O fosso salarial

fosso

Segundo dados revelados ontem pelo Eurostat, referentes a 2014, Portugal é o país da União Europeia onde o fosso entre os salários mais altos e a média é maior. Em sentido inverso, ocupamos o topo da lista no que diz respeito à diferença entre a média e os salários mais baixos, a par dos países escandinavos e de potencias como Itália e França.

Olhando para o segundo indicador, onde nos encontramos lado a lado com algumas das mais robustas economias da UE, poderemos ser induzidos no erro de achar que afinal estamos melhor do que pensávamos. Não estamos. Apesar da inexistência de um salário mínimo fixado por lei na maioria dos países ao lado dos quais surgimos – Dinamarca, Suécia, Finlândia e Itália – se olharmos para os salários médios destes países, aos quais se juntam França e Bélgica, com salários mínimos de 1457,52€ e 1559,38€ respectivamente, verificamos que, em todos eles, o salário médio é superior a 2 mil euros (oscila entre os 2017€ em Itália e os 3553€ na Dinamarca), ao passo que o salário médio em Portugal é de 968€.

Ao contrário dos países citados, onde a média é tão alta que, havendo uma disparidade menor, os salários mais baixos acabam por ser uma miragem para países como o nosso, o que acontece em Portugal é que a média é tão baixa (50,6% inferior à média da União) que a referida diferença apenas vem confirmar o que todos sabemos: que a esmagadora maioria dos salários pagos no nosso país são extremamente baixos. O que de resto confirma a tendência de um país onde, de ano para ano, o fosso não pára de aumentar. A tal competitividade pela qual partidos como o PSD e o CDS-PP tão arduamente têm lutado. E ainda têm a distinta lata de falar em saques.

Imagem via Bright Side

Comments

  1. Acácio Bernardo says:

    E qual o motivo ?

  2. Acácio Bernardo says:

    Qual o motivo?

  3. Rui Naldinho says:

    A diferença salarial bruta, não sendo por si só um bom sinal de uma sociedade equilibrada, não tem para mim um grande significado.
    Aquilo que eu considero essencial é que no final das contas feitas, a diferença salarial líquida seja justa face aos várias intervenientes na actividade económica.
    Por exemplo:
    Se o escalão de IRS de alguém que aufere um ordenado “bruto” acima de 10.000 euros for de 49%, no final de cada mês, ele/a só em retenções fiscais deixa ficar 4.900 euros nos cofres da Autoridade Tributária e Aduaneira. Se a isso somarmos os descontos para a reforma e outras retenções, o ordenado liquido não andará muito longe dos 4.000 euros.
    Será justo?
    Pelo menos não choca!
    A gente sabe que para se contornar esse efeito regulador e moderador, as empresas procuram dar por fora, as chamadas alcavalas. Como me dizia um amigo em tempos: ” a mim nunca me custou o que eles ganhavam, mas sim aquilo que as instituições não os deixavam gastar”. Casa, Cartão de Crédito, carro, viagens, restaurantes, etc, etc.
    As coisas hoje estão bem melhores, mas já foram assim.
    Depois temos ainda a economia informal, que muita gente associa ao facto de Portugal ter uma elevada carga fiscal face a outros países, o que é redondamente falso, até porque são os países do centro e norte da europa aqueles que têm maior carga fiscal, e nesse países a economia informal é bem mais baixa do que em Portugal. A Itália era até há bem pouco tempo o país com maiores informalidades na sua economia, a Máfia é um bom exemplo disso, e que eu saiba são bem mais desenvolvidos do que nós.
    Isto tem tudo a ver com educação e as elites que estão no Poder.
    Um poder fiscal forte e justo pode corrigir quase todas essas deficiências do sistema capitalista. Haja é vontade para isso.
    É indiscutível que o sistema tributário produz efeitos colaterais em relação a diversos aspectos da organização social e económica dos Estados, seja concentrando ou desconcentrando riquezas, estimulando ou desestimulando comportamentos, induzindo ou restringindo determinadas atividades económicas. Esses efeitos não podem ser negligenciados, principalmente numa sociedade que pretende alcançar um adequado nível de desenvolvimento económico e social.
    O período pós “Troika” demonstrou os efeitos nocivos do sistema tributário implementado por Vítor Gaspar, que contribuiu para os altos níveis de concentração de riqueza do país em meia dúzia de pessoas, com o aprofundamento da desigualdade e da desregulamentação de vários sectores de actividade, nomeadamente na legislação laboral, mas não só. A falta de Inspectores de Trabalho, da ASAE, etc, demonstram como uma agenda ideológica consegue destruir tudo o que existe numa sociedade organizada. Por sua vez, a elevada participação da fiscalidade sobre o consumo na carga tributária bruta, em detrimento da participação da fiscalidade sobre as rendas e o património, foram apontadas como uma das principais causas da desigualdade e do empobrecimento, uma vez que, comprovadamente, a tributação sobre o consumo pesa mais sobre as rendimentos mais baixos.


  4. Parabéns Rui Naldinho pelo seu comentário uma excelente abordagem sem recorrer a chavões de “economês”,

  5. Rui Naldinho says:

    O cartonista nem se esqueceu do meu velhinho Renault 12 de 1974, ( o carro mais próximo de nós, com um automobilista na frente direita).
    http://www.carros-antigos.net/wp-content/uploads/2014/02/renault-12-foto-de-1974.jpg

  6. Anónimo says:

    Como dizem os gregos, esses grandes malandros, “o homem é a medida de todas as coisas”.
    Ricos ou pobres, todos têm as mesmas necessidades vitais. Todos precisam de comer, para viver.
    No “tempo do PREC” criou-se o “cabaz de compras” que, salvo erro, incluía os produtos essenciais para manter uma família viva, com dignidade.
    O “cabaz de compras” permitia calibrar os ordenados, mínimos e máximos, e controlar os custos da produção e os preços do comércio.

    Nos tempos que correm, o capital é a medida de todas as coisas.
    O homem é o combustível; escravo para trabalhar e escravo para consumir.

  7. anti pafioso diabrete says:

    Porque se considera pouca produtividade. e depois saem noticias que os patrões ,gestores, administradores estão mais ricos . quem produz essa riqueza ?

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