A vergonha da informação de "referência"

  

 

 

Honra e Glória ao Dr. Jin Guo Ping, Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique

 

Nem passaram vinte e quatro horas desde a condecoração do Dr. Jin Guo Ping e já se erguem as mesmas vozes dos "jornais de referência", fazendo um favor à diplomacia de Pequim. O mundo das negociatas e o franzir de sobrolhos dos mandarins que trocaram os maoístas pijamas verdes pelos globalizantes fatos cinzentos "Arremani" ou "Vézatche", podem, porque pagam.

 

Como patriota, orgulhar-me-ia imensamente, se o dr. Ping recebesse a única Ordem portuguesa, que a par da Ordem da Liberdade, não consiste numa condecoração mutilada: o Rei bem podia atribuir-lhe no próximo 1º de Dezembro, a Ordem de Vila Viçosa! A Portugal fazem falta muitos intelectuais e amigos deste gabarito. A Ordem do Infante D. Henrique, é exactamente a mesma que outrora foi conferida ao grande historiador Charles Boxer, pela sua obra O Império Marítimo Português. Jin Guo Ping merece o reconhecimento e o Palácio de Belém agiu com acerto.

 

Que vergonha, esta humilhação pública de quem tem sido ao longo de décadas, um estrénuo defensor da portugalidade, fazendo ruir as fantasiosas construções anglo-saxónicas que os ventos de loucura midesca de Pequim bafejam benevolentemente!

 

Comments


  1. Segundo parece, o «crime» de Jin Guo Ping terá sido o de ajudar imigrantes chineses a vir para Portugal sem seguir os trâmites legais. Álgumas figuras do Estado, deputados, inclusive, emigraram «a salto» durante a ditadura por razões políticas. Outros, de condição humilde, emigraram por razões económicas – fala-se num milhão de emigrantes clandestinos nos anos 60. É, de facto, miserável, se o motivo é esse, as acusações que se fazem ao Dr. Jin Guo Ping. Porém, Nuno, o meu impenitente nacionalismo não deixa passar em claro as suas generalizações. Não somos um país de boateiros, esbirros, difamadores, infoirmadores… Somos, sim, um país onde existem essas subespécies do homo sapiens. Como em todos os países – incluindo a China onde, dada a escala demográfica, esses miseráveis se devem contar por muitos milhões. Lembremo-nos da França onde, durante a ocupação nazi, uma apreciável parte da população colaborou com os ocupantes. Desculpe lá, não estou a policiar os seus textos, mas não gosto de injustiças. Já basta aquelas que não podemos evitar.


  2. Não estou a policiar os seus textos, mas, quando, no futuro, for a escrever acusações injustas sobre o Reino e seus súbditos, se se lembrar – o Carlos vai-me chatear por causa disto e moderar as suas diatribes – terei cumprido a minha missão de esbirro republicano, sempre a pau com os thalassas.


  3. ahahahaha, Carlos, estou sempre disposto a ser corrigido!


  4. Lá isso é verdade. É um monárquico com fair play . Mas também é verdade que é relapso. O seu maniqueísmo – Monarquia, bom vs República, mau – não tem limites nem fim à vista. Já agora, peço um esclarecimento: dizia, que o Rei devia condecorar o Dr. Jin Guo Ping . Qual Rei? Agora até temos um Rei?


  5. Carlos, mas como quer o amigo que eu lhe chame a atenção se não for relapso e contumaz? Neste caso, até bato palmas ao presidente da República, pois o interesse nacional está acima de tudo. Nisto, sou radicalmente pró-colectivo e creio que me compreende muito bem.


  6. Pois, temos de insistir sempre em defender aquilo em que acreditamos e não é isso que eu lhe critico negativamente. Sou marxista, mas não leninista. Em todo o caso, quando Lenine disse que só a verdade é revolucionária, tinha razão. A República (tal como a Monarquia) não pode ser atacada na base de verdades irrelevantes, meias-verdades ou inverdades. Só faz sentido atacá-la nos seus fundamentos. O facto de o Afonso Costa ser um pulha (até alguns republicanos o reconhecem) nada nos diz sobre a natureza profunda do regime republicano. Se o Alfredo Costa era um visionário, e Buíça um hiperactivo – o que é que isso tem a ver com a República? Esse tipo de análise, facilita a tarefa a quem quiser criticar a Monarquia. Ao longo dos seus quase oito séculos, quantos pulhas, visionários, débeis mentais e outros estiveram no cerne da governação ou mesmo sentados no trono? Eu diria que para cada pulha republicano, arranjamos oito pulhas monárquicos – é uma espécie de troca de cromos. Há uma explicação para o que se passou entre o 31 de Janeiro de 1891 e o 28 de Maio de 1926 – 80% de analfabetos, uma burguesia bem pensante, endinheirada e com pouca, ou nenhuma, consciência social, uma Igreja reaccionária… Por aí fora: uma mitura explosiva. Por isso, a República não curou os males que vinham da Monarquia. O Estado Novo, também não – foi do género de curar as dores de cabeça, cortando a cabeça… Enfim, isto dava para horas.


  7. Pois dava e o assunto primeiro é o mesmo de sempre: escola. Não a das fornadas, à força, mas aquela que sendo acessível a todos que querem saber, deve ter uma extrema qualidade. Ora, ainda não interiorizámos uma balela destas, Carlos. Seremos todos idiotas?


  8. Claro que não somos todos idiotas. Mas lá que temos uma fraca prestação no exercício da cidadania, aí não restam dúvidas. Depois, há os espertos. Gente activa, que faz pela vida – e aí temos dez milhões de pessoas a ser governadas por uns escassos milhares de políiticos, empresários – a gente esperta. Coisa que, reconheça-se, nada tem a ver com o regime republicano. Como diz, a solução estaria numa radical reforma do ensino e numa eficaz política cultural – e levaria anos, mais de uma geração. E, muito provavelmente, haveria reacções corporativas, classistas, e as reformas não iriam por diante.


  9. Pois é, que dilema. Não podemos obrigar as pessoas, sob pena de sermos acusados de fascismo, comunismo e outras coisas mais. Mas que às vezes a situação se torna aflitiva, lá isso é verdade.Demorar mais de uma geração? Vale a pena, se for exequível. Andamos a precisar disso há séculos.