútil, uma vez que era possível combater sem esperança de vencer.”

(…)

“Não há que perdoar àqueles que não são culpados. Seria grave injustiça fazer recair sobre o povo alemão, como um todo, a responsabilidade moral de um mal cujo nascimento, nas condições históricas em que se debatia, ele não discerniu. Quando mediu o perigo, já era demasiado tarde para lhe deter o crescimento, tendo sido ele a primeira vítima, ainda que muitos dos seus filhos tenham começado por se mostrar os sustentáculos de uma tal situação, para dela virem depois a sofrer, por sua vez, as mortais consequências. Mas quantos, no resto do mundo, se mostraram mais clarividentes, mesmo já com a guerra à porta? Seria ainda injusto atribuir aos jovens alemães de hoje a culpa de alguns dos seus pais, crimes de uns, cegueira de outros, esquecendo todos aqueles (e inúmeros são…) que sofreram e pereceram sob o terror e todos os que resistiram em condições ainda piores do que as que nós conhecemos. Uma tal maldição seria nada menos do que um genocídio moral, uma forma in
si
diosa de racismo, e a aplicação do princípio, detestável entre todos, da responsabilidade colectiva, um dos mais odiosos fundamentos do “direito” hitleriano.”

(…)

“Quem não vê, hoje, que a impunidade e o esquecimento fazem ainda fermentar certos espíritos nostálgicos de uma ditadura restaurada de que eles seriam os chefes todo-poderosos. E que, ao dirigirem-se de novo aos frustrados, aos descontentes, aos jovens mal informados do que aconteceu, eles encontram uma audiência iludida? E isto não apenas na Alemanha, mas por toda a parte onde o ódio troa ou a violência mina.”

O esquecimento

adeportacao

A propósito disto: Faz hoje 70 anos. Hoje também faz 70 anos que o Reino Unido e a França declararam guerra à Alemanha Nazi. A efeméride é em si mesma, irrelevante. O que é relevante, é que o distanciamento temporal dos acontecimentos é neste momento tão grande, que a torna apenas mais uma data no calendário, sem que tenha grande expressão no dia-a-dia. É, apenas e só, mais uma notícia de rodapé a caminho do esquecimento. Este distanciamento torna-se o principal entrave à verdadeira relevância dum evento que foi provavelmente o mais importante da história da humanidade, quanto mais não fosse, por expor o que provavelmente serão os limites do próprio homem. De desumanidade e violência e de resistência e perseverança. Perante tudo isto, parece-me que, quer queiramos, quer não, estamos mesmo destinados a esquecer. Ou a querer esquecer. Consequência disso mesmo, é um pequeno livro de 200 páginas que encontrei no lixo. Alguém o deitou fora, provavelmente porque as imagens não são bonitas e apelativas (e o livro é composto essencialmente por fotos), porque este não foi um evento importante ou porque achou que estes eventos nunca terão acontecido. As razões pelas quais ele foi parar ao lixo eu não as conheço. Mas percebo perfeitamente a implicação e o significado do acto em si. De certa forma, o autor do prefácio, Louis Martin-Chauffier, muito melhor que eu, explica-o.

«A DEPORTAÇÃO, que tenho a subida honra de apresentar, não deve ser apenas, “para cada família de deportado ou de internado, o testemunho perene dos sacrifícios votados à causa da liberdade e da pátria”. É a um mais vasto acolhimento que se propõe corresponder. Monumento da recordação e do reconhecimento devidos àqueles que, pela sua forte afectividade, partilharam em espírito tantos sofrimentos quase inimagináveis, sofrendo ainda por cima crueldades que a mente dificilmente concebe, um tal livro é também destinado àqueles que se não lembram porque não souberam, para que eles venham a aprender e compreendam. Penso, antes de mais, nos jovens que, pela sua idade, ficaram aquém da memória, jovens esses a que importa dar a conhecer essa grande e terrível lição e os deveres que, no seu próprio interesse, ela lhes impõe.
Mas muitos outros há, e esses em idade de terem sido informados, que, por não terem sido atingidos pessoalmente ou através dos entes queridos, conheceram mal a verdade e pouco fizeram para a conhecer. Há muito tempo já que o esquecimento abafou os vagos e longínquos ecos que os seus ouvidos desatentos escutavam sem os fixar e apagou as imagens captadas por acaso no cinema ou nas revistas com um olhar distraído que logo delas se desviava.
Esconder a cabeça para não ver e envolver-se numa capa de silêncio é uma cobardia que, não raras vezes, a si própria se ignora, uma maneira prudente de deixar a consciência em sossego, dissimulando-lhe uma realidade por de mais terrível, perante a qual, uma vez alertada e informada, não poderia deixar de se comover e se interrogar. Como se o recusar-se a saber impedisse as coisas de terem sido o que foram! Como se essas coisas não tivessem, implícitas, consequências, e se o facto de elas terem sido o que foram não mudasse a sequência dos acontecimentos e, levando forçosamente à reflexão, não impusesse um sentimento de inquietação!
Não se pode viver indefinidamente na ignorância do mal que foi feito porque esse mal se prolonga; nem do bem que ele suscitou porque esse bem traz fortes razões de ter esperança. O que aqui se narra, o que aqui se mostra, passou-se há mais de vinte anos. Todos nós esperamos que os indiferentes de então ousem agora, talvez timidamente a princípio, tomar conhecimento do que aconteceu e que, pouco a pouco, impressionados por essa revelação, experimentem, embora tardiamente, remorsos pela sua prolongada e intencional ignorância e pela ilusão de terem acreditado que se podia impunemente varrer da história ainda bem viva aquilo que não passara de “um mau momento a atravessar”.»

Excerto do prefácio de “A Deportação”, Edições Europa-América, 1970

de volta

Por momentos pensei que já não tinha a hipótese de aventar as minhas obsessões e anormalidades críticas. O login falha-me constantemente e a net ainda anda intermitente. Para quem não sabe, faço paginação e algum design gráfico quando tenho liberdade para isso. Este último mês tem sido um exagero de trabalho. Nem tempo para respirar… foi só e apenas trabalho. O que quer dizer que neste mês que passou, para mim nada se passou. Quando trabalho a este ritmo, o mundo pára. Acontece-me isto volta e meia; já na altura do 11 de Setembro, estava a paginar um livro sobre a história do futebol em Portugal e só quando saí do “buraco”, durante a tarde, e vi as imagens na TV, é que percebi que algo grave tinha acontecido. É mesmo assim: não vejo televisão, não consulto sites (farto de estar à frente do computador já eu estou), não me apetece ouvir as notícias… Ligo-me às máquinas, que é como quem diz, meto os phones, trabalho, trabalho, trabalho e ouço música. Muita música. A última playlist que fiz, tinha 14 horas de duração. Dá para fazer playlists temáticas e tudo…

Para não ser muito violento, deixo-vos apenas com uma pequeníssima parte da playlist feminina…

Propriedade Industrial de Língua Portuguesa

O Presidente da República já voltou de férias da Cappadocia? É que o homem está sempre de férias e/ou em viagem, e eu nunca sei por onde ele anda. Mas já que anda sempre pelo estrangeiro a divulgar e a defender (muito bem) a língua portuguesa, e a importância da sua manutenção como uma das mais faladas no mundo, queria só alertá-lo para um problema (propositadamente ou não) escondido: traduções de patentes. Provavelmente ele nunca ouviu falar disto, nem sequer ouvirá, e até pode parecer ridículo estar a chamar a atenção para este problema, quando há tantos diplomas importantes para recambiar para o Tribunal Constitucional, mas fica na mesma para consideração.

Portugal, em princípio, deverá ratificar o Acordo de Londres. Seguindo o bom exemplo dessa grande potência mundial que é a Hungria.

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial diz que é bom: “O Acordo de Londres foi assinado em 2000 por 10 países no seio da Organização Europeia de Patentes (OEP) e tem como objectivo tornar o sistema europeu de protecção de patentes mais competitivo, através da redução da carga burocrática e dos custos associados às traduções exigidas nos países da OEP.” Assim, nós aqui em Portugal, não precisamos de traduzir para húngaro. Óptimo! Assim só temos de traduzir todas as patentes para português! Parece-me lógico.
Não compreendo muito bem como pode ser bom limitar apenas a três línguas (inglês, francês e alemão (que surpresa!)) toda a componente técnica de patentes. É que quem quiser ter acesso a patentes (o alicerce da tecnologia) terá que mandar traduzir tudo às suas custas. Continuo sem perceber como isto pode ser bom para um industrial português, necessariamente pequeno à escala europeia, que queira apostar numa indústria tecnológica. A mim, só parece bom para os grandes requerentes de patentes que querem proteger a sua propriedade com o menor custo possível. Como sempre, os países pequenos ficam a perder e os grande países ficam a ganhar. Nada de novo, portanto.
Com este Acordo de Londres, transfere-se rapidamente o custo da tradução de patentes de quem desenvolve uma invenção, para os pequenos industriais como os portugueses. Continuo sem perceber em que é que isto beneficia o nosso país e a nossa pequena dimensão. De certeza que “importamos” mais patentes do que “exportamos“, como em tudo o resto.
Convém lembrar que metade das patentes europeias são detidas por americanos e japoneses, o que demonstra bem a génese destes tipo de acordos. Interesse comercial e maximização de lucros. O normal.
À parte das questões técnicas, preocupa-me que se esteja sempre a defender (e bem) a Língua Portuguesa como um património único, mas no entanto se ratifique um Acordo, seja ele qual for, que a deixa de fora. Parece-me contraditório. O Acordo de Londres é simplesmente, o apagar definitivo da Língua Portuguesa no campo técnico e tecnológico. E depois é só esperar que outro Acordo qualquer, vá também apagando a Língua noutros quadrantes. Nada de preocupante, claro está!

Países que já ratificaram o Acordo: França, Alemanha, Reino Unido, Croácia, Dinamarca, Islândia, Letónia, Liechtenstein, Luxemburgo, Mónaco, Holanda, Eslovénia, Suécia, Suíça e recentemente a Hungria.

Países que não ratificaram o Acordo: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Estónia, Finlândia, Grécia, Irlanda, Itália, Lituânia, Macedónia, Malta, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, República Eslovaca, Espanha, Turquia.

Aqui, aqui e aqui mais alguns argumentos contrários a este Acordo de Londres.

Propriedade Industrial

O presidente da república já voltou de férias da Cappadocia? É que o homem está sempre de férias, e eu nunca sei onde ele anda. Ele que anda sempre pelo estrangeiro a divulgar e a defender a língua portuguesa [http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1372990], e a importância da sua manutenção como uma das mais faladas no mundo [http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1059189], queria só alertá-lo para um problema (propositadamente ou não) escondido: traduções de patentes. Provavelmente ele nunca ouviu falar disto, nem ouvirá, e até pode parecer rídiculo estar a chamar a atenção para este problema, quando o homem tem tantos diplomas importantes para recambiar para o Tribunal Constitucional, mas fica na mesma para consideração.

Portugal, em princípio, deverá ratificar o Acordo de Londres.

http://www.marcasepatentes.pt/index.php?action=view&id=155&module=newsmodule

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial diz que é bom: “O Acordo de Londres foi assinado em 2000 por 10 países no seio da Organização Europeia de Patentes (OEP) e tem como objectivo tornar o sistema europeu de protecção de patentes mais competitivo, através da redução da carga burocrática e dos custos associados às traduções exigidas nos países da OEP.”
Não compreendo muito bem como pode ser bom limitar apenas a três línguas (inglês, francês e alemão (que surpresa!)) toda a componente técnica de patentes. É que quem quiser ter acesso a patentes (o alicerce da tecnologia) terá que mandar traduzir tudo às suas custas. Continuo sem perceber como isto pode ser bom para um industrial português, necessariamente pequeno à escala europeia, que queira apostar numa indústria tecnológica. A mim, só parece bom para os grandes requerentes de patentes que querem proteger a sua propriedade com o menor custo possível. Como sempre, os países pequenos ficam a perder e os grande países ficam a ganhar. Nada de novo, portanto.
Com este Acordo de Londres, transfere-se rapidamente o custo da tradução de patentes de quem desenvolve uma invenção, para os pequenos industriais como os portugueses. Continuo sem perceber em que é que isto beneficia o nosso país e a nossa pequena dimensão.
Convém lembrar que metade das patentes europeias são detidas por americanos e japoneses, o que demonstra bem a génese destes tipo de acordos. Interesse comercial e maximização de lucros. O normal.
À parte das questões técnicas, preocupa-me que se esteja sempre a defender (e bem) a Lingua Portuguesa como um património, mas no entanto se ratifique um Acordo que a deixa de fora. O Acordo de Londres é simplesmente, o apagar definitivo da língua portuguesa no campo técnico. Nada de preocupante, claro está!

Países que já ratificaram o Acordo: França, Alemanha, Reino Unido, Croácia, Dinamarca, Islândia, Letónia, Liechtenstein, Luxemburgo, Mónaco, Holanda, Eslovénia, Suécia, Suíça e recentemente a Húngria.
Países que não ratificaram o Acordo: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Estónia, Finlândia, Grécia, Irlanda, Itália, Lituânia, Macedónia, Malta, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, República Eslovaca, Espanha, Turquia.

Aqui [http://pedraderoseta.blogspot.com/2009/07/nao-ao-acordo-de-londres-salvaguardar.html] e aqui [http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=28901&op=all] mais alguns argumentos contra o Acordo de Londres.

Computadores perigosos

Um em cada cinco computadores do Estado está vulnerável a ataques. É o que diz um estudo realizado pelo Instituto Pedro Nunes. Pois. Mas isso não é nada. Eu acho que andaram aqui a vasculhar os meus textos, no meu computador, em minha casa. Sinto-me inseguro. É que eu estava a ver umas notícias sobre hackers, a escrever sobre isso, e aparece-me logo um estudo a dizer que isto “Não está famoso, mas podia ser muito pior. O nível de segurança em Portugal é perigoso“. Exactamente o que eu estava a pensar e a escrever. Adiante.

Alguém conhece o Gary McKinnon? Eu também não, mas há dois dias atrás, quando li uma notícia que ele provavelmente ia ser extraditado para os Estados Unidos, fiquei a conhecer a personalidade. Está tudo aqui na wikipedia. Fiquei então a saber que alguém, a partir de casa, sobre o efeito de drogas e a quem foi diagnosticado Síndrome de Asperger, consegue entrar em 97 computadores da NASA, Exército, Marinha, Força Aérea e Departamento de Defesa dos Estados Unidos para procurar provas de OVNIS… e sim, claro que ele encontrou provas sobre a presença de extraterrestres na Terra, mas está claro que também ninguém acredita…

Gary Mckinnon, 43 anos, desempregado e autista: o maior hacker de todos os tempos? Bem, deve ser, porque querem dar-lhe 60 ou 70 anos de cadeia e até já esteve para ir até Guantanamo! Ingleses e americanos lá se entenderão de certeza, mas o mais certo é que o homem vá mesmo ser julgado nos Estates e se calhar por lá vai ficar. Eu acho que por demonstrar a total falta de segurança informática da mais poderosa nação do mundo, ele merecia era um prémio! Vou apoiar o homem aqui.

Face ao primeiro estudo e a este “pequeno” incidente tenho de perguntar-me: Segurança na net? Níveis de segurança? Segurança de dados informáticos? Que segurança?

The new movie

Michael Moore estará em breve de volta. Desta vez, Capitalismo, Bancos, Corporações. Fico ansioso. Pelo filme em si, e pelas reacções dos americanos que têm sempre muito medo do comunismo. Mas calma! É só para Outubro! Fico à espera.

“It’s got it all — lust, passion, romance and 14,000 jobs being eliminated every day. It’s a forbidden love, one that dare not speak its name. Heck, let’s just say it: It’s capitalism.”

Ibéria?!? Ibéria, sim senhor!

Para quem não acredita que mais cedo ou mais tarde, uma Ibéria irá emergir.

Mais informações, por favor contactar o sr. Ricardo Salgado, CEO do BES e um dos donos deste país.

Priscilla, Queen of the desert

Pelas razões óbvias, este é o filme ideal para a silly season, o que quer que isso seja. E também porque não tarda nada, as “questões fracturantes” voltarão a estar na agenda política. Tenho a certeza que este filme elucida mais e melhor o mundo homofóbico que qualquer palestra séria e entediante. Além de tudo isto, o filme é mesmo bom e raramente encontro alguém que o tenha visto. Este é verdadeiramente um filme de homens; Terrence Stamp, Guy Pearce e Hugo Weaving, grande guarda-roupa, uma recordação inesquecível dos Abba e truques com bolas de ping-pong. A não perder, apesar de já ter sido editado há uns anos atrás. Fica a sugestão.

Pipi das meias altas

Não tem nada a ver com isso. É apenas publicidade enganosa.

Circula para aí uma publicidade que diz que eu não posso viver sem publicidade. Em parte é verdade. A publicidade não é só a “publicidade”. Um mural “revolucionário“, por exemplo, também é publicidade. Publicidade a um serviço institucional também é publicidade, ainda que não venda nada. A publicidade é de certa forma uma expressão artística humana e abrange ainda muito mais aspectos da vida quotidiana. Por isso mesmo, gosto de publicidade, ou não fosse até uma parte da minha profissão. Mas especificamente, refiro-me à publicidade comercial, aquela que tenta vender coisas. Tal como tudo, tem o lado positivo e o lado negativo. O lado positivo é ser um suporte pequeno em que alguém, com liberdade e capacidade criativa, tenta passar uma mensagem da forma mais eficiente possível a um destinatário final. Às vezes é pura arte. O lado negativo é precisamente a mesma situação, com a diferença que o destinatário não sabe que é de facto publicidade. Neste contexto encaixam-se conceitos como por exemplo, as publireportagens, a propaganda e mais especificamente, a publicidade para crianças. Enganar bem, costuma-se dizer, também é uma arte.

Por isso fiquei intrigado com o tal ICAP, de que nunca tinha ouvido falar. Fui então ver o site. Ainda mais intrigado fiquei. Porque o que quer que seja o Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial deu-se ao trabalho de elaborar um muito completo Código de Conduta. Nesse Código, a páginas tantas, fala em crianças e jovens no artigo 23 e um dos parágrafos refere mesmo que: “A publicidade não deve: a) explorar a inexperiência ou credulidade das crianças e dos jovens;(…)“.

Então algo está errado. Não é uma crítica directa ao ICAP. Ainda bem que existe algo que regule a publicidade (nem que seja ela própria), e especialmente a direccionada para crianças. Mas se assim é, não estão a fazer aquilo a que se propõem. Ninguém do ICAP ainda reparou que nos anúncios dos Happy Meals, Danoninhos, Chocapics e afins, exploram a “inexperiência ou credulidade das crianças“, vendendo-lhes hambúrgueres, cereais para pequeno-almoço, iogurtes e todo o género de coisas usando como isco toda uma parafernália de brinquedos e ofertas? No ICAP, ninguém vê os intervalos dos espaços infantis? No ICAP ninguém tem filhos, conhece alguém que tenha filhos ou alguma vez viu um puto aos berros no supermercado por causa de um Kinder Surpresa? Ainda não repararam que existe publicidade MESMO direccionada para os filhos e não para os pais, como deveria ser? No ICAP ninguém vê o Canal Panda?

Pergunto-me ainda: será que estas empresas concebem publicidade propositadamente para crianças, porque têm medo que os adultos deixem de comprar os seus produtos? Ou apenas querem aproveitar a inexistência de crítica e selecção por parte dum “target” mais inocente? Será que estas empresas nunca ouviram falar em estudos sobre como a publicidade influencia directamente as crianças? Será que nunca ouviram falar de nagging? Deveriam saber, porque foram elas que fizeram os estudos…

Custa-me a acreditar que no meio de tantos estudos de mercado e de opinião, tudo isto seja apenas uma enorme, infeliz e inocente coincidência. Para mim, é apenas mais um reflexo perverso de uma economia sem ética que se baseia num consumismo desenfreado e no desperdício constante para se manter em funcionamento. Mais grave ainda, é que isto torna os meios de divulgação de publicidade numa espécie de educadores extra-familiar. E tudo aparentemente promovido apenas com vista ao lucro de uma empresa, porque eu não consigo vislumbrar quais as grandes vantagens para as crianças.

Noutra perspectiva diferente, costuma-se dizer que bons produtos dispensam publicidade. Vendem-se a si próprios. Não sei o que isso quererá dizer dos produtos actuais, tão dependentes de uma boa e hiper-estudada campanha de publicidade. Tanto para adultos como para crianças. Publicidade para crianças não é novidade. Mas é inegável que é um fenómeno em crescendo e cada vez mais agressivo.

Só por curiosidade, eu perguntei ao meu filho se ele sabia o que era publicidade. Com 7 anos, respondeu-me que achava que era um programa para os “grandes“. E anúncios? Anúncios é o que dá no meio dos “programas para os grandes”. E anúncios no meio dos desenhos animados? Não há anúncios no meio dos desenhos animados, senão não eram desenhos animados, mas sim “um programa para grandes”, não é? E é para miúdos com esta inocente mentalidade e que dão este tipo de respostas, que algumas empresas gastam milhões de euros em publicidade para lhes tentarem impingir todo o género de tralhas, iludindo-os e enganando-os com bugigangas e brinquedos de plástico.

Deixo um vídeo ao ICAP, para o caso de nunca terem ouvido falar em “nagging”…

Para perder o medo do nuclear…

Stanley Kubrick, George C. Scott e Peter Sellers. Muitas bombas nucleares. Que mais se pode pedir num filme?

“You can’t fight here. This is the war room!”

está quase…

131415

Afinal, o mundo natural ainda se pode salvar da destruição total, porque os senhores da economia estão a ficar preocupados. E eu a pensar que o Adam Smith estava errado e o “self-interest” não tinha vantagens nenhumas…

O melhor amigo da mulher…

…é o Photoshop. Tenho noção que poucas pessoas conhecem o Photoshop. Menos ainda as que sabem utilizar o programa. No entanto, ele “anda” por aí. Pelo que conheço, posso garantir que mais 90% das imagens impressas em publicações, passam pelo Photoshop. Como conhecedor e utilizador regular, vejo com um profundo sentido de “deformação profissional” tudo o que é impresso. E fico sempre na dúvida: isto será verdadeiro? Eu bem sei a quantidade de postes, fios de electricidade e gruas que “retirei” de fotografias, apenas porque eram ruído visual. Perdi a conta ao número de manipulações que tive de executar, desde colorações, apagar objectos indesejados e “colar” elementos novos para tornar aquela imagem, numa imagem melhor. Atenção! O Photoshop não é uma arma terrorista! Mas se for preciso, consigo “sentar” o Bin Laden ao meu lado numa bela fotografia tirada em Madagáscar em 1936. O limite é praticamente a minha imaginação. Já o programa em si, desde há anos que o venho confirmando, não tem mesmo limites. Não conheço ninguém que o domine totalmente e acredito que nem sequer os seus brilhantes programadores o conheçam totalmente, tal é a sua complexidade e variedade de ferramentas. E nesta altura, eu pergunto-me quanto tempo continuarei a ter capacidade de reaprendizagem para trabalhar com ele. Se a minha imaginação não terá limites, já a minha capacidade de aprendizagem terá certamente…
Tenho de lidar com coisas tão estranhas como layers, masks, saturation, image size, resample, cmyk, profiles, sharpens, blurs, histogram, clipping masks, hue, crop, etc, etc, etc… e isto apenas no Photoshop. Ainda faltam o Freehand, o Illustrator, o Acrobat, o Quark, o InDesign e o Corel Draw, já para não falar numa parafernália de programas complementares. Tanta tralha!
Como é que terei algum tempo para, como alguns homens, desfolhar a FHM, a Playboy e afins e apreciar aquelas esbeltas mulheres, quando estou tão ocupado a manter-me actualizado informaticamente? Pior ainda! Como é que poderei apreciar aquelas belas imagens de belas mulheres quando sei que provavelmente foram manipuladas, muito provavelmente por um outro geek como eu, alterando aqui e acolá, tapando aquele mamilo destemido que salta fora do soutien, ou retirando aquelas gordurinhas extra?
Como exemplo, apresento aqui algumas imagens. Tudo pode ser manipulado e na maior parte das vezes é mesmo manipulado. É muito mais fácil, retocar, alterar, cortar ou tirar um pouco de luz no Photoshop, do que estar a fazê-lo em set. Não se pode dizer: “Olhe, encolha um pouco mais a barriguinha!” ou “Não pode esconder essas rugas?”. Com o rubber stamp e o healing brush tira-se a barriguinha, a flacidez e a celulite e faz-se uma cura milagrosa anti-rugas mais rápida que a Corporacion Dermoestetica e nem sequer se abre a boca!

amigo1

amigo2

amigo3

Procura de emprego

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Senhor Berardo, não me arranja também um lugarzinho de administrador?

Na América, promíscuo é uma espécie de cogumelo…

Estava eu trabalhar e a ouvir a minha playlist aleatória de mp3 e cai-me no ouvido Amérika dos Rammstein… logo de seguida, This is not America de David Bowie. De tarde tinha lido que os “chapéus do filme de Johnny Depp são feitos de feltro português” e que continuam a acontecer coisas perto do Michael Jackson… e agora não-sei-quem, demitiu-se de governadora do Alaska! E então apercebo-me. É verdade! Vivemos todos na América! América, esse país em que os habitantes pensam que promíscuo é uma espécie de cogumelo e ondem nascem todas as teorias da conspiração. Não compreendo muito bem um país como a América. Alguns americanos também não. Eu até gosto dos filmes e das músicas deles, mas quando ficam todos contentes e felizes por entrarem em guerra com outro país não é normal. Levam a guerra tão a sério que até têm taxas de produtividade e de desemprego para as forças armadas. Levam isto tão a sério que neste momento ocupam dois países e guerreiam forças militares inimigas que eles próprios financiaram e que agora não conseguem identificar. Já têm muitos anos de prática neste tipo de conflitos. Mas eu vejo isso como uma forma estranha de promover o conhecimento e fomentar o turismo em países que nunca ninguém ouviu falar. Segundo um estudo realizado pela cadeia de televisão americana THNN (Texas Herald News Network ), o país que 62% dos americanos desejam invadir a seguir é o Djibuti. No entanto, 19% preferiam Palau, porque estão fartos de aventuras no deserto e preferem uma guerra perto do mar para dar alguma visibilidade aos Navy Seals. Não são normais. Nem nas coisas mais normais do mundo, estes americanos são normais. Sempre que ganham um prémio nos reality-shows desatam aos berros “oh my god!!!, oh my god!!!, oh my goood!!!”. E choram, choram e ainda choram mais um bocado e depois gritam outra vez. As “Miss USA” têm sempre um parafuso a menos, ficam felizes quando perdem e são burras como portas antigas. Quando têm uma figura nacional que adoram, mais cedo ou mais tarde acabam por assassiná-la. Quando uma dessas figuras morre, ninguém acredita! Os americanos são incompreensíveis. Eles, os banjos e música country. Que raio é um banjo? E que música é aquela? De certeza que já fizeram uma série sobre assassinos com banjos ou três dúzias de filmes e respectivas sequelas sobre adolescentes que são mortos no Mississipi por um louco com um banjo. O Banjo Diabólico III. Orgulham-se de ser o país n.º1 do mundo, com o maior número de raptos, avistamentos e contactos com ETs. Mesmo noutros países, quem filma OVNIS são americanos de férias. Inacreditável. E depois ainda é mais estranho. Abrem uma empresa, e no ano seguinte, já andam a perguntar quem é o dono e quanto custa a União Europeia. Gastronomia não têm. Só comem hamburgueres, cachorros quentes e nachos com molhos. Ou feijões e puré com ervilhas. Nunca os vi a comerem outras coisas. E só bebem Coca-Cola, Budweiser e Jack Daniels. (apesar de concordar plenamente com a inclusão do Jack Daniels na roda dos alimentos). Ainda há pouco tempo andavam disfarçados de fantasmas a chutar “neegros” para fora dos autocarros e agora chutam outro como “Salvador” para a presidência, mas acham que existe uma conspiração por trás disso e que de facto ele não é negro, mas sim islâmico! Isto é que é rapidez de processos sociais! 4,1 segundos dos 0 aos 100! Em evolução e desenvolvimento, tenho que admitir, são rápidos e bons. Mas preocupa-me um bocado, que este pessoal algo transviado da mente, profundamente paranóico, incoerente e confuso que nasce com o dedo no gatilho e quer “viver” na televisão, tenha acesso a armamentos nucleares. Acho que não deviam estar perto nem de pedras afiadas! Não deviam estar perto de um botão vermelho para destruir o Mundo, nem, aliás, de nada que seja vermelho. Claro que também têm coisas boas. Nesse aspecto, os americanos são espectaculares, porque me “permitem” que eu possa ter as minhas opiniões e a minha liberdade de expressão. Eu e qualquer outra pessoa no mundo. E, segundo o soldado Ryan, porque nos livraram do III Reich. E também nos livraram dos terrorristas todos. E dos Talibans, apesar de ainda não terem conseguido encontrar Bin Laden, o Chefe das Forças Armadas Talibanesas. Ah! E do Fidel Castro. E já agora, porque não?, livram-nos também de filmes europeus que acabam quando ao fim de quatro horas se começa a entender o que se passa e finalmente um actor fala!. E… é só isso. Infelizmente, o que é mau, é mesmo muito mau. E isso é que é pena. Até têm uma bandeira muita catita. Não compreendo. É pena. Encarece-nos o Jack Daniels e obriga-nos a ver telediscos com legendas.

Como os outros países veêm a América e os Americanos:

Como a América se vê a si própria:

Fartei-me de ouvir falar do 4 de Julho, da América, do Alaska, do Joe Berardo a oferecer um emprego e das 29 vezes sobre o Michael Jackson! Já não aguentava mais. Eu sei que são 2 da manhã, mas tinha mesmo de desafabar…

Porque é sexta-feira…

…e me esqueci de assinar o tal manifesto. Esqueço-me de tudo.
E porque todo o país anda sisudo e muito político.

Mas eu acho que vou a outro bar…

Jacuzzi não é uma "banheira" para o relax…

jacuzzi

Volta e meia as empresas surpreendem-me.
Já sabia que as Chiclets eram uma marca mas que acabaram por designar toda uma gama de produtos. Também já conhecia a história semelhante da Jeep. Até sabia que o famoso “cimbalino” no Porto derivava do nome das primeiras máquinas de café.

Não querendo estar aqui a fazer publicidade gratuitamente, o que eu não sabia, era que Jacuzzi também era uma marca e não um tipo de “banheira” para o relax…

E o que é que isto interessa? Absolutamente nada! Às vezes gosto só de partilhar… e partilho especialmente com o chefe Ricardo que pelos vistos anda exausto. Um jacuzzi vem mesmo a calhar…

BE propõe a legalização da cannabis

O Bloco de Esquerda apresentou um novo Projecto de Lei para legalizar o consumo e cultivo pessoal de cannabis. O argumento (correcto) é que a cannabis tem iguais riscos (ou menores) para a saúde pública do que, por exemplo, o álcool ou o tabaco e que por isso não faz sentido marginalizar apenas alguns consumidores e não todos.

Nas 26 longas páginas que compõem o Projecto Lei pode-se encontrar toda a argumentação possível e imaginária em defesa da cannabis. Um “pequeno” excerto dos inúmeros argumentos :

“Do nosso ponto de vista, deveria ser, precisamente, o grau de danosidade de cada substância, para o utilizador e a sociedade, a orientar a delineação das estratégias e das políticas de prevenção, minimização de riscos e tratamento, e não a sua classificação como legal ou ilegal. Só assim se poderão adequar as respostas perante a realidade social e os problemas concretos.
Até porque, desde há muito tempo, o impacte das drogas lícitas na sociedade é bem mais grave que o das drogas ilícitas. Por exemplo, refere o relatório da ONU que “o consumo do tabaco, uma substância aditiva, psicoactiva que é vendida livremente, apesar de em mercados regulados, afecta cerca de 25% da população adulta”, ao passo que as drogas ilícitas afectam 5% da população mundial com idades entre os 15 e os 64 anos. “As estatísticas da mortalidade mostram que as drogas ilícitas tomam uma pequena fracção das vidas reclamadas pelo tabaco (cerca de 200.000 ao ano para as drogas ilícitas contra cerca de 5 milhões por ano para o tabaco) ”, aponta. Se formos olhar para o álcool, o cenário também é negro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005), o álcool causa anualmente 1,8 milhões de mortes, estimando-se que nas economias avançadas o custo económico resultante da utilização do álcool varia entre 0,5 a 2,7% do PIB. Na Europa, o álcool é responsável por cerca de 60 doenças diferentes, por actos de violência, homicídios (4 em cada 10 de todos os assassinatos e mortes violentas), suicídios (1 em cada 6 de todos os suicídios), acidentes rodoviários (1 em cada 3 de todas as mortes na estrada), por 60 000 nascimentos abaixo do peso normal, por prejuízos no desenvolvimento cerebral do feto estando relacionado com défices intelectuais nas crianças e sendo a maior causa de debilidade mental evitável na Europa (Anderson et al., 2006).
Ora, é incompreensível que se mantenha um discurso moralista sobre o consumo de drogas ilícitas, quando perante as lícitas, como o álcool e o tabaco, que provocam milhões de mortes todos os anos, a hipótese de proibição à escala mundial é posta de lado de forma
categórica. No caso português, por exemplo, ao mesmo tempo que se assiste a um grave problema de saúde pública associado ao álcool, já que somos o 8.º país com maior nível de consumo mundial (World Drink Trends, 2005) e temos uma taxa de mortalidade padronizada por doenças atribuíveis ao álcool para <65 anos de 18,8 % (Alto-Comissariado da Saúde, 2008), promove-se a sua comercialização, em especial do vinho, uma importante cultura para a economia nacional e factor de valorização cultural e patrimonial do país.”

Não batam palmas nem entrem todos em histeria colectiva, porque escusado será dizer que esta não passará tão cedo. Ainda tem de ser rejeitado o Projecto Lei, ir a referendo, perder, ser apresentado novo Projecto Lei e ser recusado novamente, ir outra vez a referendo e ganhar à rasquinha (com pouquíssima abstenção) e só então o “pessoal” poderá fumar uma “erva” à vontade.

A argumentação de defesa é inabalável, mas a realidade já é bastante mais maleável e desconhecida.

Convém lembrar que nem tudo é um grupo de amigos a fumar cannabis, provavelmente, intelectuais de esquerda com óculos de massa a discutirem o Eterno Retorno de Nietzsche ou as preciosidades escondidas no Museu de Arte Contemporânea em Teerão.
Também é um grupo de amigos a fumar “erva”, provavelmente, clones do Cristiano Ronaldo, mas infinitamente mais pobres e que acham que “devem” dar uma volta com o meu carro, porque precisam de se ir divertir a “armar estrilho” no centro comercial!

Eu até concordo com a legalização, mas fica-me uma questão que acho pertinente: se ainda tantos portugueses não conseguem ser responsáveis com o consumo de álcool, porque haveriam de agir de forma diferente com a cannabis?

José Calvário vive na música que imaginou

Morreu o maestro e o compositor. Tinha apenas 58 anos.
Nasceu no Porto em 1951 e apenas com seis anos deu o seu primeiro recital de piano, no Conservatório de Música.
Depois do Porto, foi para a Suíça, onde os pais queriam que seguisse Economia. Aí, aceita o convite de colegas estudantes para integrar uma orquestra de jazz. Já em Lisboa, em 1971, concorre a um anúncio do Festival da Canção. E tudo começa…
Entre muitas outras, compôs a música de “E Depois do Adeus” e “Flor sem tempo”.
Mais do que a homenagem póstuma, a genialidade e importância de um homem “à frente do seu tempo” é demonstrada na obra que deixa para a posteridade.

No álbum “Mapas”, gravado com a Orquestra Sinfónica da Hungria, um agradecimento:
“Escrever sobre a minha obra é escrever sobre mim próprio. Prefiro agradecer àqueles que, de uma forma invisível e subtil, me apoiaram empenhada e desinteressadamente durante o seu longo processo de produção.”

Aumentem lá o preço dos cigarritos…

nao fumar

Uns viciam-se em drogas, outros viciam-se na bebida ou no jogo. Uns estão viciados em não fazerem nada, outros viciam-se no trabalho. Muitos estão viciados em dinheiro e coisas. Todos somos viciados em alguma coisa. Nem que seja em blogs ou notícias. Eu viciei-me no tabaco.

Admito que ando com alguns problemas em deixar o tabaco. Desde há três meses que não compro tabaco. Ainda tenho o meu stock de tabaco de enrolar que me permite não trepar paredes, insultar toda a gente e partir tudo à minha volta, principalmente quando estou a trabalhar e me dá aquela vontade maluca de me esfumaçar todo. Tornei-me o crava número 1 do País. E sempre que fumo um cigarro, estou em silêncio a gritar para comigo: estúpido! estúpido! Tenho a noção de que fumar, muito além de ser uma escolha pessoal, é uma estupidez! Nao me traz nenhuma vantagem e só tem prejuízos.

Numa altura de crise económica, e eu sei bem do que estou a falar, porque apenas os ricos (aqueles que Sócrates disse que ia cobrar mais impostos, mas que entretanto não ficou provado que existissem)  me vão deixando cravar um cigarrito ou outro, proponho que este governo, ou qualquer outro que venha por aí a aparecer, aumente o preço do tabaco.
Portanto, numa perspectiva estritamente economicista, aumentem lá o imposto dos cigarritos. Não tenham medo. Ponham lá o preço nos 10 ou 20 euros por maço, que eu garanto, forreta como sou, que dentro de um mês deixo definitivamente de fumar. De uma vez por todas. Eu, e de certeza muita gente comigo…

A não ser que não se possa ou isso não interesse a ninguém…

sexo e lei

Já muito se falou (e fala) sobre a homossexualidade. Fala-se de todas as perspectivas possíveis e imaginárias, de todos os pontos de vista e até já vi tratar-se a homossexualidade como um fenómeno demográfico importante, como se de uma medida anti-concepcional se tratasse.

Ora, estava eu aqui a ouvir a banda sonora do “Laranja Mecânica”, obra que conta a participação das músicas electrónicas desse pequeno e desconhecido génio Walter Carlos (agora Wendy Carlos) e lembrei-me! Então e os transexuais? A transexualidade também é um impeditivo ao casamento? Ou nem sequer é considerado? Quais os seus direitos legais? Estão contemplados na lei? Será que existem leis? Eu sou do sexo masculino, mas porquê, se nem no meu bilhete de identidade está definido? O que é legalmente o “sexo” ou o “género”? Quem o define?

A Associação ILGA Portugal ajudou-me a perceber um pouco melhor esta questão:

“A lei portuguesa não contém qualquer referência explícita à situação das pessoas transexuais, situação que se está a tornar cada vez menos frequente, a nível internacional. A tendência tem sido de se legislar sobre a matéria, de uma maneira favorável à condição da população transexual, como o demonstram as recentemente aprovadas Gender Recognition Act (2004, Reino Unido) e Ley de Identidad de Género (Espanha, recentemente aprovada pelo Parlamento, e à espera de aprovação pelo Senado). Também não contém uma definição do que é “sexo” ou “género”. Contudo, adopta as características somáticas de cada um dos sexos, masculino ou feminino para, por exemplo, permitir a celebração do casamento civil (artigo 1577º do Código Civil). Assim, o nosso ordenamento jurídico pressupõe uma noção bipolar do sexo, sem intermédio, ou meio-termo, mas não define as expressões “homem” e “mulher” em preceito algum.

A classificação de uma pessoa como sendo homem ou mulher resulta das menções constantes no assento de nascimento, lavrado em geral pelos pais, os quais se baseiam nas informações médicas resultantes da observação dos órgãos genitais da/do recém-nascida/o. Assim, um dos requisitos específicos do assento de nascimento, exigido pelo Código de Registo Civil (CRC, Decreto-Lei n.º 131/95 de 6 de Junho), é o da menção do sexo do registando (CRC, art. 102º nº1b). A esta informação deve também ser acrescido o nome da pessoa que, diz a lei, “não deve suscitar dúvidas sobre o seu sexo” (CRC, art. 103º nº2a), e que, por si só, a identifica, perante a sociedade, como pertencendo ao sexo feminino ou masculino.”


Pelos vistos não fui só eu que tive dúvidas sobre o “sexo” ou o “género”. Enfim, coisas simples tornadas complexas.

Portugal, 10/6/2009

Luis de Camoes

O dia 10 Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é um bom feriado, porque é feriado. É um feriado de respeito até porque é quase centenário, republicano e porque se relembra que Camões morreu neste dia em 1580.
Hoje, neste dia, ouvindo as declarações solenes da praxe, ganhei uma nova referência no panorama nacional: António Barreto. Grande discurso em Santarém. Tão grande e objectivo que deixou os participantes da cerimónia algo incomodados. Extremamente acutilante sobre o estado do País, disparou sorrateiramente sobre os presentes e ausentes, lembrando-lhes que os Portugueses também precisam de exemplos. Bons exemplos que deveriam vir das esferas superiores. Exemplos inexistentes ou insuficientes na Justiça, na Educação, na Política e em todos os outros planos de interesse nacional. O discurso de António Barreto é uma machadada violenta de objectividade e consciência do actual e real estado do País.

Nesta altura de reflexão, e porque parece que se está a tornar crescentemente uma moda, eu deixo a reflexão simples e directa de outro génio que não Luís de Camões, mas que do passado, muito me tem ensinado sobre o presente e o futuro.

“Eu digo que Portugal, nesta época em que não pode fazer conquistas, nem tem já continentes a descobrir, deve esforçar-se por ganhar um lugar entre as nações civilizadas pela sua educação, a sua literatura, a sua ciência, a sua arte – provando assim que ainda existe, porque ainda pensa.”

Eça de Queiroz, in Notas Contemporâneas, 1880

A gripe A

Estava eu a dar a minha volta pelos jornais quando reparo que a Gripe A volta à carga. A OMS vai usar o alerta máximo e aparentemente o mundo vai entrar tecnicamente em pandemia. Mas apesar da “gravidade” da doença e da situação, a OMS adverte que “isso não significa que o vírus se tenha tornado mais grave, que a doença seja mais severa ou que tenha aumentado a taxa de mortalidade”. Segundo diz o Expresso, “a política de prudência, disse (o director-geral adjunto da OMS), pretende evitar efeitos adversos, entre os quais citou restrições de viagens, fecho de fronteiras ou bloqueios ao comércio.

Esta situação da pandemia deixa-me curioso. E estupefacto. Porque, ou andamos aqui a brincar aos médicos e às enfermeiras e a Gripe A é uma doença tal como centenas de outras que para aí andam a atormentar a Humanidade, ou então é mesmo uma situação gravíssima fora do normal que pode pôr em risco a sobrevivência de muita gente.

Se isto é galopante e do mais grave que há, já que não existem mais níveis de alerta na OMS, eu pergunto-me: quando é que será necessário restringir viagens, fechar fronteiras ou bloquear o comércio? É uma questão de tempo ou de números?

A futebolítica

Apesar de haver algumas diferenças gritantes, e veja-se que nunca se ouviu falar em políticos com salários em atraso ou partidos em falência técnica, existe um paralelismo entre o futebol e a política e uma ligação quase umbilical entre os dois.
Basta considerar a constante presença de políticos em eventos futebolístos.
Mas tal como o país político, o futebol português é pobre, eminentemente corrupto (apesar de ainda se estar a tentar provar isso), com maus dirigentes e maus jogadores. Os bons jogadores normalmente vão para países mais desenvolvidos e só cá ficam os outros à espera da sua vez. É claro que existem as camadas jovens, mas tanto numa situação como noutra, são sempre muito pouco aproveitados e recorre-se quase sempre a “quem vem de fora”.
Tal como a política, o futebol está de “rastos”. Num campeonato em que os jogos são feitos praticamente deitados no chão, parados e com tantas faltas, raramente se marca um golo na marcação de um livre. No entanto, sempre que se vai marcar um livre, os (poucos) adeptos entram em histeria como se fosse um penalti. Parece mesmo que o golo é iminente e só falta festejar. Inevitavelmente a bola lá vai para fora e toda a gente protesta, dizem que o jogador não presta, chutou para fora do estádio e que devia ter sido outro a marcar o livre. Mas o mais grave é que dois minutos depois, o árbitro marca outro livre e toda a gente volta a ficar expectante para festejar golo… mas o mau jogador chuta novamente para as nuvens! E isto continua sempre a acontecer. É um jogo inteiro assim. É um campeonato inteiro assim. E é sempre assim. Assim como na política. É só pólvora seca. Parece que vai acontecer alguma coisa, mas depois não dá em nada.
É inacreditável a parecença do futebol com a política portuguesa.  Até as eleições são feitas na mesma altura. Parece combinado. Se calhar é por isso que alguns passam de um lado para outro. Políticos que se tornam dirigentes futeboleiros e vice-versa.
E apesar de haver uma míriade de clubes, são sempre os mesmos dois a ganhar. E não querendo que mais ninguém ganhe além deles, vêm sempre dizer que a competição é muito importante para melhorar a actividade desportiva. Na política é igual, e assim que perdem, disparam em todas as direcções dizendo que a governabilidade está ameaçada se a sua hegemonia for interrompida.
Também se ouve falar muito daqueles que mudam de clube e que são “vira-casacas” e “peseteros”: passam do PCTP/MRPP para o PSD, passam do PCP para o PS… é uma questão de mudar para plantéis que permitam voos mais altos e ganhar outro tipo de troféus…

Noutra perspectiva, a política está invadida de futebol. Veja-se por exemplo, Vital Moreira a reclamar “falta” no comício em que participou juntamente com a CGTP. A CGTP veio a público dizer que foi apenas carga de ombro e que foi Vital Moreira a provocar o contacto. Aliás, esta é uma táctica muito conhecida nos meios futeboleiros. Chama-se “entrada à Soares” e consiste em “colar-se” a um adversário já com um cartão amarelo para provocar a sua expulsão.
Ainda agora, no apuramento para as “Competições Europeias”, o que mais se ouviu foi que fulano em vez de levar cartão amarelo deveria era ter levado cartão vermelho. Até as declarações são as mesmas. “O responsável por este desaire, sou obviamente eu!”, isto foi o que disse Vital Moreira e são as palavras que Carlos Queiroz já vai ensaiando.

Agora também, tal como os clubes que reclamam constantemente da arbitragem, são também os partidos a reclamarem com o Banco de Portugal e exigirem a demissão de Vitor Constâncio por não resolver os problemas noutro tipo de “arbritragem”. E tal como no futebol, uns jogadores levam com processos sumaríssimos, outros não levam com nada e saem incólumes de todas as situações.

Depois, existe também o lado obscuro das “campanhas negras” e “trabalhos de bastidores” nas duas actividades e o consequente envolvimento dos tribunais para clarificar as situações. Não há ano que passe em que não existam dirigentes envolvidos em polémicas e escândalos envolvendo compras fraudulentas de terrenos, construções ilegais, pagamentos por “baixo da mesa”, falsas ou não-entrega de declarações de rendimentos, escutas telefónicas incriminadoras, desvios de dinheiro, tentativas de corrupção activa e passiva, abuso de poder, etc, etc. Todos os dirigentes negam sempre todo e qualquer envolvimento em actividades ilegais e nos tribunais nunca se consegue provar nada, e até se consegue provar exactamente o contrário, apesar de ninguém acreditar. Ou então, os processos prescrevem.
Falando de elementos externos: uma palavra para a comunicação social. Tal como no futebol, também na política, conforme os interesses instituídos, uns optam por apoiar descaradamente uma facção, tentando prejudicar o máximo possível o outro lado, evocando sempre uma neutralidade e imparcialidade sem mácula.

Internamente, tanto uns como outros, só falam de estratégias e mudanças de equipa técnica. Sócrates, pelos vistos, escolheu mal o avançado para estas eleições. Manuela Ferreira Leite foi altamente elogiada pela escolha do possante meio-campista Paulo Rangel para o ataque à Europa. Louçã e Jerónimo continuam a fazer o papel de “Portugal” nas competições internacionais: de vez em quando até surpreendem e sobem ao pódio, mas toda a gente sabe que nunca vão ganhar nada. E Portas… bem, Portas tem a sorte de não existir uma 2.ª Divisão na política… No entanto, Sócrates já disse que não vai mudar de tácticas porque sabe que tem uma boa equipa que lhe pode permitir ainda ganhar o Campeonato. Não se pode ganhar todos os jogos e este foi um jogo à parte e não tem nada a ver com o Nacional. Eu sinceramente até acho que Sócrates daria um excelente treinador. Tem gerido e aguentado muito bem uma equipa quezilenta, que gosta de malhar em todas as direcções. Não é fácil. E no caso das Europeias, fez-me lembrar aqueles treinadores que põem em campo a pior equipa para jogar um desafio sem grande importância, salvaguardando os pesos-pesados para o que mais interessa: o Campeonato! Veremos se estou errado. Espero que Sócrates também esteja.

E finalmente, de há uns anos para cá, as duas actividades sofrem do mesmo mal: ninguém aparece para participar no espectáculo! Constantemente aparecem os dirigentes e responsáveis a pedirem uma reflexão sobre o assunto e opinadores profissionais a explicarem o porquê desta situação estranha, envolvendo duas das actividades que mais emoção geram neste país. Uns explicam e apontam a crise económica, a corrupção latente, os maus intervenientes e o descrédito generalizado no futebol para justificarem os estádios vazios; outros explicam e apontam a crise económica, a corrupção latente, os maus intervenientes e o descrédito generalizado na política para justificarem as mesas de voto vazias. E depois começa a nova época. Rola a bola e rola o discurso. E eu já me ponho a adivinhar: outro livre para fora…

McDonald's Quizz

Não, não é o novo batido da Mcdonald’s. Até porque na McDonald’s não gostam de ideias de outras pessoas. É só um passatempo.
Uma destas frases está errada. Qual será?

A – Faz 60 anos que a McDonald’s substituiu as batatas fritas “de pacote” pelas típicas “french fries”.

B – Faz 50 anos que foi aberto no Wisconsin, o 100.º “restaurante” McDonald’s.

C – Faz 40 anos que o logo da McDonald’s atingiu a forma definitiva com os dois arcos amarelos.

D – Faz 30 anos que apareceram os primeiros Happy Meals para a criançada.

E – Um dia, a McDonald’s vai entrar em colapso financeiro.

F – A McDonald’s tem mais de 450.000 empregados.

G – O documentário “Super Size Me” é um bom documentário.

Para os verdadeiros twitteristas

twitter em 1935

Palmado aqui.

Uma reacção estranha…

Todos os outros candidatos já são estranhos o suficiente porque ganham sempre. São os campeões do positivismo. Desta vez o PS não pôde dizer isso. O PS perdeu e Vital Moreira falou… ou melhor dizendo puxaram-lhe os cordéis para ele se mexer um bocado… mas teve no mínimo uma reacção estranha. Além de mostrar preocupação, tal como todos, com esse monstro estranho que é a abstenção, ressalvou dois pormenores destas eleições. Um deles foi o facto de estas serem eleições europeias, o que de facto não se notou, e a importância das mesmas num contexto de crise global. O estranho é Vital Moreira dizer que Portugal precisa da União Europeia para sair da crise. Ou seja, Vital Moreira assume a total dependência de Portugal face à União Europeia para resolver crises. E a questão que fica é que se a UE não ajudar, Portugal sozinho não consegue ultrapassar dificuldades económicas. Isto já é suficientemente grave. Mas mais grave ainda, é referir que tanto o PS e o PSD perderam votos para uma multiplicidade de partidos e que esta fragmentação política põe em causa a governabilidade do País. Primeiro, contradiz-se porque estas eleições são para as Europeias e nada têm que ver com a governabilidade do País, segundo porque deveria saber que o lema da União Europeia é “Unidos na Diversidade” e por último porque denota uma preocupante e latente opinião absolutista face à política.

Muito provavelmente Vital Moreira virá a público desmentir estes comentários proferidos na conferência de imprensa em que José Sócrates também participou.

Uma última palavra para Mário Lino. Pergunta do jornalista à saída do hotel onde são feitas as declarações à imprensa: “É o primeiro a sair da sede de campanha… está a fugir perante estes resultados?” Resposta de Mário Lino: “Eu??! Eu só vim fumar, mais nada!”

Disseminação de boatos…

1959bressonpickpocket

Existe um tipo de “notícias” que deixam no ar a dúvida se são boatos, pura invenção para ocupar aquele espaço vago na paginação do jornal ou porque não havia nada para dizer e tem que se dizer alguma coisa:

Correio da Manhã – 26 Maio 2009 – 15h23
Supostamente responsável pelo sector de comunicação internacional da rede terrorista
– Polícia brasileira detém líder da Al-Qaida

A Polícia Federal brasileira informou esta terça-feira a detenção de um alegado membro da alta hierarquia da rede terrorista Al-Qaida, supostamente responsável pelo sector de comunicação internacional da organização terrorista, em São Paulo.
Ainda não foram avançados detalhes da operação sigilosa, resultado de uma acção iniciada há cinco dias, com a participação de agentes do FBI dos Estados Unidos. A Polícia não avançou se o suspeito detido planeava acções terroristas no Brasil.”

Eu interpreto assim: Um desconhecido, alegadamente ligado à Al-qaeda, supostamente um dos líderes, provavelmente responsável pela comunicação do grupo, que não se sabe se ia fazer alguma coisa, foi preso no Brasil com ajuda do FBI, mas não se sabe como. Palmas para o Correio da Manhã. Palmas para as não-notícias. Não entendo isto. Provavelmente esta “notícia” morre aqui, à nascença. Com alguma sorte, daqui por seis meses, corre o boato que o FBI tem o Bin-Laden preso em segredo no Brasil! E nunca ninguém irá perceber como nasceu.

Os boatos sempre me intrigaram. Segundo o Dicionário Koogan Larousse, boato é uma notícia falsa ou uma notícia não confirmada sem origem conhecida que cai em domínio público. Num mundo notoriamente evolucionista que pôs de parte as teorias da geração espontânea, o boato é assim um facto inexplicável. Até certo ponto, diga-se, porque em alguns casos a origem da disseminação de um boato torna-se conhecida. Notei isso há pouco tempo, quando li que o conselheiro de Gordon Brown para a imprensa, se demitiu devido à disseminação de boatos. O ilustre desconhecido Damien McBride fabricou uma série de notícias com sexo, drogas e vídeos, envolvendo o líder dos Conservadores, David Cameron, que teria a imprensa como destino final. Segundo o Expresso, a coisa correu mal, porque o blog Guido Fawkes denunciou a situação quando interceptou os e-mails com os boatos anexados. Os blogs como up-grade ao 4.º Poder! O boato sempre conseguiu ver a luz do dia, mas foi para o sítio errado! Afinal, está sempre alguém atento… é o outro lado do Big Brother…
Admira-me a nossa comunicação social não ter dado grande cobertura a uma situação destas, visto hoje em dia se falar tanto em “campanhas negras” criadas com intuitos políticos, denúncias anónimas, fabrico e manipulação de informação, atraso ou retenção de notícias e afins. O próprio Gabinete da Propaganda do Governo poderia ter aproveitado a oportunidade para vir a público dizer: “Estão a ver? A nós fizeram-nos o mesmo! Eles inventam coisas e mentem sobre o Freeport e outras calúnias, só para nos prejudicarem, mas é tudo falso! É uma cabala montada contra nós!” Bem, já perderam a oportunidade para isso! Deviam estar mais atentos. Ou então não é mesmo nenhuma “campanha negra”! Agora estamos em eleições, por isso há que ser sério e não se deve falar destas coisas. É a chamada altura de tréguas e respeito eleitoral no que respeita a boatos.

Se bem que Vital Moreira criou o boato da criação de um Imposto Europeu. Em que moldes? Vamos pagar mais? Sim? Não? Como é que vai ser? Não se sabe. Quando ele souber, avisa-nos. E Almeida Santos vai até ao Imposto Mundial. Será que já está a ser “criado” um Imposto Mundial? Um Imposto Europeu? Será que isto são só boatos? Gostava era que não existissem tantos boatos…

Os boatos preocupam-me porque são o resultado de más intenções embrulhadas na mais pura falta de informação. A força de um boato resiste precisamente na combinação destes dois factores: (muita) intenção e (pouca) informação. Não contando com o boato de fim-de-rua, que se gera por vezes sem intencionalidade, os boatos “grandes”, os políticos, os da alta-finança ou os empresariais são fabricados obviamente com objectiva intenção de servir um qualquer propósito. Os boatos são o fumo de escape de um motor de manipulação em movimento. A comunicação social como principal meio divulgador da informação tem um papel importantíssimo neste processo. Dando-lhe força, ou enterrando logo ali o assunto. Arrisco afirmar que a quantidade de boatos que circulam na opinião pública são um barómetro para avaliação da qualidade da comunicaçao social e num aspecto mais geral, da própria sociedade. Hoje em dia, tudo se sabe, mas com contornos muito pouco definidos, ou seja, sabe-se muito pouco ou nada. Neste momento, correm imensos boatos em Portugal, a todos os níveis da sociedade, o que me parece ser um sinal muito mau do estado geral do País…

Mas fica a grande dúvida: será mais positivo termos pouca e imprecisa informação ou nenhuma informação?

A TV é Saloia

Por vezes tropeço no inexplicável. No entanto, a Saloia TV é algo que ultrapassa o inexplicável. No site é pedido que se divulgue. Quem sou eu para negar um pedido destes?! Só visto… eu já vi algumas vezes e ainda não acredito que seja a sério…

O bom, o mau e o vilão

Gosto do anúncio. A música calma e tranquilizante. A leve brisa que percorre ao de leve os cabelos sedosos do condutor. O olhar para o futuro. A calma que transpira dos campos. O belíssimo pôr-do-sol. O sorriso confiante a quem foi transmitido o valor da tradição. A ligação do passado com o presente. O valor da amizade e dos amigos. O percorrer da auto-estrada como uma parábola do percurso de vida. A felicidade em câmara lenta…

…só é pena a Texaco estar a ser processada por 30.000 equatorianos, porque durante 20 anos – alegadamente – despejou toneladas de petróleo na floresta amazónica. A Amazonwatch denuncia a situação desumana. A Texaco entretanto foi adquirida pela Chevron e esta arrisca-se a ter de pagar uma indemnização recorde de 27 mil milhões de dólares. Esta era uma boa oportunidade para mostrar mão firme neste tipo de crimes, independentemente de quem é a culpa ou quem está envolvido. Mas não! Paga-se uma multa. Sendo provada a culpa em tribunal e a ser verdade, e já que agora está na moda, porque não uma nacionalização à bruta? Só para mostrar que isto é inadmissível. Só para mostrar que isto não quer dizer: “Preciso de fazer dinheiro, portanto, QUANTO É QUE CUSTA DESTRUIR ISTO TUDO?”. Em Outubro, os tribunais pronunciam-se pela primeira vez sobre este mega-processo. Provavelmente a primeira de centenas de vezes que o tribunal se irá pronunciar! É o normal neste casos “complexos” envolvendo empresas “complexas”. Mas eu aposto que tudo isto foi uma falha de um único funcionário local pouco qualificado…