A igreja de S. Francisco Xavier vai dar nas vistas
Andam a começar uma igreja a S. F. Xavier no Alto do Restelo que fica em Lisboa e brotam acusações à maqueta ao nível de Maomé e do toucinho.

Parece cousa para dar nas vistas, quando a virmos de baixo para cima que é como vai ser vista, e a arquitectura das igrejas também serve para ser vista.

Neste caso gosto, com a vantagem de não estar muito bem a ver onde vai aterrar a igreja gosto apenas da maqueta, faz-me lembrar outras igrejas exclamativas, de exibição patética da fé e chamamento aos fiéis que também ficaram em algumas páginas de livros de História da Arte, a arquitectura religiosa é a que conhecemos melhor e há mais tempo, séculos de experiência em altos e coloridos edifícios de propaganda, na altura sem a concorrência dos centros comerciais.

Vai dar muito nas vistas e os que tentam impedir a sua construção já estão a contribuir para isso, retomando o patusco pessimismo de um velhote lisboeta precisamente do Restelo. Aos séculos que a Igreja C.A.R. tem destas coisas e arranja sempre maneira de lhe pagarem a obra. Olhem para as catedrais à escala do tempo em que foram feitas e digam lá se não davam um estalo maior na cara das pessoas, no lado da vista.
Afinal quem é o otário que anda a pagar esta festa?
Tenho entretido com o Nuno Ramos de Almeida uma elegante polémica (apesar da suposta tareia que lhe dei) acerca do financiamento das autarquias. Ele pede-me que continue. Quem sou eu para dizer que não?
A minha fonte é o melhor livro de urbanística escrito em Portugal (o único que de facto, nos pode oferecer uma perspectiva verdadeiramente política da questão): Ordenar a Cidade de Jorge Carvalho editado pela Quarteto. Trata-se de uma tese de doutoramento, portanto cheia de jargão técnico porventura inacessível ao comum dos mortais , mas as continhas estão lá tintin por tintin, e não são difíceis de perceber. É tudo mais e menos, um multiplicar e um dividir de vez em quando. Mas com um pequeno esforço, leia-se as parte II e III e está lá tudo. Eu, que sou arquitecto, percebi. Apenas me limitei a acrescentar algumas, poucas, reflexões que decorrem da minha experiência profissional, aqui ou ali porventura discordantes das do Jorge Carvalho.
Mas o que me importa, ou que mais me preocupa, é remeter esta discussão para um nível propositivo. Que fazer?
Ora, se a malta não fizer um pequeno esforço de compreensão para ultrapassar a barreira da linguagem tecnocrática, estamos, estaremos e seremos sempre lixados na nossa dimensão de cidadãos, para além de qualquer discurso de esquerda ou direita pré-formatado por lugares comuns pouco ou nada coincidentes com a realidade. Neste caso a barreira parece difícil mas apesar de tudo, garanto-vos, custa menos que a matemática do nono ano. É que este debate sem números vale muito pouco. Debate que diga-se é verdadeiramente ideológico e incide sobre questões que na sua essência, digo eu, distinguem esquerda e direita , questão tão cara aos meus amigos do cinco dias e colegas (também amigos) do aventar.
Dito isto à laia de desabafo esmiuçemos.
A argumentação do NRA assenta na ideia de que as Câmaras lucram com o crescimento urbano desenfreado e que por isso necessitam deste crescimento para compor os seus orçamentos e fazer investimento público.
O que eu digo é precisamente o contrário: as Câmaras perdem dinheiro nesse processo, que tem um custo muito maior decorrente do alargamento e dispersão da infraestrutura pública que importa construir, conservar e renovar , do que as eventuais receitas fiscais ou contrapartidas que criam.
Aliás, se fosse como o NRA afirma, haveria uma certa racionalidade na coisa: constrói-se mais (ainda que mal) mas ganhava-se dinheiro que se conduziria para o interesse público. Este seria, apesar de tudo, um bom argumento para se manter o status quo, na medida em que crescimento urbano não só se pagava a si próprio como ainda gerava lucro para a coisa pública.
No entanto não é assim, senão vejamos:
1- Infra estrutura pública (conceito que alargo por forma a abranger não só às obras de urbanização – ruas, água, luz, saneamento etc, mas também os equipamentos –escolas, hospitais, parques, etc…) e crescimento urbano estão correlacionados. Isto é, ou a infraestrutura chega primeiro e gera pressão urbana no território, o que faz com que as coisas aconteçam (a forma correcta), ou chega primeiro a urbanização que traz consigo a exigência de infraestrutura pública (a forma errada).
2- De qualquer das formas temos então um custo que resulta directamente no processo de urbanização ou que é induzido por este.
3- Quanto custa e quem o paga? São as perguntas que importam.
4- Custa em média 100 euros por metro quadrado de construção, segundo as contas do Jorge Carvalho, sendo que metade é para infraestrutura geral (a que diz respeito à escala da cidade/vila) e a outra é para infraestrutura local (a que diz respeito à própria urbanização).
5- Os promotores imobiliários (urbanizadores e construtores) pagam cerca de 25euros (média no final dos anos noventa princípio do milénio- as coisas talvez terão mudado um pouco para melhor nos últimos anos), o que significa que alguém anda a pagar os restantes 75.
6- Por outro lado se olharmos para a despesa dos municípios em infraestrutura pública esta era em meados dos anos noventa
, cerca de dois terços dos seus orçamentos (contabilizando todos os custos).
7- As receitas resultantes de impostos e taxas sobre o imobiliário (IMT e IMI) cobrem apenas 25% dessa despesa.
8- Se cruzarmos esta despesa com as fontes de financiamento verificamos que a infraestrutura pública é paga da seguinte forma: 50% os contribuintes e 25% os utilizadores, 15% os proprietários, 10% os promotores. Nunca tantos pagaram tanto para tão poucos, dizia o outro e digo eu.
O processo de urbanização desenfreado tem sido um péssimo negócio para as Camâras, Estado e Contribuintes em geral e não é lá grande coisa para os utilizadores. Mas os senhores proprietários e os senhores promotores, os que precisamente arrecadam a maior fatia da mais-valia não se têm dado muito mal. Quem é que são os otários?
Serão os autarcas, que quer o saibam ou não – e muitas vezes isto é feito conscientemente – fazem investimento público e orientam-no para prosseguir interesse privado sem que as autarquias ganhem com isso muito pelo contrário?
Qual a solução que o NRA apresenta? Mais dinheiro da Administração Central para as Autarquias. Não me parece lógico. Significa afectar ainda mais impostos genéricos para fins que beneficiam privados à grande e à francesa e que se deveriam pagar a si próprios (ou pelos menos na sua grande parte).
O tema não se esgota aqui como é óbvio. Este estado de coisas tem a ver com o Planeamento Urbanístico e consequentemente com a política de solo e regulação do mercado fundiário, coisas indissociáveis, o que é muitas vezes esquecido. Questões que remeto para posts posteriores.
NOTA: quando me refiro a infrastrutura geral, não estou a incluir a construção dos equipamentos, mas apenas ao encargos decorrentes da compra dos terrenos e das obras de urbanização.
A Helena de Lisboa
Sofri um desgosto quando vi a Helena Roseta soçobrar aos cantos de sereia do António, afinal o movimento dos Cidadãos por Lisboa era uma boa ideia que morria nos braços do PS. Fiz-lhe chegar isso, mas a resposta foi que o movimento continuava.
Ontem recebi um mail a informar-me que o Movimento dos Cidadãos por Lisboa tinham entregue uma reinvindicação junto de todos os partidos representados na Assembleia da República, para que a negociata dos Contentores de Alcântara fosse anulada.
Não há razão nenhuma que a maioria (a oposição) não responda afirmativamente. Para além de ser um negócio colocado em causa pelo Tribunal de Contas, sem concurso público e por um prazo que é uma vida, devasta aquela zona do rio, entope a entrada da cidade com 600 camiões por dia, obriga a obras enormes e caras desde os problemas do Vale de Alcântara, ao abaixamento da rede ferroviária.
Diz a Helena que a sua vida política responde pela sua independência. É do que todos precisamos e que Lisboa anseia. O Movimento não se desfaz, as presidênciais estão no horizonte com Manuel Alegre a perfilar-se, e o mais certo é que uma parte do PS não esteja ao lado do Movimento dos Cidadãos por Lisboa.
Voltou a esperança para as duras batalhas que vamos ter que travar com a Empresa Frente Tejo SA., outro monstro que nas nossas costas prepara a destruição da frente ribeirinha.
Temos todos de estar atentos!
Empresa Frente Tejo SA – a luta continua
Por convite a seis empresas estrangeiras foi escolhida uma delas para apresentar um estudo base para o Terreiro do Paço, tambem conhecido por Praça do Comércio.
Esta empresa, Frente Tejo SA foi constituída, justamente, para poder funcionar ao arrepio dos controlos a que as câmaras estão sujeitas, podendo contratar por ajuste directo (filho selecto do governo socialista) sem ouvir quem quer que seja e muito menos os Lisboetas.
Mas o atrevimento é de tal ordem, como demos conta há dias aqui no Aventar, que nem sequer o vereador da câmamra, Arquitecto Manuel Salgado, resiste a uma feroz crítica. O estudo propõe que as frentes das paredes que dão para as arcadas sejam rasgadas para assim se criarem montras e ali se instalarem lojas e restaurantes.
Tudo nas costas dos Lisboetas, como convém, o estudo está agora em discussão (por uns senhores muito importantes, tão importantes como os que foram convidados para constituirem o juri, que ninguem sabe quem são) e parece que a ideia de o rés do chão ligar aos primeiros andares por umas escadas espectaculares fica, para já, sem efeito.
O mesmo acontecerá com as tais janelas/montras que iam rasgar as paredes dos edificios que, segundo o arquitecto Salgado “são uma gargalhada de mau gosto”.
A empresa Frente Tejo SA como se vê, continua a trilhar o seu caminho de roubar à cidade o melhor que ela tem, nas costas dos Lisboetas, e à Praça junta-se uma série de projectos que pouco a pouco virão à luz do dia, como sejam os Contentores de Alcântara, a acostagem de navios e muitos metros quadrados de betão no rio junto a Santa Apolónia, os edificios no Cais de Sodré que já lá estão sem discussão pública, o Hotel na Marina de Belém que já lá está, a Fundação Champallimoud que vai ser criada junto à marina de Pedrouços, o gigante Museu dos Coches…
Eu não voto no António Costa porque o governo com ele na Câmara faz o que quer, como se vê. Lisboa precisa de uma oposição forte que lute contra este assalto à luz do dia.
A Frente Tejo S.A. – nas costas de Lisboa
Uma sociedade anónima para tratar a frente ribeirinha de Lisboa, constituída pelo governo e pela Parque Expo, e a que a CML não se associou.
Na Parque Expo está lá como presidente um amigo pessoal de Sócrates, e o arquitecto a quem foi adjudicado, por ajuste directo, a intervenção do centro da Praça do Comércio, trabalha há longo tempo com a Expo. Hoje, é-nos revelado pelo Publico, que há um trabalho de uma empresa consultora sobre a intervenção nas arcadas da praça.
Dezenas de lojas e restaurantes no rés do chão, o que exige rasgar montras nas paredes com praça e que o andar imediatamente acima, seja aborvido pelo rés do chão, para assim dar funcionalidade e espaço ás lojas.
“Panela de interesses” é assim que lhe chama Santana e “os Lisboetas nem sonham com o que se vai passando nas suas costas”, “montada entre o governo socialista e a câmara governada pelo PS”.
Costa, terá já contactado algumas multinacionais para se instalarem no “novo centro cosmopolita de Lisboa” e mesmo os torreões já terão destino. O estudo chama-se “Estratégia de Urbanização do Terreiro do Paço” e foi concluido em Abril.
Mas este é só um dos projectos com que se ameaça a frente Tejo, entre vários. Voltarei a este assunto.
A corrupção nas mais – valias urbanisticas
Já tratei deste assunto aqui no Aventar. O nosso país é o único em toda a Europa em que as mais-valias urbanisticas não são retidas pelas finanças públicas. Tratam-se de mais – valias obtidas administrativamente, com é o caso, mais evidente, de alguem que tem um terreno que vale 10 unidades monetárias e que, por conseguir fazer licenciar um prédio naquele mesmo terreno, este passa a valer 100 unidades monetárias.
As mais-valias, 90 unidades monetárias, vão para o próprio que nada fez a não ser pagar para que lhe façam o projecto e lhe licenciem o terreno. Se não fosse levado a sério, estava tentado a dizer que a corrupção num caso destes até torna a negociata mais justa, pois assim há mais quem abocanhe.
Então, se todos sabem que é assim, porque não se muda a Lei? Porque não só está em causa a corrupção, como no final, quem paga são os que compram o prédio do nosso exemplo, e aqui a renda do terreno corresponde acerca de 2/3 do preço final.
Há cidades que têm milhares de fogos construídos sem comprador e sem utilizador, porque o lucro é de tal ordem que é bem melhor construir do que investir na industria. Muita gente comprou casa por causa da baixa de juros bancários, endividando-se, e agora estão com “as mais -valias” às costas de quem enriqueceu com este esquema.
Este governo que nos desgovernou nos últimos quatro anos não teve tempo ? Ou foram os camaradas autárquicos que não deixaram?
PS culturalmente igual a 0,4%
É quanto vale para o PS a Cultura. No Orçamento do presente ano vale 0.4% do PIB e em 2008 valia 1%. Felizmente que já não vai poder decidir sozinho se não íamos ficar sem Cultura no Orçamento, grande medida para baixar a despesa do Estado.
É por isso que os nossos monumentos, Património Mundial, estão tão mal tratados, que os nossos teatros, como diz a Carla, são entregues a espectaculos mil vezes vistos, que não há apoio a jovens artistas .
Mas só para consultores estão lá inscritos 400 milhões, não vá faltar consultorias a dizer o que é preciso para convencer o pagode. Isto é de uma pobreza que mata, isto só pode vir de alguem que não lê um livro e que não vai a um museu, como é que se esquecem os nossos monumentos magnificos, velhos de séculos, é assim tão dificil perceber que podemos ter um turismo fluorescente só à volta do nosso património histórico? Que poderia pagar a manutenção e as melhorias nesta área em que somos tão ricos?
Por essa Europa fora, nas visitas ao património, tudo é de um profissionalismo que só pode emergir do grande amor que se tem pela Cultura do país, há uma política cultural que está bem presente nas organizações das visitas e dos espectaculos. Aqui a Cultura não só desapareceu do orçamento como o próprio ministro anda há muito desaparecido .
Agora temos uma política assaz curiosa. As empresas de construção civil são obrigadas a contribuir para a reabilitação do património. Como fazem? O custo fica logo no preço pago nas adjudicações ?
visões estéticas contemporâneas
Oskar Schlemmer
Manifesto da primeira exposição da Bauhaus
1923
«A Staatliches Bauhaus de Weimar é a primeira e, até agora, a única escola estatal do Reich – se não do mundo inteiro – que convida as forças criativas das belas artes, enquanto conservem a sua vitalidade, a actuar. Ao mesmo tempo, mediante a instalação de oficinas sobre bases artesanais, se impôs como tarefa uni-las num todo, numa compenetração frutuosa para as fazer convergir com a arquitectura. O conceito de arquitectura deve restabelecer a unidade que feneceu no envelhecido academismo e nos afectados ofícios artísticos, e tem que restabelecer a grande relação com o todo e possibilita, no sentido mais apurada, a obra de arte total. O ideal é velho, mas a sua aparência é sempre nova. O seu culminar é o estilo e a vontade de estilo nunca foi mais poderosa que na actualidade. Mas a confusão dos espíritos e dos conceitos causaram conflitos e disputas sobre a natureza desse estilo que deve aflorar como a nova beleza dessa confrontação de ideias. Semelhante escola, animadora e animada em si mesma, converte-se num barómetro das convulsões da vida pública e intelectual do seu tempo e a história da Bauhaus converter-se-á na história da arte contemporânea.
A Staatliches Bauhaus fundada depois da catástrofe da guerra e no caos da revolução e na era do florescimento de uma arte explosiva e emocionalmente cheia de pathos, vem a ser o ponto de reunião de todos os que, com fé no futuro e um entusiasmo transbordante, querem construir a catedral do socialismo. Os triunfos da indústria e da técnica antes da guerra e as orgias sob o signo da sua destruição despertaram aquele romantismo veemente que era uma proposta ardente contra o materialismo e a mecanização da arte e da vida. A miséria da época era também a miséria dos espíritos. O culto do inconsciente e do indecifrável, a propensão ao misticismo e ao sectarismo brotaram na procura das últimas coisas que estavam em perigo de perder todo o seu significado num mundo pleno de vacilações e rupturas. A ruptura dos limites da estética clássica fortaleceu a preeminência da emoção que encontrou o seu alimento e confirmação na descoberta do Oriente e da arte negra, dos camponeses, das crianças e dos doentes mentais. A origem da criação artística foi, assim mesmo, tanto mais investigada quanto os seus limites se extenderam mais audazmente. O uso apaixonado dos meios expressivos florescia como nas imagens dos altares. Foi no quadro, sempre no quadro, que se refugiaram os valores decisivos. Ele tem que assumir a sua divida com a síntese proclamada, independentemente da unidade do mesmo quadro, como a conquista mais elevada da exaltação individual.
A inversão dos valores, as mudanças dos pontos de vista, o nome e o conceito dão como resultado a imagem oposta, o novo credo. DADA, o buffon da Corte neste reino joga à bola com os paradoxos e liberta e purifica a atmosfera. O americanismo transposto para a Europa, cunho novo no velho mundo, morte ao passado, a luz da lua e a alma, assim avança o tempo presente com traços de conquistador. A razão e a ciência, os poderes supremos do homem, são os guias, e o engenheiro é o executor imperturbável das possibilidades ilimitadas. As matemáticas, a construção e a mecanização são os elementos. O poder e o dinheiro são os ditadores destes fenómenos modernos de ferro, cimento, vidro e electricidade. Velocidade da matéria rígida, desmaterialização da matéria, organização da matéria inorgânica, todos produzem o milagre da abstracção. Baseados nas leis naturais, são a obra do espírito para dominar a natureza. Apoiados no poder do capital, convertem-se em obra do homem contra o homem. O tempo e a hipertensão do mercantilista convertem-se na utilidade e finalidade na medida de toda a actividade, e o cálculo apodera-se do mundo transcendente: a arte converte-se num logaritmo. A arte, até há pouco desprovida do seu nome, vive a sua vida depois da morte no monumento do cubo e no quadrado colorido. A religião é o processo mental exacto e Deus está morto. O homem, o ser consciente de si mesmo e perfeito, superado por qualquer manequim na exactitude, aferra-se aos resultados da fórmula do químico até que seja encontrada também a fórmula para o espírito.
Goethe: Quando se realizarem as esperanças de que os homens se unam e se conheçam mutuamente em toda a sua força, com a mente e o coração, com o entendimento e o amor, ninguém poderá imaginar o que ocorrerá. Nesse momento já não necessitará de criar pois nós criamos o seu mundo. Esta é a síntese, o resumo, a intensificação e a densificação de tudo o que é positivo para formar um poderoso centro de forças. A ideia do centro, alheada da mediocridade e debilidade, entendida como balança e equilíbrio, converte-se na ideia da arte alemã. Alemanha, país central, e Weimar, o seu coração, não são pela primeira vez o local eleito de decisões espirituais. Trata-se de reconhecer o que é apropriado para nós com o objectivo de não ficarmos sem objectivo. No equilíbrio das oposições polares, amando tanto o mais remoto passado como o mais remoto futuro, conjurando tanto a reacção como o anarquismo, avançando desde o fim em si mesmo, desde o eu singular até ao típico, ao problemático, ao válido e seguro, chegaremos a ser os portadores da responsabilidade e a consciência do mundo. Um idealismo da actividade que abarque, penetre e una a arte, a ciência e a técnica e que incorpore a investigação, no estudo e no trabalho, realizará a construção artística do homem que, no que respeita ao sistema cósmico, é somente uma metáfora. Hoje apenas podemos avaliar o plano de conjunto, colocar os fundamentos e preparar as pedras para a construção.
Mas,
Somos, Queremos, e Criamos ! »
oskar schlemmer, escritos sobre arte: pintura, teatro, danza. cartas y diarios, paidos estética, barcelona, 1987.
comentário: a Bauhaus (1919-1933) criada por Walter Gropius contou com importantes ideólogos e mestres, para além deWassily Kandinsky e do próprio fundador. Entre eles contava-se O.S. A sua contribuição foi decisiva, por exemplo, nos ateliers de teatro. Este pequeno texto – diferente dos manifestos bem mais conhecidos e técnicos de Gropius, Kandinsky ou Albers – resume, em última instância, o ideal técnico-prático bem conhecido da escola mas também o misticismo estético que, por exemplo, J. Itten e J. Albers desenvolveram a partir da teoria das cores e da oposição «método/intuição» no ensino artístico.
CARTAZES PARA QUE VOS QUERO
(reposição, sempre actual)
PROLIFERAM POR AÍ!
Proliferam por todo o lado, em especial em época de eleições, mas para que servem?
As nossas ruas, as nossas avenidas, os cruzamentos, os entroncamentos, as rotundas e as praças e jardins, estão infestados de cartazes. Todos os partidos os colocam, uns maiores que os outros, uns com caras outros sem elas. Há-os para todos os gostos. Há-os para todos os tamanhos e cores. Encavalitam-se uns nos outros, e depois, quando esta semana acabar, e já não servirem para nada, para além de para nada terem servido, lá ficam a continuar a conspurcar a paisagem. Vão-se degradando, rasgados e velhos, e quem os pôs lá, demonstra o seu mais completo desrespeito por todos nós, não os retirando.
Mas no fundo, para que servem estes cartazes, para além de, num ou noutro caso, dar a conhecer partidos novos, ou caras novas. Bem, e para além de, obviamente, dar lucro e trabalho a umas quantas empresas, com dinheiro que todos nós pagamos. Quantos votos dá um cartaz? Quantas pessoas, por verem um cartaz bonitinho, se sentem dessa forma motivadas para votar no partido ou na pessoa à qual fazem propaganda?
Penso que nunca ninguém se sentiu impelido a votar neste ou naquele por via do cartaz. Sendo assim, para que servem? Porque somos obrigados a “levar” com este tipo de propaganda, que só prejudica a paisagem? E porque temos de continuar a aguentar com eles, semanas a fio depois de terem cumprido o objectivo que na quase totalidade das vezes não foi atingido?
Não se deveria limitar ainda mais a sua colocação e o tempo da sua exposição, de modo a que fosse minorada esta pecha?
Estou cada vez mais cansado desta maneira de fazer política e desta maneira de propagandear coisas que cada vez mais, a menos pessoas interessa.
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(In O Primeiro de Janeiro, 09-06-2009)
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Os símbolos a quem os trabalha
O especialista em Estudos Orientais Paulo Pinto anda às avessas com a simbologia escalabitana:
Ai o convento de Santa Clara é que é o “símbolo” de Santarém? Terá patente ou alvará? Muito me conta, nunca vi isso escrito em lado nenhum, a não ser naquele blogue de iluminados e figuras de culto
Bastava-lhe abrir a página da C. M de Santarém, e nem precisava de ler: é o Convento de S. Clara que a encabeça.
Devo dizer que se fosse de Santarém seleccionava outra igreja, maneirista e não gótica, mas reconheço aos povos o legítimo direito à escolha do símbolo que lhes dá na gana. E como é evidente no simbólico raras vezes conta a qualidade e real importância do monumento: Coimbra e Porto ostentam as suas torres que comparadas com outras arquitecturas que possuem não valem uma nota de rodapé.
Eu se escrevesse sobre Malaca, ou Montaigne, no mínimo lia umas coisas sobre o assunto, e antes. Mas cada um é como cada qual, e numa coisa estamos de acordo: tudo está bem quando acaba bem.
Santarém

Convento de Santa Clara (Santarém)
“Primeiro, Santarém não tem “por símbolo um templo da arquitectura mendicante”. Que eu saiba, os candidatos ao título são as Portas do Sol, a Torre do Relógio ou a rosácea da Igreja da Graça (que é dos agostinhos). Não é o Convento de S. Francisco.”
Pois não. É o Convento de Santa Clara. E as clarissas são uma ordem mendicante. A arrogância do jugular Paulo Pinto é directamente proporcional à sua ignorância em História da Arte. Já o tinha demonstrado, escusava de se repetir, sobretudo para rebater um texto que não percebeu.
A ministra republicana
Segundo José Neto a ainda ministra da Educação remodelou o último andar deste prédio, onde habita ou vai habitar, utilizando nas janelas uma rubra cor, em contraste com o verde dos restantes andares. José Neto acha que é uma “atitude suburbana-pimba”, o Paulo Guinote, por via de quem cheguei à foto, fala em pimbice.
Permitam-me outra leitura. Deparando-se com um prédio onde domina o amarelo (um bocado gema de ovo) pincelado de verde, o casal pode ter visto aí uma oportunidade de homenagear a bandeira da República, ficando assim o mau gosto compensado pelo fervor patriótico.
Agora espero que não vão para lá espalhar azul e branco.
Coisas do DIABO : Cultura, a parente pobre
“A verdade é que a Cultura foi sempre a parente pobre deste Governo que derrama milhões em obras públicas faraónicas e deixa a esboroar-se o nosso património nacional e mundial, para cuja manutenção e recuperação bastariam migalhas!” Alberto do Amaral.
Temos um Ministro da Cultura que ninguem sabe o que anda a fazer a não ser que tem de gerir um miserável orçamento. E sabemos tambem que a Janela Manuelina do Mosteiro de Cristo em Tomar está ao abandono, só como exemplo de até onde vai a ignorância deste governo.
Parece que fez uma gongórica excursão a Veneza acompanhado de uns quantos artistas, habituais clientes do orçamento e dos croquetes. Nada aconteceu a não ser um jantar em grande para duzentas pessoas, todos ou quase todos subsidiodependentes.
A política cultural cá no burgo não passa de distribuir uns subsídios por uns artistas e de quando em vez umas obras de recuperação. Gastam-se uns milhões com o novo Museu dos Coches e com a Casa dos Bicos de Saramago.
A Maria João Pires já foi e o Palácio da Ajuda continua por acabar. Era bom perceber-se que há uma política cultural, mas o próprio Sócrates já admitiu que não há!
Isto num país que vive do Turismo e que tem um parque monumental com Património classificado como mundial. E não considerando os centros históricos das nossas cidades eles tambem património nacional e mundial.
E no Programa do PS alguem leu alguma coisa sobre política cultural?
A belíssima Praça do Império
Em frente ao mais belo estuário do mundo um dos mais belos Monumentos do Património Mundial.
Separa-os uma Praça monumental, cheia de luz, de jardins, com uma magnífica fonte no centro. De um dos lados o Palácio da Presidência da República, continuado pelo belo Jardim Britânico, e pelo Museu dos Coches.
Do outro lado o Centro Cultural de Belém, peça que em contraponto ao rendilhado dos Jerónimos, se entranha pela seu corte moderno e angular. Debruçados sobre o Tejo ainda temos o Monumento aos Descobrimentos e mais afastada a Torre de Belém.
Ali se pode ver o padrão onde se assinala o sítio em que foram executados os Távoras (do Chão Salgado) para que nunca mais ali crescesse vida. As casinhas de rés de chão e primeiro andar, ainda originais do sec.XVll, onde junto à rua se abrigam restaurantes, cafés e a célebre Pastelaria dos Pastéis.
Paralelo ao rio estende-se um parque pintado de verde onde crianças e adultos dão largas à sua fome de correr e brincar. Mais à frente um Jardim frondoso.
Mas até os mais belos lugares podem ser cenário de pesadelos. A célebre e socialista empresa da Frente Ribeirinha quer erguer um monstro, do outro lado do CCB, para reinstalar o mais visitado e célebre museu português, o Museu dos Coches.
Para além da enorme massa de betão a construir, está previsto um silo automóvel com 4/5 andares ,sobre o Tejo e uma ponte pedonal sobre a estrada que liga a Cascais.
Já lá está erguido um Hotel projecto do sr. Arquitecto e Vereador da Câmara Manuel Salgado, que nos veio dizer muito circunspecto que tinha tido o maior cuidado em tirar o menos possível a vista do Tejo, coisa que temos que agradecer, evidentemente. Ali perto está previsto a instalação da Fundação Champallimou, obra que mercê dos seus objectivos poderá compreender-se.
Devagar, devagarinho, os sítios que nos dão prazer e qualidade de vida, vão sendo comidos pela voragem do lucro fácil e pela “obra” dos diversos autarcas .
Se não deitarmos mão e defendermos a nossa cidade ninguem o fará por nós. Tive muita esperança no “Zé que faz falta” e na “Roseta do movimento de cidadãos” mas um e outro já foram na cantiga da sereia Socialista, que vai comendo tudo o que lhes possa fazer frente!
Os aventadores aqui de Lisboa, com o Nuno Castelo Branco à cabeça iremos, implacavelmente, denunciar os abusos e as prepotências.
Programa PS :Puros delírios, patranhas, irrelevâncias…
No DN de Domingo, 2, o Alberto Gonçalves nos seus ” dias contados” entre vários outros assuntos que vale a pena ler, aprecia o Programa PS. Só um bocadinho.
” Até ver, contas muito por alto, o engº Sócrates lançou, criou, promoveu, prometeu, ou anunciou: cinco mil euros para quem comprar um carro eléctrico; cheque -dentista a todas as crianças entre os 4 e os 16 anos; conta de 200 euros por cada bébé nascido; linha de crédito às PMEs no valor de 3,75 mil milhões; fundo estratégico de 250 milhões para apoiar as PMEs no exterior; 1500 jovens qualificados anualmente em PME exportadoras; 125 000 vagas para alunos do ensino profissional; aquisição de metade da participação do BPI numa seguradora; 130 milhões para o estímulo à requalificação urbana; reforço de 115 milhões na construção de equipamentos sociais; linha de crédito de 50 milhões na área social; 1 500 empregos nas fábricas da Embraer em Évora; linha de crédito para adiamento das prestações da habitação dos desempregados; novo subsídio de combate à pobreza; aumento do salário mínimo; Alargamento das novas oportunidades; triplicação do abono de família; milhões no TGV; milhões no aeroporto; milhões em obras públicas; milhões em energias renováveis; milhões na inclusão social; milhões na Internet…”
Se leram bem? Tentem ! Tentem sempre! Se não conseguirem peçam um subsídio, o Estado trata de nós todos!
Nel Monteiro: falar em merda hoje já não é um palavrão
a merda é realmente uma porcaria onde milhões de pessoas vivem.
Já gostava do Edgar Pêra. Agora por sua conta e risco começo a gostar do Nel Monteiro. Sim, desse mesmo. Estou completamente sóbrio. Juro.
Chegou-me isto por via do António Luís Catarino, um velho amigo que já leva décadas a encontrar grandes merdas. Boa Luís.
Os manifestos dos 28, 52 e 26 dizem o mesmo!
Há muita poeira levantada no sentido de se querer mostrar que há graves diferenças de opinião entre os manifestos sobre os Megaprojectos!
Mas não há! Todos dizem, basicamente, que se houvesse dinheiro, se não estivessemos mergulhados nesta crise, e se o quadro macro da economia e finanças públicas fosse outro, os projectos não levantariam as dúvidas que conhecemos.
E todos dizem que há prioridades que devem ser tidas em conta, como sejam os projectos que criam emprego a curto prazo, que não sugam as mesmas enormes quantidades de dinheiro, que não exigem a importação de tecnologia que não temos e que se dirijam para as PMEs exportadoras.
Todos os manifestos dizem isto, no essencial. O governo, avisadamente, e porque percebeu que não são só os economistas e “cientistas sociais” que pensam assim, que a opinião pública tem “colada” a imagem deste governo de braço dado com os Bancos e os grandes grupos económicos, recuou!
Há sempre quem seja mais ” sócrates que o próprio Sócrates” que descobrem agora que há economistas do primeiro manifesto que estiveram contra a primeira ponte, de nada lhes interessando em que quadro isso ocorreu.
Mas se havia dúvidas, muitas dúvidas, dentro do próprio governo que os megaprojectos eram a resposta eficaz no quadro economico-financeiro em que estamos, as suas recentes posições quanto aos mesmos e quanto às PMEs são disso prova concludente!
Só não vê quem acha que o Primeiro Ministro é tão obtuso que vai perder as legislativas “por ser um animal feroz”.
Neste momento, nenhum dos megaprojectos avança antes das eleições, o que quer dizer que não avançará nos próximos três anos! No mínimo!
Sociedade Frente Tejo
Helena Roseta lança o alarme sobre o regime de excepcionalidade das obras a cargo desta empresa. Segundo a Arquitecta está em causa a transparência ( a falta dela) e o abuso de poder que este estatuto propicia.
O processo de remodelação do Terreiro do Paço é uma aberração e um escândalo.
Para Santana Lopes ” é extraordinário como um Presidente da Câmara abdica do poder sobre a sua própria cidade.”. A condução do processo por uma sociedade do Estado na qual a CML não participa é uma aberração política e jurídica.
É um processo deplorável, em que não há nem concurso público, nem debate público, afirma Luis Fazenda.”Nem o Presidente da CML nem os vereadores se podem esconder atrás da Sociedade Frente Tejo ” por forma a alijar responsabilidades na remodelação de uma Praça com tal simbolismo.”
Para Ruben Carvalho o problema está na privatização/venda de parte substancial dos edificios ministeriais, para comércio-escritórios-hoteis.
A Sociedade é uma entidade de capitais públicos encarregue da reabilitação de alguns troços da zona ribeirinha de Lisboa.
Que se saiba já “reabilitou” uma parte da Praça do Cais de Sodré com uma vincada densidade de prédios para a Comissão Europeia do Mar, com um hotel na Marina de Pedrouços e com uma sede para a Fundação Champalimaud.
Estão na gaveta para melhores dias um cais para navios de cruzeiro com hotéis e um centro comercial ali em Santa Apolónia e um cais para contentores em Alcântara.
Tudo com uma gritaria de protesto de inúmeros Lisboetas que vêm a sua frente ribeirinha ser tranformada numa frente de betão.
"Estes " investimentos públicos…
Nos últimos dez anos os grandes investimentos públicos foram:
Estádios de futebol (quatro desnecessários como sempre se soube)
Pendulares na linha férrea Lisboa – Porto (milhões de contos, tantos que nunca se soube bem quantos)
Ponte Vasco da Gama ( a mais extensa da Europa como não podia deixar de ser)
Expo 98 ( que se pagaria a si própria e depos foi o que se viu)
Modernização dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro ( apesar de paralelamente se andar a preparar um novo)
Autoestradas para meia dúzia de automóveis (temos o rídiculo record do maior número de autoestradas por habitante)
Novos investimentos:
Autoestradas
Ponte sobre o estuário do Tejo
TGV
Novo aeroporto
Se após os investimentos dos últimos anos o país empobreceu, não conseguiu dar o salto qualitativo da produtividade, porque será que o mesmo tipo de investimentos dez anos depois, vai ter resultados diferentes?
Acresce, que a rentabilidade marginal por projecto é agora menor e o seu custo é maior porque o ” rating ” do país desceu devido à muita má situação das finanças públicas .
Vai ser mais um milagre do PS?
Mas há investimento público muito necessário, como seja, a reabilitação dos centros urbanos, a modernização das redes de captação e distribuição de água, luz e gás, a construção de barragens que há dez anos estão paradas, a modernização da linha férrea de transporte de mercadorias, o desenvolvimento do “cluster” do mar, dos portos…
Desde que não sejam entregues aos amigos, sem concurso público, como acontece ali em Alcântara com a Liscount do camarada Jorge Coelho!
O Hotel Estoril – Sol
Lembram-se do Estoril – Sol aquele hotel ali em plena marginal, à porta de Cascais ?
No seu lugar, já se erguem três torres em nada mais pequenas ou mais baixas que o “mamarracho” anterior.
No velho Hotel guardavam-se “memórias” de grandes figuras e eventos que fizeram sonhar gerações .
Mas o local maravilhoso, ali sobre a baía azul de Cascais, há muito que tinha despertado apetites. E cá no sítio a propaganda começa pelo “mamarracho”. Se não for “mamarracho”, à força de se repetir, toda a gente começa a ver uma coisa que, por décadas, foi obra de orgulho e ninguem viu como de mau gosto.
Grande volume, mal aproveitado, não respeitador da paisagem, todos à uma martelam a cabeça dos cidadãos que acabam por aceitar por exaustão.
Lembro-me bem da cobertura que a imprensa fez, com especial ênfase para o Expresso.
Um arquitecto com nome (Byrne) o que é à partida garantia de bom trabalho, um desenho integrado com a paisagem, deitado sobre o morro que cresce atrás, menos volume…
Depois vem a realidade, com a maioria do pessoal já esquecido do prometido, mudo e quedo, com o que cresce à força de guindastres e cimento armado.
Passei lá hoje !
O maior erro !
Há trinta e tal anos começou a construção de habitação nos suburbios das cidades.
O maior erro, na opinião do Bastonário da Ordem dos Engenheiros. Esse investimento devia ter sido canalizado para os centros históricos urbanos, fixando aí as pessoas, poupando-as ao trânsito, ao tempo perdido na entrada das cidades.
Hoje ninguem tem dúvidas que a sustentabilidade dos países passa pela dinâmica das cidades, tornando-as atractivas para a habitação, arrastando as actividades económicas.
Há mais de 800 000 fogos para reabilitar o que dá trabalho às empresas para cerca de 10 anos. E é emprego imediato, em empresas nacionais, activando as PMEs que contribuem com cerca de 70% do emprego.
Há já bons exemplos de sucesso, como Évora, que tem vindo a desenvolver um trabalho meritório neste campo. A qualidade de vida em Évora é já reconhecida, cerca de 80% das pessoas inquiridas se mudassem de terra para viver, escolheriam esta cidade.
Este trabalho teria um impacto imediato na saída da crise . Mas este governo e o seu chefe, preferem a aventura dos grandes projectos que, a fazerem-se, irão lançar o pais na pobreza.
Temos o dever de fazer ouvir a nossa voz contra a megalomania deste governo, a pressa que não se percebe mas que se adivinha.
Já hoje ninguem tem dúvidas que seremos o país que mais dificilmente sairá da crise e em pior estado, com uma dívida externa colossal, uma economia estagnada.
É tempo de dizer basta ! As últimas eleições já foram um grito de alerta, espera-se a bem de Portugal e dos Portugueses que esse grito se faça ouvir com mais força nas próximas eleições legislativas e nas autarquicas!
Terreiro do Paço – ajuste directo
Há aí uma grande controvérsia com o projecto para reabilitar a Praça mais bonita do mundo.
Quando as comadres se zangam ficamos a saber algumas coisas, bem interessantes.Para além das questões estéticas e arquitectónicas discute-se o processo de escolha do Arqtº Bruno Soares . Por ajuste directo!
Diz quem escolheu ( parece que a Empresa Frente Ribeirinha, embora a obra pertença à CML ) que os critérios foram:
-O Arquitecto é amigo do Vereador e tambem Arquitecto Salgado.
-Trabalha com a empresa.
-Foi assessor da Parque 98
Se fosse por concurso público, os critérios seriam:
-Melhor preço
-Mérito da proposta
Percebem porque o governo tem sempre tanta pressa em mudar a Lei para “facilitar”?
É este tipo de “palmadas” que os portugueses não perdoam. Parece que não percebem mas quando chega a altura…
E agora multipliquem pelo país inteiro e vejam o polvo que nos suga.
Ah! e não se sabe quais foram os honorários e não se sabe o que é feito de um concurso que teve lugar há dez anos e que teve um vencedor.
Tudo coisas com critério, rigorosas e “socialistas”.
Preços das casas caem mais de 40%
À volta das grandes cidades há dezenas de milhares de casas que ninguem quer e que daqui a uma década ter-se-ão degradado tanto que os proprietários vão ter que pagar ao Estado para as demolir.Construídas numa altura em que o acesso ao crédito estava muito facilitado hoje ,mesmo que haja quem queira comprar casa nesses locais, a banca não concede crédito.Estamos perante uma crise financeira mas tambem social.São os divórcios, o sobreendividamento, o desemprego…
As famílias têm que passar a fazer planeamento da sua situação financeira, não podem solicitar crédito que não podem pagar.As questões de personalidade,formação e informação são decisivas para que as famílias não comentam erros de que se arrependem amargamento no futuro.E, não esquecer, que quando se faz um orçamento devemos contar que vamos ter mais despesas e menos receitas do que as nos parecem razoáveis!
Partidos abrem a porta à corrupção
Não me digas ? Maria José e João Cravinho cada um à sua maneira, dizem o óbvio mas que poucos têm a coragem de dizer alto e bom som!Com a aprovação de todos os partidos e com o argumento fantástico de ser por causa das receitas da Festa do Avante, o limite de apoios aos partidos passa para 1 250 000,00 euros, em dinheiro vivo. Isto é um grande contributo para a transparência da vida pública e até pode ajudar à viabilidade económica do TGV, tal vai ser a quantidade de malas de dinheiro a percorrer o país. Mas quem anda distraído é que fica pasmado (gosto desta palavra).Pois não é verdade que há dois ou três meses atrás o governo aprovou que projectos de obras até 5 000 000,00 euros podem ser entregues sem concurso público, por ajuste directo? E pelo que se sabe (disse-o Rangel no Prós e Contras) as entregas (de bandeja digo eu) estão a fazer-se em bom ritmo às grandes empresas onde, por acaso, estão os amigos do partido? Havia aí anjinho que dizia que obras de de 5 000 000 de euros eram pequenas obras.Não são, mas mesmo que fossem, grandes obras divididas por três ou quatro fica tudo na ordem. grande novidade esta de as portas estarem abertas de para em par.E abertas por dentro!
METRO, BOAVISTA / CAMPO ALEGRE
Na polémica que por aí andou, e hoje está um pouco adormecida, sobre as linhas de Metro que o Porto deveria ter, e sobre a escolha entre a linha da Boavista e a do Campo Alegre, não sou a favor de uma em detrimento da outra. Antes sou a favor das duas.
Qualquer uma delas tem os seus defeitos e as suas virtudes. Qualquer uma delas é necessária à zona que atravessa. Uma não tira utentes à outra. Fazem parte de uma (mais uma) guerra entre a Câmara da cidade e o governo da República.
A polémica mais recente prende-se com o projecto que a Empresa do Metro apresentou para a linha do Campo Alegre. As críticas aparecem de todo o lado. Vozes de ilustres da cidade, levantam-se contra a proposta. A população está desta vez totalmente ao lado dos notáveis. As vozes de uns e de outros levantaram-se já no Auditório da Universidade Católica, cheio de gente a contestar o projecto. A hipótese de um abaixo-assinado para exigir que o projecto seja diferente, é mais que certa.
A proposta, apelidada por muitos de aberração, aborto urbanístico, atentado e absurdo, passa pelo enterramento da linha a partir de Lordelo, deixando à superfície a parte ocidental da linha.
Ora é nessa parte, na deixada à superfície que as opiniões se não dividem. Tem de ser enterrada!
Os custos da implementação da linha “por cima”, são enormes, atrofiando toda a zona envolvente, e destruindo toda uma área privilegiada.
Não se compreende muito bem, a não ser por motivos maquiavélicos de carácter político, que tal proposta tenha sido apresentada e muito menos que não seja modificada.
É evidente, para mim, que o Presidente da Câmara vai contestar este projecto, que a não ser mudado, irá provocar mais uma guerra do género da do túnel de Ceuta, com a razão do lado da edilidade e a tentativa de aproveitamento político do lado do governo.
Esperemos pelos desenvolvimentos de mais um caso que ainda se vai arrastar por muito tempo.








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