Estou vivo e não quero ter medo de ir a Coimbra-B

O  Manuel Rocha, violonista da Brigada Victor Jara e director do Conservatório de Música de Coimbra, foi vítima de uma brutal agressão. No hospital onde se encontra internado escreveu este texto, contando como tudo se passou, com a dignidade de quem não confunde a árvore com as florestas. As melhoras Manuel, e roubo-te o texto do Facebook para servir de exemplo: outro qualquer já teria exigido uma caça ao cigano.

Queridos amigos!

Boletim clínico: fractura do perónio e lesão na articulação da perna direita; escoriações muito ligeiras; sem mais lesões físicas ou morais; sono profundo e descansado.

Descrição da ocorrência: abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o “bom” ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto da alcateia colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido; pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu).

Análise de conteúdo: não se tratou de violência étnica – os bandidos são bandidos seja qual for a característica dos indivíduos. A atitude demissionária e de assobiar para o ar de quem presenciou a ocorrência, não pode ser justificada pelo medo (característica, como é sabido, de quem tem cú), ou não faria sentido evocar esse pilar da civilização ocidental que é o amor ao próximo.


Moral da história: há que lutar pela criação de condições que reduzam os caldos de cultura da marginalidade; há que reprimir sem contemplações e com máxima contundência os assomos de marginalidade; há que denunciar a atitude que produz “Solidariedade sim, mas só se for a do Banco Alimentar contra a fome”. Tenho a perna partida, é certo. Mas desta vão tratar os profissionais do Serviço Nacional de Saúde. Quem vai tratar da violência criminosa dos marginais e da criminosa (por omissão) passividade dos cidadãos cumpridores? Grande abraço de gratidão pela vossa amizade.

Manuel Rocha

Comments

  1. Victor Manuel says:

    Lá virá o tempo em limparás o cu aos teus princípios de compreensão e solidariedade para com os pobres marginalizados. Auto-marginalizados, digo eu.
    Merda daquela não faz falta em parte nenhuma e sei que serás dos primeiros a pegar no varapau. Lá chegará o dia, mais depressa do que pensas, porque isso de ser assim tão solidário, mas sempre à espera que os outros façam alguma coisa, vai-te passar.
    Quanto à solidadriedade e imobilismo de quem assistiu, não duvido de uma coisa. Se fosse contigo, fazias o mesmo.
    Essas coisas são para os polícias, assim eles pudessem. Mas não podem.
    Não podem porque alguns que pensam como tu, os impediram de poder. Estás a pagar.
    Bem feito!


  2. Em princípio devia apagar o seu comentário. Não o faço porque o escrito do Manuel Rocha ainda mais se engrandece quando é comentado por um racista odiento como você.

  3. Vitor Manuel says:

    João Cardosos:
    Engana-se. Nada tenho de racista. Não pense que defendo ideias dessas. Defendo quem deve ser defendido. Também um dia você vai acordar. Talvez acorde tarde e pague um preço que não quer e fique surpreendido com a conta e a impossibilidade de reclamar. Por mais um bocadinho, talvez o Manuel Rocha não escrevesse esse “nobre” texto. E se fosse o caso? Ia ao funeral dele? Talvez não, talvez tivesse outros afazeres, talvez sim, para os vivos verem que você lá tinha estado.

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