O palco de Jardim

Desalentado por estar a perder o palco das alegrias políticas, João Jardim foi ao fundo da cartola mágica e de lá retirou uma proposta de revisão constitucional. A proposta de revisão já lá está há muitos anos, tantos que, provavelmente, cheira a bolor. Para dourar a coisa, o líder da Madeira resolveu acrescentar uns pontos para tornar a iniciativa mais emocionante e para prolongar o barulho. Assim, sempre volta a ter palco. Quanto mais não seja para matar saudades.

O homem quer as palavras ‘regiões autónomas’ em maiúsculas. Por certo uma questão de estatuto. As regiões autónomas ganham logo outra dimensão se forem REGIÕES AUTÓNOMAS. É ou não diferente? Claro que é. As populações dos Açores e Madeira viverão muito mais felizes. Quer ainda que a expressão ‘Estado Unitário’ seja substituída por ‘Estrutura do Estado’. Estrutura do Estado? Se alguém tiver a amabilidade de me explicar isto, talvez perceba a relevância da mudança.

Outra alteração passa por proibir o comunismo. Jardim odeia comunistas, comunismo e tudo o que se refira a comum. Mais que desconhecimento da história e dos fundamentos da doutrina política, Jardim desconhece a pluralidade. Aquilo de que ele não gosta não deve existir.

No entanto, Jardim é a prova viva de que o comunismo é uma concepção política de muito difícil ou nula aplicação nos seus fundamentos essenciais: é que a sociedade, a economia e a política, tal como as propostas de revisão constitucional, são feitas por homens. E não conheço nenhum que não tenha defeitos.

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