Pedroto rima com Porto

O meu benfiquismo não me impediu, nunca, de gostar do inimigo, sobretudo do inimigo cujos defeitos chegam a ser virtuosos. Da minha história pessoal faz parte uma amizade com um grande amigo de José Pedroto, o que me concedeu o privilégio de ouvir histórias da intimidade de um homem que adoraria ter conhecido pessoalmente, mesmo que fosse para ouvir dizer mal do Benfica.

O mesmo amigo comum, o jornalista Manuel Dias, que se juntou a Pedroto há três anos, também me proporcionou um encontro com o Hernâni, o “irmão” de Pedroto. Foi esse antigo craque portista que falou desassombradamente do medo que os jogadores do FCP tinham mal atravessavam a ponte D. Luís em direcção ao Sul. O Pedroto treinador viria a ser o responsável por exorcizar esse medo, através da bravata e da provocação inteligentes contra a macrocefalia lisboeta, confundindo o futebol e a cidade e contribuindo para o poderio que hoje o clube tem, graças, ainda, a um aprendiz que soube perpetuar essa herança argumentativa e não só: Pinto da Costa.

A alma portuense é grande e as queixas relativamente a Lisboa tornam-se cada vez mais anacrónicas, mesmo se fazem parte da essência da cidade e se são mal compreendidas por um desenraizado como eu. Ontem, Gaia homenageou José Maria Pedroto, esse filho de Lamego que é um dos pais do Porto.

Comments


  1. “as queixas relativamente a Lisboa tornam-se cada vez mais anacrónicas”
    ROFL. Como é que vão as extensões dos metros outra vez? Já para não falar na qualidade das estações…

  2. José Maria Lessa says:

    Homens como Pedroto, Hernani, Americo, Barrigana, Virgilio, Morais, Poncio Monteiro e tantos outros deixaram no FCP e no Porto Cidade um perfume que nunca mais esqueceremos. Pinto da Costa é amado e odiado mas um dia à boa maneira Portuguesa muitos dos que hoje o atacam ainda vão ter saudades dele.
    Para JM Pedroto a minha recordação de saudade, mas que mantenho presente pela sua erreverência e principalmente por nunca ter sacudido os sapatos nos tapetes de Lisboa.