Portugal em orçamentação e corrupto

O País vive mais uma jornada do complexo trabalho orçamental, desta feita tendo como ruído de fundo o 35.º lugar no Índice da Percepção de Corrupção publicado pela organização Transparência Internacional para um conjunto de 178 países.

Os trabalhos orçamentais, com participação exclusiva dos partidos do ‘centrão’, diz-se, estão a ser acelerados, com o objectivo da viabilização do OGE ficar assegurada antes de Cavaco Silva, esta tarde, anunciar a recandidatura. Isto revela a típica maneira de fazer política na actualidade. Há uns quantos super-cidadãos e, numa pura lógica de individualismo acentuadamente provinciano, o tempo do acordo orçamental tem de submeter-se ao “timing” do anúncio de recandidatura de Cavaco. Se não fosse ocasião de candidaturas para eleições presidenciais, qual seria o prazo limite? Indefinido, certamente. São os interesses deste tipo de estadistas que fazem mover o País e não o inverso. Infelizmente.

Como sublinhámos antes, ao som das trompetas orçamentais junta-se o ruído da queda para 35.º lugar no índice da Transparência Internacional. Classificámo-nos no 32.º lugar em 2009. Piorámos. Com legislação confusa e ineficaz e demora de processos judiciais, continuam a proliferar por aí os Varas, os Isaltinos e outros mais ou menos conhecidos, como o ex-deputado do PS acusado de 19 crimes de corrupção. Honra lhe seja feita, João Cravinho bem lutou por legislação dura e eficaz neste domínio. Porém, afastaram-no. Continuaremos, pois, a assistir à ascensão, súbita e altiva, de certos ‘Zés ninguéns’ que, chegados à política, a cargos de gestão pública de institutos, hospitais e empresas, são impulsionados pelo dinheiro vilipendiado ao erário público através de adjudicações, compras ou ajustes directos. Quando é que esta gente ajusta contas perante o País?  

Comments


  1. Quando o pessoal começar a sofrer na pele as consequências destes roubos despudorados, nessa altura talvez se faça alguma coisa. O CPI de Portugal está a piorar pelo menos desde 2006, os números que tenho (já actualizados com os que usou neste post) estão disponíveis aqui.

  2. carlos fonseca says:

    Carlos Helder Guerreiro, agradeço a disponibilização de dados que facultou no seu comentário que robustecem – e de que maneira – aqueles para que fiz ‘link’ no meu texto.
    Obrigado.

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