I Tertúlia do Aventar – Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

Cartaz de Isac Caetano

 

No dia 5 de Dezembro, dando continuidade à Petição lançada para preservar a casa onde nasceu Salgueiro Maia, petição essa que em breve voltará a estar disponível no nosso blogue, o Aventar vai promover a sua primeira Tertúlia. «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução» é o tema e o Clube Literário do Porto, junto à Ribeira, o local. O coronel Vasco Lourenço, um dos capitães de Abril e o Presidente da Associação 25 de Abril, está desde já confirmado como um dos oradores.

Como é óbvio, todos estão convidados. Para celebrar um momento único da história de Portugal. Para relembrar alguém a quem muito devemos. A quem TUDO devemos. É no Sábado de 5 de Dezembro às 18 horas.

No fim da Tertúlia, vamos todos para o «Verso em Pedra», a poucos metros do Clube Literário do Porto. Está ali a francesinha original, tal qual foi inventada há décadas atrás. Um prémio para quem aguentar o molho original.

Comments

  1. Carlos Gomes says:

    Senhor Ricardo Santos Pinto, chamo-me Carlos Matos Gomes, sou militar, fui um dos primeiros membros do MFA, fui amigo do Salgueiro Maia desde o colégio, acompanheio-o durante muitos anos, incluindo no processo do 25 de Abril e na doença. Quero dizer-lhe, fruto desse conhecimento antigo e profundo, que Salgueiro Maia regeitaria esta sua homenagem. Salgueiro Maia não se identificaria com o estilo totalitário e bestializante do que escreve. O que li escrito por si neste blogue, nomeadamente no texto Portugal é mais corrupto que a Itália  e o nojo de ser português, onde propoe – ao melhor estido dos estados totalitários – que juizes e magistrados, violem os seus deveres para “bufarem” em publico o que lhes cabe tratar de acordo com a lei e com as regras do Estado de Direito, o que li de um outro participante monárquito trauliteiro, em que de forma grosseira (grosseira a vários titulos) insulta um ministro da República  não vos recomendam para homenagear Salgueiro Maia. São insultos àquilo que ele sempre defendeu e ao modo como sempre se comportou, mesmo nos momentos difíceis de arriscar a vida, como aconteceu ao enfrentar as forças de Cavalaria 7 na Ribeira das Naus. A essa coragem real, não pode o senhor e os seus colegas opor a alarvidade, o insulto gratuito, o totalitarismo, a devassa, a corrupção dos valores essenciais da convivência democrática, entre os quais se inclui o respeito pela lei. Há homenagens que ofendem e companhias que, não se podendo dispensar (como é o caso da vossa) só podem merecer desprezo. É o caso. NB: A sua atitude perante a vida em comunidade  não me obriga a dar-lhe qualquer satisfação, mas a minha formação leva-me a informá-lo de que manifestei ao coronel Vasco Lourenço a minha surpresa pela presença nesta pretensa homenagem ao Salgueiro Maia. Carlos Matos Gomes


  2. Olá, meu caro Matos Gomes: a homenagem ao Salgueiro Maia, a petição que aqui colocámos para assinatura dos leitores, contra  a venda da casa de Salgueiro Maia é animada do mais genuíno e profundo respeito pela figura daquele capitão de Abril. Quanto à Tertúlia, talvez tenhas razão, mas não esqueças que foi a Associação 25 de Abril que nomeou o seu representante – precisamente o seu presidente. Posso garantir-te que nunca nos passou pela cabeça desrespeitar a memória de Salgueiro Maia. Quanto ao tal «monárquico trauliteiro», deves referir-te ao Nuno Castelo-Branco, tem uma forma maniqueísta de ver a História, já lho tenho dito. Mas é uma boa pessoa. O Aventar é um espaço onde coexistem monárquicos, republicanos, pecepistas, socialistas e até velhos anarcas como eu. Respeitamos as pessoas, mas tentamos demolir as ideias uns dos outros. Gostávamos todos, estou certo, de te ter a ti ou ao Carlos Vale Ferraz, como companheiros. Recebe um forte abraço.  


  3. Essa de que neste blogue se desrespeita a memória de Salgueiro Maia é de cabo de esquadra. Que o senhor não goste do que aqui se escreve, isso é outra coisa e está no seu direito, mas neste blogue todos podem escrever o que pensam desde que não difamem ninguem. Não estará a confundir as críticas a Sócrates e ao Estado do país com falta de patriotismo? São coisas diferentes.


  4. Parece-me sempre um abuso aferir o que pensaria quem não está entre nós pelo que pensamos. Tem o Carlos Gomes (de quem sou leitor) o direito de discordar do que alguns aqui aventam. De resto discordamos entre nós, é isso que torna o Aventar um espaço plural, e ainda bem.Extrapolar para o que Salgueiro Maia pensaria já acho um abuso.Há muitas formas de olhar para o estado a que isto chegou. E de entender quem respeita ou não a lei, a convivência democrática, quem pratica o insulto gratuito, de que Augusto Santos Silva é um admirador conhecido, seja ministro da Defesa ou não. É sempre mais fácil olhar as águas revoltas e culpá-las pelas inundações, do que encarar as margens que as comprimem.

  5. C.Couto says:

    Dalby, estás tão ofendida porquê? Dormiste com alguma garrafa de brandy partida, e ainda não recuperas-te totalmente?

  6. C.Couto says:

    …mesmo com os copos, lês bem.

  7. Carlos Gomes says:

    Olá Carlos Loures, prazer em saber de ti. Foi um acaso. Vi o cartaz do Salgueiro Maia e chamou-me a atenção. Sou um leitor curioso de blogues, mas não um participante regular. Os blogues ajudam-me a conhecer os meus semelhantes e a temê-los. Sinto neles o mesmo tipo de comportamento das multidões que participavam nos autos de fé, excitadas pelo espectáculo de ver alguém a ser queimado, a descarregarem as suas frustrações. As claques dos clubes de futebol funcionam com a mesma lógica de multidão e de de cegueira. Os participantes projectam  os seus humores, abdicam de pensar. Alguém chamou a isto a blogoterapia. Aqui tive logo 3 exemplos de pacientes. O Luís Moreira abespinha-se dizendo que dizer que neste blogue se desrespeita a memória de SM é de cabo de esquadra! Não disse tal. Ms seria de cabo de esquadra porquê? O blogue tem algum inibidor contra o desrespeito ao Salgueiro Maia? De qq modo essa acusação seria formalmente legítima. Quando temos a porta aberta a critica vem de fora! A lógica parece ser: nós somos de esquerda progressistas, não ofendemos os nossos! Mas o que ele poderia dizer, não fosse a tal arrogância de não admitir o sacrilégio, era que os meus argumentos eram de cabo de esquadra. Ora os meus argumentos eram factos, conhecimentos sobre o comportamento de SM e que não alinhavam com incentivos à delação, ao desrespeito pelos deveres e aos compromissos tomados como consta do texto de RSantos Pinto. E passamos ao JJCardoso que não leu o que escrevi, leu o que quis, e fala a despropósito do que ele chama as minhas interpretações do pensamento do SM. Nunca falei do pensamento do SM, nunca nem em alguma parte, muito menos neste blogue. Temendo q eu não ercebido que ele não me tinha lido desenvolve a tese do aproveitamento do espirito dos mortos num texto separado. É lá com ele. O Sá Carneiro sofreu o mesmo no PSD e eu não sou o Santana Lopes. Não falo de espiritos nem com espiritos. Não sou vidente, não interpreto pensamentos. Não preciso de colocar o que penso na boca de outras personagens a não ser nas que crio nos meus romances. Agora quanto ao tal monárquico trauliteiro no texto sobre a República: está na mesma situação do Saramago com a Bíblia classificada de livro de maus costumes: fora do contexto tudo é possível, embora desonesto. A história da monarquia portuguesa seria um romance pornográfico. Todas as histórias seriam, ou são. Como vês, caro Carlos Loures, não são entusiasmantes as elocubrações e interpretaçoes dos colaboradores do blogue e este, segundo percebi, é de gente moderna, informada, progressista, práfrentex! Para evitar polémicas e intenções ocultas declaro desde já que não quero de modo algum interferir na dita homenagem ao Salgueiro Maia do blogue e das suas gentes. Sigo o principio de que ninguém deve escolher quem vai ao seu funeral, nem às suas homenagens póstumas. Concordo com JJ Cardoso de que as homegens são de quem homenageia. A homenagem não trará mal ao mundo, nem ao Fernando Salgueiro Maia e sempre aproveitam as francesinhas. Recebe um abraço amigo do Carlos Matos Gomes


  8. Matos Gomes, meu querido amigo. Concordo com muito do que dizes e verifica-se lendo o texto e a generalidade dos comentários que, para além de divergências ideológicas (aliás bem vincadas naquilo que aqui vamos escrevendo todos os dias), estamos de acordo numa coisa – em respeitar e em honrar a memória do Salgueiro Maia. Não li tudo o que a propósito aqui se escreveu, mas sei que grande maioria dos colaboradores deste blogue comunga nesse respeito. E isso é o que afinal, neste caso concreto, importa. Recebe um grande abraço do Carlos Loures.  


  9. O que o Luis Moreira verifica é que à boleia de uma homenagem de um camarada seu, o senhor classifica de bufos as vozes de quem não se atemoriza com os sócrates desta vida.O que o senhor aqui deixa é muito mau, é prepotente, gabarola, arrogante. Quanto ao ser práfentex o nosso comum amigo Loures diz que eu sou social democrata. Está a ver como são as coisas?E fico por aqui. Não falo mais consigo! É que nós conhecemo-nos pessoalmente e por isso, o que aqui escreve não é, para mim, surpresa nenhuma!

  10. maria monteiro says:

    Dalby não leve tão a  sério andar para aí a fazer sacrifícios por mim, por si, por eles, por todos senão ainda vira santo… Este próximo fim-de-semana estarei em Castelo de Vide porque será o Baptizado da minha prima Raquel. Irei, como fiz, no verão, prestar homenagem a Salgueiro Maia, a quem devo  esta forma de ser livre e viver em democracia… Ainda há muito caminho a percorrer porque nos falta muitos iguais ao capitão de Abril … mas o caminho foi por ele aberto agora é continuar. Obrigada Salgueiro Maia. Lá estarei no sábado a colocar uma flor em nome de todos nós


  11. Carlos Matos Gomes não precisa que ninguém o defenda e, portanto, não é isso que estou a fazer. Tu, Luís, que conheço há tantos anos (mais de trinta) e a quem, pese embora as nossas divergências políticas, sempre considerei uma boa pessoa, sensível, apaixonado pelas tuas causas (quanto a mim erradas, mas isso não interessa), estás a fazer um mau julgamento de um homem cujo passado fala por ele – o Matos Gomes não é um gabarola, embora haja muitas coisas de que se possa gabar, nem prepotente (embora talvez, colada à função de oficial superior, exista alguma prepotência – mas isso é problema dos subalternos) e, muito menos, arrogante. Temos, os que colaboram aqui no Aventar, de pôr a mão na consciência e reconhecer que, às vezes nos excedemos. Nâo falo de ti, nem de mim, nem de ninguém em particular – é uma característica dos blogues o escrever-se como quem fala à mesa do café. Aí pode dizer-se tudo, acusar-se as figuras públicas do que se quiser. Aqui, deve existir a contenção e o cuidado de quem está a exercer um magistério de influência, embora modesto – não estamos no café com os amigos, estamos num recinto público onde nos temos de responsabilizar até às últimas consequências por aquilo que afirmarmos. E, sobretudo, respeitar quem não pense como nós. Um monárquico, por exemplo, tem de respeitar o Presidente da República, o actual e os pretéritos, tal como os republicanos devem respeitar os monarcas. E, falando de História, presente, recente ou passada, apenas afirmar o que pode ser afimado com base em documentos. Não devemos pôr o blogue ao serviço deste ou daquele partido, deste ou daquele interesse corporativo, deste ou daquele clube. O blogue não é de quem o escreve. É de quem o lê. Digo isto, porque me bastou ler ontem (motivado por esta troca de comentários) os textos dos últimos dias, para encontrar violações, umas mais grosseiras do que outras, destes princípios básicos de quem quer comunicar com o público. E já nem falo nos comentários idiotas e sujos – isso não é culpa nossa, mas é uma consequência de alguma frivolidade nossa. Sem ela, talvez não tivessemos esses leitores. Bem, quanto à afirmação de que não voltas a falar ao meu amigo Carlos Matos Gomes, é uma decisão tua e que tenho de respeitar. No entanto, não resisto à tentação de propor um almoço na Associação 25 de Abril, da qual todos somos sócios – o Matos Gomes, o Vasco Lourenço e nós. Deixo a proposta.

  12. maria monteiro says:

    Luís aceite o convite do seu amigo Carlos Loures


  13. Carlos, eu bem sei que tu passas a vida a lançar pontes de entendimento e amizade, mas terás de reconhecer que os vícios de que falas assentam como uma luva, a quem, por não ter opinião igual, apelida de delator e de não merecer Salgueiro Maia, os seus adversários políticos.


  14. Luís, os vícios de que falo e as acusações que fazes, assentam a todos como uma luva. Temos é de saber fazer autocríticas. Embora tente (talvez não conseguindo sempre) tratar com respeito quem não pensa como eu – do ponto de vista político, clubístico, sexual… – na medida em que sou colaborador do Aventar, assumo as qualidades e os defeitos do blogue. Um deles é o de tratar os adversários com falta de respeito – já aqui se chamou tudo a Sócrates, para falar só num caso – aldrabão, assassino, gay – embora não seja politicamente correcto considerar o apodo de gay ofensivo, eu, por exemplo, considero. Não é o primeiro-ministro que eu desejaria para o meu País, nunca votei nele. Mas tem de ser tratado com respeito, mesmo que eventualmente venha a ser condenado por alguma das felonias de que o acusam – um arguido, e mesmo um criminoso, não deixa de ser uma pessoa. Quando se passa a vida a insultar e a lançar suspeições indocumentadas, como aqui se fazdiariamente, não se pode ter a pele tão sensível como agora estás a demonstrar ter. Quando atacas alguém (o que só deverias de fazer com provas e não baseado em afirmações do José António Saraiva ou de um obscuro juiz de Aveiro, por exemplo), nem todos os que te lêem aprovam o que dizes. Bufo não é uma palavra elogiosa, de facto. E mentiroso, e ladrão e assassino ou homossexual? Não passo a vida a lançar pontes de entendimento, como dizes. Ligado ao Aventar até agora, pelo menos, sou sensível aos seus problemas, orgulho-me com as suas vitórias e entristecem-me incorrecções que cometa. Talvez seja eu quem está a ver mal a situação. Se chegar a essa conclusão, a solução é fácil. Quem está mal muda-se. 


  15. Não dramatizes porque para mim não volto ao assunto. É óbvio que se cometem erros, mas a crítica a um homem público é necessária. Eu estarei sempre contra o governo, seja ele qual for. mas dizer que os juízes que mandam notícias para os jornais são bufos, e esquecermo-nos que há lá um senhor magistrado, que tem umas conversas com os colegas para arquivarem o processo do Freeport,  então há a concluir que já não nos resta nada.Se um magistrado, que já esteve envolvido no caso Felgueiras, e que é socialista, já pertenceu a um governo socialista, está num lugar de nomeação e utiliza esse lugar para interfir na investigação Freeport, não justifica a nossa desconfiança…Carlos, e vindo de ti, que sempre foste um crítico político, exigir provas (documentais?) tambem  deixa  alguma perplexidade…não chegam os casos em que o senhor está envolvido, uns a seguir aos outros?


  16. Não estou a dramatizar. Apenas me referi a algo que me desagrada profundamente, venha de quem vier, e sejam contra quem for – julgamentos na praça pública, autos de fé, como dizia o Matos Gomes. Falo em provas documentais no sentido lato, querendo isto significar «provas inequívocas». As figuras públicas podem e devem, em regime democrático, ser criticadas. Mas seria ingenuidade da nossa parte acreditar que no «caso Sócrates», para além de todo o fumo que, muito provavelmente, indicia algum, pouco ou muito, fogo, existem lobbies (políticos, jornalísticos, económicos…) interessados em apear este governo para colocar no poleiro outro que melhor sirva os seus interesses. E nisso eu não colaboro. Posso detestar o Sócrates, mas isso não me faz gostar de qualquer político do PSD. Essa de que estarás sempre contra o governo é surpreendente. É uma posição anarquista, sabias? Voltando ao princípio – não estou a dramatizar – no dia em que concluir que estou no lugar errado, saio.


  17. Estar contra o governo em exercício sempre foi o único principio que me acompanha ao longo da minha vida.Já tive outros, mas fui-os largando à medida que melhorava… Estive cinco anos a colaborar com um governo do PSD, mas nunca fui militante. Estive num lugar técnico. E esses cinco anos só reforçaram a minha convicção que só nos resta escrutinar o poder, mesmo correndo o risco de cometer erros. Em Inglaterra ,Sócrates com as suspeições e o fumo que o envolve, já teria saído do governo.Por muito menos outros o fizeram…


  18. E quanto aos julgamntos na praça pública, o PS fez isso a muita gente, como sabes que fez a este teu amigo.É bom não esquecer que a “informação de investigação” com notícias que nunca foram verificadas começou nos governos do Cavaco, quando o PS queria tirar de lá o governo para ir  para lá ele…O PS pode queixar-se de tudo menos que está inocente.


  19. Acha mesmo, Carlos Loures, que eu chamei assassino ao primeiro-ministro? Se calhar, devia voltar a ler o texto com atenção. Quando se dizia que não interessava o teor das escutas, porque não tinham sido autorizadas pelo Presidente do Supremo, eu quis demonstrar que não é assim – que mais importante do que essa autorização é o seu conteúdo. E se ele tivesse matado uma pessoa, também se iria considerar que não interessava porque as escutas não tinham sido autorizadas? Doravante, vou fazer acompanhar os meus textos, sempre que for o caso, com uma palavra: IRONIA!


  20. Caro coronel Carlos Gomes, Sobre Salgueir Maia, escrevi neste mesmo blogue há uns meses: «Por tudo o que fez ao longo de 47 anos de vida, Fernando José Salgueiro Maia é uma das maiores figuras da história de Portugal no século XX, à qual não foi dada, ainda, a importância devida. Um dos poucos heróis portugueses do século, capaz de fazer uma revolução com 240 homens mal treinados e um conjunto de obsoleto material militar. É provavelmente a única personalidade portuguesa do século XX que mereceria a distinção, sem a ter tido até ao momento, de descansar eternamente no Panteão Nacional. Por quê? Porque Salgueiro Maia deu-nos tudo. Quem ainda não o percebeu, não terá apreendido ainda o significado e o valor da palavra liberdade.» A Salgueiro Maia, dediquei nestes 8 meses de vida do Aventar cerca de 20 «posts». Como aquele de onde retirei este excerto: http://aventar.eu/652879.html Quanto ao «post» a que se refere, Portugal é mais corrputo do que a Itália, não é este o lugar certo para discuti-lo, mas sim a caixa de comentários do próprio «post». Não me parece correcto misturar a memória de Salgueiro Maia com Política e Justiça – não o fiz, não o farei e sei – e o senhor sabe melhor do que eu – que Salgueiro Maia também não o faria. Cumprimentos, Ricardo Santos Pinto


  21. Luís, o facto de o PS ter feito julgamentos na praça pública (o que é verdade), não nos deve autorizar a fazer o mesmo. Defendo uma posição ética que não se inspira nos modelos do PS – embora existam várias sensibilidades no partido e muita gente honesta. Defendo um comportamento ético em que o respeito pelos adversários costitua a pedra de toque. Bem sei que, em linguagem corrente, se chama isto ser «trouxa». Cada um é como é. Ricardo, percebi muito bem que estava a usar uma metáfora e a ironizar. Aliás, leia tudo o que escrevi sobre o tema – nunca o acusei de nada. Nos blogues, ainda mais do que na imprensa escrita, é preciso ter muito cuidado com as metáforas e com a ironia – as palavras ficam sob uma luz crua, expostas a todas interpretações e comentários. Aliás, sabe isso muito melhor do que eu, aprendiz de blogger que sou. É um meio interessante, mas onde navegar não é tarefa tão fácil como parece. A não ser para os tontos.


  22. Senhor Coronel Gomes:Sou monárquico, exactamente por não ser trauliteiro,, coisa de que não se podem gabar alguns dos seus colegas que a coberto do 25 de Abril, tentaram impor em Portugal um certo modelo completamente às liberdades que V. Exa. usa legitimamente.Quanto ao “ministro da república” que afirma eu constantemente atacar, se ler com atenção, remeto-me a publicar textos escritos por outros … republicanos. É claro que o Senhor Coronel não é obrigado a pesquisar, procurando informar-se de quem foi verdadeiramente o sr. Afonso Costa. Assim, sugiro-lhe uma breve consulta aos textos de dois outros coriféus do regime de 1910-26, ou sejam, os srs. José Relvas e João Chagas. O que eles dizem dos alegados “grandes” vultos da república, são bem sintomáticos do sistema vergonhosamente incompetente, corrupto e brutal que agora pretendem fazer-nos comemorar. Aliás, como militar, Vossa Excelência deve ter uma certa noção do que é o cumprimento do dever, embora em muitos casos das nossas Forças Armadas, tal seja apenas uma questão meramente do foro teórico. Juramentos de bandeira e de lealdade, são apenas um pro-forma para pessoas que antes de tudo se preocupam apenas com o seu precioso ser. Onde estava o exército para defender a legalidade democrática e constitucional na noite do 1º de Fevereiro de 1908? Onde estava o juramento de lealdade à Constituição e à Bandeira nos dias 3-5 de Outubro de 1910? Para onde voou depois o juramento quando do golpe de Sidónio? O que fizeram militares no 28 de Maio ou no 25 de Abril, senão rejeitarem ou ignorarem juras feitas?É deste círculo vicioso que Portugal enferma. Aqueles que são os garantes das Instituições, abandonam-nas ao primeiro sinal, sendo assim indignos da plena confiança dos cidadãos. esta é a verdade dura, e inabalável.Quanto ao endeusamento de bandidos, trastes e vigaristas – não existem termos mais suaves que se apliquem a Costas, Bernardinos e quejandos -, o problema é única e exclusivamente daqueles que pretendem continuar na senda das fábulas que afinal, parecem existir para perpétuar a mentira que solidifica uma certa concepção do poder. pelos vistos, é até uma questão de fácil resolução: basta abrir os livros, pesquisar os documentos coevos e até, pasme, lê-los literalmente.Um colega seu, já o fez. Questione o General Ramalho Eanes e ele logo lhe dirá o que pensa acerca da Monarquia Constitucional…Ou será que V. Exa. agora também considera o General Eanes como mais um monárquico  “trauliteiro”? Há ler e informar-se antes de assinar por baixo de todas as patranhas impingindas por Costa ou Salazar, tanto faz. Se um proclamou (nem isso, nem isso!)  a república, o outro consolidou-a, porque pessoalmente lhe interessava, contra tudo, contra todos e sobretudo, contra o seu próprio país. Eis a obra com a qual aquiesceram alguns militares. 


  23. Carlos,Creio bem que não tenho uma visão maniqueísta da História e apenas pretendo chamar a atenção, exactamente, para a visão … maniqueísta com que ela tem sido contada. Aliás, praticamente apenas utilizo fontes republicanas ou que tenham pertencido ao prp. Mas daí pretender coadjuvar a propaganda a um regime que levou os militares, sublinho, os militares a desfazerem-se do regime do sr. Costa/Bernardino, vai uma certa distância.Tenho o máximo respeito pela instituição militar, um dos fundamentais pilares da independência nacional que pretendo ver prolongada para sempre. O que já me parece necessário, é a que os militares passem – na sua totalidade – a ser cidadãos plenos, com uma educação que fuja a um certo espírito de clube elitista (?), onde a mera forma substitui o verdadeiro conteúdo. Não existem regimes ideais, apenas uns mais aceitáveis que outros. Ora, a 1ª e a 2ª repúblicas – uma saída da abstenção da tropa que quebrou juras e a outra por activa imposição das Forças Armadas -,  consistiram exactamente num tremendo revés para a normal evolução do Parlamentarismo que tinha uma vida de décadas em Portugal. Esta é a verdade que decerto o Senhor Coronel – da velha escola, presumo – ignora. Há solução para este tipo de óbices, à distância de uma tecla de um teclado de computador. Não existe desculpa para a ignorância.Quanto ao “trauliteiro”, esse epíteto coloca-se melhor a colegas do Senhor Coronel, como os Otelos, Dinizes de Almeida e outros tantos que a História não registará por muito tempo.


  24. Luís – sempre fui um crítico político, mas (podes procuara) não encontras uma crítica minha baseada em acusações avulsas. Criticava, conforme era possível, a ditadura, mas baseado em coisas concretas: a polícia política, a censura, a guerra, a miséria… tudo coisas mais do que visíveis. Nunca me interessei pelos ballets rose e coisas do género. Actualmente, critico o governo (e o sistema a que ele está ligado) com base no desemprego, na existência dos bairros degradados, na iliteracia reinante, na falta de uma política de cultura… Isto é mais do que suficiente para abominar este sistema e todos os governos que pactuem com estas chagas sociais. Os freeports, as falsas licenciaturas, as escutas, tendo importância, só me interessam na base da investigação exaustiva, na apresentação de dados concretos. Nâo é o que se tem feito aqui. Aqui, acusa-se na base do «diz-se que». Não estou interessado nesse tipo de abordagem.


  25. Nuno, lembro-lhe que não fui eu quem o designou por «trauliteiro». Sou responsável pela acusação de «maniqueísmo» e continuo a vê-lo a passar em branco ou a branquear as ignominias (mais do que muitas) da Monarquia – falando só dos derradeiros anos – e a «esmiuçar» a sujidade da I República. A qual, obviamente, existiu. Não me parece uma posição equânime, a única que é aceitável quando se abordam temas históricos. Parece-me que o Nuno mistura duas coisas que não devem andar a par – História e proselitismo da Monarquia. Porém, como lhe tenho dito, até gosto dos seus textos. Gostava também de não ser obrigado continuamente que foram escritos por alguém que pretende o regresso da Monarquia. Não porque seja crime querer restaurar esse regime; é perfeitamente legítimo. Veja só a diferença – se me derem um folheto da causa monárquica eu deito-o fora sem o ler; se me apresentarem um livro sobre História, mesmo que eu saiba que é escrito por um monárquico, leio-o com todo o interesse. Fiz-me entender?


  26. Claro que entendi, Carlos. 


  27. Desculpa, mas se fosse na base do “diz-se que” não haveria investigações, nem  DVds, nem falimiares envolvidos e professores que lhe deram 14 disciplinas ao domingo, nem fichas falsificadas na AR,nem testemunhos de tentativas de aliciamento para não sairem notícias, nem controlo de bancos privados e meter lá os amigos…Carlos, num país decente (porque é de decência que se trata) este homem há muito que tinha sido apeado.


  28. Não ouvi a gravação das escutas, nem os DVDs . Ouvi dizer que existiam. Depois de as ouvir, reservo-me o direito, que assiste a todos os cidadãos, de criticar, acusar e de fazer coro com os que pedem que rolem cabeças. Antes não. Quanto ao país decente, acho que o país é decente. A falta de decência é dos políticos, dos jornalistas e dos senhores do poder económico. Está descansado que não misturo neste rol os bloggers . Estes, alguns, apenas são imprudentes quando querem ajudar a levar a água a moinhos que, as mais das vezes, nem são os seus. E se puséssemos fim a este folhetim? Acho que já todos percebemos o que uns e outros pensamos. Chover no molhado provoca inundações.


  29. Uma vez que nenhum dos aventadores  referidos se esconde sob o anonimato creio que não faz muito sentido levantar a questão de nos responsabilizarmos até às últimas consequências por aquilo que afirmarmos. E estando esse ponto assegurado, parece-me que deverá haver espaço para que cada um se expresse livremente. Da mesma forma que há espaço para que um comentador possa usar este espaço para acusar os  autores deste blogue de “alarvidade”, “insulto gratuito”, “totalitarismo”, “devassa”, “corrupção dos valores essenciais da convivência democrática, entre os quais se inclui o respeito pela lei”.  


  30. Ai, Carla, o fogo já estava no rescaldo e vens deitar-lhe um bidão de gasolina. Ninguém acusou ninguém de se ocultar sob o anonimato. Os termos menos simpáticos foram usados por todos, desde o texto que deu lugar à polémica até aos comentários. Houve algumas frases infelizes, mas só peço desculpa pelas minhas. Vamos lá ver se é desta que conseguimos encerrar o folhetim. Apenas porque o assunto não é tão importante que justifique tanta prosa.

  31. Carlos Gomes says:

    Senhor fidalgo Branco, e deixe-me justificar este tratamento pela dificuldqade, de que também padeço, do nome composto nos destapar a linhagem qe, no seu caso poderia levar um incauto a uma estranha criatura sua homónima, porventura familiar, do condado da Beira, Moçambique, pessoa dada a aparecer em trajes renascentistas nas colunas sociais. Explicado o tratamento, eis ao que venho: Teve vossamercê a fineza de me elucidar com uns conhecimentos básicos sobre uns corifeus republicanos, oferecendo-me um vistoso vocabulário que muito enriqueceu o meu fruste linguarejar. Agradeço penhoradamente tão simples quão adequados à minha compreensão meios de prova, que, tivessem vindo mais cedo me teriam evitado os trabalhos de estudar a história da República, como o fidalgo me aconselhou, abrindo livros e lendo-os literalmente, para publicar há uns anos um trabalho sobre a participaçõ de Portugal na IGM, até agora trabalho único e sem erros visiveis. Classifiquei o fidalgo de trauliteiro, não por ofensa, mas prevendo que me iria dar no toutiço uma traulitada com o seu vasto saber. Vem esta confissão a propósito de um escrito a propósito da sua oração de sapiência sobre um calhordas republicano da II ou, vá lá, II Republica, um plebeu de seu nome Augusto Santos Silva. A propósito deste pataleu publica o fidalgo a gravura da soqueira que, segundo a sua palavra, terá servido a Afonso Costa para atacar um inimigo. Respondi a vossa mercê, sem me fazer entender, certamente porque não me caligrafei em elvezir, ou letra gótica, dizendo que  estava o fidalgo a fazer de mim (nao falo pelos outros que o lêem)parvo, pois do que se tratava era da utilização fora de contexto de factos históricos. Fort da sa raison, como dizem os nossos amigos franceses, o fidalgo fez um gesto de desprezo na direcção do que eu dizia, quando referi, se quiser ter o trabalho de ler o q escrevi, a albornóxia classificação do vilão Saramago (q nome!) sobre a Bíblia como livro de maus costumes, dizendo que a História é sempre e toda ela, se quisermos, um livro pornográfico, violento, perverso. Quanto a pornografia permita-me o fidalgo que retribua as suas informações bibliográficas com a do livro Amélia de Orleans, onde a bela raínha diz do seu esposo  que eu não diria do Zézé Camarinha – que era um esquentado – veja o fidalgo. Saberá ainda vssa mercê o conceito de piedade do rei Pedro I o cru, as orientações sexuais do rei Afonso VI, a bondade congénita do grande João II, que despachou metade da família. Veja o fidalgo Branco onde já vamos ao abrir o baú das nossos antepassados! Limitava-me eu a aconselhar o nobre Branco a não cometer a pouco séria habilidade de utilizar a história à medida dos resultados pretendidos e eis que o senhor me sai – permita-me q repita – à traulitada com uns parágrafos de história dados de boa vontade, mas muito requentados e desenxaibidos, embora os refira como, e cito, vergohosamente incompetente, corrupto e bruta , o que, permita-me o desplante, pede meças à competência do rei Sebastião em Alcácer Kibir, à boa administração dos bens dos reis João VI – o freirático construtor desse belo e útil centro comercial que é o palácio de Mafra, para já não falar nas poupanças da rainha de Sabóia, do rei Miguel que casou com a sobrinha de 11 anos, tudo personalidades politica e moralmente merecedoras do seu maior respeito. Mas deixemos a história e voltemos ao essencial que foi eu ter visto neste blogue um clara e indesmentivel apelo ao linchamento moral de gente que se sujeitou ao escrutínio público e que tem direito a um julgamento justo. Seguia-se o meu espanto – embora ja me espante com pouco e só deva ter, como o fidalgo muito judiciosamente me recorda, “uma certa noção do dever” –  por gente asim tão assaz despachada quanto o meu nobre interlocutor relativamente a direitos e garantias alcançadas a duras penas se propor homenagear Salgueiro Maia. Esse plebeu arriscou para os restabelecer e correu riscos para evitar que pessoas à sua guarda, no caso Marcelo Caetano, fossem entregues à turba que os exigia à porta do Carmo.  Veja o fidalgo no que dá uma certa noção do dever em certos plebeus … Creia-me att e venerando este seu criado Gomes  


  32. Carla, o sr. comentador não está habituado a que as pessoas não tenham opinião formatada Aqui ninguem atenta contra a lei nem contra ninguem . Temos opinião (alguns de nós) sobre o que Justiça investiga e, frequentemente, opiniões diferentes. O sr. comentador quer impedir que publiquemos uma opinião contrária à dele. Tem azar, não vai conseguir. Mas sempre pode ler os teus belos textos, tu, que nunca escreveste sobre Sócrates

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