Acusam-me muitas vezes, na blogosfera, de ser comunista. Como se ser comunista fosse um crime!
Não é, embora já tenha dito muitas vezes que é coisa que não sou. Nunca seria adepto de um Partido que cauciona os regimes da China e da Coreia do Norte e que silencia todas as suas atrocidades.
Vem isto a propósito da Venezuela e de mais um ataque à liberdade e à democracia perpetrado por Hugo Chávez. Desta vez, através da Cona Tel, a Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela, encerrou 32 emissoras de rádio, provavelmente porque incómodas para o seu Governo. No entanto, hoje em dia o mundo está mais difícil para os ditadores, e algumas dessas emissoras passaram a transmitir a sua programação via internet, criticando duramente a decisão da Cona Tel. Quantos venezuelanos não terão visto essas emissões através do requintado computador de fabrico 100% nacional que dá pelo nome de Magalhães!
Os que defendem Chávez com unhas e dentes têm aqui mais uma oportunidade para exercer a sua hipocrisia política. O que terão os amigos portugueses a dizer sobre o assunto? No discurso, na atitude e no conceito de democracia, terão coragem de dizer que há diferenças entre Hugo Chávez e Alberto João Jardim?
Nota: O facto de, recentemente, Chávez ter renegado o Partido Comunista, que o apoiou durante mais de dez anos, não invalida nada do que acabei de escrever.






Enquanto não estiver instituido o Merconsul aquela região não escapará a este tipo de governantes, que são um perigo para o seu país e para os vizinhos…
Cada um faz a propaganda à sua maneira. Há quem feche rádios e há quem abra televisões.
Ou o Santos Silva ou o Sócrates: http://aventar.eu/2009/08/02/socrates-na-venezuela-ou-sera-o-santos-silva/
Desculpa lá, João Paulo. Li e ia fazer o link, mas esqueci-me. Ainda bem que estamos de acordo. Como sempre.. (excepto o futebol, claro) 🙂
Ricardo, só um detalhe: ser comunista não quer dizer que tenha de se ser sócio de um partido.
Ser socialista ou comunista não significa pertencer a qualquer partido.Aproveito para dizer que, em minha opinião, e dado tudo o que tenho lido e ouvido sobre a Venezuela, e que não é pouco, Chavez não é, nem pode ser, dentro do contexto de uma democracia que estamos habituados a aceitar racionalmente, considerado um ditador. Considerá-lo como tal, é negar tudo aquilo em que acreditamos ao dizermos aos quatro ventos que somos democratas. Ele sim, salvo melhor opinião que a minha, é um dos poucos democratas que eu enchergo neste momento no seio do mundo capitalista. O mal está em que a democracia, infelizmente, tem significados a mais.
É um descanso saber que, em Portugal, seria bastante difícil existir uma comissão designada por Cona Tel.
🙂