Ela veio para ficar e por mais de dez anos

Ela é crise. Veio para ficar porque, lê-se hoje no i, “a crise faz parte do modo de operação da economia portuguesa”. Para mudar o país, acompanha a notícia, “é preciso modificar radicalmente o modelo de funcionamento”.

Se é assim, escusamos de tirar o asno da pluviosidade porque isso nunca irá acontecer. Isto é Portugal e nós somos portugueses. Não alteramos qualquer modelo, ele é que tem de se ajustar a nós. Foi sempre assim ao longo da história. E se não resultar, recorre-se às mais famosas características nacionais, o improviso e o desenrasque. Há dias, foi notícia o facto de os norte-americanos quererem importar essa palavra mágica – desenrascanço – para o inglês. Por mim, até a podem levar. Não é uma questão semântica, é de sentimento, é algo só nosso, como a saudade e o fado. Não institui por decreto ou por incorporação no dicionário.

Numa carta que remeteu ao Governo, Eduardo Catroga (citado na mesma notícia) salienta que se nada for feito, sairemos desta crise conjuntural com os “problemas estruturais agravados”. Pois, bem-vindos ao país real. Tem sido assim ao longo de séculos e a coisa não vai mudar. Teríamos de deslocar a nossa terrinha para outra banda e mudar o povo que, por cá, vai levando a vida conforme pode, numa resignação bem caseira.

Outro ex-ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, prefere um caminho diferente e garante que a solução para o país está em duas palavras: reformas estruturais. Valha-nos alguém lúcido. Isso sabemos fazer. Pelo menos, andamos há décadas a falar de reformas estruturais. Algumas devemos ter feito.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Dizem que não.Já há índicios positivos nos países a sério.US e Alemanha.Em Espanha é uma miséria maior que a nossa.Cá nada foi feito, só saímos disto quando a Espanha e a Alemanha saírem.O Zézito não tem poder nenhum.Ou antes, só pode estragar porque a salvação não está nas mãos dele, embora ele nos diga que até baixou a taxa de juro da zona euro. Se ele se entregar àos interesses dos grandes grupos económicos com os Megaprojectos vamos ter empobrecimento para os próximos 30 anos!Deus nos livre.Votem em quem quiserem mas não dêm a maioria ao Sócrates!

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