Pelo Paulo Guinote fico a saber de uma ameaça de poupança administrativa que
passará por corte nas aulas de História e Geografia e fim da segunda língua estrangeira obrigatória.
O que sai nesta altura do campeonato no pasquim de todos os governos, vulgo Diário das suas Notícias, pode ser muita coisa, de areia para os olhos a aviso prévio. Jornalismo ali há pouco, muito pouco, e sempre foi assim.
Ou se quiserem: não me apetece despertar hoje o corporativo que também há em mim. Até porque só um idiota chapado faria uma destas, levando em cima com todos os que têm formação em História (somos mesmo muitos, e somem os de Geografia, menos é certo, mas igualmente espalhados pelas mais diversas profissões) sejam ou não professores no activo, e com todos os que muito simplesmente teimam na mania de se pensarem portugueses. Embora tipos que evoluem da Economia para a matematicazinha (não estou a dizer mal da Matemática, que como todas a ciências sérias tem tronco grande mas também ramificações e ramos muito menores) sejam potenciais candidatos a mandar uma artilharia destas para o pé, com danos imediatos no corpo todo.
A acontecer também se pode interpretar como um discreto pedido de demissão, por vezes as pessoas acordam e descobrem que não nasceram para ministro. Se eu me chamasse Nuno Crato, ou não tinha dormido todo o mês de Setembro, ou já teria acordado assim.







Quais são os ramos menores da matemática a que se refere? Está porventura a fazer uma insinuação a respeito da qualidade científica do actual ministro da educação? Não percebo o que pretende com a referência à tal matematicazinha. E se realmente pretende questionar a qualidade do trabalho científico produzido pelo actual ministro da educação, fá-lo com base em quê?
Quanto ao conteúdo do seu post, depreendo que para si há vacas sagradas. Cada professor é naturalmente mais sensível à importância do domínio onde ensina. Mas o ensino evolui porque o mundo evolui. A escola tem de acompanhar o mundo. Há novos saberes e valências completamente ignoradas pelo sistema de ensino actual. Como é que é possível encontrar espaço para elas sem que nada saia. E qual é o efeito dos três anos de ensino de uma segunda língua estrangeira no aluno médio? Quais são as competências efectivamente adquiridas? Parece-me que estas questões merecem ser reflectidas. A atitude racional é a atitude crítica que parte para os problemas sem soluções préconcebidas.
Quanto à segunda língua estrangeira não sei, mas parece-me a mim que o tempo dedicado à história devia ser muito maior enquanto se continuar a repetir as idiotices do passado. Principalmente em matéria económica.
A sua dificuldade, para não dizer impossibilidade, de ter entendido o que escrevi, denota algumas lacunas nas áreas cientificas ditas de humanidades. Ficamos por aqui.
Nuno Crato tem um percurso académico risível, e intelectual de treta. Com a defunta qualidade de se ter armado em grande combatente anti-eduquês, onde até lhe encontrei alguma graça.
Não li Nuno Crato, confesso, como nunca perdi o meu tempo a ler mais outros que se posicionaram para o mesmo: fazer do ensino público um negócio privado.
Tive a pachorra de lhe responder, caro José, apenas porque concordo consigo numa coisa: a escola deve acompanhar o mundo. Uma boa altura para acompanhar Nuno Crato numa viagem para a Lua.
A notícia é uma descarada manipulação da opinião pública.
Qualquer pessoa com um mínimo de cultura sabe que Geografia e História são ciências desde a Época Clássica e que, enquanto disciplinas, integram a matriz curricular do nosso ensino básico (2 e 3º ciclos) desde sempre.
O referido pasquim (ou a sua fonte) teve lata de classificar estas disciplinas como não estruturantes. Então, mas disciplinas que estudam e problematizam o território, que nos dão a conhecer o passado e que são a fonte da nossa formação humanística e cultural não são estruturantes?
Estamos a ser governados por gente intelegente ou por mentecaptos?
Paulo Fonseca
Enquanto cada um olhar para o seu umbigo, nada a fazer! Afundar-nos-emos alegremente na mais profunda ignorância sem conseguir perceber que o saber adquirido nas várias matérias contribui para a formação do cidadão inteiro, que aprender uma língua é uma ponte para a partilha de saberes, que não se aprende só e apenas, mas aprende-se com, que ficaremos cada vez mais empobrecidos de facto, e não falo dos bolsos, mas das mentes, que “les fils de… ” terão sempre quantas histórias e terão a geografia percorrida do mundo e quantas línguas os seus papás pagarem e PAGAM! Não paga o Nuno Crato??? É muito fácil lixar os filhos dos outros e é tão fácil pôr-nos todos a pensar que isto e aquilo afinal não faz muita falta e pôr-nos a contribuir para fazer o trabalho sujo, chegando à conclusão de que entre cortar isto ou aquilo, será preferível aquilo e não isto porque até sabemos mais disto ou estamos mais próximos disto ou o nosso pequeno círculo inclui mais isto e até nos safamos sem aquilo. Vá lá cheguem à conclusão de que neste mundo global até já está tudo feito e afinal a escola não serve mesmo para nada e nem precisamos de falar, podemos todos á excepção de alguns passar a grunhir pois até seremos mais felizes assim…