Paulo Guinote – O orgulho de ser professor

Em mais um dia marcado por um concurso de colocação de professores em que milhares de profissionais dos quadros ficaram sem saber onde estarão a trabalhar em 1 de Setembro do próximo ano, é muito importante renovar a ideia de que estamos nesta profissão por gosto, por prazer e não, como alguns querem fazer crer, por comodismo, ausência de alternativas ou inércia.

Ao contrário do que máquina comunicacional da actual equipa ministerial quis fazer crer ao longo de quase todo este mandato, a classe docente é uma classe profissional orgulhosa do seu ofício e consciente do seu papel fundamental para um efectivo desenvolvimento integrado do país.

É uma classe que, na sua esmagadora maioria, preza o rigor e a qualidade do seu desempenho, não receando qualquer tipo de comparação com qualquer outro grupo profissional altamente qualificado.

E é, contra os preconceitos de políticos de segunda linha e meia dúzia de opinadores de prosa fácil e preconceito à flor da pele, constituída por profissionais altamente qualificados, polivalentes e que sabem colocar os interesses dos alunos acima dos seus próprios, como se constatou ao longo dos últimos anos de confronto aceso com este Governo e a tríade que está prestes a abandonar a 5 de Outubro no mais completo descrédito.

Todos os estudos de opinião e sondagens são unânimes: apesar da violenta propaganda que contra si foi movida, a classe docente é das mais respeitadas pela opinião pública, contrastando com a credibilidade mínima daqueles que a quiseram manietar e calar, enquanto a prejudicavam materialmente e degradaram as suas condições de trabalho como não há memória no regime democrático.

Que, apesar do cansaço, tenhamos conseguido manter a chama viva é a melhor prova de que os professores serão sempre o elemento essencial para a formação das novas gerações, liderando pelo exemplo e despertando o respeito pela sua conduta.

É tempo, pois, de termos orgulho em nos afirmarmos professores e assumirmos todo o nosso poder..

Paulo Guinote

—————————————-
Nota: Com este texto do Paulo Guinote, a quem agradeço muito, inauguramos oficialmente o «ESPECIAL PROFESSORES». Porque muitos de nós são professores, porque muitos dos nossos leitores são professores e porque o momento assim o justifica (esperemos que um dia deixe de ser necessário, será sinal que deixámos de ser notícia).
E quem melhor do que o Paulo para nos dar esta honra?

Comments


  1. […] O Orgulho de ser Professor   […]


  2. […] O Orgulho de ser Professor   […]

  3. maria monteiro says:

    mas… continuem a ser sempre notícia, pela confiança, pelo exemplo, pelo carinho,… pela boa memória e agradecimento que deixam na memória dos vossos alunos.


  4. Concordo com tudo, ou quase, argumentado por Paulo Guinote. Mas, há sempre um ‘mas’, é pena que só em momentos de contestação e de luta seja visível “o poder” dos professores. Não chega lutar por melhores condições e por um estatuto profissional mais digno. É essencial lutar por uma escola, toda ela, melhor. Com ensino de qualidade e de rigor, sem facilitismo.

  5. margarida s. franco says:

    Jose FreitasQuem não quer uma educação/ensino de qualidade e rigor é o próprio ministério da educação.Se reparar na ADD, só foi avaliado na vertente cientifico/pedagógica, quem quis ter a classificação de Excelente e Muito Bom. O PM quer dizer, na próxima campanha para as legislativas, que fez uma reforma na educação e que até avaliou os professores. O simplex é tudo menos uma avaliação.


  6. SORRY BUT I LOST THE BELIEF FOREVER AND I DONT FEEL SORRY FOR THAT..TRULY..

  7. maria monteiro says:

    Margarida S.Franco, o meu primeiro “mas…” significa que os professores têm que saber lutar também por uma escola que seja um local de ensino e aprendizagem por excelência.

  8. Adalberto Mar says:

    A ideia que eu tenho da mellhor situação para os profs é bem mais «grosse, simple« and maybe ..reaccionária!!!..mas só assim iria…but as i said, i lost the feeling, i lost the faith…

  9. Luis Moreira says:

    Margarida, uma Escola autónoma, livre dos burocratas do Ministério e dos Sindicatos. Onde os professores e os alunos sejam realmente quem “mais ordena” Os professores têm que tomar nas suas mãos a Escola. Sem isso, vamos andar sempre com uns senhores que estão nos gabinetes enquanto os professores andam na luta. É como jogar à bola e não ter bola, estar à espera de alguem diga, quando, como, qual o peso, enfim as regras…


  10. Não sei bem o que isso é, pressinto isso como algo parolo e já piroso e algo colável ao «glad to be gay»..o «orgulho de ser professor» é um very moment muito simplório e portugal dos pequeninos morgadinha dos canaviais, salazar poupadinho, coimbra dos pequeninos..NÃO GOSTO MESMO NADA!,!!É forçar um pouco a coisa, é como se viesse um policia e dissesse «orgulho de ser policia, ou um médico tipo orgulho de ser médico, ou um enfermeiro tipo «orgulho-me de ser enfermeiro»..Sinceramente… acho que isto esconde um reflexo de inferioridade de reacção a algo contra A CLASSE…é uma ideia pobre, paupérrima, é um sentimento muito suburbano, DESTESTO SINCERAMENTE ESTA FRASE INFELIZ…As pessoas gostam de si mesmas, ou em fases, não se gostam…obviamente que quer professor, quer escritor quer trolha têm e devem-se orgulhar, se possível, do que são, do que fazem..mas SINCERAMENTE E PORQUE ME CONSIDERO UM TIPO MINIMAMENTE DOTADO E INTELIGENTE, E CONTEXTUALIZANDO, NÃO ACHO QUE SE DEVA ATIRAR MUITOS FOGUETES ao glad to be this or that!….Acho que a frase cheira muito a «sai de cima de mim que me estás a pisar» relfecte muito uma classe que é considerada «pobrezinha e no look geral MISERÁVEL e a cheirar a casaco com naftalina… e desprezada», e não é com estes gritos de ipiranga que se vai lá..de todo….Melhor não me perguntarem como , então, porque ainda estão a anos luz de perceber, como se irá..iria lá..PORQUE NÃO IRÃO NÃO! …Aliás, não iam concordar comigo, o que me faz feliz, faz-me saber que at the end….Eu não posso nem sinto da mesma maneira que esse grito de Ipiranga….Eu diria que a classe precisa mais de veludo e menos de feveras na brasa…mas OH I DON’T THINK SO..THINGS ARE NOT GOING TO CHANGE..NOT HERE…dalbyP.S MELHOR É IR PARA O TECTO E CANTAR DON’T LET ME DOWN!SEMPRE É MAIS COOL SIGNIFICATIVO E COM MAIS VELUDO..FARTEI-ME DE FÊVERAS QUE É UM MEIO DE MANTEREM SEMPRE A MESMA E VELHA POBREZA! DE JÓ!http://www.youtube.com/watch?v=-O7PnvVgQvA

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.