A Era dos Estúpidos

Estreia na América, no dia 21 de Setembro, um filme de nome “The Age of Stupid“, alertando para os efeitos catastróficos das mudanças climáticas. Em Portugal, a estreia está marcada para 22 de Setembro, o que para os nossos governantes encartados tão dependentes de dados estatísticos provenientes do exterior, quer dizer que estamos atrasados em apenas 1 ponto percentual face ao desenvolvimento dos Estados Unidos. Cá, provavelmente, o nome do filme será traduzido para “A Era da Mudança”, pois, mantendo o nome original, pode ofender alguns estúpidos.

Numa altura em que se discute se somos uma sociedade mais justa e solidária que há 100 ou 200 anos atrás, se somos assim tão desenvolvidos e modernos ou se o comunismo ou o neo-liberalismo são a solução mágica para a vida em sociedade, um facto é inegável: vivemos numa era instável em termos ambientais. Eu pessoalmente até acho que caminhamos para um mundo cada vez mais injusto, desequilibrado, hipócrita e paranóico, e tenho quase a certeza disso, veremos o quanto em Dezembro na reunião do COP15, em Copenhaga. Mas isso é a minha opinião e isso vale o que vale. O que é um facto indesmentível e inabalável é que vivemos actualmente num mundo que está à beira de um colapso ecológico. E ainda por cima, causado pelo próprio Homem, que, ao que parece, não está muito inclinado em mudar de rumo.

Há que saber fazer as queimadas…

Metaforicamente e realmente o país está um braseiro, arde em campo aberto e em circuito fechado. Só faltava o incêndio chegar à TVi.

O Ministro vem dizer que a culpa é do excessivo calor, será, mas não haver uma política para a floresta, limpar os terrenos, ajudar os proprietários tambem não ajuda nada. O senhor Ministro já reparou nesta coisa absolutamente excepcional, que as florestas de pinheiro e eucalipto das indústrias de celulose não ardem ? Ano após ano não ardem. Com calor, sem calor, no pino do verão, sem ministros, não ardem. É que as celuloses têm uma política para as suas florestas,desde o plantar, deixando acessos capazes, limpando a floresta, vigiando, com um grupo profissional e privativo de bombeiros, equipamento moderno, não arde!

Por isso senhor Ministro não pode dizer que é do calor, no inverno tambem não arde e é por causa da chuva, se vossa excelência não serve para fazer nada, entre o calor e a chuva, agradecíamos que vá tirar um curso intensivo às celuloses eles não dizem que não. Mas vir dizer que há incêndios por haver calor e tempo seco, obrigado, já sabíamos.

Lembro-me bem nos idos de 90, a floresta a arder, as casas e os lugares aonde vivem pessoas, pasto das chamas, e o Loureiro, que fazia o papel que vossa excelência faz agora, a gritar que estava tudo controlado, era só fumaça. Já naquela altura ardia, aliás ardeu sempre, embora a bem da verdade se tenha melhorado muito no equipamento aéreo e na programação. Mas chateia-me ouvir dizer que é do calor. Quer vossa excelência dizer que não pode controlar o tempo, mas que controla o resto ? Mas o exemplo das celuloses, mostra que não é verdade, é mesmo falta de jeito, de competência. Não pode queixar-se!

Está a ver o que está a acontecer na TVI ? Outro incêndio não controlado, não se pode deitar lume ao restolho sem os devidos cuidados, tem que se ser perito em contrafogos, não se pode ser suspeito de incendiário e depois andar com fósforos no bolso, dá encrenca. E de quem é a culpa ? Do tempo de eleições , já se sabe, brincar ao controle de empresas, primeiro com a PT a querer comprar uma empresa privada e agora isto.

Está a ver senhor ministro, isto está mesmo a arder e não é só por causa do calor. Mas é por culpa do tempo, isso é verdade. Há que saber escolher o tempo para se lançar as queimadas!

A inveja, a última oportunidade Tuga

A inovação é a chave para a saída da crise e dos problemas estruturais da economia portuguesa. Inovar é encontrar forças onde os outros vêm fraquezas, encontrar soluções para problemas concretos onde os outros vêm nós que não se desatam.

Até os Lusíadas terminam com a palavra INVEJA, para sublinhar o quanto este sentimento é português. Ora a inveja se se converter em ambição de desejarmos o que os outros têm, não tem mal nenhum. Pelo contrário, leva-nos a dar ao pedal, trabalharmos para obter o que desejamos. Mas a inveja normalmente é acompanhada de outro sentimento que é a preguiça, quero ter mas não quero trabalhar, por isso como não tenho e não quero suar as estopinhas digo mal, ladrões, corruptos, malandros.

Ora, o facto de ter inveja e não querer trabalhar é que é português. Porque inveja todos têm. Eu por acaso invejo um gajo que tem uma mulher linda, mas não estou para deixar tudo para ter uma mulher linda, se é que alguma me queria. Adiante, que nunca mais chego ao que quero dizer.

Mas, agora, vejam que o gajo do 3º andar sempre que eu entro com um carro novo na garagem do prédio o gajo deita fumo pelas orelhas, de inveja. Vou utilizar esse mau sentimento a bem da economia. Encontro o tipo e digo-lhe, sabe que consegui pagar menos 30% de luz no mês passado? E menos 40% de água? E negociei com a empresa de telecomunicações e baixei 20% a facturação.

Revelam os estudos que um invejoso destes vai a correr fazer tudo para baixar a factura. Um investigador nos USA ( estes gajos não têm nada de invejosos) lembrou-se de enviar cartas a milhares de invejosos (mas pouco) a dizer que há pessoas que pagam menos 30% de energia. E não é que estes tipos (que não são invejosos) a primeira coisa que fizeram foi baixar a factura em 30% ?

Mas se a carta do investigador disser que baixar a factura da energia salva o planeta, nenhum mexe um dedo para economizar.

Agora, pensem nas potencialidades desta política em Portugal !

A Ginjinha do Rossio

Tenho a certeza que há aqui muita gente que percebeu que o meu texto ” Ó Carolina arredonda a saia…” tem a ver com a ginjinha nada com patrocínios…

Até porque está ali há quase um século e faz parte do Rossio, não precisa que se fale dela, impõe-se pelo seu carisma, até lá tem uma história (escrito como o Loures ensinou) da sua criação com mosteiros e monges à mistura como não podia deixar de ser estando como está em lugar tão especial.

Eu tenho que voltar sempre ao Rossio, à Igreja de S. Domingos onde se diziam as missas e se preparavam os desgraçados para a fogueira, o Palácio da Independencia com o traidor ainda dependurado na varanda, o Teatro D. Maria II onde estavam os calaboiços da Santa Inquisição e, antes disso, as cavalariças reais, o que não deixa de ser bem demonstrativo das hierarquias da época.

As portas de Santo Antão onde terminava a cidade ainda hoje fervilham “de muitas e desvairadas gentes” como no tempo de Luis de Camões e, ali perto, o Paço do Tronco onde o “mais português dos portugueses” esteve acorrentado por andar à espadeirada (decerto por alguma dama).

Logo ali a Praça da Figueira assente no leito seco de duas ribeiras que descem a Av Almirante Reis e a Av. da Liberdade, e nos escombros de um dos primeiros edificios do mundo a ser construído para acolher doentes,o Hospital de Todos- os- Santos, hoje o S. José e que vai voltar a ser de Todos -os-Santos agora na ribeira de Chelas . Tudo a desaguar no Largo do Rossio onde a multidão crente e religiosa se juntava para ver assar os seus semelhantes.

E, quando a mesma emoção de sempre, começa a subir-me pela garganta ( não sei porquê mas é o único lugar onde sinto que faço parte de uma caminhada com sentido)a ginja (pequeno, o copo) apazigua-me a ansiedade, a angústia que comecei a identificar quando li Cesário verde, ” uma incompreensível vontade de morrer ” ver o fim da tarde de Lisboa, a pressa das pessoas para voltarem para suas casa sem nada verem, o voltar as costa a um sítio que nunca mais verei da mesma forma, mesmo que lá volte todos os dias.

…e os ranchos de jovens raparigas, que voltam ao sol- pôr a cantar, levai-me para o meu doce lar…” chorava o Cesário Verde, o poeta de Lisboa, a despedir-se da gente e da cidade que amava, adivinhando que íria partir tão cedo. Quando voltar costas, já com a ginja para o caminho, percebo que é só o que posso levar comigo, manter por mais tempo aquela mágoa que se apodera de mim, a nostalgia do que há-de vir sem refúgios.

O ritual da ginja e do caroço faz parte de um lugar cheio de história, de alma, não é coisa que não se queira ou que se deite fora, assim com as graínhas da fruta.

CARTAZES PARA QUE VOS QUERO

(reposição, sempre actual)

PROLIFERAM POR AÍ!

Proliferam por todo o lado, em especial em época de eleições, mas para que servem?

As nossas ruas, as nossas avenidas, os cruzamentos, os entroncamentos, as rotundas e as praças e jardins, estão infestados de cartazes. Todos os partidos os colocam, uns maiores que os outros, uns com caras outros sem elas. Há-os para todos os gostos. Há-os para todos os tamanhos e cores. Encavalitam-se uns nos outros, e depois, quando esta semana acabar, e já não servirem para nada, para além de para nada terem servido, lá ficam a continuar a conspurcar a paisagem. Vão-se degradando, rasgados e velhos, e quem os pôs lá, demonstra o seu mais completo desrespeito por todos nós, não os retirando.
Mas no fundo, para que servem estes cartazes, para além de, num ou noutro caso, dar a conhecer partidos novos, ou caras novas. Bem, e para além de, obviamente, dar lucro e trabalho a umas quantas empresas, com dinheiro que todos nós pagamos. Quantos votos dá um cartaz? Quantas pessoas, por verem um cartaz bonitinho, se sentem dessa forma motivadas para votar no partido ou na pessoa à qual fazem propaganda?

Penso que nunca ninguém se sentiu impelido a votar neste ou naquele por via do cartaz. Sendo assim, para que servem? Porque somos obrigados a “levar” com este tipo de propaganda, que só prejudica a paisagem? E porque temos de continuar a aguentar com eles, semanas a fio depois de terem cumprido o objectivo que na quase totalidade das vezes não foi atingido?

Não se deveria limitar ainda mais a sua colocação e o tempo da sua exposição, de modo a que fosse minorada esta pecha?

Estou cada vez mais cansado desta maneira de fazer política e desta maneira de propagandear coisas que cada vez mais, a menos pessoas interessa.

.

(In O Primeiro de Janeiro, 09-06-2009)

.

TODOS À PROCURA DO RASTO DAS PATACAS

.
FREEPORT, AINDA E SEMPRE
.
.
Com um bocadinho de jeito, lá se irá conseguir que nada aconteça antes do caso prescrever.
Agora, andam todos atrasados na conclusão do processo, por via da procura da meia dúzia de tostões que parece que desapareceram.
O que se diz por aí, é que havia dinheiro, depois deixou de haver porque alguém ficou com ele. Alguém ou “alguéns”, que nestas coisas nunca é um sozinho.
A investigação já dura há cinco anos e tem sete arguidos. Provavelmente não convirá a muita gentinha que o desfecho ocorra antes das eleições, e assim andam por aí às voltas, num jogo de “descubra onde está”. Quente, quente, mais quente, … frio, frio, muito frio… e assim se vão entretendo, em jogos palacianos.
O que convinha mesmo é que abrissem mais um ou dois inquéritos, e talvez acabe mesmo por prescrever.
Os contactos entre a polícia Portuguesa e a polícia Britânica são frequentes, mas inconclusivos, parece.
O rasto do dinheiro já está frio, e quando assim acontece, não há nada a fazer. Procura-se até debaixo das pedras da calçada, para justificar o salário e esperar que tudo acabe em bem.

.

Portugal… de 18 em 18 dias

Tirei uns dias da semana passada para conhecer melhor uma região do nosso país. A região de Basto, algures ali pelo parque do Alvor, entre Mondim e Vila Real.

Monte Farinha, Mondim de Basto

Monte Farinha, Mondim de Basto

Mondim é a Terra falada anualmente pela chegada da Volta à Srª da Graça e que me permitiu algumas experiências fantásticas. Em contacto com um agricultor local fiquei a saber algo que me impressionou. No dia seguinte ao jantar que tivemos, o senhor Joaquim tinha que se levantar cedo porque tinha que ir regar os campos. Até aqui, nada de extraordinário. O meu problema com as manhãs não é, sei há muito, extensivo ao mundo rural.

P8210159

Fiquei depois a saber que a água em causa, sai de uma nascente na serra para uma presa (tanque) onde é retida durante a noite. Depois, pela manhã, bem cedo, é altura de lhe permitir dar vida às plantas. Acontece que estas duas acções – prender a água à noite e permitir a sua liberdade durante o dia é responsabilidade de um agricultor, neste caso concreto, de dezoito em dezoito dias. Nos outros 17 dias irá regar ou não em função da água que primeiro vai passar por outros terrenos, chegar ou não aos seus.

E esta situação, para mim surpreendente é extensiva a todas as outras localidades e resulta de uma organização secular que vem sendo transmitida de geração em geração.

Perante esta situação tão extraordinária aos olhos de um Homos-urbanis tentei perceber como se percebe o futuro por aquelas terras. Qual futuro? Responderam-me! Não há futuro. Só gente velha a tratar a terra em condições impossíveis e um futuro que foge ainda mais depressa com as auto-estradas que se aproximam.
Simplesmente, não há futuro! Só passado!

Quando a Natureza é quem mais ordena

m10_19945351

Tufão Morakot.

As imagens do excepcional Big Picture (Boston Globe), apesar de trágicas, são brilhantes.

São o melhor exemplo para mostrar que, apesar de tudo, de toda a tecnologia, de toda a artilharia, de todas as palavras, nesta bola onde habitamos, a Natureza ainda manda.

A belíssima Praça do Império

Em frente ao mais belo estuário do mundo um dos mais belos Monumentos do Património Mundial.

Separa-os uma Praça monumental, cheia de luz, de jardins, com uma magnífica fonte no centro. De um dos lados o Palácio da Presidência da República, continuado pelo belo Jardim Britânico, e pelo Museu dos Coches.

Do outro lado o Centro Cultural de Belém, peça que em contraponto ao rendilhado dos Jerónimos, se entranha pela seu corte moderno e angular. Debruçados sobre o Tejo ainda temos o Monumento aos Descobrimentos e mais afastada a Torre de Belém.

Ali se pode ver o padrão onde se assinala o sítio em que foram executados os Távoras (do Chão Salgado) para que nunca mais ali crescesse vida. As casinhas de rés de chão e primeiro andar, ainda originais do sec.XVll, onde junto à rua se abrigam restaurantes, cafés e a célebre Pastelaria dos Pastéis.

Paralelo ao rio estende-se um parque pintado de verde onde crianças e adultos dão largas à sua fome de correr e brincar. Mais à frente um Jardim frondoso.

Mas até os mais belos lugares podem ser cenário de pesadelos. A célebre e socialista empresa da Frente Ribeirinha quer erguer um monstro, do outro lado do CCB, para reinstalar o mais visitado e célebre museu português, o Museu dos Coches.

Para além da enorme massa de betão a construir, está previsto um silo automóvel com 4/5 andares ,sobre o Tejo e uma ponte pedonal sobre a estrada que liga a Cascais.

Já lá está erguido um Hotel projecto do sr. Arquitecto e Vereador da Câmara Manuel Salgado, que nos veio dizer muito circunspecto que tinha tido o maior cuidado em tirar o menos possível a vista do Tejo, coisa que temos que agradecer, evidentemente. Ali perto está previsto a instalação da Fundação Champallimou, obra que mercê dos seus objectivos poderá compreender-se.

Devagar, devagarinho, os sítios que nos dão prazer e qualidade de vida, vão sendo comidos pela voragem do lucro fácil e pela “obra” dos diversos autarcas .

Se não deitarmos mão e defendermos a nossa cidade ninguem o fará por nós. Tive muita esperança no “Zé que faz falta” e na “Roseta do movimento de cidadãos” mas um e outro já foram na cantiga da sereia Socialista, que vai comendo tudo o que lhes possa fazer frente!

Os aventadores aqui de Lisboa, com o Nuno Castelo Branco à cabeça iremos, implacavelmente, denunciar os abusos e as prepotências.

Programa PS :Puros delírios, patranhas, irrelevâncias…

No DN de Domingo, 2, o Alberto Gonçalves nos seus ” dias contados” entre vários outros assuntos que vale a pena ler, aprecia o Programa PS. Só um bocadinho.

” Até ver, contas muito por alto, o engº Sócrates lançou, criou, promoveu, prometeu, ou anunciou: cinco mil euros para quem comprar um carro eléctrico; cheque -dentista a todas as crianças entre os 4 e os 16 anos; conta de 200 euros por cada bébé nascido; linha de crédito às PMEs no valor de 3,75 mil milhões; fundo estratégico de 250 milhões para apoiar as PMEs no exterior; 1500 jovens qualificados anualmente em PME exportadoras; 125 000 vagas para alunos do ensino profissional; aquisição de metade da participação do BPI numa seguradora; 130 milhões para o estímulo à requalificação urbana; reforço de 115 milhões na construção de equipamentos sociais; linha de crédito de 50 milhões na área social; 1 500 empregos nas fábricas da Embraer em Évora; linha de crédito para adiamento das prestações da habitação dos desempregados; novo subsídio de combate à pobreza; aumento do salário mínimo; Alargamento das novas oportunidades; triplicação do abono de família; milhões no TGV; milhões no aeroporto; milhões em obras públicas; milhões em energias renováveis; milhões na inclusão social; milhões na Internet…”

Se leram bem? Tentem ! Tentem sempre! Se não conseguirem peçam um subsídio, o Estado trata de nós todos!

O Mar é Nosso!

Conhecia o Tiago Cravidão, não sabia desta sua competência a filmar. Boa Tiago.



Sucessivas leis têm vindo a privatizar o espaço público. Tenta-se proibir a pesca nos parques naturais, depois nas zonas costeiras, agora também em rios. Estas e outras leis são formas de privatização da propriedade, formas de expulsar as populações aí residentes, tirando-lhes os meios de subsistência para vender aquilo que era de todos – primeiro é um parque natural, uma reserva, depois passa para a gestão privada.

Projectos turísticos e de agricultura intensiva estão previstos em toda a costa de Portugal, uns vendidos para resorts à filha do José Eduardo dos Santos ou ao Sousa Sintra, outros para marinas privadas. Já vedaram as Pedras d’el Rei para campos de golfe; deram entrada projectos para fazer o mesmo em Odeceixe, na foz do Alcoa na Nazaré, na Polvoeira… Do Minho a Sagres, como mostra o cartaz divulgado pelos movimentos.

Um movimento de pescadores e outros cidadãos de todo o País está a lutar contra estas leis. A eles juntaram-se milhares de pessoas em todo o País que defendem o mar livre, são contra praias privadas e querem ter na costa um meio de lazer público.

(…)

Fomos à Costa Vicentina e à Nazaré ouvir dezenas de testemunhos locais e fizemos um filme que mostra quem aí vive, como vive e todos os negócios escuros por trás de uma proibição de ir à pesca.

Realização Tiago Cravidão, produção Rubra

Prémio Melhor Grande Reportagem na primeira edição do Grande Angular – Festival de Jornalismo Televisivo.

A capacidade da iniciativa privada

Leiam o texto do Nicolau Santos no Expresso: “Nós e a revolução automóvel”

À volta dos carros eléctricos e das baterias de iões necessárias, das fábricas que é preciso primeiro conquistar e depois construir, do mercado que só daqui a uns anos muito largos será criado, fica-se com uma ideia do negócio que está aí a nascer.

Mas a luz vem de uma ideia extraordinária do Pedro Sena da Silva, presidente da Autosil. A criação de uma indústria de conversão dos actuais veículos automóveis em veículos eléctricos! O parque automóvel, aqui em Portugal é de cerca de sete milhões de carros, os seus proprietários não têm capacidade financeira para mudar de carro, não se vê que a troca se faça nos próximos anos. De qualquer maneira estes carros só chegarão ao mercado lá para 2011.

Ora a ideia é que a reconversão seja efectuada pela indústria nacional. E isto porque já foram desenvolvidas com sucesso no país várias experiências de transformação de veículos comuns em veículos eléctricos.

Juntando o saber português, as indústrias de componentes e o mercado de sete milhões de carros existentes, temos aí uma janela de oportunidade a todos os títulos excepcional, que poderá ter dimensão internacional.

Existem cerca de 800 milhões de automóveis em todo o Mundo ( talvez mil milhões) o que dá ideia da gigantesca tarefa que a humanidade tem à sua frente, para reconverter todos estes carros. Os actuais produtores de carros estão já a reconverter as sua fábricas para produzirem carros eléctricos, mas haverá milhões de pessoas que não terão capacidade de comprar novos carros.

É bem mais fácil para os governantes anunciarem grandes acordos de investimento, mas é bem mais dificil mas tambem muito mais importante para o país, rentabilizar as suas capacidades já instaladas!

A inovação nasce sempre de quem está próximo dos mercados, das dificuldades, que tem o conhecimentos das variáveis e que tem a determinação de juntar tudo e desenvolver valor.

Nunca veremos juntas essas capacidades em homens que passaram a vida nas Jotas, em gabinetes ministeriais e na AR!

O mundo dessa gente não é o mundo real !

Freeport 5 – BPN 5

O Freeport a jogar em casa apresenta-se de vermelho mortiço, e cansado pelos últimas contendas. Nunca mais foi o mesmo depois da abada de 7 de Julho.                                              O BPN de equipamento alternativo, cinzento com umas dobras aqui e ali laranja. Tem vindo a ganhar confiança nos últimos tempos depois da vitória folgada sobre o adversário. O árbitro é o internacional PGR habituado a empates. Apita cada vez mais frequentemente e não deixa as equipas jogar. Quando uma das equipas ganha vantagem de imediato, o árbitro, arranja um livre perigoso junto da área. Penalties é que não há , mesmo quando são cometidos nas “barbas” das assistência.                                                                                                                               Ao intervalo o Freeport perdia por 3 a 0 mas o BPN não tem conseguido aguentar o ritmo de jogo. Depois de um golo óbvio e fácil, o segundo golo foi muito dificil de obter, com ressaltos e fintas esquesitas mas acabou por entrar. Estava o resultado em 3 a 2 quando num repente se chega a 5 a 5 com 3 golos nos últimos cinco minutos. Espera-se para esta última parte uma variação de resultado que tudo indica vai deixar o jogo ir para penalties .                                  Se formos para uma finalíssima é muito possível que se contrate um árbitro lá fora, o internacional Eurojust, que poderá ver, o seu principal elemento, ser renegado por uma das equipas ou mesmo por ambas!                                                                                                    O outro jogo épico prolonga-se há cinco anos, e o árbitro aguenta tudo e todos a ver se morre alguem para apitar para o final do desafio. Diz-se que esse resultado pode ter grande influência neste que se joga até às eleições de Setembro. Grandes jogos, com fintas de corpo, cotoveladas e perónios e tíbias partidas…

O Tribunal de Contas chumba os contentores

O Mário “jamais” Lino diz que não houve concurso para o Estado poder fazer o melhor contrato possível. O Presidente do Tribunal de Contas vem dizer que o contrato só contempla os interesses da empresa privada, que é a Liscount da Mota/Engil do Jorge Coelho!

Como somos todos burros, só agora é que percebemos que aquele famoso negócio, zurzido por todos os que ainda acreditam que a transparência vale a pena, é afinal o que melhor acautela os interesses do Estado. Sem concurso, sem concorrência, dado de mão beijada. Mas como ainda há gente independente, o Tribunal de Contas diz que aquilo é tudo ilegal!

Este Governo perdeu completamente a credibilidade, ultrapassa e ignora os procedimentos habituais das boas práticas e legais. A Secretária de Estado, na altura da discussão, veio dizer que mais nenhuma empresa se tinha mostrado interessada no concurso, o que foi de imediato desmentido por uma empresa concorrente.

É ponto assente, que este negócio envolve muitos milhões de Euros, que o Estado tem de fazer avultados investimentos para que a empresa privada se interesse pelo projecto, que a sua localização é altamente discutível, que é ambientalmente, uma malformação.

Enfim, sabemos agora pela voz autorizada do Presidente do Tribunal de Contas que é mais uma negociata de que resultam enormes prejuízos para todos nós os contribuintes.

Este governo não aprende e tem raiva a quem não gosta de ser roubado.

Lezíria – ponte sem carros e aborto ambiental*


A ponte pura e simplesmente não tem tráfego. Se tráfego é haver carros em movimento para este e aquele sentido, então esta ponte é mais um hino ao desperdício.

Fui lá uma primeira vez para a ver. Quatro/cinco carros nos dois sentidos. Pensei que a população ainda não estava feita àquela ponte e que seria uma questão de tempo. Nada! Tenho um amigo que mora por ali perto e que me diz que é a melhor ponte do mundo, passa por lá e nunca parou uma vez que fosse.

Não tem carros! Uma ponte sem carros. A TVI hoje veio confirmar mais este maravilhoso exemplo do investimento público, exemplo de rentabilidade e utilização.

Na altura houve muita gente que torceu o nariz, mas a máquina montada e ávida de obras de betão, poderoso lobby que nos há-de “enterrar” a todos, ganhou mais uma vez. Tal como agora, é preciso é avançar, fazer circular dinheiro, postos de trabalho, arrastamento de actividades a montante, blá, blá, blá…

Mas claro que agora passam à frente, ninguem foi, ninguem viu, ninguem é responsável!

É preciso acabar de vez com estas obras públicas não necessárias, que não provam no exame do custo/benefício, que só servem para alimentar o “monstro” insaciável” das grandes empresas de construção civil.

Para além disso está construída sobre uma magnífica planície, prenhe de verde, sobre as melhoras terras de agricultura do país. Aquela ponte é uma vergonha para quem a construiu, tal é o impacto visual e sonoro naquela paisagem de sonho.

* directamente da Escócia

está quase…

131415

Afinal, o mundo natural ainda se pode salvar da destruição total, porque os senhores da economia estão a ficar preocupados. E eu a pensar que o Adam Smith estava errado e o “self-interest” não tinha vantagens nenhumas…

Os manifestos dos 28, 52 e 26 dizem o mesmo!

Há muita poeira levantada no sentido de se querer mostrar que há graves diferenças de opinião entre os manifestos sobre os Megaprojectos!

Mas não há! Todos dizem, basicamente, que se houvesse dinheiro, se não estivessemos mergulhados nesta crise, e se o quadro macro da economia e finanças públicas fosse outro, os projectos não levantariam as dúvidas que conhecemos.

E todos dizem que há prioridades que devem ser tidas em conta, como sejam os projectos que criam emprego a curto prazo, que não sugam as mesmas enormes quantidades de dinheiro, que não exigem a importação de tecnologia que não temos e que se dirijam para as PMEs exportadoras.

Todos os manifestos dizem isto, no essencial. O governo, avisadamente, e porque percebeu que não são só os economistas e “cientistas sociais” que pensam assim, que a opinião pública tem “colada” a imagem deste governo de braço dado com os Bancos e os grandes grupos económicos, recuou!

Há sempre quem seja mais ” sócrates que o próprio Sócrates” que descobrem agora que há economistas do primeiro manifesto que estiveram contra a primeira ponte, de nada lhes interessando em que quadro isso ocorreu.

Mas se havia dúvidas, muitas dúvidas, dentro do próprio governo que os megaprojectos eram a resposta eficaz no quadro economico-financeiro em que estamos, as suas recentes posições quanto aos mesmos e quanto às PMEs são disso prova concludente!

Só não vê quem acha que o Primeiro Ministro é tão obtuso que vai perder as legislativas “por ser um animal feroz”.

Neste momento, nenhum dos megaprojectos avança antes das eleições, o que quer dizer que não avançará nos próximos três anos! No mínimo!

Baleias em extinção

Hoje estão reunidos uma série de países para conseguirem convencer o Japão, a Finlândia e a Noruega a porem fim à caça da baleia.
As razões para a sua caça são por demais conhecidas. A sua carne é muito apreciada pelos Japoneses e os seus óleos que servem de matéria prima na indústria da cosmética.
Em Novembro do ano passado estive no Sul da Argentina onde há vários santuários da vida selvagem e especialmente de baleias.
Estes enormes animais, são extremamente pacíficos, a ponto de com extraordinária curiosidade se aproximarem dos barcos. No que me diz respeito estive a dois metros da mamã baleia com a sua cria de duas semanas e duas toneladas.
Brincam, passando por debaixo dos barcos (bastaria um sopro para pôr o barco no fundo) e mostrando-se.
Cai, assim, por terra aquelas batalhas heróicas dos Baleeiros. O animal só se torna violento depois de arporado e claro, tentando salvar a vida.
Mas, o mais importante, é que nestas baías onde os animais regressam para dar à luz e para criarem os filhotes, criou-se um turismo de lazer e científico de tal dimensão que já podemos dizer que as baleias dão mais dinheiro vivas que mortas.
Quem vê uma mãe baleia de barriga para o ar dar de mamar ao filhote, nunca mais deixa de pensar que o “animal homem” é uma besta!
Valham-nos os jovens casais de biólogos que escolhem aqueles locais longínquos, áridos e selvagens para os proteger e estudar!

Sociedade Frente Tejo

Helena Roseta lança o alarme sobre o regime de excepcionalidade das obras a cargo desta empresa. Segundo a Arquitecta está em causa a transparência ( a falta dela) e o abuso de poder que este estatuto propicia.
O processo de remodelação do Terreiro do Paço é uma aberração e um escândalo.
Para Santana Lopes ” é extraordinário como um Presidente da Câmara abdica do poder sobre a sua própria cidade.”. A condução do processo por uma sociedade do Estado na qual a CML não participa é uma aberração política e jurídica.
É um processo deplorável, em que não há nem concurso público, nem debate público, afirma Luis Fazenda.”Nem o Presidente da CML nem os vereadores se podem esconder atrás da Sociedade Frente Tejo ” por forma a alijar responsabilidades na remodelação de uma Praça com tal simbolismo.”
Para Ruben Carvalho o problema está na privatização/venda de parte substancial dos edificios ministeriais, para comércio-escritórios-hoteis.
A Sociedade é uma entidade de capitais públicos encarregue da reabilitação de alguns troços da zona ribeirinha de Lisboa.
Que se saiba já “reabilitou” uma parte da Praça do Cais de Sodré com uma vincada densidade de prédios para a Comissão Europeia do Mar, com um hotel na Marina de Pedrouços e com uma sede para a Fundação Champalimaud.
Estão na gaveta para melhores dias um cais para navios de cruzeiro com hotéis e um centro comercial ali em Santa Apolónia e um cais para contentores em Alcântara.
Tudo com uma gritaria de protesto de inúmeros Lisboetas que vêm a sua frente ribeirinha ser tranformada numa frente de betão.

"Estes " investimentos públicos…

Nos últimos dez anos os grandes investimentos públicos foram:
Estádios de futebol (quatro desnecessários como sempre se soube)
Pendulares na linha férrea Lisboa – Porto (milhões de contos, tantos que nunca se soube bem quantos)
Ponte Vasco da Gama ( a mais extensa da Europa como não podia deixar de ser)
Expo 98 ( que se pagaria a si própria e depos foi o que se viu)
Modernização dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro ( apesar de paralelamente se andar a preparar um novo)
Autoestradas para meia dúzia de automóveis (temos o rídiculo record do maior número de autoestradas por habitante)
Novos investimentos:
Autoestradas
Ponte sobre o estuário do Tejo
TGV
Novo aeroporto
Se após os investimentos dos últimos anos o país empobreceu, não conseguiu dar o salto qualitativo da produtividade, porque será que o mesmo tipo de investimentos dez anos depois, vai ter resultados diferentes?
Acresce, que a rentabilidade marginal por projecto é agora menor e o seu custo é maior porque o ” rating ” do país desceu devido à muita má situação das finanças públicas .
Vai ser mais um milagre do PS?
Mas há investimento público muito necessário, como seja, a reabilitação dos centros urbanos, a modernização das redes de captação e distribuição de água, luz e gás, a construção de barragens que há dez anos estão paradas, a modernização da linha férrea de transporte de mercadorias, o desenvolvimento do “cluster” do mar, dos portos…
Desde que não sejam entregues aos amigos, sem concurso público, como acontece ali em Alcântara com a Liscount do camarada Jorge Coelho!

O Hotel Estoril – Sol

Lembram-se do Estoril – Sol aquele hotel ali em plena marginal, à porta de Cascais ?
No seu lugar, já se erguem três torres em nada mais pequenas ou mais baixas que o “mamarracho” anterior.
No velho Hotel guardavam-se “memórias” de grandes figuras e eventos que fizeram sonhar gerações .
Mas o local maravilhoso, ali sobre a baía azul de Cascais, há muito que tinha despertado apetites. E cá no sítio a propaganda começa pelo “mamarracho”. Se não for “mamarracho”, à força de se repetir, toda a gente começa a ver uma coisa que, por décadas, foi obra de orgulho e ninguem viu como de mau gosto.
Grande volume, mal aproveitado, não respeitador da paisagem, todos à uma martelam a cabeça dos cidadãos que acabam por aceitar por exaustão.
Lembro-me bem da cobertura que a imprensa fez, com especial ênfase para o Expresso.
Um arquitecto com nome (Byrne) o que é à partida garantia de bom trabalho, um desenho integrado com a paisagem, deitado sobre o morro que cresce atrás, menos volume…
Depois vem a realidade, com a maioria do pessoal já esquecido do prometido, mudo e quedo, com o que cresce à força de guindastres e cimento armado.
Passei lá hoje !

Ricardo Ferreira – Uma Aventura no Gerês – A fenda da Calcedónia*

placas

Boas dia, boa tarde, boa noite, dependendo do fuso horário e país e, quem sabe, planeta. Ora “Bámos lá”: para quem não me conhece eu sou o “miúdo da Trofa”, sim essa bela localidade, que em muitos aspectos é parecida com o Gerês, pelos seu vastos espaços verdes montanhas e buracos nas estradas. Quem conhece o Gerês sabe que o que não falta são locais para aventuras, desde andar de kayak, fazer rappel ou slide, btt, passear a cavalo, fazer trekking (as famosas caminhadas), ou seja é uma maravilha, só aquele ar puro que se respira lá, haaaaaa que maravilha.

No passado fim-de-semana fui até la acampar, para o Parque de Cerdeira, que fica nas Terras de Bouro. Este é o meu retiro espiritual, muita mosquitada; aranhitas; formigas de todos os géneros e feitios; abelhas do tamanho das orelhas do Vieira, e as malandrecas andam de mota, suspeito que seja uma zundapp; dormir em cima de pedras, sem almofada, não há melhor vida que esta.

Depois de montar o estaminé, por volta das 17h00 de sexta, resolvi ir dar uma volta seguindo um dos muitos trilhos que vai dar à beira do rio para ir chapinhar na água. Até aqui, tudo bem, nada a relatar a não ser que a água estava fresquinha. De volta ao parque para uma boa jantarada e uma noite mal dormida (a pedra que fazia de almofada não era la muito fofa). Segue-se o sábado, aqui sim, de mochila às costas com um litro de água, umas sandes e dois pacotes de belgas, a máquina fotográfica e o GPS do iphone, fui dar o meu passeio pedestre até à aldeia de Vilarinho das Furnas, submersa nas águas do Rio Homem.

Infelizmente não tive o prazer de ver as ruínas propriamente ditas pois estas só se vêm se o leito do rio estiver baixo, ou se levarmos uns óculos de mergulho, mas o passeio em si de cerca de 10 km vale bem a pena, pela beleza natural da zona. Chega o domingo com umas alturas de chuva mas com sol e calor, depois de uma noite bem dormida após ter trocado de almofada, embora os meus vizinhos tenham feito um certo barulho durante a noite. Acho que o colchão de encher que levaram não era muito confortável, então resolveram começar a pinchar em cima dele para ver se estourava.

fenda 1

Da parte da tarde, antes de seguir rumo para a minha bela localidade, resolvi fazer uma última caminha, (música do Indiana Jones) à fenda da Calcedónia, trilho não muito complicado se for feito sem ser a partir da Vila de Covide pois aí são 3,5km a subir com partes medonhas. Pelo lado contrario até é razoavelmente fácil até chegarmos à própria fenda, que, basicamente, é uma mini montanha rachada a meio, com pedras como obstáculos que vão dar à superfície, onde parece que a vista sobe o Gerês é fantástica. Não fui lá cima, como tinha chovido, as rochas da fenda estavam molhadas e as sapatilhas estavam a escorregar muito, por isso a fenda, em bom português, quilhou-me.

Da próxima ela não vai ter hipótese, vou de botas hahahahah (riso à Darth Vadher). Resumindo, o Gerês é cinco estrelas, recomendo a toda a gente passar la uns dias, pois ir lá e vir no mesmo não dá para ver nada, nada mesmo.

Cumprimentos do “miúdo da Trofa” e boas caminhadas.

*Ricardo Ferreira é leitor do Aventa

O bom, o mau e o vilão

Gosto do anúncio. A música calma e tranquilizante. A leve brisa que percorre ao de leve os cabelos sedosos do condutor. O olhar para o futuro. A calma que transpira dos campos. O belíssimo pôr-do-sol. O sorriso confiante a quem foi transmitido o valor da tradição. A ligação do passado com o presente. O valor da amizade e dos amigos. O percorrer da auto-estrada como uma parábola do percurso de vida. A felicidade em câmara lenta…

…só é pena a Texaco estar a ser processada por 30.000 equatorianos, porque durante 20 anos – alegadamente – despejou toneladas de petróleo na floresta amazónica. A Amazonwatch denuncia a situação desumana. A Texaco entretanto foi adquirida pela Chevron e esta arrisca-se a ter de pagar uma indemnização recorde de 27 mil milhões de dólares. Esta era uma boa oportunidade para mostrar mão firme neste tipo de crimes, independentemente de quem é a culpa ou quem está envolvido. Mas não! Paga-se uma multa. Sendo provada a culpa em tribunal e a ser verdade, e já que agora está na moda, porque não uma nacionalização à bruta? Só para mostrar que isto é inadmissível. Só para mostrar que isto não quer dizer: “Preciso de fazer dinheiro, portanto, QUANTO É QUE CUSTA DESTRUIR ISTO TUDO?”. Em Outubro, os tribunais pronunciam-se pela primeira vez sobre este mega-processo. Provavelmente a primeira de centenas de vezes que o tribunal se irá pronunciar! É o normal neste casos “complexos” envolvendo empresas “complexas”. Mas eu aposto que tudo isto foi uma falha de um único funcionário local pouco qualificado…

Home

No dia 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, estreia a nível mundial, o filme “Home“. A música é espectacular e as imagens ainda são melhores. Uma oportunidade para ter uma visão sobre o maravilhoso mundo natural que nos rodeia e suporta. Uma oportunidade para reflectir porque o desprezamos e destruímos.

Alguns dados fornecidos pelo filme:

– 20% da População mundial consome 80% dos recursos do planeta.
– O mundo gasta 12 vezes mais em custos militares do que na ajuda a países pouco desenvolvidos.
– 5000 pessoas morrem todos os dias por beberem água poluída. Mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável
– Em todo o mundo, 1 bilião de pessoas passa fome
– Mais de 50% dos cereais produzidos são usados para rações de animais e biocombustíveis
– 40% da terra arável está degradada
– Todos os anos, 13 milhões de hectares de floresta desaparecem
– 1 Mamífero em cada 4, 1 ave em cada 8 e 1 anfíbio em cada 3 estão ameaçados de extinção. As espécies estão a desaparecer a um ritmo 1000 vezes mais rápido do que a média natural.
– 75% dos produtos pesqueiros estão esgotados, danificados ou em vias disso
– A temperatura média do planeta dos últimos 15 anos é a mais alta desde que há registos.
– As calotas polares diminuíram 40% nos últimos 40 anos.
– Em 2050 podem haver 200 milhões de refugiados climáticos.

Freeport – não bate certo!

O Ricardo, ontem, colocou aqui um poste dando-nos conta que há mais um arguido no caso Freeport. Agora o arquitecto Capinha Lopes. O que dá já três arguidos no caso!
Mas há aqui alguma coisa que não bate certo. Se o arquitecto tinha boas relações com o então Ministério do Ambiente, só estava a fazer o seu trabalho, ganhar concursos, e abrir caminho para que os seus projectos andassem bem e depressa! Se ganhava concursos e metia cunhas e dinheiro com batota não a podia fazer sozinho, alguem do Ministério seria conivente!
Os senhores da Smith and Pedro, idem, aspas! São privados, faziam o que podiam para que o projecto avançasse. Se usavam batota é porque alguém lá de dentro do Ministério deixava, permitia, era conivente!
Ora, a verdade é que arguidos do Ministério, nem um! Como é que pode haver arguidos de fora do ministério e não haver arguidos de dentro? Se sem culpados de dentro não pode haver culpados de fora?
É dificil apontar pessoas de dentro do Ministério? Se há arguidos de fora do Ministério, de dentro, só podem ser as pessoas que concretizaram as acções tendentes a facilitar e favorecer o Freeport! As mesmas acções que levaram o Ministério Público a constituir arguidos, de fora!
Quem deu os pareceres técnicos, quem propôs, quem decidiu?
Há aqui alguma coisa que me escapa!

De volta ao mar – Áreas protegidas marinhas


Outras propostas são a criação de uma rede de áreas protegidas marinhas e a identificação do valor económico associado; gestão integrada do mar e das zonas costeiras; programas lúdicos de educação ambiental; aplicação da inovação tecnológica à protecção do ambiente; e criação de competências em Engenharia Ecológica.
Monitorização do Litoral: é necessário um programa de monitorização do litoral e dinamizar a produção de levantamentos topo-hidrográficos, assim como promover a defesa costeira e a valorização das praias. Desenvolver a extracção de inertes em offshore e divulgar cursos especializados em projectos e planeamento de portos de recreio.
Identidade Marítima: plano sistemático de cariz educativo e formativo para recuperar a identidade marítima da sociedade, que revitalize a cultura marítima como parte integrante do Património nacional. Planos sistemáticos de comunicação, conferências, congressos ou temas académicos que identifiquem Portugal com o mar, lançando marcas associadas a esta área.

A gente diverte-se muito…

Basílio Horta, o Presidente dos PINs que nos tem inundado de projectos que não interessam a ninguém, vem agora dizer que “toda a gente conhece Portugal e gosta do que conhece, mas esse conhecimento está centrado no golfe, na gastronomia, no Ronaldo e no Mourinho”.
Como se não fosse nada com ele.
“É uma boa percepção e temos enorme orgulho no nosso turismo, mas é uma percepção incompleta”, diz o homem que se arrepia sempre que lhe dizem que durante estes anos tem andado a converter terreno classificado em hotéis e campos de golfe!
Mas isto vai mudar! Vai, vai! Agora vamos lançar uma série de iniciatiavas com o objectivo de trazer, até ao fim do ano, centenas de empresários para cá, nas seguintes áreas: renováveis, software, cuidados de saúde, biotecnologia, inovação dos materiais e dos oceanos!
E quem são os empresários? Ingleses! E porquê agora e nestas áreas? Porque correspondem às opções políticas do governo Britânico para 2009!
Uff! Estava a ver que o nosso governo tinha abandonado o TGV, o aeroporto,as autoestradas em duplicado!
A gente sofre mas diverte-se muito…

Preços das casas caem mais de 40%

À volta das grandes cidades há dezenas de milhares de casas que ninguem quer e que daqui a uma década ter-se-ão degradado tanto que os proprietários vão ter que pagar ao Estado para as demolir.Construídas numa altura em que o acesso ao crédito estava muito facilitado hoje ,mesmo que haja quem queira comprar casa nesses locais, a banca não concede crédito.Estamos perante uma crise financeira mas tambem social.São os divórcios, o sobreendividamento, o desemprego…
As famílias têm que passar a fazer planeamento da sua situação financeira, não podem solicitar crédito que não podem pagar.As questões de personalidade,formação e informação são decisivas para que as famílias não comentam erros de que se arrependem amargamento no futuro.E, não esquecer, que quando se faz um orçamento devemos contar que vamos ter mais despesas e menos receitas do que as nos parecem razoáveis!

De volta ao mar – Estaleiros

São precisos novos investimentos de actualização e modernização dos estaleiros, evitando a degradação dos que ainda operam.Os estaleiros devem ser seleccionados por especialização, para ser criada uma rede nacional, o que implicará associações entre estaleiros para aproveitar a capacidade instalada.Importará estruturar redes de subcontratação e aumentar a flexibilidade laboral.
Deve ser refundada a Associação das Indústrias Marítimas e criados interlocutores seus permanentes junto da Administração Pública,que seja um elo de ligação à UE!
FORMAÇÃO – Devem ser utilizadas as escolas da marinha para formar pessoal civil e alargar a missão da marinha, de forma a considerar outras actividades de interesse nacional, nomeadamente no que respeita à iInvestigação e Desenvolvimento.Devem ainda ser potenciadas as capacidades da Marinha para apoiar a exportação de navios militares e incrementar o seu papel nos meios de segurança da navegação de recreio, reforçando ainda a sua actividade nos meios de intervenção na protecção do ambiente.

De volta ao mar – Exploração energética

Devem ser definidas áreas com potêncial de exploração energética (de recursos fósseis e renováveis) e biotecnológica e criados centros de investigação.
Avançar com as tecnologias já disponíveis de aproveitamento do vento em off shore e da energia das ondas. O nosso mar tem áreas de grande potencial quer de vento quer da ondas, e há vários projectos e investidores que já mostraram o seu interesse.
Acresce que com esta energia limpa e inesgotável vai ser possível avançar com a dessalinização da água do mar e tornar esta tecnologia viável economicamente.
Toda a água consumida em Porto Santo já provem do mar e no futuro esta oportunidade, com a escassez de água, que é certa, pode tornar o país altamente competitivo.
INVESTIGAÇÂO APLICADA – são sugeridas a integração de linhas de investigação aplicadas, a criação de uma base de apoio à investigação oceonográfica no Atlântico, parcerias internacionais na área das pilhas de combustível e promoção da certificação de escolas de formação profissional.