Portugal aos olhos da The Economist

the_economist

Os portugueses estão abatidos e desanimados com a sua vida. Ponto. Não são necessárias muitas linhas para a The Economist descobrir o fado. Numa das suas recentes edições, a prestigiada revista económica britânica olhou para Portugal. Para os dados económicos, sobretudo. Numas penadas mostra o país a quem andou distraído.

O que diz a revista? Que os portugueses estão deprimidos com o desemprego, insatisfeitos com a vidinha e pessimistas. Que a crise não nos atingiu tanto como a Espanha ou Irlanda mas temos problemas mais graves. Que desatamos, no passado, a pedir dinheiro emprestado para comprar casas, carros e “bilhetes de avião” (vão lá ver, que dizem isso mesmo). Crédito fácil, balança comercial negativa em crescimento e produtividade em baixa, além da quebra nas exportações, levou o país a perder fulgor económico.

E agora, neste cenário, o que sugere a Economist que façamos? Flexibilizar as leis laborais, reduzir a burocracia, uma classe trabalhadora com melhor educação, mais concorrência e menos Estado. Tudo fácil de concretizar, pois. Lembram-nos ainda que o FMI já tinha indicado que os nossos problemas são domésticos e não globais. Obrigado, também já calculávamos.

À revista não escapou a ‘campanha negra’ de Sócrates, nem a “ineficiência e os atrasos do sistema judicial”. Curioso é que a publicação não aponta o Freeport, que surge identificado como “centro comercial”.

O retrato não é famoso. Vê-se que o texto podia ter ido mais longe mas não havia mais espaço. O país é pequeno e não é coisa para merecer mais que o papel está caro. Mudemos de páginas, pois, a caminho de outro país.

Comments

  1. Carlos Fonseca says:

    Elucidativo de facto. Pena é que o Economist não enfatize também o esbanjar de fundos comunitários com grandes obras do interesse de meia dúzia, promovendo, ao mesmo tempo, a desindustrialização do País. É efectivamente um problema interno que, comprovadamente, começou com Cavaco e prosseguiu com o PS. Basta ver os relatório do BdP desde então.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.