Números que passam despercebidos

Pois é, Jorge. A emissão de dívida de curto prazo com juros negativos recorde não foi merecedora de grandes manchetes, o que é de estranhar visto vivermos num país onde a imprensa, toda ela e sem excepção, se encontra ao serviço da máquina soviética da Geringonça. O mais certo é nem ter havido emissão de dívida nenhuma. Se houve, com certeza que terá sido a habitual catástrofe, com juros altíssimos e perigo de resgate ao virar da esquina.

Da mesma forma, passaram despercebidos os números revelados anteontem pelo Eurostat, esse barómetro comuna, que dão conta de um crescimento do emprego na ordem dos 2,4% no quatro trimestre face a igual período de 2015, mais do dobro da média europeia (1%) e da zona euro (1,1%). E passaram bem porque só podem ser um grande barrete. Qualquer pessoa de bom senso percebe que um país controlado por comunistas e bloquistas não cria emprego.

Cartoon via Unique Design

O fosso salarial

fosso

Segundo dados revelados ontem pelo Eurostat, referentes a 2014, Portugal é o país da União Europeia onde o fosso entre os salários mais altos e a média é maior. Em sentido inverso, ocupamos o topo da lista no que diz respeito à diferença entre a média e os salários mais baixos, a par dos países escandinavos e de potencias como Itália e França. [Read more…]

Novidades sobre a propaganda do desemprego

Desemprego jovem

Apesar do esquema dos estágios profissionais ou do meio milhão de portugueses, maioritariamente jovens altamente qualificados, que abandonou o país nos últimos quatro anos, entre outras artimanhas que caracterizam a engenharia política do desemprego desenvolvida pelo actual governo, a realidade voltou a cair-nos na cabeça e os números do Eurostat relativos ao mês de Maio colocam Portugal no top 5 dos 28 países que constituem a União Europeia.

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Este país não é para jovens

Desemprego jovem

Foto@Público

Segundo o Eurostat, assistiu-se em Março a um recuo dos números do desemprego jovem na ordem dos 0,2% para os 20,9% no conjunto dos estados membros da União Europeia, enquanto que na zona euro a taxa se situou nos 22,7%. Naturalmente, a Alemanha é o país com menos desemprego jovem (7,2%) enquanto que a Grécia e a Espanha ocupam o topo da lista com taxas a rondar os 50%.

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Portugueses falidos que resgatam bancos

Passos e Salgado

Tal como quando se nacionalizou o banco do regime cavaquista, também por altura da intervenção do Estado no BES nos foi dito que pouco ou nada havia a temer e que os interesses dos cidadãos, tal como as suas carteiras, estavam salvaguardados. Claro que, diz a nossa experiência colectiva recente, as palavras que saem do aparelho vocal dos responsáveis políticos tendem a valer cada vez menos. E enquanto a factura do BPN parece não ter fim, a factura do BES é ainda uma incógnita que ameaça transformar-se num prolongado sorvedouro de recursos públicos, sem que as perspectivas de que algum dia alguém venha a ser responsabilizado pelo sucedido sejam particularmente animadoras.

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Emprego – Eurostat, Pordata/INE, divergências e significados das estatísticas

O Eurostat publicou números favoráveis ao governo. Para a sociedade portuguesa no todo, tenho dúvidas da valia muito positiva da notícia – há a considerar efeitos de sazonalidade e o trabalho precário incluindo o utilizado pelo próprio Estado.

O acréscimo no 3.º T de 2012 fixou-se em +1,2% no número de empregados, relativamente ao trimestre anterior; este já registara um aumento de +0,8%. Todavia, ao analisar o somatório dos acréscimos citados, extraio facilmente duas conclusões:

  1. Os 2% totais ficam aquém da quebra de -2,2% registada no 1.º T do ano;
  2. Comparado com o período o homólogo, o resultado +1,2% não invalidou que no final do 3.º T de 2013, na população portuguesa, se tenha agravado em -2,4% o contingente de empregados.

O Eurostat, para efeitos da informação estatística do emprego, considera o conceito: ‘Emprego cobre empregados por conta de outrem e trabalhadores por conta própria nas unidades de produção internas do país”. [Read more…]

Obama, Draghi e a pobreza explosiva na Europa

Exclusão de Pobreza e Exclusão Social (% da população total, 2012)

pobreza_eurostat_5-12-2013

Tenho criticado o presidente Obama. A meu ver, relativamente a determinadas expectativas – acção decidida e exemplar contra os ‘paraísos fiscais’, por exemplo – o presidente norte-americano revelou-se mais do que ineficiente. Errou, ao integrar no governo Timothy Geithner (2009-2013), ex-CEO da poderosa e sinistra Goldman Sachs, e outras figuras hediondas que causaram a gravíssima crise financeira e social de dimensão global. [Read more…]

UE: 18,82 milhões sem emprego em Nov. 2012

Os números oficiais do Eurostat=+ 113.000 do que em Outubro de 2012, e + 2,015 milhões do que em Novembro de 2011. Espanha: 26,6% da população. Grécia: 26% (em Setembro 2012). Portugal: 16,3%. Chipre: 14%. Fonte: Le Nouvel Obs

Falemos de Portugal, da Zona Euro e dos UE dos 27

Sabe-se que o desempenho do País, a somar às influências externas, é fundamentalmente resultado da qualidade dos dirigentes  que o têm governado – em Portugal, como em qualquer lugar. Parece, todavia, útil desprezar os actos burlescos do quotidiano político, como a reacção de Nogueira Leite ao “erro tecnológico foleiro” de José Lello. De resto, ambos foram membros do XIV Governo Constitucional, de António Guterres, e eventualmente, a esta hora, já resolveram arquivar o ‘dossier’ próprio de quem se sabe merecer entre si.

Trate-se do que é relevante para os portugueses. Fale-se, pois, com seriedade de Portugal, mas igualmente da Zona Euro e da UE dos 27. Hoje, a imprensa portuguesa relata que o nosso País tem o 4.º maior défice e a 5.ª maior dívida da Zona Euro.

Sem deixar de ser verdade o anunciado, este carece de complementar e detalhada análise.  É, portanto, necessário  examinar com minúcia toda a informação hoje publicada pela Eurostat, da qual há a extrair conclusões interessantes:

  • Portugal, considerado no conjunto dos 27 Estados-membros da UE, melhora a posição para o 5.º maior défice, uma vez que o Reino Unido se intromete em 3.º lugar com  – 10,4% do PIB,  o terceiro maior da UE;
  • O total de economias deficitárias, em percentagem do PIB, é de 14 países: Irlanda, Grécia, Reino Unido, Espanha, Portugal, Polónia, Eslováquia, Letónia, Lituânia, França (estes com o mínimo de – 7%, défice da França), Luxemburgo, Finlândia, Dinamarca e Estónia; [Read more…]

Os obscenos dinheiros do futebol

Sou um apreciador de futebol em final de processo de desintoxicação. Diversas e substantivas razões levam a alhear-me do dito “desporto-rei”. Cheguei ao ponto de, pela TV do café mais próximo, me dispensar de assistir a um jogo daqueles que há tempos considerava imperdível – por exemplo, um ‘Barcelona-Real Madrid’, dito assim, em respeito pela ordem alfabética.

A violência, sobretudo entre as claques dos ‘dois grandes’, e todo esse espectáculo degradante de confrontos entre uns e outros e a polícia a tirotear, mostrados nos telejornais, constituem motivos de sobra para a minha repulsa.

Todavia,  também dão forte contributo notícias como esta, da saída Villas-Boas poder representar a receita de 15 milhões de euros para o FCP; ou então esta, em que é contado que Ronaldo ganhou 71 mil euros diários, em 2010.

Tais casos, e ainda é mais grave, são meras gotas de água de vastíssimos mares. Nos quais também  navega a construção do ambientalista Sócrates de 10 estádios de futebol e de outras infra-estruturas que entram – e de que maneira! – na contabilização do défice público, assim como do défice externo total. Os tais défices que trouxeram até nós a troika e tudo o mais que se vai seguir na caminhada, de cada vez mais portugueses, na direcção da pobreza ou mesmo da miséria.

Não é, obviamente, redutível a Portugal o fenómeno da obscenidade dos dinheiros futebolísticos. É impossível ignorar os mais de 4,5 milhões de desempregados em Espanha; ou, em síntese, as percentagens da população em risco pobreza publicadas pela EUROSTAT para 2009 (últimas estatísticas publicadas). Observe-se as elevadas percentagens da Itália e do Reino Unido, destinos eventuais apontados para Villas-Boas.

É o futebol e o mundo, como diria Rodrigo Guedes de Carvalho. Triste, muito triste, acrescento eu.

Estes dados merecem destaque

De acordo com o Público, citando dados do Ministério das Finanças, as revisões exigidas pelo Eurostat (que já vêm de 2007…) para o cálculo do défice de 2010 aumentaram o peso da dívida pública no PIB de 83,1 para 92,4 por cento.

  Impacto no défice Impacto na dívida externa em percentagem do PIB
Refer, Metro de Lisboa e o Metro do Porto:
793 milhões de euros
somaram 0,5 pontos percentuais  ao défice acréscimo de 6,9 pontos percentuais
BPN: 1.800 milhões de euros acrescentou 1 ponto percentual ao défice acréscimo de 2,2 pontos percentuais
Execução de garantias dadas pelo Estado ao BPP: 450 milhões de euros somaram mais 0,3 pontos percentuais ao défice acréscimo de 0,3 pontos percentuais
TOTAIS +1,8 pontos percentuais +9,4 pontos percentuais

 

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Carro eléctrico, electricidade-fóssil

Em 2007, a capacidade de produção eléctrica foi a seguinte:

Capacidade de produção eléctrica - Portugal

e na Europa a 27 foi (clicar para aumentar):

Capacidade de produção eléctrica - UE27

Fonte: Statistical pocketbook 2010 (site, PDF, XLS)

Portanto, quando se fazem títulos como este «Carro eléctrico: adeus século do petróleo, olá século da electricidade?», ou quando se decide avançar com projectos megalómanos de redes de abastecimento eléctrico ou quando um primeiro-ministro resolve falar de uma prometida revolução com o carro eléctrico, é preciso não esquecer que

  • mais de 50% da actual produção eléctrica nacional (e europeia também) provem da queima de combustíveis fósseis, com as consequentes emissões de CO2 e dependência energética do exterior;
  • se todos os carros deixassem de queimar combustível para gastar electricidade, simplesmente estaríamos a transferir os actuais problemas dos carros para as centrais termo-eléctricas (para aumentar a capacidade produtiva) e possivelmente ainda haveria questões como a capacidade da rede de distribuição eléctrica e da respectiva eficiência;
  • além de não resolver os problemas energéticos e ambientais, o carro eléctrico vem ainda criar um novo: o da reciclagem das baterias (produto de elevado perigo ambiental);
  • finalmente, a adopção de tecnologias embrionárias tem o elevado risco de se escolher as que não vingam (que o digam, por exemplo, os que apostaram no formato vídeo betacam ou no HD DVD) e de poderem ser caras e com baixo rendimento.

Não tenho grandes dúvidas sobre um futuro com o carro eléctrico mas aposto que não o veremos em massa com as actuais tecnologias. Enquanto uma alternativa prática aos combustíveis fósseis não for encontrada, estes ímpetos modernistas não passam de um frisson para embelezar programas eleitorais.

Leituras adicionais:

O Eurostat não percebe nada do desemprego na Europa e muito menos em Portugal

U.S. DEPRESSION BREAD LINE

O primeiro-ministro diz que o desemprego é um problema grave. Que subiu em Portugal, pois, mas subiu em toda a União Europeia. O Eurostat, gabinete de estatísticas da UE, vem dizer que não. A taxa de desemprego continua a subir em Portugal, tendo atingido os 10,9 por cento em Maio, enquanto na UE e na Zona Euro se manteve nos 9,6 e 10 por cento.

O Eurostat, claro, está enganado. Está visto que não dispõe de todos os dados. Além do mais, não devem saber fazer contas. É óbvio que o desemprego subiu em toda a Europa e não apenas em Portugal.

Claro que isto nos deixa muito mais felizes.

O que se diz por aí

No Afeganistão, a actividade dos talibãs não descansou, e demonstra que o controlo militar do território é um trágico logro que só interessa à indústria do armamento.
Nos “Globos de ouro”, a minha querida Sandra Bullock foi uma das premiadas.
Pelas contas do Eurostat somos o terceiro país da Zona Euro a receber menos á hora. Eles têm é inveja dos nossos salários serem tanto competitivos.
Em outras contas, ficou-se a saber que a Caixa Geral de Depósitos comprou as acções a Manuel Fino mas não os respectivos direitos de voto. Tem acções mas não tem votos na Cimpor. Esta aquisição da Caixa, que pagou pelas acções um preço superior ao do mercado, revela-se a cada dia, um investimento cada vez mais estratégico: ficou sem direito de voto na cimenteira portuguesa que, por acaso, anda a ser bem cobiçada. Quem é fino, quem é?
Enquanto isso Manuel Alegre permanece disponível a recolher apoios. Quando tiver tempo, espera-se que se anuncie como efectivo candidato.
Por fim, uma promissora notícia para os estudantes com uma universidade de Sevilha a reconhecer o direito a copiar nos exames. Depois do “Processo de Bolonha”, talvez o “Processo de Sevilha”.