Vai ser arquivado e é bom saber porquê!
O Polvo

Hoje em dia, José Sócrates é um verdadeiro Polvo, cujos tentáculos alcançam, para além dos poderes que lhe foram conferidos pelos portugueses, o poder judicial e o chamado «quarto poder» – o da imprensa e comunicação social.
Assim, em alguns meses, José Sócrates consegue não ser investigado ou sequer inquirido no âmbito do caso Freeport, consegue a saída de José Eduardo Moniz da TVI e, na sequência disto, a «cereja no topo do bolo», consegue o afastamento de Manuela Moura Guedes e do seu incómodo Jornal Nacional.
Quanto ao poder judicial, está nitidamente ao serviço do primeiro-ministro. Lopes da Mota encarregou-se do trabalho sujo mas, no fundo, desnecessário. A nomeação de Cândida Almeida, amiga de abraço de Almeida Santos e mandatária da candidatura presidencial de Mário Soares, ditou o desfecho do Freeport: arquivamento de tudo o que diz respeito a José Sócrates, ignorando-se ostensivamente todos os indícios e provas recolhidas pela Polícia inglesa.
Quanto à comunicação social, dominado que está o serviço público e acalmados todos os outros através da «cenoura» do quinto canal, José Sócrates tratou de anular os únicos que ousavam fazer-lhe frente, José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes e o seu Jornal Nacional. Primeiro, foi a tentativa de compra da estação pela PT, que não deu resultado. Depois, conseguiu mesmo que Moniz abandonasse o canal. Agora, confrontado com novas revelações sobre o Freeport a três semanas das eleições, consegue o afastamento de Moura Guedes. Um escândalo!
A democracia em Portugal, hoje em dia, não passa de uma palavra sem sentido. O poder judicial é corrompido através de jogos de bastidores e a comunicação social é amordaçada através de uma intrincada malha de relações políticas internacionais que chega mesmo a Espanha e ao primeiro-ministro Zapatero (vidé as ligações da Prisa ao PSOE).
Irene Pimentel diz que é historiadora, mas não distingue um democrata de um ditador nem que lho metam à frente do nariz. Acredita em homens providenciais e acredita que não vivemos num período de asfixia e de claustrofobia democrática. Acredita em José Sócrates, o que é grave, muito grave, numa historiadora.
Seria bom que os portugueses soubessem dar a resposta correcta ao compadrio, à corrupção e à vigarice que pulula hoje em dia no país e que tem José Sócrates como a principal força motriz. O Polvo José Sócrates, cujos tentáculos apanham, imobilizam e destroem tudo o que foge ou poderia fugir à normal ordem das coisas. Que é a do homem providencial, do salvador, daquele que tirou o país do caos. Daquele que, custe o que custar, dê por onde der, tem de manter no poder. É que, sem poder, é a sua própria sobrevivência à frente das grades que estará em perigo.
palavras do Emerenciano
(Alerta de notícias do Google sobre EMERENCIANO):
Palavras de Emerenciano. “… No cimo de uma cerejeira farei o meu ninho encoberto e prevenido. E em todos os bolsos guardarei pedras para a fisga sempre pronta.”
(Comentário):
Que imagino não seja ninho mas lugar. Lugar onde nascem as palavras. Que imagino não sejam pedras mas palavras. Palavras de nascente como as primeiras águas de um rio. Que imagino não seja fisga mas a atracção pela distância onde parece desaguar o futuro.
Um abraço do amigo Adão.
Contos proibidos: Memórias de um PS Desconhecido
(continuação daqui)
«Hoje, para repor a verdade, decidi-me a escrever o livro. É um livro de memórias em redor do Partido Socialista, duma perspectiva das suas relações internacionais, que eu dirigiria durante mais de uma década. Não é, contudo, nem poderia ser, a história do Partido Socialista mas, essencialmente, uma contribuição para uma melhor compreensão de como foi forjado aquele que seria a espinha dorsal do regime democrático português actual.
O PS acabaria por ser, acidentalmente, aquele que mais responsabilidades teria na construção das actuais estruturas económicas, sociais e políticas do País. Opôs-se à opressão salazarista e sairia desiludido da chamada «primavera marcelista». Acabaria por resistir à aventura comunista e, depois, à tentação militarista, acabando por «impor» o seu modelo de sociedade, a partir de 1976. Nesse percurso e nos momentos decisivos, teria sempre o apoio internacional dos Estados Unidos e da Europa. Daí que a perspectiva internacional, em redor da qual têm girado o país e os principais partidos políticos, seja uma peça essencial para a análise dos actuais fenómenos da nossa sociedade.
Sem esses apoios, que para o PS estariam como o oxigénio está para a vida, provavelmente o regime democrático teria sucumbido. Do mesmo modo que, em 1945, a sua ausência viabilizaria a continuação de Salazar. Mas, por outro lado, se sem eles tudo estaria em jogo, também a relação de dependência criada e a institucionalização do tráfico de influências iriam provocar algumas distorções e vícios que o País hoje sente.
Tentar explicar esses fenómenos de um passado recente, para compreender o presente, é um dos objectivos deste livro. Mas, como não poderia deixar de ser, escrever sobre o PS durante este período sem falar dos seus principais protagonistas tomaria impossível alcançar essa meta. Entre eles destacam-se duas personalidades distintas e a relação de «amor e ódio» que, em grande parte, determinaria o actual PS: Mário Soares e Francisco Salgado lenha. O primeiro deixaria marcas profundas que continuarão a caracterizar o PS por muito tempo. De Salgado lenha este partido herdaria a «consciência moral» que ainda lhe resta. Mário Soares seria eleito Presidente da República e Salgado lenha abandonaria o partido, incompatibilizado com o seu «velho» amigo.
Durante algum tempo, o PS iria ser um barco à deriva. Recuperaria eleitoralmente, contudo, com o seu actual líder, António Guterres. Mas, curiosamente, essa recuperação só aconteceria quando este fiel discípulo de lenha se converteu ao «soarismo». Por isso mesmo, esta interessante simbiose das personalidades daqueles dois principais personagens será agora examinada à lupa no novo PS, para ver se ele segue o caminho da «consciência moral» do seu velho protector, ou o caminho do «absolutismo monárquico» e das facilidades do seu favorito ex-inimigo.
Para já, é evidente que o actual secretário-geral do PS, já em 1976 responsável com Edmundo Pedra, Soares Louro e Santos Ferreira I pela campanha eleitoral do PS, conhece bem as dependências internacionais do seu partido e até, à semelhança do seu antecessor, «trata-se por tu com pelo menos seis primeiros-ministros europeus» 1. Vamos ver para crer, como diz o ditado, mas, pelos primeiros indícios, temo que, do mesmo modo que Soares meteria o socialismo na gaveta, Guterres venha a meter a «consciência moral» do PS no congelador. O que é um mau sinal para a democracia. Que não terá futuro se o passado não estiver esclarecido e o futuro continuar a depender de bodes expiatórios.
O meu livro, assim o espero, ajudará a compreender como o triunfo de alguns se faria à custa do sacrifício dê outros. O «estado dos juízes» está «atento» ao passado dos actuais políticos e não hesitará, no momento oportuno, em colaborar para a sua decomposição.
Eu entrei para a política quase por acaso. Aderi nos anos 60 à minúscula Acção Socialista Portuguesa por acreditar que, pela via do socialismo democrático e através de um sistema pluripartidário, Portugal viria a ser um país igual ou melhor que aquele onde vivia exilado – a Suécia – e que era então considerado, acertadamente, a sociedade mais justa e mais evoluída do planeta. Não o socialismo utópico, igualitário, de partido único que transforma os cidadãos em funcionários do estado. O socialismo onde os partidos se combatem no campo das ideias e onde os interesses e bem-estar dos cidadãos estão sempre em primeiro lugar. Onde os partidos políticos são a espinha dorsal do sistema e os instrumentos para a sua modificação democrática e não o instrumento de promoção pessoal dos seus dirigentes. Mas, infelizmente, e daí a outra razão de ser ser deste meu livro, Portugal parece estar a perder essa importante batalha da democracia.
Isso atestam o crescente branqueamento da História e falta de transparência das instituições. A Europa, berço da amálgama de culturas e conflitos que deram origem ao que é hoje vulgarmente apelidado de «civilização ocidental», nunca produziu um modelo perfeito de democracia que garanta aos seus cidadãos a igualdade de acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à justiça. Entretanto, alguns países, sobretudo a norte, conseguiram ao longo dos anos conquistas importantes naquelas áreas, com base numa considerável evolução do conceito de respeito pelos direitos humanos, dos direitos dos animais e da natureza. A vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, o lançamento dos alicerces da União Europeia não viabilizariam, contudo, o acesso dos países do Sul ao fenómeno de desenvolvimento dos seus vizinhos mais a norte e, até meados dos anos 70, a Europa viveu num clima de completa desunião. Entre democracias mais ou menos formais no Norte e Centro, ditaduras medíocres e subservientes de «inspiração cristã» na Península Ibérica, uma ditadura militar com reminiscências pan-arábicas na Grécia e uma imensidão de regimes comunistas totalitários e despóticos, proclamados pela via revolucionária em nome da classe operária, a Leste.
O início da luta dos Movimentos de Libertação contra o colonialismo português na Guiné, em Moçambique e em Angola, empurrados pela miopia e desinteresse ocidental para os braços da União Soviética, dariam lugar ao chamado «Movimento dos Capitães» que a 25 de Abril derrubaria, para surpresa de todos, dentro e fora de Portugal, a ditadura iniciada com o Estado Novo, em 1933, por António de Oliveira Salazar.
Este levantamento pacífico e sem objectivos políticos claros, provocado quer por razões de natureza sindical, quer pela derrota psicológica dos militares portugueses nas guerras coloniais, viria a influenciar a evolução política mundial deste fim de século.
Luiz Pacheco – Um libertino passeia pela vida: Os amores e os desamores de Pacheco
Com 18 anos, Luiz Pacheco arranja o primeiro problema da longa série de problemas em que a sua vida se vai transformar. Tem uma ligação sexual com uma jovem criada de seus pais, Maria Helena Alves, com catorze anos. Um tio da menor processa Pacheco. As coisas parecem arranjar-se – Maria Helena é emancipada e Luiz compromete-se a casar com a moça. Tudo solucionado? Não – Pacheco apaixona-se por Maria de Fátima, estudante de piano em casa de uma vizinha, com a qual não pode ter um namoro convencional dado o compromisso de casamento com Maria Helena. Mas é uma paixão escaldante, com encontros secretos em quartos alugados e casas de passe. Tudo isto ocorre por volta de 1945. A relação clandestina com Maria de Fátima durará até 1948.
Em 1947, ainda relacionado com o caso de Maria Helena, é emitido um mandado de captura em seu nome. Refugia-se numa casa que alugara no Mucifal, em Colares, fugindo depois para casa de uma tia, no Campo de Santana. Acaba por ser preso na Estefânia, em casa de seus pais. Na cadeia do Limoeiro recebe o nº 420-47, ficando ali mês e meio. Em Abril, na sexta-feira Santa, desposa Maria Helena no Limoeiro – é provisoriamente liberto. No sábado de Aleluia, o jovem casal, parte em viagem de núpcias para a casa do Mucifal, donde vem depois para Lisboa onde se instala numa casa da Rua Andrade. Porém, o caso não está resolvido. É julgado, acusado pelo crime de estupro e condenado a dois anos e meia, com pena suspensa, visto ter casado com a «vítima». No ano seguinte nasce Maria Luísa, a primeira de uma «comunidade» de oito filhos.
Em Maio de 1950, nasce João Miguel, o segundo. Morre sua mãe, Adelina Maria Machado Gomes. Zanga-se com Maria Helena (que terá sabido do affaire Maria de Fátima?). Mantém uma relação homossexual com um rapaz do Sindicato dos Artistas.
A relação com Maria Helena, que entretanto se formará como enfermeira, piora; no entanto, engravida, enquanto Pacheco arranja outro namoro – agora é Maria do Carmo, a quem a família se apressa a desterrar para a Sertã. Luiz já está de olho noutro sarilho, sob a forma de Maria Eugénia, filha da dona da casa onde mora, na Almirante Barroso. A menina tem 13 anos. Em Maio de1958 nasce Fernando António, terceiro filho de Luiz e de Maria Helena. A evidência de um iminente envolvimento com Eugénia está à vista, e, antes que seja tarde, uma criada denuncia o caso a Maria Helena e à mãe da rapariga. Expulso de casa, instala-se com Maria do Carmo na Rua Jorge Colaço. 
Em 1959, a mãe de Maria Eugénia move-lhe um processo. É condenado por atentado ao pudor de uma menor. Em Agosto nasce o seu quarto filho Luís José, o primeiro da união com Maria do Carmo. Ameaçado por novo mandado de captura (caso Maria Eugénia) anda fugido pelo Porto, Ermesinde, Setúbal, acabando por ser capturado e recolher de novo ao Limoeiro. Ali passa o Natal. Natália. É absolvido do caso Maria Eugénia (à qual, afinal, apenas terá beijado e talvez acariciado), mas condenado por faltar à audiência. Estamos em 1960. Maria do Carmo está grávida.
Em Fevereiro de 1961 nasce Adelina Maria, a quinta. Este 1962 é ano de novo sarilho: engravida Maria Irene, irmã de Maria do Carmo. Novo processo. No ano seguinte, será julgado e condenado à revelia pelo Tribunal da Comarca da Sertã. Pacheco nem sequer tomara conhecimento da existência do processo. Em Maio nasce Paulo Eduardo, o filho de Pacheco e Irene. Em 1964, vive agora nas Caldas da Rainha. Em Maio nasce Maria Eugénia, sétima, segunda da ligação com Irene. Pacheco é preso nas Caldas devido ao processo de Maria Irene, saindo sob caução.
Desentende-se com Irene e fica a viver sozinho nas Caldas da Rainha. O abuso do álcool provoca-lhe o agravamento da asma. Em Novembro de 1967, o casamento com Maria do Carmo é dissolvido «por abandono do lar». Em 1968 é de novo preso nas Caldas da Rainha, sendo depois transferido para o velho Limoeiro, uma segunda casa para Luiz. No ano seguinte, já em liberdade, apaixona-se por Elsa Isabel com quem tem uma ligação. Num breve passeio às Caldas tem um envolvimento de alguns dias com Isabel Valadares. Na véspera de Natal apanha uma monumental bebedeira e passa a consoada no banco do Hospital de S. José. Em Janeiro de 1970 é internado no Hospital de Santa Marta Pacheco continua e intensifica o tratamento ambulatório de desintoxicação alcoólica. Tratamento que, com acidentes de percurso e muitas recaídas, prosseguirá até 1980. Até 1975, Luiz continua a publicar, a fazer traduções e… a beber. Mantém uma política de porta aberta, entrando «toda a bicharada» (expressão sua) – «malucos, marginais, bêbedos, paneleiros, lésbicas» a fama da casa onde vive, em Massamá, é terrível. Luiz Pacheco, sempre segundo regista no diário, tem ligações episódicas com algumas mulheres, engata uns rapazes – «a fome, a solidão, a tristeza, a velhice e a decadência». Sai de Massamá. Até 1980, não tem paradeiro certo. Deambula pelo Montijo, Campo de Ourique, Algarve. Afectado pela subnutrição é internado no Hospital Curry Cabral. Em 1977 é internado na Clínica Psiquiátrica de Celas, com a visão e o raciocínio afectados pelo álcool. Em 1980 faz uma tentativa de suicídio, atravessando de olhos fechados a Avenida de Berna na hora de ponta. Travões guincham, pneus chiam, automobilistas furiosos insultam-no, mas a morte não quer nada com ele.
Mário "alucinado" prega aos professores
Isto é um insulto à inteligência e à liberdade política de votar dos professores. Eu se fosse professor nunca mais falava com este ambicioso sem freio:
“É verdade que o PS, se calhar, não vai resolver, mas nada indica que o PSD tenha intenções de o fazer, porque eu diria mesmo que os portugueses e os professores votaram muito no partido socialista precisamente para se livrarem das políticas do PSD.”
Então quem é que vai resolver, quem é ? Quem tem 8% dos votos, pois então, o PCP de quem o senhor Mário é militante.
Reparem como o senhor Mário ,”professor primário” (é para fazer verso) mistura “portugueses” com “professores”, enganaram-se, votaram mal, nem no PS nem no PSD. Quem não acredita na Democracia vem sempre com esta conversa, votaram mal, precisam de ser ajudados a votarem bem.
“Para ajudar os professores a decidir o seu sentido de voto, a Frenprof vai distribuir um documento com as propostas dos partidos ” a questões muito concretas”, como a divisão da carreira, o modelo de gestão, a acção social escolar os concursos de professores “que em alguns aspectos, dá para perceber se os partidos, sendo governo, vão ou não resolver estes problemas” . O que é resolver os problemas ? Da forma que o senhor Mário e o PCP acham que devem ser resolvidos ? É que todos os partidos, que vão a eleições, têm uma forma de resolver esses problemas e é, precisamente, por serem diferentes, que vão a eleições. E o sr. Mário e o PCP perdem sempre, os portugueses não aceitam as suas propostas, não podem por via sindical conseguir o que não conseguem nas urnas de votos.
Então, eu alguma vez aceitaria que a Ordem profissional a que pertenço me desse “orientações” para decidir o meu voto?
Os professores nunca mais recuperam o seu prestígio e nunca mais resolvem os seus problemas se não se autonomizarem, e isso faz-se com a autonomia da escola pública. Não podem continuar a deixarem que burocratas sindicalistas e burocratas funcionários públicos continuem a usá-los como carne para canhão, para lutas de poder entre sindicatos e Ministério.
Já vão em “orientações políticas”, até aonde chegarão? Cabe aos professores responder!
A Noite Passada
Montagem realizada tendo como tema a música “A noite passada” de Sérgio Godinho, através de trabalhos realizados na disciplina de Educação Visual por alunos da turma do 8.º C, da EBI Santo Onofre – Caldas da Rainha – Ano lectivo 2007/08.
Uma canção excepcional, e um excelente trabalho feito na escola mais odiada pela senhora que tem ministrado a deseducação em Portugal.
QUADRA DO DIA
São milhões e mais milhões
Que o Vaticano pagou
Por escândalos e roubos
Que na vida praticou.
"Mistake"
Pensar que os debates políticos em Portugal servem para esclarecer o que quer que seja ou quem quer que seja, é como pensar que o Pai Natal existe.
Há muitos e muitos anos que os debates são um engano. A falta de coragem dos directores de informação das televisões, que preferem ceder nos princípios a ter a coragem de dizer “NÃO”, levaram a esta anedota de debates onde tudo é condicionado anteriormente. Desde os tempos passando pelos temas e terminando nos diálogos entre as partes em debate. Um circo de animais amestrados sem pensamento próprio. Nada ali é genuíno, nem tão pouco o suposto jornalista que, amputado dos seus deveres profissionais, aceita participar como mero figurante desta novela de terceira categoria.
Haja coragem para dizer Não!
O debate José Sócrates – Paulo Portas
No primeiro debate, Paulo Portas colou-se à direita e dali não saiu: contra o Rendimento Mínimo, a favor da livre escolha das escolas, públicas ou privadas, a favor da possibilidade de entregar uma parte dos impostos para regimes privados de Segurança Social. Com este tipo de discurso, até fez com que José Sócrates parecesse de Esquerda.
Mas numa coisa teve razão: para o primeiro-ministro, depois de quatro anos de maioria absoluta, a culpa continua a ser do Governo anterior. O PS governou em 11 dos últimos 14 anos, mas a culpa continua a ser daqueles míseros 3 anos em que o PSD governou. Do PSD e da crise internacional, claro. Antes da crise, fora apenas a obsessão pelo défice, nada mais. Três anos deitados fora. Mas para ele, quatro anos resumem-se à crise internacional dos últimos meses.
Só mais uma nota: é bom ver que os nossos políticos são educados e sabem respeitar as regras, que diziam que não se podiam interromper mutuamente.
O Mário "alucinado" dos professores
Este gajo tem um ar assustador, de “passado” dos carretos, pinta-se para atirar lenha para a fogueira, se estivesse no lugar da Maria de Lurdes era pior do que ela. Em teimosia, a impor as suas ideias à maioria, com absoluta incapacidade de dialogar.
É preciso alguem dizer-lhe (eu não lhe digo porque nunca o vi em pessoa) que o partido a que pertence não representa mais de 8% dos eleitores e isso quer dizer que são 8% ,e não mais , que concordam com as suas ideias para a Educação. O mandato que tem não é para governar e definir as políticas para a Educação, é para negociar as melhores condições de trabalho para os professores que representa enquanto sindicalista.
No outro dia, com aquele olhar alucinado, barba por fazer e sorriso de superioridade de quem já venceu, deixou escapar que até um novo concurso vai exigir no próximo ano. Os professores estão colocados por quatro anos, com estabilidade profissional e familiar, podem programar a sua vida sabendo que durante aquele tempo vão ficar naquela escola. Mas isto arrasta um grande problema ao sr. Mário alucinado, é que lhe tira poder. Todos os anos era uma farturinha, erros, substituições, pessoas mal colocadas e desgostosas com a sua colocação e esse circo agora, acabou.
Quanto pior estiverem os professores melhor para o sr. Mário doido, mais vezes aparece na TV e nos jornais, os professores até julgam que ele os está defender, espadairada para aqui e para ali, ele quer lá saber dos professores, ele quer é bulha de poder com os burocratas do Ministério, que são iguais a ele, quais vampiros a viverem dos professores e da sua vida lixada a andarem com a casa às costas e a levarem com meninos e meninas que vão ser sindicalistas ou burocratas de um qualquer Ministério.
Os professores têm que deixar de ser carne para canhão, têm que tomar nas suas mãos a escola, exigir autonomia para a escola publica, melhor que ninguem sabem como dirigir a escola e preparar os alunos. Ganharem segundo o mérito e não segundo o que resulta das negociações entre a Maria de Lurdes “destravada” e o sr. Mário “alucinado”!
Santarém, Capital do Gótico (XII)
(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)
PRESENTE E FUTURO
Actualmente, o concelho de Santarém, virado para o futuro, vai-se assumindo cada vez mais como um concelho moderno, desenvolvido, que aposta na qualidade de vida das suas populações como motor fundamental para o desenvolvimento. Uma cidade do mundo, afinal, em que é bom viver e onde as pessoas se sentem bem.
Haverá, como é evidente, lacunas a resolver. Nem tudo estará perfeito nos mais diversos indicadores sócio-económicos. Mas a evolução registada no nosso país e no concelho faz crer que o caminho mais correcto é seguir em frente. Assim se fará, por certo, num território que disputa a liderança de toda esta região do Médio Tejo. Ou não fosse, afinal, a capital de um distrito que ocupa uma extensa área territorial.
A cidade de Santarém, capital do concelho e do distrito, será o espelho de tudo o que acabamos de afirmar. Em termos urbanísticos, se até 1930 a cidade de Santarém foi crescendo em número de pisos dos seus prédios, e a partir dessa data em extensão, para oeste e norte, a década de 60 do século XX vai marcar uma tendência de construção maciça de novos edifícios em altura.
Essa tendência, que se prolongou até à actualidade e que tem os seus expoentes nos lugares de Galhardos, Eirinhas ou Sacapeito, obrigou mesmo a população a começar a ocupar os vales e as várzeas até aí preservados. O plano de urbanização da cidade, elaborado em 1977 pelo arquitecto Tomás Taveira, previa, entre outras directrizes, o crescimento da cidade para norte e para sul, a criação de uma área industrial e a deslocação da via ferroviária para o planalto. O facto de a Administração Central nunca ter homologado este plano tolheu, em grande parte, a sua execução. Em 1995, seria aprovado oficialmente o Plano Director Municipal de Santarém, vulgo PDM, que está actualmente em fase de revisão, como, de resto, está a acontecer em todo o país.
Um exemplo dos espaços actualmente em transformação, porque não os podemos citar a todos, é o largo Cândido dos Reis. A criação de uma placa central de grandes dimensões, que irá reorganizar o trânsito daquela zona, é uma necessidade que se tornou premente desde a construção do centro comercial. Uma maior atenção aos peões, com o aumento dos passeios e a colocação de mobiliário urbano, é uma das directrizes fundamentais do projecto, que terá em atenção, de igual forma, a qualidade dos materiais. Pela sua importância, a igreja de Jesus Cristo, com a sua fachada maneirista, ditou desde o início o rumo das intervenções a realizar.
De resto, o respeito pelo património edificado e pela tradição histórica de Santarém tem sido observado por aqueles que têm por obrigação decidir. É pena que não se tenha feito o mesmo nos séculos anteriores, mas a esperança de que ainda se vá a tempo de salvar algo, essa, permanece em Santarém.
«Se, entre 1940 e 1960, os apelos à salvaguarda do património já se tinham sentido, levando à criação de áreas de protecção dos monumentos administradas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, é apenas nos finais da década de setenta que a cidade se movimenta no sentido da defesa do património monumental, histórico-cultural e urbanístico. Motivo de reunião de algumas camadas da população em volta da salvaguarda do património da cidade, a influência do movimento patrimonialista reflecte-se na própria sede das ideias transformadoras da cidade – a Câmara Municipal.
Depois de um período de indecisão (1980-1988), a administração autárquica resolve, em 1989, criar o Gabinete de Planeamento Municipal (GPM), tentando dar ordem a um certo caos urbanístico, criando, ao mesmo tempo, as regras para o seu Centro Histórico, através de uma postura específica.» (Jorge Custódio)
Dados demográficos
Façamos um breve retrato da evolução demográfica ao longo do século XX. Em 1911, no primeiro recenseamento do século XX, Marvila tinha 3963 pessoas, S. Nicolau 2387, Salvador 3547 e Santa Iria 1595. Eram estas as freguesias mais povoadas do concelho. A meio do século, mais concretamente em 1950, o censo desse ano dava para aquelas freguesias, respectivamente, 6849, 5156, 5130 e 2060 pessoas.
No concelho, a diminuição demográfica desde 1960 não foi tão significativa como noutros locais – apenas 1,8%. A cidade tinha 63777 residentes em 1960, 62621 em 1991. Ao invés, o centro urbano de Santarém registou um crescimento de 43,9% no mesmo período, de 16449 para 23678 pessoas.
Em termos de estrutura etária, a população da cidade era mais nova do que no resto do concelho. A percentagem de jovens era de 26,6%, os adultos 54,6% e os idosos 18,8%. O índice de envelhecimento é de 70,6%, enquanto que no resto do distrito essa percentagem é de 95%.
Para os dados demográficos actuais, utilizaremos os números mais recentes, os do Recenseamento Geral à População de 2001. As freguesias mais povoadas são, obviamente, as que se situam dentro da cidade. É o caso de Marvila, Salvador e S. Nicolau, com 9584, 9211 e 9036 habitantes, respectivamente. No pólo oposto, Azoia de Baixo é a freguesia com menos indivíduos residentes – 278, seguido de Vaqueiros (317) e Pombalinho (530).
Economia e indicadores sociais
A localização geográfica de Santarém, nomeadamente a proximidade de Lisboa, e a curta distância das principais infra-estruturas de transportes contribuem para um forte dinamismo económico. Senão vejamos: a nível rodoviário, a auto-estrada Lisboa-Porto passa bem perto; a nível ferroviário, a linha do Norte tem estação em Santarém; a nível de transporte aéreo, Santarém dispõe de um aeródromo, enquanto que o aeroporto da Portela, em Lisboa, fica apenas a trinta minutos; em termos de transporte marítimo, a quarenta e cinco minutos encontra-se o porto de Lisboa e a cinquenta o de Peniche.
Para que uma empresa, seja ela qual for, cumpra os objectivos para os quais foi criada, não se basta a si própria. Mesmo com excelente matéria-prima, a preços competitivos, e com uma mão-de-obra qualificada, fica a faltar um sem-número de determinantes, sem o qual a rentabilidade máxima nunca será possível.
Integram-se nestes factores os acessos, que, consoante a sua qualidade e quantidade, possibilitam ou afastam inúmeras possibilidades de negócio. E neste caso, algumas das firmas que compõem o tecido económico do concelho debatem-se com problemas. Na parte norte do concelho, por exemplo, ressalta à vista o mau estado da Estrada Nacional n.º 362, que liga Santarém a Alcanede. A Estrada Nacional n.º 361, no troço Alcanede – Alcanena, sofre dos mesmos problemas, facto que se torna ainda mais grave se pensarmos que é uma via primordial para o desenvolvimento económico de toda a região.
Outro dos exemplos que pode ser dado quando se fala de qualidade de vida das populações versus tráfego automóvel/poluição é o do atraso na construção da variante à Estrada Nacional n.º 3, na Portela das Padeiras e no Vale de Santarém, no sul do concelho. A freguesia de Salvador tem sido uma das mais afectadas pelas sucessivas dilações de prazos a que se vem assistindo.
A beneficiação da Estrada Municipal n.º 506, em execução, é um bom exemplo do que pode ser feito a este nível. Para o futuro, aguarda-se a ligação da A1 à A13, com um evidente desafogo para a ponte Salgueiro Maia e para a rua 0, e a concretização da estrada do campo que faz ligação ao Pombalinho.
O peso económico da agricultura e da criação de gado, no concelho, é inferior ao peso cultural e simbólico que encerra em si próprio. Nos últimos anos, tem-se assistido a uma renovação dos métodos de cultivo e a produção, obviamente, tem tido tendência para aumentar. Neste ponto, os modernos sistemas de regadio têm contribuído sobremanei
ra
para o novo estado de coisas a que se tem assistido. Novos agricultores abrem novas fronteiras e Santarém ressente-se, positivamente, desse facto.
As seculares oliveiras, cujas primeiras informações remontam à época romana, continuam a ser a cultura predominante. A par da nobre azeitona, as searas de melão, os tomateiros e os campos de cereais, com destaque para o milho, detêm papel económico relevante.
Em termos de pecuária, é sabido que o Ribatejo é um grande centro de produção. Santarém incluído, como é óbvio. Em primeiro plano, a criação de bovinos em pasto extensivo, com destaque para os touros, que assim vão subsistindo. Em segundo lugar, alguns núcleos de produção leiteira. Na margem direita do Tejo, sub-região do bairro, a criação de ovinos merece uma palavra importante. A pecuária intensiva pratica-se no norte do concelho a nível da suinicultura e dos aviários.
Na silvicultura, existem importantes manchas de pinheiros na zona norte do concelho e na zona integrada do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. São zonas em que, devido à fraca qualidade dos solos, se apostou mais no pinhal. O eucalipto representa um desses casos. Recentemente, o pinheiro manso, os sobreiros e as espécies nobres nacionais têm surgido, por força de alguma reconversão e também da elevada procura destas madeiras.
Obviamente, há uma diferença muito significativa entre a cidade de Santarém e o resto do concelho. Dentro da sede municipal, a percentagem daqueles que se dedicam ao sector primário é de apenas 2,1%.
Na indústria extractiva, a indústria de barro vermelho conta com a preciosa ajuda da excelente argila extraída nos mananciais do concelho. Na povoação de Xartinho, freguesia de Alcanede, encontra-se em exploração um jazigo de caulino. No sector da construção civil, a pedra – calcário, mármore e outras – regista um grande desenvolvimento.
Em termos de indústria transformadora, o sector agro-alimentar conta com algumas unidades de grande dimensão, caso de uma das maiores fábricas portuguesas de cerveja, outra grande de sumos e refrigerantes, uma unidade de congelação e transformação de legumes e uma outra de transformação de carne. Para além destas, existem os tradicionais lagares de azeite e lagares de vinho e algumas unidades pequenas e médias de bolachas e bolos de tipo tradicional.
O sector das madeiras conta com algumas serrações e carpintarias. Existem também unidades de aglomerados e fabricação de móveis, algumas das quais com uma grande produção e exportação.
A pedra é matéria-prima para a construção civil e também para o fabrico de cal, sector onde existem duas grandes unidades e algumas outras mais pequenas. Os elementos decorativos em pedra, revestimentos, lareiras e outras, estão também em crescendo.
Na indústria das peles, um organismo desponta: o Centro Nacional de Curtimento, na freguesia de Alcanede.
Segundo os últimos dados, 19,3% da população da cidade de Santarém dedica-se ao sector secundário.
Na sede do concelho, a actividade predominante, como é óbvio, é o comércio, que conheceu uma grande explosão na década de 60. Aliás, Santarém é quase um verdadeiro centro comercial, ao ar livre e não só. A coexistência entre o comércio tradicional e as grandes superfícies faz-se sem grandes problemas, a despeito dos dois hipermercados existentes.
Um dos sectores importantes no que ao comércio diz respeito é o ramo automóvel. Aqui chegados, não poderíamos deixar de referir a Santagri, empresa fundada em 1980 e que tem a sua sede na freguesia da Várzea. Está integrada no extenso Grupo Entreposto – Gestão e Participações SGPS.
A par do comércio, a vinda para Santarém de filiais dos principais bancos portugueses e de vários organismos de administração local e central e empresas com capitais públicos, como a Portugal Telecom, a EDP ou o Instituto da Juventude, contribuiu para que, a nível dos serviços, a cidade passasse a servir a sua população de forma mais eficaz e completa. A possibilidade que existiu de instalar em Santarém, neste ano de 2004, a Secretaria de Estado da Agricultura, embora abortada, demonstrou bem a importância que a sede deste concelho já adquiriu no panorama político e económico nacional.
Dentro de Santarém, o peso do sector terciário é esmagador, com 78,6% da população activa. «Foi por isso e desde sempre uma cidade encruzilhada, de rotas históricas e de auto-estradas, na actualidade, onde se peregrina, passeia e negoceia; cidade de feiras e «trocas», desde o chão da Piedade, na Idade Média, ao CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, edificado no século XX, passando nesse percurso pelos Campos de Fora de Vila e Chão das Padeiras ou S. Lázaro.
A dinâmica da oferta e da procura foi sempre de tanto relevo em Santarém, que se impôs constantemente a deslocação do espaço da Feira, na procura de mais amplas áreas.
Cidade que foi é e de serviços e comércio, cidade que foi de conventos e hospitais, para quem nesse «trânsito», sobretudo medieval, procurou o além ou a cura, acabou por marcar sub-repticiamente nos seus habitantes uma apetência nómada ou peregrina.» (Pedro Canavarro)
Santarém é um destino turístico importante em Portugal. Milhares de pessoas, todos os anos, visitam a cidade e o concelho em busca das belezas naturais do Ribatejo e dos principais monumentos.
A configuração topográfica de Santarém, com as suas sete colinas, permite que as paisagens de excelência abundem em todo o perímetro urbano. As praças, os jardins e sobretudo aqueles que dispõem de miradouros aproveitam essas características únicas e emprestam aos santarenos e a todos os visitantes momentos de verdadeiro sonho.
O jardim das Portas do Sol, como é óbvio, teria de estar no topo das nossas atenções. É a sala de visitas de Santarém, o «ex-libris» da cidade, a «majestosa entrada da grande vila» como lhe chamou Almeida Garrett. Sobre este espaço verde e, sobretudo, sobre tudo o que o rodeia, das muralhas em seu redor e da esmagadora paisagem envolvente, já nos referimos com abundância anteriormente.
O jardim da República é o típico jardim citadino. Bancos para descanso, baloiços para as crianças, mesas para piqueniques e um coreto de ferro forjado dão um toque muito especial a um espaço verde muito concorrido pela população. Em redor, os paços do concelho, a Escola Prática de Cavalaria e o convento de S. Francisco tornam esta zona uma das mais importantes da cidade.
O campo Sá da Bandeira conta a história da cidade através do seu pavimento em calçada portuguesa. É escolhido por muitos santarenos para a prática de desportos radicais. O mercado, de um lado, e a igreja do Hospital de Jesus Cristo, do outro, balizam esta área verde.
O jardim da Ribeira fica na Ribeira de Santarém, freguesia de Santa Iria. Junto à margem do Tejo, é um espaço de enorme aprazibilidade. Embora de pequenas dimensões, é fortemente arborizado e florido.
A praça de Sá da Bandeira ou do Seminário é o espaço mais central da cidade e um dos que viveu mais momentos marcantes da sua história. No centro, a estátua de Sá da Bandeira, que homenageia a memória desse extraordinário combatente pela liberdade. A ele se dirigiu Humberto Delgado, aquando da sua passagem por Santarém, como já referimos antes. Do lado direito, encontra-se o Seminário, do lado direito a igreja da Piedade e a famosa janela manuelina.
Em termos de alojamento, a oferta de Santarém é vasta e inclui vários hotéis, residenciais, pensões e unidades de turismo de habitação.
Durante o Verão, percorre as principais artérias da cidade um comboio turístico, gratuito, que mostra aos visitantes do burgo o que de melhor tem Santarém. Obviamente, o programa está aberto a todos aqueles que, apesar de viverem por aqui, não conhecem tanto quanto deviam sobre a sua cidade.
A Feira Nacional da Agricultura, que se realiza em Junho,
é a expressão máxima da capacidade agrícola de Santarém e um dos pontos de maior interesse turístico para quem visita o concelho. O local da sua realização é o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas.
O Festival Nacional de Gastronomia decorre no mês de Outubro, durante cerca de quinze dias, sob a organização da Câmara Municipal de Santarém e da Região de Turismo do Ribatejo. O local da sua realização é a Casa do Campino, no campo Infante da Câmara.
Referência ainda para as feiras do Milagre (segunda e terceira semana de Abril) e da Piedade (segunda e terceira semana de Outubro); para a Lusoflora, certame realizado em Outubro e que se dedica às flores; e para a feira das Velharias, realizado no quarto sábado de cada mês no largo Padre Chiquito, no centro histórico de Santarém.
Destes e doutros certames daremos conta mais pormenorizada no capítulo dedicado ao património humano de Santarém.
Olhando agora para o quotidiano dos santarenos, dedicaremos a nossa atenção a alguns indicadores que revelam a qualidade de vida de uma população. Estão entre esses indicadores a educação, a saúde, as infra-estruturas culturais ou o ambiente.
Todos os graus de ensino estão presentes em Santarém. Especialmente importante, pela movimentação que empresta à cidade e pelo dinamismo económico que acarreta, é o ensino superior, com as suas diversas escolas, muitas delas voltadas para as necessidades locais.
Em termos de ensino pré-escolar, os últimos dados apontam para uma abrangência de mais de oitocentos alunos, num total de cinquenta salas. No tocante à componente de apoio à família, 33% daquelas crianças tinham acesso ao almoço e ao prolongamento das actividades. Um número que, desde os cinco anos anteriores, não parou de aumentar.
No que diz respeito ao primeiro ciclo do ensino básico, antiga escola primária, estavam inscritos em 2002 mais de 1300 alunos, que estavam distribuídos por cerca de 150 salas de aula. Neste caso, a tendência dos cinco anos anteriores foi de descida, num ritmo que acompanhou a situação verificada no resto do país. É que menos nascimentos equivalem, invariavelmente, a menos alunos.
O segundo e terceiro ciclo e o ensino secundário contam no concelho de Santarém com nove estabelecimentos de ensino público. São eles a Escola do Ensino Básico de 2.º e 3.º Ciclo de Alcanede, a Escola do Ensino Básico de 2.º Ciclo de Mem Ramires (freguesia de Marvila), as Escolas do Ensino Básico de 2.º e 3.º Ciclo D. João II e Alexandre Herculano (freguesia do Salvador), a Escola Básica Mediatizada de Alcanhões e de Vale de Santarém, a Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (Marvila) e a Escola Secundária Sá da Bandeira (Salvador). No total, frequentam estas escolas mais de 3500 alunos.
O ensino recorrente tem uma boa cobertura no município. É o sistema de ensino ideal para quem já deixou de estudar há algum tempo e para todos aqueles que trabalham, porque assim podem estudar ao seu ritmo através do sistema das unidades capitalizáveis. Combate o analfabetismo e promove a qualificação escolar e profissional.
Dentro do concelho, há estabelecimentos de ensino que leccionam o recorrente nas freguesias de Alcanede, Alcanhões, Casével, Marvila, Pernes, Santa Iria da Ribeira de Santarém, Salvador, S. Nicolau, S. Vicente do Paul, Tremês, Vale de Figueira e Vale de Santarém. Segundo os últimos dados, frequentavam o ensino recorrente de primeiro ciclo 202 alunos e de segundo e terceiro ciclo quase trezentos.
Como garante do bom funcionamento de todo o sistema, temos o recentemente criado Conselho Municipal da Educação, organismo previsto na lei de bases e que é uma inovação recente em todo o país. Tem como objectivos estruturar e definir políticas e prioridades e envolve todas as escolas dos vários grupos e sectores de ensino, professores, associações de pais, associações sindicais e associações de estudantes.
O ensino superior, no concelho, está bem representado por dois institutos politécnicos: o Instituto Politécnico de Santarém e o Instituto Superior de Línguas e Administração. Um pólo universitário que procura satisfazer as necessidades das empresas da região e que conta com cerca de três mil alunos. Com mais uma ou outra escola, quase se poderia dizer que estaríamos na presença de uma verdadeira cidade universitária.
O Instituto Politécnico de Santarém é composto pelos seguintes estabelecimentos: a Escola Superior Agrária de Santarém, a Escola Superior de Educação de Santarém, a Escola Superior de Gestão de Santarém e a Escola Superior de Enfermagem.
A Escola Superior Agrária de Santarém, especificamente dirigida ao meio social e económico em que se insere, é uma das mais antigas do país dentro deste sector. Tem uma oferta constituída por vários cursos, alguns de bacharelato e outros de licenciatura bietápica. Os cursos são os de Engenharia Agro-Alimentar, Engenharia de Gestão do Ordenamento, Engenharia da Produção Animal, Equinocultura, Engenharia da Produção, Engenharia Agrária e Qualidade Alimentar. Tem mais de mil alunos.
A Escola Superior de Educação de Santarém dirige-se essencialmente aos futuros professores, como o próprio nome indica. Pouco mais de mil alunos distribuem-se pelos seguintes cursos: Animação Cultural e Educação Comunitária, Educação Social, Educação de Infância, Professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, Professores do 2.º Ciclo do Ensino Básico (quatro variantes), Complementos de Formação Científico-Pedagógica e Complementos de Formação para Professores do 1.º Ciclo.
A Escola Superior de Gestão de Santarém é o estabelecimento que conta neste momento com mais alunos, quase 1300. Os cursos de Gestão de Empresas, Informática de Gestão, Marketing e Consumo, Administração Pública e Autárquica e Contabilidade e Fiscalidade dirigem-se essencialmente a uma comunidade em crescimento que só necessita dos instrumentos básicos da gestão para se impor em definitivo no panorama empresarial português.
Por fim, a Escola Superior de Enfermagem tem cerca de 270 alunos e cobre uma daquelas que, na área da saúde, é considerada uma grave lacuna. Oferece tanto a licenciatura como o bacharelato em Enfermagem.
Quanto ao Instituto Superior de Línguas e Administração, vulgo ISLA, oferece aos seus quase oitocentos alunos seis cursos de licenciatura: Tradução e Interpretação em Línguas Modernas, Comunicação, Gestão de Empresas, Gestão de Recursos Humanos, Informática de Gestão e Engenharia Electrónica Industrial.
A nível da investigação, referência ainda para a Estação Zootécnica Nacional, em Vale de Santarém, o maior instituto português em termos de pecuária.
No que concerne à saúde, o Hospital Distrital de Santarém assegura a maioria dos cuidados básicos, tanto no que diz respeito às valências de internamento como de consultas de especialidades e de urgências. Em termos de necessidades prementes, refira-se a criação de uma extensão do Centro de Saúde de S. Nicolau, visto que os equipamentos existentes até à data não cobrem, de maneira nenhuma, a totalidade dos utentes inscritos, que totalizam cerca de 50% da população total da cidade. A inexistência de climatização no hospital e a falta de uma extensão de saúde na maior freguesia de Santarém, Alcanede, são outros dos problemas com que o concelho se debate.
A nível social, a breve prazo existirá um lar para a terceira idade em Amiais de Baixo; um centro de dia e lar de idosos na serra do Alecrim, que servirá a envelhecida população daquela zona do município; e uma creche e lar de terceira idade em Vale de Figueira.
A nível cultural, urge a construção da nova Biblioteca Municipal, cujo projecto já está pronto a começar. Quanto à actual, cumpre com uma extrema dignidade as suas funções desde 1926, cinco anos depois de Anselmo Braamcamp Freire ter entregue à Câmara Municipal todo seu espólio literário. De resto, a sua
colecção é o mais importante fundo bibliográfico da instituição – no total, são cerca de quinze mil volumes, datáveis do século XVI ao primeiro quartel do século XX, incluindo alguns incunábulos de 1498 e 1499. Para além desta, existe ainda a Biblioteca Camões, fundada a 13 de Junho de 1880; e várias outras que, em conjunto, contribuem para o impressionante número total de setenta mil volumes. Referência ainda para uma vasta colecção de pintura, que inclui obras de Josefa de Óbidos, José Malhoa ou Alfredo Keil.
A Casa do Brasil/Casa Pedro Álvares Cabral é um dos espaços de exposições mais importantes de Santarém. Aqui têm lugar diversas actividades culturais ligadas ao Brasil. Possui uma biblioteca especializada e uma base de dados sobre as temáticas da expansão, dos descobrimentos portugueses e dos escalabitanos ilustres. Para além da Casa do Brasil, funcionam como sala de exposições o posto de turismo, a sala Virgílio Arruda, na Biblioteca Municipal de Santarém, e o Fórum Actor Mário Veigas.
O auditório do Instituto Português da Juventude, o auditório da Casa do Brasil e o grande auditório do Centro Nacional de Exposições, este com uma capacidade para 1200 pessoas, são espaços multiusos que permitem a realização de várias actividades ligadas à cultura.
O mesmo se dirá das nove salas de congressos existentes: no Arquivo Distrital, na sala Virgílio Arruda, no Coríntia Santarém Hotel, na Escola Superior Agrária, na Escola Superior de Educação, na Escola Superior de Gestão, na Estação Zootécnica Nacional, no Hotel Alfageme e no Hotel do Prado.
Na comunicação social, encontram-se em publicação, actualmente, quatro jornais semanários. O mais antigo é o «Correio do Ribatejo», antigo «Correio da Estremadura. Existem ainda «O Mirante», «O Ribatejo» e «Terra Viva». Ainda a nível de imprensa escrita, o «Fórum Santarém» é um boletim informativo da Câmara Municipal, de distribuição gratuita, publicado de dois em dois meses. Com uma tiragem média de trinta mil exemplares, começou a ser publicado em 1993.
Em termos de rádio, há duas emissoras a funcionar: a 2000 FM, em rede com a «Rádio Cidade», iniciou-se ainda no tempo das rádios piratas, chamava-se então Rádio Piranha.
A Rádio Pernes nasceu a partir de um grupo de amigos que nos anos 60 fazia espectáculos de luz e de som, crescendo como uma empresa familiar.
Em termos museológicos, são vários os espaços existentes na cidade. O Núcleo Museológico de Artes e Arqueologia Medievais está instalado na igreja de S. João de Alporão. É o primeiro núcleo museológico do Museu Municipal de Santarém. O edifício, um daqueles que ostenta mais tradições, foi remodelado em 1876 para a instalação do espaço museológico e inaugurado treze anos depois. Algumas das mais valiosas peças de tumularia estão aqui expostas, bem como peças arqueológicas de grande importância (das quais se salientam duas aras romanas e um relógio de sol). Em relação aos túmulos, o de D. Duarte de Meneses, os dos conselheiros do rei D. João I e a arca tumular de D. Afonso de Portugal são os mais importantes.
A Casa-Museu Braamcamp Freire ocupa o piso nobre do edifício que pertenceu àquele historiador e que hoje está ocupado com a Biblioteca Municipal. A sua colecção foi constituída através do legado do primitivo proprietário. Dos vários objectos expostos, destaquem-se algumas peças de mobiliário, como um cadeirão de canto de tipo inglês do século XVIII e um armário almofadado e entalhado com a data de 1644; peças de cerâmica, caso de um serviço de porcelanas da China e artigos da Fábrica Bordalo Pinheiro; pinturas; e livros e manuscritos raríssimos, onde se incluem o erroneamente chamado foral de D. Fernando (1369) e o foral de D. Manuel I (1506).
O Museu Ferroviário – Núcleo Museológico dos Caminhos-de-Ferro, localizado na freguesia de Santa Iria da Ribeira de Santarém, encontra-se na estação da CP, na velha cocheira de carruagens. Considerado um dos mais importantes do país, foi inaugurado em 5 de Outubro de 1979 por iniciativa de Armando Ginestal Machado. Da colecção exposta ao público, saliente-se um conjunto de locomotivas, carruagens e salões-carruagem, tanto da linha do norte e do leste como da história da circulação ferroviária em Santarém. O salão Maria Pia (1858), a locomotiva D. Luís (1862), a primeira a chegar a Santarém (1862), o salão do Príncipe (1877), a locomotiva das minas do Pejão e o salão presidencial são algumas das jóias deste núcleo.
O espólio do museu integra ainda utensílios usados na reparação e conservação da via férrea, nomeadamente ferramentas e veículos para inspecção da mesma, caso de um quadriciclo a pedal, um quadriciclo motorizado e uma dresine de inspecção; faróis, lanternas, telefones, marcadeiras de bilhetes, aparelhos instalados nas locomotivas e outros. O equipamento móvel encontra-se assente em via larga, linha algaliada e via reduzida de minas.
«A secção museológica da CP de Santarém afirma-se como um museu de sítio, tanto através do património construído para uma função específica da actividade ferroviária, como pela natureza da sua colecção, ligada à história da empresa e da sua actividade no âmbito da circulação e transporte. A história e o património ferroviário que nele se expõe (numa arrumação sem projecto museográfico coerente), todavia, extravasa o mero conceito de local de interesse ferroviário, para constituir um núcleo central, regional e inter-regional da explicação da história dos caminhos de ferro em Portugal.» (Jorge Custódio)
Existe ainda o Núcleo Museológico do Tempo, na Torre das Cabaças, e o Museu Salgueiro Maia, na Escola Prática de Cavalaria, o mítico local de onde, como já vimos, partiu a revolução do 25 de Abril.
Uma galeria de arte (na rua 15 de Dezembro), dois cinemas e três teatros completam a oferta cultural existente na cidade.
Para além do que existe em boas condições, e para que um vasto património edificado não se perca definitivamente, como já aconteceu no passado, é vital que se restaure e se reconstrua. A exemplo do que se faz na Europa civilizada – salva-se o que já existe antes de construir mais.
É o caso, apenas para dar dois exemplos, do mosteiro de Almoster e das muralhas e barreiras de Santarém. O projecto de valorização e requalificação urbana de Santarém, integrado no programa POLIS, será um suporte fundamental para a concretização das mais diversas iniciativas ligadas à recuperação patrimonial.
No desporto, uma palavra importante para as modalidades ligadas à água. Porque, neste sector, o concelho está muito bem servido. O complexo aquático municipal de Santarém, sediado na freguesia de Salvador, abriu ao público no ano de 2002. É composto pelas piscinas descobertas (piscina de forma livre, escorregas e piscina de ondas) e pelas piscinas cobertas (piscina de 25 metros, tanque de aprendizagem e tanque de iniciação). Funciona neste complexo a Escola Municipal de Natação, com as seguintes modalidades: natação, hidroginástica/pré e pós-parto, pólo aquático e natação desportiva e deepwater.
Em Marvila, as piscinas municipais do Sacapeito, construídas em 1977, completam a oferta municipal no que toca à natação. Dispõe das modalidades de natação, manutenção, hidroginástica (pré e pós-parto) e natação desportiva. As actividades realizam-se numa piscina interior com 25 metros e num tanque de aprendizagem.
O complexo desportivo municipal de Santarém será uma realidade em breve. Prioritária é também a construção de pavilhões desportivos nas freguesias de Alcanede e de Pernes e na Escola E B 2/3 Mem Ramires, na cidade.
A ecologia é outro dos sectores que, em grande parte, se destina aos mais novos. São eles, os pequenos, que aprendem desde cedo, na escola e não só, a valorizar as questões do ambiente de da reciclagem.
Obviamente que Santarém não poderá fazer tudo so
zinho, mas desde que cumpra o seu papel, então poderá dizer que cumpriu as suas obrigações. Neste sentido, todas as campanhas que se realizem são óptimas oportunidades de sensibilização da população para uma realidade que até há muito pouco tempo lhe passou ao lado, sobretudo das camadas etárias mais idosas. Se as crianças desde muito cedo tomam contacto, na escola, com estes assuntos, como anteriormente se disse, o mesmo já não acontece, por exemplo, com a geração dos seus pais. É o caso do projecto «Ocupação dos tempos livres no ambiente», iniciativa organizada pela Câmara Municipal em conjunto com os alunos da Escola Superior de Educação de Santarém; e do projecto «Descobrir a Compostagem», que visa estudar o processo de valorização orgânica e o aproveitamento de todos os resíduos daquele género para posterior utilização na adubação das terras.
A existência de Ecopontos um pouco por todo o concelho, para a deposição de materiais recicláveis, desde o vidro ao papel, passando pelo plástico e pelo metal, é uma infra-estrutura à qual, cada vez mais, os tomarenses aderem de forma lenta mas tendencialmente generalizada. O mesmo se dirá, em termos de importância, da recolha de «monstros» que a Câmara leva a cabo regularmente.
No que concerne à recolha de resíduos urbanos e do destino final dos lixos domésticos e industriais, Santarém está integrado no Sistema Intermunicipal da Resitejo desde Abril de 1998. A Resitejo – Associação de Gestão e Tratamento dos lixos do Médio Tejo – é uma associação de dez concelhos do Médio e Lezíria do Tejo. Para além de Santarém, conta com a participação de Alcanena, Torres Novas, Entroncamento, Chamusca, Golegã, Constância, Vila Nova da Barquinha, Ferreira do Zêzere e Tomar.
Após a adesão ao Sistema Intermunicipal da Resitejo, os resíduos urbanos sólidos não valorizáveis deixaram de ser depositados em lixeiras e passaram a ser tratados na estação de transferência, sendo encaminhados para o seu destino final, o aterro Sanitário. Aqueles que podem voltar a ser aproveitados são encaminhados para reciclagem. A estação de transferência fica situada na zona industrial de Santarém, junto ao estaleiro municipal.
UMA SELECÇÃO MISTA
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PORTUGAL/BRASIL – DINAMARCA
Não é a prim
eira vez que Portugal utiliza atletas nascidos em outros países como se fossem nados por cá. Várias são as modalidades em que isso aconteceu ao longo dos anos. Para tal só foi necessário verificar que se tinham naturalizado.
Um dos casos mais conhecidos foi e é o de Francis Obikuelo, que nos deu medalhas e reconhecimento internacional.
Também no futebol tivemos alguns. Nos anos sessenta dois jogadores do Sporting, e mais tarde um jogador do Boavista. Qualquer um destes três não terá feito mais que três ou quatro jogos pela nossa selecção.
Mais tarde apareceu Deco e depois Pepe, que já têm à sua conta bastantes jogos pelos portugueses. Agora é a vez de Liedson. Este, como os dois anteriores, foram chamados à naturalização por necessidades da equipa Portuguesa. Era necessário tapar buracos existentes na formação de futebol, onde não existiam jogadores nacionais de categoria.
Não foram chamados à selecção Portugueses naturalizados, antes, foram naturalizados Portugueses, para poderem ser chamados à selecção.
E é por essa razão que o meu desacordo surge.
Para além disso, vamos verificar no próximo jogo com a Dinamarca, e depois ainda e também nos outros, que mais de vinte e cinco por cento dos jogadores titulares, são estrangeiros naturalizados. Não será isto o desvirtuamento do que deveria ser uma Selecção Nacional?
Será que já vale tudo? Os fins justificam os meios?
Assim, a nossa selecção mais parece uma parceria Portugal/Brasil.
No próximo jogo com a Dinamarca, a verdade (será que ela interessa) será desvirtuada.
Provavelmente muitos outros países utilizam esta técnica para suprir faltas nas suas equipas, mas, porque eles fazem mal, nós temos de o fazer também?
Luiz Pacheco – Um Libertino passeia pela vida. 2 – Cronologia

No início desta série de «episódios» sobre este libertino genial, vejamos uma cronologia sumária da sua vida:
A vida de Luiz Pacheco em datas
1925: À uma e quarenta da madrugada de 7 de Maio nasce em Lisboa, num velho prédio da Rua D. Estefânia (no nº 91-1º), Freguesia de São Sebastião da Pedreira, Luís José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, que virá a adoptar o nome de Luiz Pacheco, filho de Paulo Guerreiro Pacheco e de Adelina Maria Machado Gomes. 1932: Entra no Ensino Primário. 1936: No Liceu Camões, começa o curso dos Liceus. 1943: Conclui o curso Completar dos Liceus (antigo 7º ano). 1944-45: Obtém boa classificação no exame de admissão à Faculdade de Letras de Lisboa, ficando isento do pagamento de propinas. Matricula-se no curso de Filologia Românica. 1945: Começa a colaborar em diversos jornais e revistas. 1946: Emprega-se na Inspecção-Geral dos Espectáculos. Com Jaime Salazar Sampaio, dirige o volume antológico Bloco. Assina as listas do MUD. 1947: É preso no Limoeiro, acusado do crime de estupro. 1948: Nasce Maria Luísa, sua primeira filha. 1950: Nasce João Miguel, o segundo filho. Cria a editora Contraponto onde irá publicar textos de escritores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires. António Maria Lisboa. Mário Cesariny de Vasconcelos, Natália Correia, Virgílio Martinho, António José Forte, entre outros.
1951: No dia seguinte ao da morte do marechal Carmona, presidente da República, apresenta-se ao serviço com uma gravata colorida, sendo repreendido e punido.1953: Morre sua mãe. 1958: Nasce o terceiro filho: Fernando António. Publica Caca, Cuspo & Ramela (textos de Luiz Pacheco, Natália Correia e Manuel de Lima; de sua autoria, edita Carta Sincera a José Gomes Ferreira. 1959: Publica na revista Pirâmide o texto «A Pirâmide e a Crítica» em que defende a revista dos ataques de alguns críticos literários. Nasce Luís José, quarto filho. Demite-se da Inspecção-Geral de Espectáculos. 1960: Em Maio, morre seu pai. Publica na revista Pirâmide o texto «A Pirâmide e a Crítica» em que defende a revista dos ataques de alguns críticos literários.1961: Nasce a quinta filha, Adelina Maria. 1962: Publica o conto O Teodolito. 1963: Nasce Paulo Eduardo, o sexto. Edita na Contraponto o livro Surrelismo/Abjeccionismo, uma antologia organizada por Mário Cesariny. 1964: Nasce Maria Eugénia, a sétima. Publica o seu livro mais divulgado A Comunidade.1965: Nasce Jorge Manuel, o oitavo e último filho. 1966: Publica Crítica de Circunstância.1967: Edita os seus Textos locais. 1970: Sai O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor. Visita a Tomar.

1971: Publica Exercícios de Estilo. 1972: Edita Literatura Comestível.1974: É a vez de Pacheco versus Cesariny 1977: Publica Carta a Gonelha e Textos de Circunstância. 1979: Sai Textos de Guerrilha 1. 1980: Publica O Caso do sonâmbulo chupista, sobre o alegado plágio de Namora a Vergílio Ferreira.1981: Saem os Textos de Guerrilha 2. 1984: Publica Textos do Barro.1985: Baptista-Bastos entrevista-o para o Jornal de Letras. 1986: Edita O Caso das Criancinhas Desaparecidas. 1988/89: A Comunidade é adaptada ao teatro e levada a cena pelo Teatro da Cornucópia.

1989: Adere ao Partido Comunista Português. 1991: Publica Textos Sadinos. 1992: Saem O Uivo do Coiote e Carta a Fátima. 1995: Concede uma longa entrevista à revista Ler. Sai Memorando, Mirabolando. 1996: Em 7 de Maio, por ocasião do seu 70º aniversário os filhos organizam uma festa de homenagem familiar. É publicado Cartas na Mesa. 1998: Publica Prazo de Validade. 2000: Sai Isto de estar Vivo. 2001: Uma Admirável Droga. 2002: Reedita Crítica de Circunstância, agora com o título Os doutores, a salvação e o menino Jesus – Conto de Natal. O Mano Forte. 2003: Raio de Luar. 2004: Figuras, Figurantes e Figurões. 2005: É entrevistado pelo Jornal de Letras. Sai o seu Diário Remendado (1971-1975). Cartas ao Léu.
2006: Vai para um lar no Montijo. 2007: É operado às cataratas. É entrevistado pela RTP. Dá também uma entrevista ao Correio da Manhã. 2008: Dá uma entrevista ao semanário Sol. Saem O Mito do Café Gelo e O Cachecol do Artista. É publicado O Crocodilo que voa. No dia 5 de Janeiro, acometido por doença súbita, morre na ambulância a caminho do hospital do Montijo. São 22 horas e 17 minutos quando o óbito é declarado.

Continuam a não perceber
Vamos lá explicar outra vez:
– a questão não é de forma! É de conteúdo!
A inveja, a última oportunidade Tuga
A inovação é a chave para a saída da crise e dos problemas estruturais da economia portuguesa. Inovar é encontrar forças onde os outros vêm fraquezas, encontrar soluções para problemas concretos onde os outros vêm nós que não se desatam.
Até os Lusíadas terminam com a palavra INVEJA, para sublinhar o quanto este sentimento é português. Ora a inveja se se converter em ambição de desejarmos o que os outros têm, não tem mal nenhum. Pelo contrário, leva-nos a dar ao pedal, trabalharmos para obter o que desejamos. Mas a inveja normalmente é acompanhada de outro sentimento que é a preguiça, quero ter mas não quero trabalhar, por isso como não tenho e não quero suar as estopinhas digo mal, ladrões, corruptos, malandros.
Ora, o facto de ter inveja e não querer trabalhar é que é português. Porque inveja todos têm. Eu por acaso invejo um gajo que tem uma mulher linda, mas não estou para deixar tudo para ter uma mulher linda, se é que alguma me queria. Adiante, que nunca mais chego ao que quero dizer.
Mas, agora, vejam que o gajo do 3º andar sempre que eu entro com um carro novo na garagem do prédio o gajo deita fumo pelas orelhas, de inveja. Vou utilizar esse mau sentimento a bem da economia. Encontro o tipo e digo-lhe, sabe que consegui pagar menos 30% de luz no mês passado? E menos 40% de água? E negociei com a empresa de telecomunicações e baixei 20% a facturação.
Revelam os estudos que um invejoso destes vai a correr fazer tudo para baixar a factura. Um investigador nos USA ( estes gajos não têm nada de invejosos) lembrou-se de enviar cartas a milhares de invejosos (mas pouco) a dizer que há pessoas que pagam menos 30% de energia. E não é que estes tipos (que não são invejosos) a primeira coisa que fizeram foi baixar a factura em 30% ?
Mas se a carta do investigador disser que baixar a factura da energia salva o planeta, nenhum mexe um dedo para economizar.
Agora, pensem nas potencialidades desta política em Portugal !
Em defesa da Linha do Tua
Após a série de «posts» do Vítor sobre a Linha do Tua, iniciada aqui e concluída no «post» anterior a este, não resisto a publicar de novo o texto que aqui deixei a 13 de Maio, «Em Defesa da Linha do Tua». Penso que faz todo o sentido este debate e até seria interessante saber quais são as intenções de cada Partido em relação a esta Linha (bem, em relação ao PS já sabemos).
O facto de sermos governados por um iletrado, de quem nada se espera em termos de defesa do património natural e edificado do nosso país, não dá a ninguém o direito de cruzar os braços perante o atentado criminoso que se prepara para o Vale do Tua e a sua inacreditável linha ferroviária.
Para quem não sabe, a Linha do Tua foi equiparada, pelos mais reputados engenheiros, em termos de dificuldade, às Linhas ferroviárias dos Alpes Franceses ou Suíços. Pela sua beleza e rigor técnico, merecia ser classificada como Património Nacional ou, mesmo, Património Mundial da Humanidade.
Ao invés, querem destruí-la. Para dar lugar a uma Barragem, que representará menos de 4% da produção de energia existente de norte a sul. Uma Barragem! Um monte de betão, tão do agrado dos novos engenheiros de Portugal. Os engenheirozecos que hoje mandam no país, os mesmos que fazem licenciaturas da forma que se sabe e que fazem projectos de sarjeta!
Pensarão os mais pessimistas que não adianta lutar. Nada se pode contra o betão! Nada se pode, no fim de contas, contra o dinheiro! Pois se Portugal é líder nas energias alternativas e continuamos a pagar a electricidade cada vez mais cara…
Concedo que é difícl. Lutar contra o betão e o dinheiro é difícil, mas lutar contra a ignorância é ainda mais. Mas não é impossível. Temos as gravuras de Foz Côa como exemplo, apesar de continuarem à espera de uma verdadeira política de exploração cultural e turística.
Infelizmente, quando perguntados, os senhores do poder dirão que se trata de progresso. De desenvolvimento.
Como é óbvio, os senhores do poder não sabem, porque não querem saber e porque são iletrados, que em 1886 a Linha do Tua já chegava até Mirandela e que em 1906 chegou a Bragança.
100 anos depois, a ligação a Bragança já não existe. Há muito que já não existe! 120 anos depois, querem acabar com a ligação a Mirandela, a última ligação ferroviária do Nordeste Transmontano!
O progresso é isto? O desenvolvimento é isto? Acabar com o meio de transporte mais limpo, mais eficiente e menos poluente do mundo é progresso? É desenvolvimento? Abandonar a via tradicional para fazer absurdos TGV’s num país minúsculo o que é?
Para o fim, o mais importante: as pessoas. Algo que, olhando para a realidade sócio-política do nosso país, não será grande argumento. São poucos aqueles que vivem em Trás-os-Montes, por conseguinte, são poucos aqueles que votam. Acabar com a única ligação ferroviária em toda a região não representará mais do que meia dúzia de milhares de votos, tantos quantos são aqueles que utilizam anualmente a Linha.
Milhares de pessoas, todos os anos, em aldeias isoladas, sem forma de chegar a Mirandela ou à Régua? É o progresso! É o desenvolvimento!
Infelizmente, como já se percebeu, não vale a pena contar com o bom senso dos novos engenheiros que governam Portugal. Já sabemos que o Sr. José de Sousa, o pequeno democrata de Vilar de Maçada, nunca recua. Nem ele, nem o seu Ministro Jamais, nem aqueloutro Ministro que demoliu a casa onde viveu Almeida Garrett para aí construir o seu empreendimento de luxo. Para essa gente, o património vale muito pouco.
Infelizmente também, não podemos recorrer sequer a Belém, onde vive uma Múmia Petrificada que, embrenhada no seu novo papel de «cooperadora estratégica», sorri até mais não poder, calculista até à vergonha. O mesmo que, enquanto Primeiro-Ministro, começou a destruição da via férrea.
Resta-nos, pois, lutar. Sozinhos. Com a força da razão. Em defesa de um vale único que vai desaparecer. Em defesa de uma linha irrepetível, considerada a terceira mais bela do mundo das vias estreitas. Em defesa de Portugal. Em defesa das suas gentes que dependem do comboio.
A ARTE (12)
A ARTE (12)
Nada do que disse atrás tem a ver com a Arte em si, e pode levar a que a obra perca a capacidade de se impor pela força da sua presença, e se imponha apenas pela assinatura ou pela auréola que à sua volta criaram os fabricantes de ideias e opiniões, vendo-se reduzida ao estatuto de simples objecto transacionável. Em minha opinião, esta é a face negativa da expressão artística, a que faz descer a obra do elevado patamar dos valores imateriais do homem, para o rasteiro patamar do ter e do poder, para a vertente menos edificante do ser humano, a posse. Este assunto é, todavia, muito complexo, abrangendo conceitos de dimensão mental e cultural, de dimensão económica, de dimensão simbólica, de dimensão política e de dimensão social, que não cabe aqui analisar em pormenor, e que levam a comportamentos e percursos que vão desde a dignidade à degradação.
Talvez tudo fosse diferente se a obra de Arte não tivesse autor nem valor material. O autor da obra é, com efeito, um dos maiores obstáculos à supressão do real-palpável. O autor-pessoa deveria desaparecer na conclusão da obra, a qual seria lançada ao vento como natureza essencial, com toda a sua liberdade e autonomia. Se tal fosse possível, e a obra pudesse ser património colectivo, então sim, poderia atingir o seu verdadeiro estatuto de ponte entre a dimensão antropocêntrica e a dimensão universal do homem, deixando de ser um mero ingrediente deste caldo generalista da nossa cultura. (Conclusão).

(adão cruz)
POEMAS DO LUSCO-FUSCO
Horas a fio
preso aos dias e às noites
– se calhar a vida inteira –
á procura de um verso que perdi
não sei onde nem quando
– nem sei mesmo se o perdi
ou se o levaste contigo! -.
QUADRA DO DIA
Está por de mais escrito
Por tudo quanto é lado
Que o vaticano bendito
É um poço de pecado.
Cartazes das Autárquicas (Mangualde)

via Avenida Central
António Soares Marques (actual Presidente), PSD, Mangualde.
As minhas férias com a Bibá Pitta
Na última semana de Agosto, passei uns dias de férias, na praia de Porto Novo, em Torres Vedras, com a minha amiga Bibá Pitta, o seu marido e a sua catrafada de filhos. Foram dias muito agradáveis e estou em crer que esta amizade irá fortalecer-se no futuro.
Está bem, está bem, dizer que passei férias com a Bibá Pitta será algo exagerado. Estivemos alojados no mesmo hotel, pronto. E dizer que nos tornámos amigos também é capaz de ser forçado. Trocámos uma frase na piscina do hotel – eu estava com a minha filha ao colo e aproximei-me das escadas da saída, junto às quais estava uma das filhas da rainha do «jet-set». Pensando que eu queria sair, disse simpaticamente para a filha: «Madalena, deixa passar o bebé.» Ao que eu respondi prontamente: «Não, não vou sair, obrigado.» E sorrimos um para o outro. Penso que foi uma conversa muito profunda aquela que tivemos.
Do resto das férias, retenho uma ideia: a de que no Oeste não se come grande coisa e a de que o serviço nos restaurantes é péssimo. Cheguei a esperar uma hora por uma sopa passada para a minha filha porque «a ordem dos pedidos tem de ser respeitada». Ou seja, primeiro serve-se a refeição completa a uma mesa de 10 indivíduos, só porque chegaram primeiro, e a árdua tarefa de despejar uma colher de sopa da panela para o prato tem de ficar para o fim. E a criança com fome, e a criança a fazer asneiras, e a criança a atirar tudo para o chão, e a criança a barrar a «t-shirt» do pai com uma daquelas manteigas de pacote, e o pai a lembrar-se da Carla Romualdo e do seu «post» Crianças vs. Restaurantes.
Salva-se a beleza natural de terras como Óbidos, Peniche ou a orla marítima de Torres Vedras, de Porto Novo a Santa Cruz.
No próximo «post», irei abordar a amizade que construí nestas férias, no mesmo hotel, com Luís Represas e Margarida Pinto Correia. Uma amizade que se traduziu numa fugaz troca de olhares na recepção do hotel. Fugaz mas significativa e, estou em crer, duradoura.
Termino por lamentar a vacuidade e a inutilidade deste «post». Deve ser do stress pós-traumático provocado pelo fim das férias. Os nossos leitores que me perdoem. A partir de agora, vou dedicar-me à política.
Contos proibidos: Memórias de um PS Desconhecido
«Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem de transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos «pilares morais» do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo grave, de algo subversivo.» (Rui Mateus)
O José Freitas referiu-se aqui aos «Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido», livro de Rui Mateus que abordava, em 1996, as ligações perigosas de Mário Soares e o caso Emaudio. O livro, que vendeu 30 mil exemplares no dia em que saiu a público, esgotou e não mais foi publicado. O autor encontra-se em paradeiro incerto. Joaquim Vieira abordou as principais acusações da obra na «Grande Reportagem» e foi despedido.
Num «post» anterior, no Aventar e no «5 Dias», já abordei algumas dessas acusações. A 30 de Janeiro de 2008, interpelei a D. Quixote acerca da não-reedição do livro. Obtive a seguinte resposta:
«Exmo Senhor
Vimos pelo meio informar de que o livro “Contos Proibidos” se encontra esgotado e não temos de momento previsão de reedição.
Grata pela atenção dispensada.
Com os melhores cumprimentos.
Anabela Oliveira»
Embuído do seu dever de levar a cabo uma política editorial de serviço público, o Aventar passa a publicar, a partir de hoje, alguns excertos da obra maldita de Rui Mateus, os «Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido». Para que as suas acusações, hoje que temos um primeiro-ministro suspeito de corrupção passiva, não caiam no esquecimento e para que, um dia, se venha finalmente a saber a verdade.
via Ferrão
«Há anos atrás, conheci em Washington um jovem economista de reconhecido talento que fazia parte da equipa do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Naquela época, o chamado fenómeno dos yuppies atravessava a sua fase dourada e David Stockman,com trinta e quatro anos de idade, era já apontado como um dos jovens políticos mais promissores do seu país. Com apenas vinte e oito anos, tinha sido pela primeira vez eleito congressista pelo estado de Michigan. O presidente nomeara-o director de «Management and Budget», o equivalente a ministro do Planeamento. Tinha o futuro à sua frente. Quatro anos depois, desiludido com a hipocrisia e o tráfico de influências que caracterizavam a vida política,a todos surpreenderia abandonando-a para escrever O Triunfo da Política.
É um livro surpreendente, que revela a falta de transparência da vida político-partidária e acusa o parasitismo daqueles que passam a vida a apregoar que estão na política por patriotismo e com sacrifício pessoal, pois poderiam estar muito melhor se se tivessem dedicado a actividades do sector privado – mesmo quando se sabe que, antes de entrarem na política, não tinham obra nem dinheiro. Num país em que as autoridades, os media e o público exercem um controlo rigoroso sobre o rendimento e financiamento dos políticos e sobre as suas actividades políticas e privadas, como é o caso dos Estados Unidos, que se regem por códigos de transparência acima de qualquer suspeita, David Stockman revelou a subtileza de meios que, mesmo assim, permitem o compadrio e o tráfico de influências no dia a dia dapolítica americana.
Em Portugal, neste pequeno país periférico, diminuído pela indigência e obscurecido pela opacidade, ensaia-se um sistema político-partidário moldado pelo Partido Socialista, onde só duas décadas após o restabelecimento da democracia se começa a discutir o tráfico de influências, a transparência e, enfim, o cidadão. Discussão envolvida em tanta hipocrisia e por métodos tão falaciosos que poderemos considerar que o nosso país, neste capítulo, se encontra num espaço cultural de transição entre o fascismo e um «estado de juízes», que não vislumbra um regime de verdadeiro controlo e legitimação democrática das instituições.
O «triunfo da política» e dos seus principais protagonistas, exactamente pelo modo como foi construído o regime após o 25 de Abril, começa a revelar perigosos sintomas de erosão da credibilidade das instituições, evidenciados pela crescente descrença popular. A democracia portuguesa, no actual contexto ocidental, embora irreversível na sua aparência formal, resvala perigosamente para «um corpo de funcionários sem legitimação democrática directa ou indirecta, como é, entre nós, o corpo de magistrados», que é dominado «por certas correntes que professam uma concepção militante, radical e fundamentalista da magistratura, a qual, geralmente aliada ao protagonismo político de alguns, tem subjacente uma cultura de intervenção, quando não de contrapoder e confronto com os órgãos de soberania político-representativos» . À semelhança do que acontece em Itália, berço do pensamento e acção fascistas que assolariam a Europa nos anos 30, também hoje é legítimo perguntar se o «governo dos juízes» que tem vindo a devastar aquele país, não estará a ser aproveitado para fins políticos também em Portugal, onde o protagonismo de alguns juízes, recentemente convertidos à democracia, tem feito impunemente os seus progressos perante uma cada vez mais amedrontada «classe política».
Não me tendo ocorrido escrever um livro antes, daria oportunidade, em 1990, a um semanário lisboeta que prometia desvendar mistérios através de um respeitável jornalismo de investigação, de se ocupar da difícil e ingrata tarefa de «investigar» o estado da Nação em matéria de compadrio e tráfico de influências. Lamentavelmente, o resultado não passaria de uma pusilâmine caça às bruxas e da reprodução de reles «fugas» de indisfarçável apologia fascista, bem inseri das numa estratégia, que, a vencer, conduzirá, inevitavelmente, ao «estado dos juízes». Tratou-se do chamado «fax de Macau» e da cegueira com que o processo, a todos os níveis, seria conduzido. Numa total inversão de papéis e segundo uma ética dificilmente digerível, a própria jornalista de investigação» se revelaria jornalista-testemunha» empenhada, através da mentira e do perjúrio, em crucificar as suas «fontes», ajudando a cruzada da magistratura.
Concurso Aventar: Onde fica esta estrada? – Resultado
Tal como dizia ontem, durante estas férias, tive o prazer de percorrer, pela primeira vez, uma «estrada particular com portagem». Não uma auto-estrada, mas uma vulgar estrada. É uma estrada lindíssima, mas para percorrê-la tem de se pagar 85 cêntimos.
O concurso consistia em descobrir onde fica esta estrada: lugar, freguesia e concelho. Nenhum leitor deu a resposta integral, mas o prémio, o livro «Torres Vedras: Na Esteira das Velhas Torres», da minha autoria, será entregue na mesma. O vencedor é o nosso leitor Snail, que indicou tratar-se de uma estrada no Vimeiro.
Com efeito, esta estrada inicia-se no lugar de Porto Novo, freguesia da Maceira e concelho de Torres Vedras, em frente à entrada para o Hotel Golf Mar. Sermpre ao lado do rio Alcabrichel e depois do campo, passa pelas Termas do Vimeiro, onde se encontra a dita portagem, e termina poucos quilómetros à frente, ainda na freguesia de Maceira. Vimeiro, curiosamente, é uma freguesia do vizinho concelho da Lourinhã.
A resposta do Snail, mesmo não estando completa, merece o prémio.
P. S. – À atenção do nosso leitor Dalby: um único comentário a este «post» e, como retaliação, publicarei «Torres Vedras: Na Esteira das Velhas Torres» I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII…..
QUE DISTRAÍDOS QUE NÓS ANDAMOS!
Um cidadão! Um voto!
Estamos em democracia! Maravilha!
Nós andamos distraídos com os fumos de incenso (ou charro) que os nossos governantes e tantos outros (i) responsáveis vão espargindo pelos canais da estupidez institucionalizada, sobretudo nestas eleições. Aos muitos pataratas que enxameiam de caras ocas os milhares de outdoors, aos directores disto e daquilo cujo mérito nunca ninguém viu, aos comentadores que dão vontade de rir pelas ostensivas banalidades que vomitam, aos bem traquejados corruptos deste país, aos ressequidos economistas e curandeiros de um cancro financeiro incurável, que eles próprios geraram, aos pregadores da oração como arma politiqueira de arremesso, é-lhes dado todo o poder e toda a liberdade de comunicação. Os donos da “informação” lambem-se todos com as suas sensaborices. Preenchem o tempo, dão “vida” ao canal, deixam os neurónios em paz e criam audiência. Os donos da informação sabem-na toda! Olha quem!
A verdadeira informação, a informação das pessoas sábias, sérias e honestas, aquela que, eventualmente, poderia ter poder para mudar comportamentos não existe. Nem se pode deixar que exista! Há, isso sim, uma total liberdade “democrática” para usar, de forma humilhante e perversa, a eterna desinformação que mantém moldadas as cabeças de um povo sem vontade, massificado e estupidificado.
MAIS SEIS MIL PARA O AFEGANISTÃO
Mais seis mil militares para o Afeganistão. Nova estratégia de guerra, já que a actual não leva a lado nenhum, dizem os excelsos generais dos states, os que mandam, ou que julgam mandar. Mais carne para canhão!
Pobres lorpas que não aprendem de modo algum. Já esqueceram o Vietnam, já começam a esquecer o massacre e o lamaçal que deixam no Iraque, de onde estão a ser escorraçados com os calcanhares a bater no cu, quer queiram quer não. Ao elegerem o inimigo errado, muitos dos pregadores da paz e da liberdade são co-responsáveis pelo engrossamento do exército de refugiados, oprimidos e condenados da terra. Co-responsáveis no abrir de portas e no estender de tapetes às chancelarias do crime organizado. Por mais que preguem e por mais conferências que façam, não anulam o descrédito em que caíram ao pretenderem convencer-nos de que as expectativas de paz, liberdade e justiça só são possíveis com guerras ou com orações a Deus, as quais, pelos vistos, só são ouvidas quando saem da boca dos afortunados e não quando tomam a forma de gemidos dos milhões de afegãos, iraquianos e tantos outros que morrem às pilhas no deserto do silêncio, da fome e do sangue.







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