Professores: entregar ou não a ficha de auto-avaliação?

Na Blogosfera educativa, ou antes, na blogosfera dos professores (que nem sempre é educativa heheh) a discussão do momento é a entrega ou não da ficha de auto-avaliação (FAA).
Em texto publicado no Público um conjunto de professores deu a conhecer a sua posição: não entregam a FAA.

Para que os menos seguidores nos entendem, a ficha de auto-avaliação é mais um passo na imensa trapalhada que se transformou a avaliação do “Sr. Inginheirú!” e da Srª Ministra “M. Lurdes”: para uns, os professores, trata-se do primeiro passo. Para outros, o Ministério, estamos a falar da segunda etapa, depois da entrega de objectivos.

Entregar objectivos e entregar a FAA

Recordam-se certamente da discussão que existiu no fim do primeiro período sobre a entrega ou não dos objectivos, fundamentalmente, em torno das consequências ou não desse acto: no Caviar e Bacalhau procurei, em Dezembro, apresentar argumentos. Para mim continua óbvio que não há qualquer penalização para os professores que não entregaram objectivos.

Mas, e a FAA?

Vamos por partes:

– a questão coloca-se numa perspectiva política. De luta contra um modelo de avaliação, se quisermos num contexto mais amplo de luta contra a política educativa deste governo.
– no entanto, a dimensão política tem que ter presente a vertente jurídica. Vejamos:

As etapas do processo de avaliação são estas:
Artigo 15.º

Fases do processo de avaliação

O processo de avaliação compreende as seguintes fases sequenciais: a) Preenchimento da ficha de auto -avaliação; b) Preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores; c) Conferência e validação das propostas de avaliação com menção qualitativa de Excelente, Muito bom ou de Insuficiente, pela comissão de coordenação da avaliação; d) Realização da entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado; e) Realização da reunião conjunta dos avaliadores para atribuição da avaliação final.

Ou seja, a não entrega da FAA corresponde ao não cumprimento de uma das fases da avaliação – não havendo auto-avaliação não há avaliação e sem esta não há tempo de serviço e progressão na carreira. No caso dos docentes contratados o que está em causa é a renovação de contratos ou o acesso a esses mesmo contratos – estamos, pois, a falar do acesso ou não ao emprego.

As posições

Da parte da FENPROF (nota breve para fazer uma declaração de interesses: sou membro do Conselho Nacional da FENPROF) a posição é a possível, sendo que muitos desejariam outra.
Alguém tem dúvidas que todos os membros do Secretariado Nacional desejariam muito que a classe, no seu todo, não tivesse entregue os objectivos? E que, agora, fizessem o mesmo com a FAA? Creio que não. Obviamente, o sentido de responsabilidade da representação de uma classe obriga a que as posições nem sempre sejam as desejadas. São sempre as possíveis: para ler no site da FENPROF. Estamos todos à vontade para sugerir tudo, mas quando dois terços dos professores trairam a luta colectiva e correram para os braços do seu director a entregar objectivos, quando alguns, demasiados, ainda se atreveram a pedir aulas assistidas… Quem é que ficaria agora para deixar de entregar a FAA? Dos 50 mil possíveis “não entregadores”, quantos estarão ainda disponíveis para esta etapa da luta?

Paulo Guinote é o rosto mais visível de um movimento que assume a não entrega da FAA. Depois do texto do Público o debate continua:
Mário Machaqueiro;
esclarecimentos adicionais;
Francisco Trindade;
Ramiro Marques

Feita a introdução, fica a faltar a minha opinião.
Mas, essa, fica para depois.

Comments

  1. dalby says:

    SÓ AGORA É QUE DIZEM ISTO??????!!!


  2. No caso da AA é diferente. O Estatuto da Carreira Docente diz explicitamente que deve ser entregue, não é uma questão de interpretação como no caso dos objectivos individuais. Porém, não é por isso que não entreguei os objectivos individuais mas entregarei a AA. A razão é que entregar aquele género de objectivos individuais e naquelas circunstâncias era ser cúmplice de um mau modelo de avaliação. Entregar a AA não envolve essa cumplicidade, pois é a minha AA, escrita nos termos que eu entender. Se os professores estivessem a ser avaliados com um bom modelo de avaliação também existiria o momento da entrega da AA.


  3. […] post anterior procurei situar as diferentes opiniões que tem surgido: temos professores a assumir […]

  4. Maria silva says:

    Estou contente e triste; contente porque o J.P. ficou colocado perto de “nós”; espero que seja lá muito feliz, pois qualidades já demonstrou que tem para dar e vender; sei que vai estar sempre do nosso lado, pois MULHERES como as de Argoncilhe não há…carago.Triste, porque é um docente e amigo que já não está perto de nós para o que der e vier…vier e der. E logo agora…com tantas mudanças(?), incertezas e com o pessoal que sinto tão desanimado. Enfim…em nome do pré-escolar, o nosso MUITO OBRIGADO, podes contar sempre connosco, pois nós vamos continuar a “chatear-te” muito…não sei porquê, mas tenho um pressentimento que não te vais embora assim á boa…aguardemos!!!

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