Honduras evidenciam instabilidade na América Latina. Abaixo o bonapartismo e o fascismo!

Os mesmos fantasmas históricos do continente latino-americano rondam os seus países de cima abaixo. A sua manifestação actual e mais grotesca acompanhamos com preocupação no pequeno país da América Central, as Honduras, onde Manuel Zelaya, presidente do país, foi derrubado por um golpe militar no dia 28 de Junho.

Ainda que pouco significativos do ponto de vista da economia mundial, ou seja, do ponto de vista do próprio capital, os acontecimentos nas Honduras têm uma grande importância para a classe trabalhadora e para o movimento marxista mundial. O que vemos no país, hoje, é um possível – e bastante provável – desenvolvimento dos instáveis governos bonapartistas que aparecem como tendência não só na América Latina, mas em muitos países do mundo.

Chávez, Lula, Morales, Kirchner, Correia e ainda outros, assim como o presidente deposto das Honduras, Manuel Zelaya, avançam todos no mesmo sentido – governos bonapartistas. Governos que são em última instância a ditadura do capital contra a classe trabalhadora, governos que, como vimos recentemente na Venezuela, perseguem e matam os trabalhadores que protestam contra as demissões e consequências da própria crise do capital.

No entanto, tais governos fingem estar acima das contradições da luta de classes, como “independentes”, e representam, em geral, sectores externos à sociedade dita “civil”, como a burocracia (militar, estatal, sindical etc.). Estabelecem-se de forma totalmente instável, equilibrando-se entre diversos sectores da burguesia e da classe trabalhadora. Evidencia Trotsky a sua imagem: “Se espetarmos, simetricamente, dois garfos numa rolha, esta pode ficar de pé, mesmo sobre a cabeça de um alfinete. É precisamente o esquema do bonapartismo”.

Como também evidencia Trotsky, tal governo é, em geral, a antecâmara do fascismo. O seu carácter instável embasa a sua essência provisória e transitória. É um governo que cumpre o papel de acabar com os sonhos republicanos e constituicionais da burguesia para, ele próprio, abrir o caminho ao fascismo.

Assim, se temos de repudiar desde já os acontecimentos actuais nas Honduras, temos também de repudiar a ascensão do próprio bonaparte Manuel Zelaya, que já continha em si a possibilidade de tal golpe.

A queda de Zelaya e a ascensão da camarilha militar, processo em grande parte apoiado pelos EUA e em contradição com outros sectores da burguesia latino-americana, evidenciam, portanto, a instável situação de toda a América Latina. Com o aprofundamento da crise económica mundal, tais características bonapartistas, semi-fascistas ou fascistas aprofundar-se-ão, tornando ainda mais instável a região.

Basta vermos a insolúvel crise de dominação que se estende no Brasil com o governo Lula, particularmente desde 2005, onde diversos novos escândalos de corrupção abalam o governo a cada dia. Basta ver o resultado das actuais eleições na Argentina, onde Kirchner foi derrotado nas principais cidades. Basta ver a situção de Morales na Bolívia, quase derrubado por conflitos entre sectores da burguesia. Basta ver a derrota de Chávez no recente plebiscito sobre a mudança na constituição do país.

É necessário hoje, mais do que nunca, acabar com todas as ilusões em tais governos, acabar com qualquer tipo de associação ou vinculação, seja com Lula no Brasil, Chávez na Venezuela ou Morales na Bolívia, é precisão não depositar qualquer tipo de ilusão, ilusão que ainda hoje tira o foco da vanguarda da classe trabalhadora, atrasando ou impedindo o fundamental: a construção do partido independente da própria classe.

Tanto no Brasil quanto na Venezuela ou nas Honduras, é hora de lutar contra os bonapartes e contra os fascistas!

Abaixo o bonapartismo e o fascismo na América Latina!

Pela construção de partidos independentes da classe operária!

MNN – Movimento da Negação da Negação
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