A rameira da esquerda

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Hoje, à porta do Congresso do PS, houve manifestantes contra os cortes nos contratos de associação. Concorde-se ou não com as posições defendidas, fico contente com o facto de haver pessoas, em Portugal, que lutam por aquilo em que acreditam.

Numa das partilhas de partilhas do Facebook, descobri três fotografias  com cartazes dessa manifestação no mural de Carlos Guedes. Copiei uma delas, porque o texto merece algumas considerações.

Alguns poderão considerar que a palavra “rameira” é ofensiva, mas, na verdade, do ponto de vista da pessoa que segura o cartaz, só a contracção “da” é que poderá ser neutra. Na casa daquela senhora (ou daquele senhor), as crianças foram ensinadas, à força de repreensões firmes, a dizer “pela direita” e “pelo outro lado”, porque “esquerda” é uma palavra feia e se voltas a dizer isso ainda levas mais. [Read more…]

O Libório na cidade dos 3 P’s

Como dizia um parvalhão qualquer numa rádio de Braga, a corrida do porco Libório foi a recuperação de uma tradição medieval. E todos sabemos como eram suaves as tradições medievais…
Ao Libório, o porco, empurraram-no, puxaram-lhe o rabo e as orelhas e arrastaram-no durante 500 metros aos pontapés.
São corajosas, as pessoas que vivem na cidade dos 3 P´s. Enfrentam o porco!
E se esses P’s todos que lá vivem fossem brincar com o caralhinho? Sabemos que gostam, todos eles sem excepção. Era boa ideia, porque porcos já eles são.

D@s put@s

deputados

Vítor Gaspar, o radical

O deputado João Semedo, do BE, lembrou a Vítor Gaspar que o governo falhou as previsões do défice e do desemprego. Vítor Gaspar desvalorizou isso, recorrendo à metáfora do barco que mantém o rumo, mesmo no meio das vagas alterosas.

Cheio de arremesso no peito corajoso, Gaspar teve, ainda, esta tirada épica, ao nível do Pessoa da Mensagem: “Nada depende do grau de precisão das previsões. O sucesso do ajustamento não tem a ver com o grau com que as previsões se cumprem”. Se é certo que esta afirmação confirma a incompetência ou a desumanidade do economista, não é menos certo que estamos na presença de um homem dominado por excesso de testosterona e subjugado por descargas constantes de adrenalina e é isso que devemos valorizar. [Read more…]

Organizem-se!

Embora resista ao vocabulário obsceno – pelo menos quando escrevo – confesso que a vontade de publicar dois ou três palavrões começa a tomar conta de mim. Antes de me explicar, e cedendo já ao impulso, deixem-me só lembrar uma anedota alarve que me fazia rir na adolescência igualmente alarve durante a qual era preciosa qualquer ocasião que nos permitisse proferir palavreado mais forte. Rezava, então, assim a dita anedota: numa orgia sexual, para apimentar a coisa, resolveram apagar as luzes. Ao fim de meia hora, um homem gritou: “Ó pá, organizem-se! Já me foram três vezes ao cu e ainda não comi nada!”

A troiana Cassandra recebeu de Apolo a faculdade de adivinhar o futuro. Por se ter recusado a favorecer sexualmente o mesmo deus, foi amaldiçoada: ninguém acreditaria nas duas profecias.

Os economistas instalados no poder ou próximos do poder ou os poderosos que falam sobre economia andam há três ou quatro anos a explicar o que deveremos fazer para que os mercados acalmem e deixem de nos atazanar a vida. De cada vez que tomam uma decisão, afirmam que agora é que é, agora é que os mercados vão acalmar, agora vai tudo correr bem, de certeza absoluta.

Foi assim com os PECs socráticos, assim foi com a austeridade crescente do passismo cada vez mais passadista, tal como aconteceu com a Grécia. Com a eleição de Rajoy em Espanha, os entusiastas da seita ergueram as mãos para os céus em agradecimento. Agora é que os mercados iam, finalmente, mesmo, de certeza, acalmar. Surpreendentemente, para quem queira ser surpreendido, parece que não.

Pelo menos, a heroína troiana não cedeu aos apelos lascivos chegados do divino. Os poderosos economistas ou os economistas poderosos da actualidade comungam com Cassandra os discursos sobre o futuro. Ao contrário de Cassandra, não acertam uma e, para cúmulo, não passam de umas putas que dormem com os mercados e com os bancos e com os empresários, enfim, com quem lhes paga.

Pela minha parte, que não pedi para participar neste bacanal, gostaria muito que se organizassem.

Momentos de prazer ou momentos de distracção?

Conta o Ionline que um jornalista foi acusado lenocínio (em português: de ser chulo)  por gerir o site Momentos de Prazer, que se afirma como um “um portal de classificados com conteúdos eróticos para maiores de 18 anos”, um site com anúncios de putas, portanto.

Portais destes há muitos, e se a justiça decide que cometem uma ilegalidade tem muito com que se entreter.

Pode começar pela “Ratinha Húmida e Peludinha” ou pelo “Brasileiro dotadão“, ambos já por aqui aventados a partir do Jornal de Notícias, e de jornal em jornal acabar com várias páginas de classificados. Ah, espera aí, mas nesse caso não se estavam a meter com um jornalista, mas com os donos dos jornais. Faz toda a diferença, tem outro alcance, atinge uma profundidade – a cegueira da justiça vê tão bem ao longe, não é?

As Putas

(adao cruz)

(Texto de Marcos Cruz)

(Não deixem de ler. Eu próprio fiquei impressionado)

AS PUTAS

Sinto dever para com quem não tem os meus direitos. Passo, todos os dias, por muita gente que vive de si, apenas, sem qualquer enquadramento externo que não o universo, sem outro tecto que o horizonte vertical, reconfortante, ainda assim, na sua aparência finita, sem outro chuveiro que as nuvens, a cuja vontade própria essa gente obedece, ou resiste, consoante as ordens da sobrevivência, sem outra mesa que a caridade ou o lixo, tantas vezes a mesma coisa, o mesmo despejo, que importa se de culpa ou de sobras materiais, sem outro prazer pessoal que o sentirem-se inteiros, já quase irredutíveis, com cada vez menos a perder, sem outro prazer social que a liberdade, quando ela existe, de fazer amigos entre os iguais, de ser iguais aos iguais, aos que também não têm direitos. É difícil admitir que eles, estes seres humanos, não são os restos do mundo, são o mundo inteiro, contas redondas. As migalhas que escapam são o pó da bola, parada, resignada a girar apenas, como um cão que persegue o seu rabo sem nunca apanhar a pulga, mas ainda assim contente por ver as migalhas, o pó, mudar de sítio ao sabor do seu movimento. Simples panaceia. É como diz o provérbio: enquanto o pau [o pó] vai e vem, descansam as costas. [Read more…]