Dívida pública

A Parque Escolar, as obras sem dinheiro e a dívida escondida

 

Como se sabe, há uma técnica clássica para se resolverem problemas nas contas públicas. Dizem que foi descaradamente usada na Grécia para falcatruar o défice mas que cá isso não aconteceu. Apesar do falso grande feito nas contas públicas, do truque dos dividendos da PT e da venda de património do Estado ao próprio Estado, o qual a seguir o Estado vai alugar a esse mesmo Estado. Fora isto, nada de especial. Cá não se escondem elefantes brancos debaixo do tapete.

2005-2010, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Em Portugal, talvez se lembrem, houve um tempo em que o Banco de Portugal (BdP) ditou o destino do país. Não me refiro aos anos do escudo, quando bastava ao banco central desvalorizar a moeda para se resolverem as crises orçamentais mas sim ao ano de 2005, em que o BdP descobriu que o défice das contas estava nos absolutamente altos 6.0% do PIB. Era então governador Vitor Constâncio.

Hoje temos um défice de 9.1% do PIB e a dívida pública passou dos 63,9% do PIB em 2005 para os 92,4% do PIB em 2010. Perante estes dados, Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, diz que nos últimos 12 anos os Estados e os Governos à frente dos destinos do país não foram prudentes. Endividaram-se e não quiseram cumprir regras europeias, de manter o défice abaixo dos 3%, ou de simples bom senso (citando o texto da RR, onde constam mais umas notas pertinentes).

Será que o Governador do Banco de Portugal já não é pessoa a ter em conta?

 

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Déficite – virtual ou virtuoso?

Miguel Cadilhe defendia que o déficite era virtuoso, Teixeira dos Santos diz que o déficite é virtual!

Então, como ficamos? Ou mudou após os 55 000 euros/dia no BPN?

Chafurdar na mentira não é higiénico

O pior que nos pode acontecer é relativizar tudo o que nos acontece. O nosso déficite é de 9.3% do PIB o da Espanha tambem; a dívida é de 100% a da Grécia é maior; o desemprego é de 10% o da Espanha é 19%….

Mas, para as coisas que gostaríamos que nos acontecesse mas não acontecem, aí já não se relativiza nada, não se falam nelas sequer.

A Espanha anda há anos a renovar o seu tecido empresarial, com melhores equipamentos, inovação e formação aos desempregado e muito do desemprego tem a ver com essa renovação. A Alemanha dá mostras que o seu sector de exportação está a retomar. Todos, na UE, são muito mais ricos e justos que nós…

O primeiro ministro é escutado e as conversas são reveladoras de atentados à liberdade de expressão. Pois, não devia, mas não houve um ministro que alinhava os telejornais da RTP ? José Sócrates mentiu na Assembleia da República ao dizer que nada sabia do negócio da PT com a TVI . Mentir mentem todos. O PGR e o Presidente do Tribunal Superior não ouvem nada de especial onde uns “eruditos e experientes” boys de 32 anos (pagos a peso de ouro) são incumbidos de irem a Espanha fechar o negócio com os espanhóis donos da TVI.

Vara ralha com o primeiro ministro e diz que ele não devia dizer que não conhecia o negócio e isso, de mandar calar o primeiro ministro, é “tão natural como a nossa sede…” Os jornalistas que criticavam Sócrates foram todos afastados, mas afinal o que é que se espera, não é a suposta vítima promover a limpeza, afastar os adversários?

Tudo relativizado, não há perigo nenhum, salvo no dia em que alguem considere que tudo isto não é mais do que  merecemos!

Da última vez tivemos um governante a pensar assim durante quarenta anos!

Pode ser um grande orçamento…

Ninguém gosta do Orçamento, não responde às questões essenciais, levanta muitas dúvidas quanto à credibilidade, as empresas internacionais de notação financeira dizem que sabe a pouco, querem que o governo saia rapidamente, para onde entrou, empurrado pelas mesmas que agora o querem de lá para fora

E, no entanto, pode ser um grande orçamento!

Os banqueiros, perante o aumento de impostos para os seus chorudos vencimentos e prémios ameaçam ir-se embora. Há melhor notícia para o país ? Não há! Por mais voltas que se der, esta medida, se colocar fora do país os banqueiros nacionais é a maior contribuição para termos um país decente.

O Déficite e a Dívida são de tal monta e a contribuição deste orçamento para o seu controlo, é tão pequenina, que o mais certo é não haver ninguem que nos empreste dinheiro. Encontram melhor maneira para não se gastar mais dinheiro mal gasto?

As Parcerias Público- Privadas são de tal forma prejudiciais para o Estado que a sua continuação, será sériamente colocada em dúvida e a sua legalidade comprometida, como o próprio Tribunal de Contas tem vindo a anunciar.

O congelamento dos salários é tão injusto que, de uma vez, abrirá os olhos a quem acredita nas mentiras que Sócrates e o seu governo têm aventado todos estes anos a fio.

Os megainvestimentos estão seriamente comprometidos por falta de dinheiro e pela incapacidade de o pedir emprestado, pelo que melhor notícia não pode haver.

E, após, estas misérias todas, até pode ser que o próprio Sócrates perceba que não faz nem deixa fazer…

O Orçamento de todas as desilusões

Como há muito aqui defendíamos, o Orçamento seria a o momento da verdade, para Sócrates e o seu ministro das Finanças. O PSD e o CDS não podem de forma nenhuma embarcar num documento tão importante, sem que as contas reais sejam a base da discussão.

O PSD baseia os seus argumentos em duas questões absolutamente essenciais. O controlo da dívida e do déficite das contas públicas. Quanto à dívida, se continuar a crescer, será a hipoteca da nossa vida colectiva, como se está a ver com o exemplo da Grécia. É o factor determinante para a economia poder crescer, ao actual nível e, bem pior, com as grandes obras públicas que o governo teima em levar por diante, uma parte muito significativa do rendimento nacional sairá do país, à conta do serviço da dívida. E, sem controlo do déficite, é bem de ver que será coberto ou com o empobrecimento dos cidadãos ou com mais dívida.

O CDS luta pelo racionamento na atribuição do salário mínimo e pela descompressão dos impostos sobre as PMEs, condição essencial para prover a sua existência e viabilidade, mas isso custa dinheiro, e os socialistas precisam de mais dinheiro e não de menos.

O verdadeiro retrato da situação financeira está aí, que Sócrates andou a esconder com as parcerias público/privada ( contratos leoninos contra o Estado), com os déficites acumulados em empresas públicas, especialmente na área dos transportes, onde os déficites acumulados montam a muitos milhares de milhões de euros e que fará saltar a dívida dos actuais irreais 90% para 120%.

É uma situação dramática que exige verdade!

Madrilenos na Caparica em TGV!

Os megainvestimentos eram decisivos, já a correr e a saltar. Sócrates já vem dizer que se trata de preparar, não é para amanhã, temos que olhar as contas do Estado, o déficite, a dívida, enfim, tudo o que os maus da fita lhe vêm dizendo há pelo menos quatro anos.

Entretanto, o Ministro das Obras Públicas (outro pândego) veio dizer hoje que Lisboa vai ser a praia de Madrid, com o TGV é um saltinho, é ver os madrilenos saírem a meio da tarde de sexta-feira e virem dormir à Caparica. Este é o maior argumento e o mais original para defender a construção do TGV!

Estou convencido!

Mas não ficamos por aqui, o Ministro das Finanças  (este tem mais responsabilidade porque é economista e o nosso Primeiro…) já vem dizer que, afinal o mais certo, é aumentar impostos, tiraram-lhe o “pagamento por conta” o tal que é cobrado às empresas antes, e muitas vezes, sem terem lucros. Grande maneira de tornar as nossas empresas competitivas e, em último, obrigarem-nas a fecharem e contribuírem para o aumento do desemprego.

Como sempre se soube este governo não tem nenhuma política para sair disto! Vai seguir as regras como os outros, o país vai ficar mais pobre e os milhões que entraram no bolso dos banqueiros e dos especuladores, vai ser tirado a quem trabalha!

As contas públicas dos USA nas mãos da China

O presidente Obama bem se curvou a ponto de os americnos se sentirem incomodados. O que eles não sabem é que o déficite das suas contas públicas é de 13%, e que tudo aponta que ainda vem aí mais borrasca! Há bancos nos USA que não convencem ninguem, e lá vão ser salvos pelos dinheiros do Estado.

 

E a guerra na Afeganistão tambem não ajuda, mais 30 000 soldados custam muito dinheiro, e com aquela máquina de guerra toda atrás, a coisa não está fácil. Com este esforço a economia americana tambem não vai levantar vôo, longe disso, vai ser penoso.

 

Mas há uma maneira bem fácil de tirar o presidente destes apertos. É convencer os Chineses a valorizarem o yen, a moeda Chinesa. Como grande parte da dívida externa americana está nas mãos da China e grande parte em dóllares, valorizam o Yen e, assim, desvalorizam o dóllar, empobrecendo os USA, mas ninguem nota, é como Portugal fez toda a vida. Desvalorizava-se o escudo e a nossa dívida diminuia imediatamente e a nossa competitividade ajustava instântaneamente.

 

Mas quem imagina ver os USA a desvalorizar o dóllar, dar parte de fraco, quando os Chineses e os Russos, e Brasileiros, lhes andam a morder as canelas, por quererem trocar o dóllar como moeda padrão, por uma moeda a criar?

 

E quando a paridade com o Euro já é uma vergonha com o Euro a valer quase 1,50 dóllares?

 

O nosso Teixeira dos Santos ainda vai dar uma mãozinha aos USA esses "pobrecitos"…

 

Orçamento rectificativo – até ontem as contas estavam equilibradas

Como toda a gente dizia menos, claro está, o governo e o seu ministro das finanças, o déficit orçamental será de 8% e não de 5,9%.

 

Isto é igual a 4.9 mil milhões que o governo apresentou, como necessários, para equilibrar as contas que, claro está, estavam equilibradas até ontem.

 

Entretanto, a UE diz que o oásis Socrático, vai estar 8 anos sem crescer, isto é, a afastar-se da UE , isto é, a empobrecer, o que quer dizer que a criação de emprego será residual, o que quer dizer que há pessoas com quarenta anos que não mais terão um emprego. O que quer dizer que Sócrates não faz ideia nenhuma do que anda a fazer.

 

Porque reparem bem, este senhor diz que os megainvestimentos públicos, vão criar emprego e riqueza, quando toda a gente diz exactamente o contrário. Vamos ficar mais endividados e mais pobres.

 

Até ontem as contas estavam equilibradas. Para se perceber o mentirosos que estes senhores são, é necessário um "rectificativo" que segundo eles não é "rectificativo" mas sim "modificado"?

 

Governar, para estes senhores, é esconder a realidade, esticar o máximo possível as expectativas, levar a que  a realidade se incuta, insidiosamente, no espírito das pessoas, como se tivesse que ser assim e não de outra maneira. Depois a crise internacional faz o resto, tem a culpa toda.

 

E claro, as campanhas negras vão levando o país para o lamaçal…

 

 

Merkel baixa impostos

Na Alemanha, para relançar a economia, a senhora Merkel vai baixar os impostos. Os Liberais com quem fez coligação para governar, devem ser os pais da medida.

 

O primeiro objectivo é que a maioria da população tenha mais dinheiro para consumo interno,daí que seja nas classes com menos dinheiro disponível, onde o imposto baixará mais,  no sentido de o dirigir para o consumo.

 

E, para manter o déficite, com menos receita, onde vai cortar na despesa? Despedimentos na função pública?

 

Nós aqui em Portugal, começamos logo por ter um déficite muito superior ao anunciado pelo governo, que se fica pelos 5.9%. Ninguem acredita neste número, andará pelos 9%, se a desorçamentação da despesa escondida nas parcerias público/privadas e empresas públicas (com as de transportes à cabeça) regressarem ao orçamento, numa política de verdade.

 

A gestão política do orçamento já começou, escondendo a despesa e o déficite real, e esta aventura nunca deu bons resultados. Tudo indica que teremos mais uma vez uma fuga para a frente, com um orçamento expansionista, pese embora a dívida pública ser já uma calamidade nacional.

 

Taxar as classes mais altas e transferir a receita assim obtida, para as classes mais baixas, pode ser uma tentação.

 

O caminho é muito estreito. Vamos lá ver de quem é a culpa desta vez!

Novo Governo: A continuação das políticas

O núcleo duro diz tudo, as políticas deste governo, no essencial, vão continuar.

 

Vêm aí as obras públicas pese a dívida pública ser monstruosa. O déficite está em 6/7% do PIB, e a desorçamentação é uma vergonha, escondendo dívida e déficite nas parcerias público/privadas e nas empresas públicas (só nas empresas de transportes estarão escondidos 20% do PIB de dívida).

 

Campos e Cunha diz que não há um tostão para financiar os megaprojectos, o que não deixando de ser uma evidência, não deixa de assustar.

 

O novo ministro das Obras Públicas é um declarado adepto do investimento público, não se sabe é, se o é, nas condições actuais, mas palpita-me que se não fosse, não seria nomeado.

 

As novas caras, não têm peso político próprio nem têm experiência política relevante, pelo que tudo indica que Sócrates vai estar ainda mais presente. Um governo de rédea curta, com uma grande componente política e comunicacional, navegando à vista, com os dois olhos na opinião pública e nas sondagens.

 

Se lhe derem condições, sondagens favoráveis e um pretexto político, Sócrates  vai forçar Cavaco a marcar eleições antes do fim do mandato.

 

A vida não estará fácil para nenhum de nós, já estamos a empobrecer e vamos continuar.

As mesmas políticas vão dar o mesmo resultado!