Isto, sim, é social-democracia

“O Estado não tenciona envolver-se na gestão dos bancos”.

A frase é atribuída ao Primeiro-Ministro.

E faz todo o sentido: não interferir na gestão da banca é uma receita que só tem dado bons frutos.

Parece-me que a anunciada reprivatização da banca deveria ser acompanhada de um programa vinculativo e sujeito a auditoria permanente, onde a contrapartida pelo capital dado à banca seria a obrigação de cumprir um programa de apoio às empresas para que estas tenham liquidez.

Claro que isto obriga o Governo a saber quais os sectores prioritários e a ter, efectivamente, um programa económico para o país.

É uma chatice.

Claro que isto limita a banca sedenta de ir à busca nos benditos “mercados” de boas oportunidades de especulação.

Outra chatice.

Mas não seria – malgrado risco do que irei escrever a seguir estar fora de moda há uns anos na actividade política – mais justo?

Comments

  1. Nightwish says:

    E os bancos fazem o mesmo que fizeram à uns meses, pegam no dinheirinho e metem nos BRIC, que é onde rende…


  2. Mais do que uma chatice, é uma trabalheira.
    Dá muito menos trabalho deixar falir os bancos que não têm condições de se capitalizar.
    Se eu for um comerciante e, por qualquer razão (má gestão, alteração das condições do mercado,…), não tiver condições de repor os meus stocks; ou, se for um industrial e, por qualquer razão, deixar de ter capacidade para, p. ex., adquirir matéria prima, acha que o Estado deve dar-me “ajudar-me” em troca de um “programa vinculativo” em que eu me comprometo a vender o meu produto aos mais carenciados?
    Há inúmeras outras formas de financiar a actividade económica para além da banca comercial.

  3. José Galhoz says:

    Pegando no último parágrafo, claro que seria mais justo, mas não é a afirmação que é considerada fora de moda – é o próprio conceito de justiça (social, entenda-se). Isto é a maior das chatices, porque não está no campo das hipóteses – é bem real e está muito presente, como podemos sentir no pêlo…
    Quanto às formas alternativas de financiar a actividade económica, elas existiriam desde que os Estados as promovessem, mas isso seria chatice de mais para eles e os seus queridos bancos.

Deixar uma resposta