história sintética de Portugal

´metáfora do nosso país que nunca mais decide ser República!

Portugal é um País em permanente transição. Até à entrada dos Bonapartistas, no início do séc. XIX, toda a terra era do Rei. Fosse quem fosse o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava, desde D. João IV, pousada sobre a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa. A terra, desde Afonso Henriques, era conquista da Coroa, excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos, sempre que daí resultavam benefícios. A entrada dos Bonapartistas, terminada na guerra Peninsular, pondo fim às guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Duas das consequências, da absorção das ideias liberais, marcam o fim dos contratos de enfiteuse e do Morgadio, que se caracterizava pela transferência das terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera lutou pela sua abolição (1845), e por isso foi expulso, como Verdi, em Itália (1859), com um final mais feliz, ao tornar-se membro do Parlamento constitucional. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham e não do direito de raiz, que permanecia (quarto direito) da lei visigótica, permitindo aos proprietários viverem dos rendimentos acumulados da colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros, excepto dos jornaleiros, que entregavam mão-de-obra e viviam e vivem ainda, dos salários. A população ficou com as ideias da propriedade directa, e muitos dos intelectuais portugueses, galegos e chilenos, derivaram-

nas, tal como as dos Enciclopedistas e das de Rousseau (1762). Ideias liberais que levaram Mouzinho da Silveira, pelos anos 30 do Século XIX, a lutar por leis igualitárias, para pôr fim aos Morgadios da Aristocracia, Morgadios que foram extintos, em 1850, para a Igreja Católica, como em Portugal é conhecido e relatado pelos historiadores. E por mim próprio, em textos dos anos 80 e 90, do século passado. O Morgadio, a luta entre absolutistas e liberais da Monarquia, que levou à guerra civil nos anos de 1850 e a fuga de um Rei para o Brasil (ocorrida anteriormente), foram os ingredientes, para, em Portugal continental, se voltar a uma Monarquia Constitucional, com um dos filhos do Rei fugido. A Monarquia caminhava para o seu fim, culminando com os factos históricos de 1910. Os Morgadios pequenos só foram extintos bem mais tarde, com o Código Civil de 1953, enquanto as compras das terras dos Morgados maiores se iniciaram quando a vida económica começou a não descansar na vida rural, ou seja, a partir da instauração da República. Época em que a emigração começou, para adquirir terras enfiteutas, arrendadas, trabalhadas à jorna. Como Miriam Halpern Pereira (1991) bem analisa, o balanço comercial vai-se deslocando do campo para a indústria. Os cientistas têm estudado aprofundadamente a ruralidade de vátios países do Velho Continente, para concluir que o campo é mais habitação do operariado, intelectuais ou de lazer, do que base produtiva do País. Estas são as transições a que me refiro, quando digo que Portugal é esse tipo de País. São as transições que de uma ou outra maneira, muito material e em interacção permanente, têm vivido Anabela, os seus pares e as pessoas de Vila Ruiva. Essa Vila Ruiva que foi foreira do Conde de Mangualde, João de Albuquerque, que enviara (vide Iturra 1990ª), membros da sua família para tratar da gestão das terras. A família Albuquerque, hoje quase extinta na aldeia, foi vendendo terras para investir num futuro mais habilitado para a sua descendência. Médicos, Advogados, Professores e Antropólogos, são algumas das profissões praticadas hoje pelos antigos senhores da terra. Aqueles que mandavam, por cima da população, sem se misturarem com ela. Excepto para fazerem filhos fora da lei, como é o caso de vários novos proprietários, descendentes da dita família condal, aí mandada viver para gerir e não para procriar seres humanos que, nesses tempos, eram denominados bastardos, até à alteração introduzida em 1957, do Código Civil, uma de várias mudanças, para que a lei fosse a par e passo da modernidade. Acabados os morgadios ditos pequenos, as famílias que os detinham continuaram a juntar as suas heranças, heranças para dar aos filhos mais velhos de pais casados pela lei e pelo ritual cristão. Como a Dona Luz Albuquerque me confidenciara um dia: não temos dinheiro, porque não há caseiros de confiança, ficam com o melhor ou mesmo com todos os produtos, e o que recolhemos é para fazer o morgado. Nos seus 84 anos, vive duramente, para poupar para o ideal morto pelas novas modas de fazer o cultivo rural. Enquanto os antigos gestores da terra iam, também, passando à História, em silêncio e sem companhia dos vizinhos. Facto que Anabela foi observando no seu crescimento. Quando pequena, ouvia as histórias da sua avó Conceição Vidigueira, que tinha decidido criar o seu filho Arnaldo para ser operário e não agricultor. A Vila Ruiva do Estado anterior ao da Liberdade do 25 de Abril, era uma Vila Ruiva hierarquizada em senhores proprietários morgados e em senhores emigrados, desde cedo para a Venezuela, Argentina e para o Brasil, que acabaram por juntar dinheiro para comprar as terras que os proprietários vendiam. Vendiam por falta de jornaleiros ou arrendatários dos prédios rurais. Dois grupos bem claros foram-se formando na aldeia: os velhos senhores que cumpriam a tradição a rigor, e os novos senhores que casavam com filhas de famílias com reputação histórica, amassem-nas ou não, para juntarem memória histórica com riqueza. Como a família do Sr. Morais, genro do antigo Sr. Fradique, proprietário e comerciante, com uma filha escritora do Diário de Notícias, Glória. As trocas endogâmicas, características de Vila Ruiva que desde o Século XVIII temos historiado (Porto 1991, Raposo 1991, Reis 1991, Iturra 1990 a e b, 1991 e 1995), passaram de famílias ao abrigo das leis absolutistas, a trocas entre famílias com terra mas sem dinheiro e famílias com dinheiro mas sem terras. Estratégia, pela troca matrimonial, usada por famílias sem passado conhecido, para adquirirem reputação entre famílias com memória do que eram. Desenvolvendo-se assim uma maior igualdade entre pessoas e hierarquias, que, paulatinamente, desapareciam. Embora o dito Estado Novo tenha tentado guardar as formas hierárquicas da Monarquia e convidado para voltar ao País o pretendente da Coroa, Duarte Nuno de Bragança, de orientação absolutista ou miguelista. Com o seu descendente actual, vizinho das Beiras, no sítio de Vila Ruiva, o actual Pretendente, Duarte Pio, casa para reproduzir mais pretendentes. Uma terra, a das Beiras, dividida entre os que apoiam títulos nobiliários, e a nova burguesia abastada, cuja riqueza não sai da terra: os seus bens são lucro dos seus empregos, de profissões liberais, das suas habilitações académicas, dos investimentos em empresas familiares ou outras. O empreendimento para juntar bens, é feito quase que individualmente, com as ditas cartas de convite de amigos e vizinhos e, eventualmente, de parentes já radicados noutros países. Porque o que caracteriza a emigração deste sítio, é também a referida divisão do trabalho: entre os que ficam para tratar da terra que os alimenta; e os que se vão embora sem filhos e sós, para voltarem com a França nos seus bolsos ou para a mostrar , metáfora do dinheiro ganho. Todos eles, por causa dos filhos, que vivem emVila Ruiva, voltam ao lar. Foi por eles que se ausentaram por longos tempos. Anabela pode comprová-lo, como o resto das famílias: ficou sem pai, que partiu, com a sua mãe e o irmão mais velho, para a Alemanha, sem avó porque esta passou a fazer o papel da mãe. Anabela pôde ver a solidariedade dos outros, partilhada com a família, o prometido no rito matrimonial. Como na Galiza, os ancestrais de Pilar e os seus pares, amavam pela actividade de empreendimentos que mantinha a família separada, durante um tempo. Mas, como Anabela muito bem percebe e diz, para um objectivo comum para o qual todos colaboram: a construção de um novo Estado, de uma nova forma de se governarem. De uma nova Nação como Gellner (1993) e Maiz (1997), têm teorizado para os seus países, Hungria e Galiza, derivando daí um modelo mais amplo. E como Boaventura de Sousa Santos nos tem feito entender em Pela mão de Alice (1994). A vida, no meio da construção apressada do novo País, tem-nos feito, a todos, uma parte da História. Da qual os antepassados não tomaram consciência, por estarem ocupados nos seus trabalhos e a lutar, calados, contra uma Ditadura que tinha traído a República, organizando uma de cartão, incutida na Escola, nos textos, na vida ética, definida como católica, ainda que não praticada pelo povo, fora do ritual e do encontro dominical. Os ancestrais estavam fechados nas suas casas, nas suas terras, nas suas aldeias. E o caminho de saída, era um outro País. É desta experiência histórica, que Anabela induz a sua teoria da vida: habilitar-se para ser profissional autónoma, como o seu irmão, Gestor de riquezas de outros. É perceptível, em Vila Ruiva, o forte ruralismo dos anos anteriores, e a fraca vida aldeã de hoje. Uma Vila Ruiva que vai morrendo dos contextos por nós estudados, faz já 17 anos, e nos contextos actuais, que leva a meninada aos sítios que analisaremos depois. O que os ancestrais são e como fazem, está dito na nossa obra de equipa, de três equipas que por aí têm passado. E está claro na memória dos jovens crescidos de hoje, que procuram alternativas fora da
agricultura. E orientou-nos nos estudos que fizemos noutros cantos, durante os anos 70 e 80, do século XX, em Portugal, possibilitando-nos fazer finca-pé na predominante ruralidade existente no real, bem como na visão dos pioneiros dos estudos sociais, sociológicos e antropológicos, bem como históricos, económicos e políticos. Não esqueço esse estudo transnacional de Villaverde Cabral, Ferreira de Almeida e Eduardo Freitas, sobre a penetração do capitalismo na agricultura (1976). Um estudo premonitório do que ia a acontecer. E, no seu seguimento, os de Ferreira de Almeida (1986) e Madureira Pinto (1985). Visão futurista, deduzida dos dados de pesquisas de campo, que a Antropologia não soube fazer no seu minuto. Sempre a reconstruir a memória oral do passado, pelas histórias, mitos, ritos, genealogias, estudos de arquivos e de monumentos. Uma escola etnográfica muito incutida nos anos 40 portugueses, sem perspectivar o futuro, nem advertir da combinatória de presente e passado, o desenvolvimento. Eis porque gostamos, vários de nós, de falar dos silêncios da cultura oral e de usar o método comparativo, no trabalho das crianças. Método que tem desenvolvido uma inteligência (a verificar no futuro), nos sítios onde temos vivido, e que faz com que o passado sirva para entender o presente que configura o futuro, como as Anabelas e os Luises deste texto e do meu convivio fraterno e Amigo com todos eles, através do tempo. É muito característico que as pessoas me falem de como era. E de como era, estou cheio. Sem um como era quando não sou, que é o que a criançada que cresce é hoje. Como Anabela me tem mostrado e demonstrado aos seus colegas. Que faz dos vivos dos ancestrais, pessoas velhas, com idade nova. Porque o seu objectivo de vida vai acabando com o desaparecimento do sistema no qual foram criados. Sistema que a República, após o 25 de Abril, tem-se encarregado de construir. E que nos obriga a nós, antropólogos, a construir também para entender as políticas que constroem as pessoas no terreno rural – urbano, de todo o País. O que Anabela, que queria ser antropóloga e que nós antropólogos devem fazer, é entender para orientar. Entender que há um mundo que acaba, como é o caso de Espanha na Galiza, como foi o caso dos Picunche, no Chile. O nosso Portugal corre para o futuro, enquanto a sua população fundadora, viva e na memória social, vai lentamente entendendo. Os ancestrais amavam como foi dito, e a recordação de como era quando não era, é clara na inteligência dos que já não se empenham num sistema de vida que desaparece. Como Anabela e os seus contemporâneos sabem, e como as crianças que crescem, estão, embora não entendam, a fazer. Orientados pelo social, não pelo lar. O lar, com o grupo doméstico, deu a ética e a empatia. Que perduram, transferidas para outros cantos da actividade sócio – económica, neste canto novo da Europa da União. O que Anabela deduz dos seus afazeres com crianças e colegas. O tempo do saber quando ela não era, só serve para uma geração em extinção, como eu observo e ela escreve. A Antropologia da Planificação é o que emerge da morte do que era e do desenvolvimento do que é. Planificação feita pelas pessoas e que o antropólogo vive e observa no seu quotidiano método de observação participante. Essa observação participante de nós para eles, e de eles para nós, que acaba por fazer de nós parte do grupo. Até ao fim. Como costumava dizer uma mãe, o Sr. Doutor não vai descansar até não ter todos os nossos meninos, feitos doutores também. O que a senhora não sabia é que, para eles serem doutores, era preciso entender o seu entender. O que denomino epistemologia, que todo o processo educativo tem que considerar: conceitos, conhecimentos e costumes. Porque as crianças que cresceram, quando não era a existência e entendimentos das crianças que crescem, nos ensinaram que o saber pragmático foi o que fez desse passado, o futuro que desenvolve e faz desenvolver. Assunto que tratarei no próximo capítulo. Um dos que fica, novo ainda, do tempo em que as crianças não eram as de hoje, diz-me: estou velho, Sr. Doutor. Sem saber que não era ele, mas sim o seu sistema social. Que é o que faz História do Social. Que é o que faz velho, a um homem maduro, como esse meu amigo, o pai de Anabela e Luís. Que só teve pernas e braços para construir, o que não verá, ao olhar para o seu longínquo fim, voltar a acontecer. E o que é que ele pode saber? A história é um conjunto de conjunturas. Eis a minha hipótese, mil vezes provada no real. Para o qual voltamos, não sem antes deixar o leitor a pensar no Parsifal (1872) de Wagner, como nas premonições de Goya (1810). Que os ancestrais nunca puderam ouvir, por causa da luta pela subsistência. Nem ver, pela partida de um outro país, para regressarem a casa, à aldeia, à terra ou ao investimento. À luta política para melhorar o social, que eles não vão herdar. Nem penetrando nos campos.

Comments

  1. gomes says:

    Não existe nenhum código civil (português) de 1953.
    Cuidado com os erros!


  2. O seu texto até podia ter algum interesse, mas primeiro está cheio de incongruências e palpites históricos. É o que faz brincar aos historiadores. “Quem manda ao sapateiro tocar rabecão”? E depois é todo um arrazoado de frases. À segunda frase, já não apetece ler.

  3. Raul Iturra says:

    Meus Senhores, agradeço a vossa paciência de ter ou visto ou lido o meu texto. Os “palpites históricos” não são premonições, é a história que a gente que e vive me conta quando estudo, como psicólogo da infância, quando moro entre eles, como está sempre citado. Quanto ao código Civil, bem sei que é de 1867, e reformulado em 1999. No entanto, em 1953, mudou a classificação dos filhos por Decreto-Lei. Admito que me possa ter enganado no ano, por causa do Código Seabra ter sofrido muitas reformas, até o de 1967 e a nunca citada de 2007. Quanto a minha forma de escrita, é “À minha laia”. Reconheço o meu dever de cuidar as minhas sintaxes, mas quem trabalha em seis línguas, acaba por confundir, vou parar esta parte da escrita e começarei por outros novos campos. Mas, não se pode julgar um escritor por causa de um texto. Teve a sorte de ler os meus sobre o Centenário da República?
    Agradece as vossas dicas e cumprimenta
    Raúl Iturra
    lautaro@netcabo.pt

  4. Raul Iturra says:

    Mais um comentário: agradeço aos meus comentadores e as suas frases. Ajudaram-me a tratar do texto e, a 5 de manhã, já fixei o da República do Chile. Durante a manhã, a minha mulher deve fixar o texto comentado por vós. Duas explicações; falo de Portugal, más como são troços retirados de um livro meu de 1998, os três grupos analisados por mim estão entrelaçados, pelo que, após ver o livro, reparei que estava a falar do C. C. do Chile. Quanto a forma da escrita, é à minha laia, que tenta respeitar as formas em que as Histórias de Vida que uso para a psicanálise das crianças cujas mentes estudo, bem como ao dos seus pais. Mas, agradeço os comentários, que me obrigam a trabalhar mais. Estes textos devem ficar apenas por estas bandas. Devo respeitar o que de mim é esperado…Estou-me a defender? Sim, normalmente os meus textos esgotam, mas a única defesa é corrigir os erros, para isso são os comentários e os vossos são de mais-valia inacreditável.
    Cumprimentos, do vosso
    Raúl Iturra

  5. Raul Iturra says:

    Meus Senhores Gomes e Nuno Resende,
    Agradeço os trabalhos que me causaram por causa dos vossos comentários. Não sei quem é o Senhor Gomes, mas sei muito bem quem é Nuno Resende. Solicitei enviar o livro completo a Aventar e a Ricardo Santos para que entendam o contexto e vejam as fontes, além do trabalho de campo – as Histórias de Vida são a melhor fonte para um analista – mas não apenas: se enviei o livro, é para que possam perceber as minhas fontes documentais. Não são palpites históricos, são realidades desde o Século XVIII até os nossos dias.
    Espero que o livro chegue a vós. E, sim senhor, houve uma emenda ao CC de Portugal no ano referido, para que na herança o direito a melhora não fosse apenas para a mulher, mas para todos por igual, a herança passou a ser de três terços para a família e um terço de livre disposição. Antes de ser analista, fui advogado.
    Cumprimentos agradecidos por me dinamizar mais para trabalhar este pequeno ensaio, do vosso
    Raúl Iturra
    lautaro@netcabo.pt


  6. Sr. Raul Iturra,
    Em primeiro lugar, creio que não nos conhecemos.
    Em segundo lugar, gostava de esclarecer que em nada devo objectar quant ao teor opinativo dos seus textos, mas permita-me que o repita: não passam de opiniões. Opiniões ou análises generalistas e apressadas como esta: «Até à entrada dos Bonapartistas, no início do séc. XIX, toda a terra era do Rei». Está visto que não domina um conhecimento abrangente da historiografia, nem das fontes e muito menos do percurso histórico do país para proferir uma afirmação dessas. O resto do texto é uma súmula de considerações pessoais eivadas de preconceitos ideológicos e políticos, tendencialmente esquerdófilos, contra os quais não teço qualquer comentário, dado não passarem disso mesmo: opiniões e preconceitos. Ora bem, quanto a isto devo frisar que em historiografia é quase impossível ser-se asséptico e ideologicamente imparcial, mas na esfera da honestidade intelectual, um ensaio ou é científico ou é opinativo. E isso deve ficar bem esclarecido na introdução ou no preâmbulo. O que o sr. Iturra escreve aqui não é historiografia. Não se prende com análise crítica de um problema. É apenas uma união de factos cimentados com o seu (e apenas seu) ponto de vista. De resto, e mesmo entrando no Campo da Antropologia, ao qual não pertenço, tenho as minhas dúvidas quanto ao valor da entrevista como fonte exclusiva de análise holística. Reconheço-lhe a primazia de um documento, mas não sem a devida desconstrução e crítica e o cruzamento com outras fontes. Compreenderá, porém, que dificilmente poderá escrever História (estória é outra coisa) dos últimos 500 com recurso à memória oral e à entrevista a crianças (!) ou adultos… E mesmo considerando a inter e a multidisciplinariedade como absolutamente necessárias à boa ciência, permita-me este desabafo: a História tem vindo a tornar-se um campo avaro e estéril, comparado com a Sociologia, por exemplo, que se impõe arrogantemente como Ciência Exemplar dos nossos dias. Arredada para o domínio do “popular”, do “curioso”, do “comum”, tornou-se campo de todos. Qualquer um pode ser ser historiador, fazer História, isto sem alguma vez ter frequentado um curso académico. Ora, eu que não sou formado em Medicina, se abrisse um consultório e começasse a atender pacientes, provavelmente seria preso. É muito desprestigiante para um historiador dar de caras, todos os dias, na internet, nos jornais com pretensos e pretensiosos ensaios “históricos” redigidos por qualquer um.
    Por isso, entenda os vários níveis das minhas críticas. Não pretendo dar lições, apenas manifestei a minha opinião, como o Raul Iturra manifesta as suas em posts como este.
    Cumprimentos

    • gfcp says:

      Meu caro se o texto tem erros ou incongruência, pq não escreve um onde corrige o mesmo com a sua verdade histórica, isso sim era de louvar. Cumprimentos.

  7. Raul Iturra says:

    Nuno Resende, obrigado pela sua paciência de se interessar nos meus textos. Enviei um livro para Aventar, para ser-lhe enviada uma cópia e ver as minhas fontes e as minhas formas de trabalho. Vamos deixar o assunto em banho-maria. Leia o meu livro antes, avalie as minhas fontes e fale depois.
    Cumprimentos do seu
    Professor Doutor Raúl Iturra
    Catedrático em Etnipsicologia da Infância
    Membro do Senado da U de Cambridge
    lautaro@netcabo.pt


  8. E, senhor Nuno Resende, se precisar de alguém para o esclarecer que tenha morado em Vila Ruiva…….


  9. Ana :
    E, senhor Nuno Resende, se precisar de alguém para o esclarecer que tenha morado em Vila Ruiva…….

    Hum?

  10. Ricardo Santos Pinto says:

    Professor, não ligue.

  11. ana gomes says:

    achu que ffoi mui bonito lerr isttos

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