A máquina do tempo: o caminho faz-se caminhando

Muita gente que cita este verso «O caminho faz-se caminhando», ou na sua versão original «se hace camino al andar», não sabe que o seu autor foi um grande poeta castelhano – Antonio Machado. Trata-se de uma estrofe, a XXIX de «Proverbios y cantares» do seu livro «Campos de Castilla» cuja primeira edição data de 1910. Apesar de termos escutado estes versos integrados num trabalho do cantor e poeta catalão Joan Manuel Serrat, vejamos agora o poema sem adornos:

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

De notar, além da beleza do poema, o emprego do substantivo «mar» no feminino, sabendo-se que embora tendo os dois géneros em castelhano, é mais usual o emprego do masculino, «el mar». «La mar», feminino, é coisa de poetas, marinheiros e pescadores, de homens que amam o mar como se ama uma mulher. Há um poema de Federico García Lorca, muito famoso, o «Romance sonámbulo» (do «Romancero gitano») no qual «mar» passa também ao feminino.:

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Etc.

Quem tenha lido algumas das minhas crónicas anteriores, poderá pensar que sofro de uma doença julgada extinta, o «ódio ao castelhano» (odio al castellano), enfermidade também conhecida como «a síndrome de Aljubarrota» . Nada disso. Adoro a Castela, sempre disse que os castelhanos são das pessoas mais simpáticas e afáveis da Península, sem o calculismo mercantil que inquina as mentalidades catalãs, o revestimento bisonho e fatalista das atitudes portuguesas, ou a prudência que faz que se encontramos um galego numa escada não consigamos saber se vem a descer ou se vai a subir. Aos bascos não consigo atribuir qualquer dos apêndices idiossincráticos, meros chavões, chistes sem qualquer valor antropológico (e, diga-se a verdade, todos eles criados pelos simpáticos castelhanos, que chamam a uma fanfarronada «una portuguesada» – pagando-lhes nós com a «espanholada» com o mesmo significado de bravata). Gosto muito deles, mas não quereria tê-los como opressores ou invasores. Como irmãos e amigos, «tudo bem» no brasileiro dizer. Como donos, nem pensar.

Uma das coisas de que gosto em Castela é do seu idioma, da sua cultura, da sua literatura, sobretudo da sua poesia. E a de Antonio Machado é uma das âncoras que me prende ao castelhano e ao prazer de o escutar. Trabalhando mais de 20 anos numa empresa que, não sendo castelhana, usava o castelhano como língua de trabalho, fui forçado a aperfeiçoar os estudos escolares que já tinha feito do idioma e, sobretudo se me ativer ao léxico profissional, falo-o com desembaraço, principalmente se estiver a tratar de assuntos da minha área. Mas evito falá-lo porque sei bem o espectáculo que grande maioria dos meus compatriotas dá a seguir a ter afirmado que «habla español» – ridículas línguas de trapos, competindo com os palhaços, cuja trapalhice é profissional e fingida. Para falar castelhano, sobretudo para nós que temos uma língua muito semelhante, é preciso estudá-lo a fundo, porque aquilo que em linguística se chama «os falsos amigos», palavras iguais com significados diferentes, são mais do que muitos entre o português e o castelhano.

Um dia destes hei-de ganhar coragem para falar de outro grande poeta, um dos maiores, o andaluz Federico García Lorca. Nesta máquina iremos, em 12 de Outubro, visitar o austero don Miguel de Unamuno, um basco de cultura castelhana, e estou, como podem ver, a tentar aterrar junto de Machado, outro andaluz. Mas o universo da literatura castelhana é inesgotável, porque se conseguíssemos referir todos os grandes escritores peninsulares que usam o idioma (e seria tarefa enciclopédica), teríamos depois de olhar a Ocidente, respirar fundo o ar do Atlântico, e recomeçar desde Juana Inés de la Cruz ( a que aconselhava: «não vos queixeis, homens tolos…») até Carlos Fuentes, García Márquez, Vargas Llosa, Isabel Allende… O universo do português é também rico, é um caudal que não nos envergonha face ao dos nossos vizinhos. Vamos lá fazer-nos à pista.

Antonio Machado nasceu em Sevilha em 1875. Foi uma das grandes figuras da chamada «Geração de 98», referindo-se este número á data de 1898, quando a Espanha foi derrotada na guerra que manteve com os Estados Unidos pela posse de Porto Rico, Cuba e Filipinas. A derrota significou uma tomada de consciência de jovens intelectuais da decadência do país e foi como que um ponto de viragem, caracterizando-se a escrita desses jovens pelo seu carácter revolucionário, em termos literários e em termos políticos. Foi rodeada de polémica, pois havia intelectuais, como Pío Baroja, que negavam lógica à designação. Esta classificação geracional refere-se a escritores que nasceram entre 1864 e 1875 – Miguel de Unamuno, Valle-Inclán, Blasco-Ibañez, Jacinto Benavente e Antonio Machado, são das principais figuras ligadas a esta geração.

Morreu em 1939, refugiado num quarto de hotel, fugindo dos assassinos da polícia política franquista, ele que era tudo menos um político. Sabendo que a morte se aproximava, escreveu num papel as suas últimas palavras – «Estos días azules y este sol de infancia», sinal de que antes morrer viajou até ao passado. Um grande poeta – se hace camino al andar – que grande verdade contem este verso que quase se transformou em lugar-comum.

Dez anos depois…

AMLIA_~4

Completam-se hoje 10 anos sobre o desaparecimento físico de Amália Rodrigues.

Amália era sem dúvida a maior representante da música nacional, ou seja o Fado.

As suas canções e os seus fados permanecem, quase de certeza, na memória de todos os portugueses.

Como diria Amália Rodrigues “Obrigada… Obrigada”

Memórias do Reviralho (I)


Emídio Guerreiro, em pé, em primeiro plano, envergando o uniforme de um dos regimentos de Guimarães, junto à “trincheira da morte”, que foi erguida na confluência das Ruas 31 de Janeiro, e Santa Catarina, junto à Livraria Latina, no Porto.

Nota prévia: A memória histórica do povo português esquece este importante acontecimento: por um lado, a historiografia do Estado Novo apagou-a por completo, passando a ideia de que a implantação do novo regime decorreu com tranquilidade e com pleno apoio dos militares e mesmo do povo, e por outro lado a que surge no pós 25 de Abril mostra-se profundamente marcada pela ideia de que só o Partido Comunista Português constituiu resistência activa à Ditadura Militar e ao Estado Novo que se lhe seguiu.

A REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927: A PRIMEIRA GRANDE AMEAÇA DO REVIRALHO

I – A lenta agonia da 1ª República – de 1925 até ao 28 de Maio de 1926.

No processo dinâmico que antecede o evento ora em análise, imprescindível nos parece que, ainda que de forma perfunctória, se analise o último ano da 1ª República, para lhe adivinhar as fragilidades, as convulsões e instabilidade provocadas pela tensão dialéctica entre os vários grupos, tendências e personalidades marcantes que posteriormente nos surgem no apoio e na contestação à Ditadura Militar.
Entre a implantação da República e o golpe militar de 28 de Maio de 1926, o país conheceu:
a) 7 eleições legislativas gerais (1911, 1915, 1918, 1919, 1921, 1922 e 1925);
b) 8 eleições presidenciais (1911, duas em 1915, duas em 1918, 1919, 1923 e 1925), em que só António José de Almeida conseguiu cumprir o mandato completo;
c) 5 eleições municipais (1913, 1917, 1919, 1922 e 1925);
d) 45 ministérios.

Olhando-se, tão só, para o último ano de vida da primeira experiência republicana, vários são os golpes militares que, testando a sua solidez, lhe prenunciam a morte, e lhe vão cavando a sepultura, abrindo caminho para que os sectores mais conservadores da sociedade lhe desfiram o golpe de misericórdia:

A – em primeiro lugar, as do grupo sidonista monárquico de Sinel de Cordes (1), em 5 de Março e 18 de Abril de 1925.
No primeiro, três oficiais monárquicos (capitão Cal, tenente Mendes de Carvalho e alferes Martins Lima, todos afastados do exército por causa da revolta de Monsanto (2)) tentam apossar-se do quartel-general da guarnição militar de Lisboa.
Analisando de forma mais pormenorizada a última, até pelo simples facto de ter sido uma revolta de grande magnitude, envolvendo, pela primeira vez desde 1870, oficiais generais no activo, este movimento insurreccional é tido como o primeiro ensaio do golpe de 28 de Maio de 1926 e surgiu depois de boatos de uma tentativa de revolta monárquica publicados na imprensa a 5 de Março.
A revolta teve o apoio da Cruzada Nun’Álvares (3), era de carácter nacionalista e assumiu claras semelhanças com o golpe de Primo de Rivera em Espanha.
Envolveu pelo menos 61 oficiais, tendo, entre os líderes militares Sinel de Cordes, Gomes da Costa, Raul Augusto Esteves, Alfredo Augusto Freire de Andrade, e Filomeno da Câmara Melo Cabral (4) e, entre os conspiradores civis, Antero de Figueiredo, Carlos Malheiro Dias, José Adriano Pequito Rebelo e Martinho Nobre de Melo.
Os jornais O Século e o Diário de Notícias são suspensos. Sinel de Cordes chegou a sugerir a Teixeira Gomes, presidente da República, que nomeasse Filomeno chefe do governo. Para o jugular do golpe teve especial destaque o ministro da marinha (Pereira da Silva), dado que o ministro da guerra (Vieira da Rocha) defendia que se parlamentasse com os revoltosos.

B – Depois a do grupo republicano conservador de Mendes Cabeçadas (5) e Jaime Baptista, em 19 de Julho.
É decretado o estado de sítio, mas Jaime Baptista, que estava detido no Forte de São Julião da Barra, consegue evadir-se e assalta o Forte do Bom Sucesso, enquanto Mendes Cabeçadas revoltava o cruzador Vasco da Gama. A muito custo a revolta é dominada por forças fiéis ao governo, comandadas por Agatão Lança, resultando um único ferido em combate (o capitão Armando Pinto Correia), sendo os implicados presos e julgados, mas rapidamente libertados e reintegrados, tal era a falta de autoridade das instituições da República.

C – e, por fim em 2 de Fevereiro de 1926, foi a vez do grupo radical de José Augusto da Silva Martins Júnior.
A chamada revolução de Almada. O governo, chefiado por António Maria da Silva e o presidente da república (Bernardino Machado), estavam no Porto a comemorar o 31 de Janeiro. A revolta era chefiada pelo construtor civil Martins Júnior, reunindo outubristas (6), sidonistas, ex-democráticos, formigas pretas (7) e radicais. Depois de tomada a Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, e presos os oficiais, o regimento comandado pelos sargentos dirigiu-se para o Seixal tendo ocupado o forte de Almada, donde dispararam contra Lisboa.

1) General. Chefe do Estado-Maior do Exército de 1926 a 1928. Juntamente com o Marechal Carmona e com Alves Roçadas, um dos organizadores do golpe de Estado de 28 de Maio. Foi ministro das Finanças por três vezes (nomeado em 9 de Julho de 1926, em 19 de Dezembro de 1927 e em 7 de Abril de 1928. Negociou com a Sociedade das Nações, um empréstimo a Portugal, no valor de 12 milhões de libras esterlinas, para evitar a bancarrota. Deixou as Finanças públicas da Ditadura Militar num estado deplorável, situação com que teve de se defrontar o ministro que lhe sucedeu em 1928, Salazar.

2) De 22 a 24 de Janeiro de 1919 ocorreu uma revolta monárquica em Lisboa, de apoio à restauração da monarquia no Porto.

3) A Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira, mais conhecida por Cruzada Nun’Álvares, foi um movimento político português de extrema-direita, fundado com o objectivo de contribuir para uma solução ordeira de direita para os problemas de instabilidade crónica e de elevada conflituosidade social que afligiam a Primeira República Portuguesa. Das suas fileiras saíram alguns dos principais apoiantes das soluções fascizantes que dominaram a transição da Ditadura Nacional para o Estado Novo.

4) Filomeno da Câmara Melo Cabral, oficial da armada. Governador de Timor em 1910-1913 e 1914-1917. Militante de dirigente da Cruzada Nun’Álvares e deputado nacionalista em 1925. Ministro das finanças em 1926, no governo de Gomes da Costa. Ministro das finanças de 19 de Junho a 9 de Julho de 1927. Tenta, depois do 28 de Maio, um golpe contra Óscar Carmona, a chamada revolta dos fifis, onde conta com o apoio do então director da Biblioteca Nacional, Fidelino de Figueiredo, bem como de António Ferro.

5) Oficial de Marinha (Almirante) e maçon. Participa activamente na implantação da República.
Primeiro-ministro, por indicação de Bernardino Machado, torna-se quase plenipotenciário, ao acumular as pastas ministeriais mais relevantes. Por renúncia do Presidente da República, assume, em concomitância a chefia das Forças Armadas (31 de Maio de 1926). É afastado do poder, após uma reunião dos revoltosos no seu quartel-general em Sacavém, em 17 de Junho de 1926, e forçado a renunciar às funções de Presidente da República e de Primeiro-Ministro a favor de Gomes da Costa.
Feroz opositor da autocracia de Carmona e Salazar, conspira em, pelo menos, duas tentativas insurreccionistas em 1946 e 1947.

6) Uma brevíssima nota para recordar um dos mais hediondos dias da República Portuguesa: a noite sangrenta. Em 19 de Outubro de 1921, a Noite Sangrenta, são assassinados o presidente do ministério, António Granjo e o fundador da República, Machado Santos, juntamente com J. Carlos da Maia, o coronel Botelho de Vasconcelos o secretário
do
ministro da marinha, comandante Freitas da Silva. Triunfava a revolta falhada em 30 de Setembro, agora apoiada por forças da marinha. Uma camioneta-fantasma com o cabo Abel Olímpio, chamado O Dente de Ouro, circula por Lisboa recolhendo aqueles que serão assassinados. As culpas foram entretanto atribuídas à esquerda republicana, mas a viúva de Carlos da Maia, Berta Maia, decidiu investigar junto do marinheiro que chefiava a camioneta, o “Dente de Ouro”, e concluiu que tudo tinha sido uma conspiração monárquica destinada a eliminar os autores do 5 de Outubro de 1910.

7) Surge por oposição à Formiga Branca – nome pejorativo com que foi baptizada pelos inimigos a milícia semiclandestina do Partido Democrático destinada a apoiar pelas armas as instituições da I República.
A Formiga Branca começou por combater as incursões monárquicas de 1911-12, mas rapidamente se dedicou à repressão de todos os opositores de Afonso Costa, o político mais influente do regime – desde os sindicalistas e os operários em geral até aos republicanos de outras tendências. O massacre da ‘Noite Sangrenta’, foi atribuído a elementos da Formiga Branca. Uma milícia formada sobretudo por carbonários. Teve um papel fundamental no derrube da ditadura de Pimenta de Castro (1915).
A formiga preta foi o nome pelo qual ficaram conhecidos os apoiantes de Machado dos Santos. Estas milícias defendem o ataque dos primeiros a O Intransigente, jornal diário de Machado Santos, dito diário republicano radical. Começa por proclamar-se órgão dos verdadeiros carbonários. Combatia os provisórios e os adesivos.

FUTAventar – O Glorioso voltou

Há sempre um benfiquista ao pé de si. Se alguem lhe oferecer flores pode ser uma namorada feliz. Se vir um jovem ajudar uma velhinha atravessar a rua pode ser um rapaz de bem com a vida. Se lhe oferecerem um copo num bar pode ser um homem que voltou para a esposa amantíssima.

Ter um S. L. e Benfica de volta às vitórias é tão importante como Cavaco e Sócrates trocarem juras de amor, ter Jaime Gama como putativo candidato a Presidente, ter Ana Gomes amansada e não falar mais nos aviões que passaram por aqui. Ter a Edite madrinha má  ( ou prima) do sr. prof que deu aprovação a Sócrates numa série de disciplinas e que ganhou o concurso da Cova da beira, sem aquele sorriso de quem está fartinha de gamelas.

Ter de volta o Glorioso é cada um de nós ser maior, amar como quem seja daqui e de além mar.

Vivó o clube mais português, mais vitorioso, mais universal de Portugal !

TODOS: Vivó!!!!!!!

… naquele belo dia de caça

450px-Carlos_I_de_PortugalJaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente…
Corta a mudez sinistra o mar profundo …
Chora a rainha desgrenhadamente …

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É o príncipe Simão que vai à caça.

Os sinos dobram pelo rei finado …
Morte tremenda, pavoroso horror!…
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d’amargura e dor …

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da pátria a agonizar …
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!…

Papagaio real, diz-me quem passa?
–É el-rei D. Simão que vai à caça.

A Pátria é morta! A Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta,
Guarda a Infâmia os sepulcros dos Heróis!

Papagaio real, diz-me, quem passa?
–É el-rei D. Simão que vai à caça.

Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indomitamente a multidão …
Tocam clarins de guerra a Marselheza …
Desaba um trono em súbita explosão!…

Papagaio real, diz-me, quem passa?
–É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!…

Guerra Junqueiro
8 de Abril de 1890

(parágrafo)

VIVA  A REPÚBLICA COSMOPOLITA, DECADENTE E CORRUPTA …

MAS NOSSA !

Que chova sempre neste belo dia e que o céu nunca seja azul e branco!

(parágrafo)

ass. anarquista «afonsino», carbonário, anti-debutante e anti-cerúleo.

(parágrafo)

adeus, adeus … e até sempre !

A máquina do tempo: a bandeira nacional

Faz agora exactamente 99 anos, às 9 da manhã de 5 de Outubro de 1910, a bandeira da República foi içada na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. José Relvas fez a proclamação do regime e a nova insígnia nacional, que andava em milhares de mãos, feita artesanalmente, muitas vezes com as cores ao contrário, lá subiu no mastro perante uma multidão que enchia o Largo do Pelourinho (ou do Município). Estas mudanças são sempre traumáticas para quem as sofre com elas não concordando. As duas principais cidades do País eram maioritariamente republicanas e esse factor foi decisivo. Num país com 80% de analfabetos, as elites culturais eram também maioritariamente pelo fim da Monarquia. Mas, naturalmente, havia um número elevado de monárquicos mesmo entre os que contestavam a situação existente. Desde 1890, com a cedência perante o ultimato britânico, a instituição monárquica sofrera um rude golpe. Não sei onde foram os actuais monárquicos buscar a ideia de que a República foi implantada contra a vontade dos Portugueses, conforme dizem. Desde as comemorações camonianas de 1880, o ideal republicano vinha-se impondo entre grande parte da população – mas, além do ideal político subsidiário da Revolução Francesa de 1789,os dislates, na política e na vida pessoal, de D. Carlos foram uma das alavancas para o triunfo da República.

De facto, o rei D. Carlos, que era um homem culto e inteligente, portou-se de uma forma imponderada quer no plano político, quer mesmo na sua vida privada. No plano político, o seu reinado começou praticamente com um desaire – a vergonha do Ultimato – e continuou, com erros que só não eram evidentes para o próprio D. Carlos. Muitos monárquicos condenavam a vida de dissipação que o rei levava – amantes, prostitutas, filhos bastardos, gastos ostensivos e sumptuários. Mas tudo isso lhe seria perdoado se a sua conduta como chefe de Estado fosse aceitável. Todos sabemos como as coisas acabaram – com um Regicídio (em que morreu também o príncipe herdeiro) e com a subida ao trono de um jovem que não fora preparado para reinar. Há um livro muito interessante, o de Joaquim Leitão, «Diário dos Vencidos» que nos proporciona, a nós que quase só conhecemos a perspectiva republicana, uma visão da proclamação da República a partir do campo monárquico.

Porém, este meu texto de hoje tem apenas um objectivo – falar da bandeira nacional, a tal que, faz 99 anos, foi içada na varanda do Município. As cores verde e vermelha que, do ponto de vista da heráldica e da vexilologia, são incompatíveis, desde a revolta de 31 de Janeiro de 1891, estavam associadas ao Partido Republicano Português. Durante quase vinte anos, com diversas combinações – umas vezes era o verde que ficava junto da tralha outras o vermelho – foram sendo usadas pelos republicanos. Assim, quando após a implantação da República, abolida a bandeira da Monarquia Constitucional, foi aberto um concurso para a aprovação de uma nova insígnia nacional. Mas foi dado um prazo muito curto para apresentação das propostas. Houve diversos projectos, uma das quais do grande poeta republicano Guerra Junqueiro, que defendia que as cores da bandeira deviam ser mantidas substituindo-se apenas o brasão de armas. Fazia todo o sentido, porém, o apego ao verde e o vermelho prevaleceu.

Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho foram nomeados para a comissão que especificaria os pormenores e vigiaria o trabalho da Cordoaria Nacional encarregada de executar a encomenda. Columbano, o grande pintor, fez estudos de cor, escolheu criteriosamente os tons de verde e de vermelho (de forma a que a incompatibilidade se esbatesse), evitando o verde garrafa e o vermelho vivo. Com surpresa sua, quando as bandeiras foram entregues, as cores eram garridas – tal e qual como a comissão nomeada pelo Governo Provisório dissera que não deviam ser. Justificação: «para a quantidade encomendada, só tínhamos em armazém tecidos destas cores».

É uma discussão recorrente – se devemos ou não voltar à bandeira azul e branca. É mais bonita e o azul e o branco são compatíveis entre si, como a vexilologia quer. Mas, passados todo este tempo, não teria justificação. Durante a Monarquia, da Fundação a 1910, em 770 anos houve talvez mais de 20 bandeiras. A bandeira azul e branca vigorava desde 1830, tendo durado, com pequenas alterações, 80 anos. A verde-rubra vai fazer 100 anos – nenhuma bandeira monárquica durou tanto. Talvez não seja muito bonita, mas já nos habituámos a ela. E onde é que está escrito que as bandeiras têm de obedecer às regras da vexilologia e da heráldica?

Poemas com História: Ode a Jean de La Fontaine, podendo também passar por uma autocrítica

a
A história deste poema (que nunca foi publicado) é curta. Foi escrito durante o PREC (acho que se nota) e era cantado pelo meu amigo Aristides. Nele me penitenciava por, muitas vezes e particularmente nesse período atribulado, utilizar nomes de animais no sentido pejorativo. O meu amigo, Professor Germano Sacarrão, grande zoólogo e ecologista, bem me dizia que os animais não são bons nem maus, limitando-se a lutar pela sobrevivência. Mas quem, naqueles dias de brasa, resistia à tentação de chamar «chacal», «tubarão», «abutre» aos que exploravam (e exploram) quem trabalha? O Aristides, também conhecido por «Passarinho», nas cooperativas, fábricas, escolas, onde cantava punha a assistência a gritar repetidamente os últimos versos – era um sucesso. Dizia assim:

Os abutres, as hienas,
os tubarões, os chacais
são apenas animais
que lutam para viver.
Chamar abutre ou hiena,
tubarão, lobo ou chacal
a um grande industrial
ou importante banqueiro,
é abuso de linguagem
e ainda para mais
é o erro cometer
de insultar animais
cujo crime é a coragem
de querer sobreviver.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal –
não há nada que não venda,
que não importe ou exporte,
come com os dentes da fome
que devora milhões de homens,
vive com as garras da morte
que ceifa vidas à toa.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal.
A quem come carne humana
e converte a morte em ouro,
a vida em mercadoria
de reduzido valor,
é errar a pontaria
chamar abutre ou chacal:
– capitalista é canibal!
– capitalista é canibal!

A Frente Tejo S.A. – nas costas de Lisboa

Uma sociedade anónima para tratar a frente ribeirinha de Lisboa, constituída pelo governo e pela Parque Expo, e a que a CML não se associou.

Na Parque Expo está lá como presidente um amigo pessoal de Sócrates, e o arquitecto a quem foi adjudicado, por ajuste directo, a intervenção do centro da Praça do Comércio, trabalha há longo tempo com a Expo. Hoje, é-nos revelado pelo Publico, que há um trabalho de uma empresa consultora sobre a intervenção nas arcadas da praça.

Dezenas de lojas e restaurantes no rés do chão, o que exige rasgar montras nas paredes com praça e que o andar imediatamente acima, seja aborvido pelo rés do chão, para assim dar funcionalidade e espaço ás lojas.

“Panela de interesses” é assim que lhe chama Santana e “os Lisboetas nem sonham com o que se vai passando nas suas costas”, “montada entre o governo socialista e a câmara governada pelo PS”.

Costa, terá já contactado algumas multinacionais para se instalarem no “novo centro cosmopolita de Lisboa” e mesmo os torreões já terão destino. O estudo chama-se “Estratégia de Urbanização do Terreiro do Paço” e foi concluido em Abril.

Mas este é só um dos projectos com que se ameaça a frente Tejo, entre vários. Voltarei a este assunto.

FUTAventar – O Braga é um tratado

É um prazer ver jogar o Braga. Tem uma defesa segura, dois laterais que se fartam de correr e apoiar o ataque, uma linha média onde se juntam a capacidade de recuperar a bola e a visão, à distância, de colocar a bola do Hugo Viana.

O ataque ainda não é eficaz, constrói muitas oportunidades mas marca poucos golos e ninguem é campeão sem marcar golos. Mas tem trunfos, como é o Adriano que é um bom jogador de área. Com paciência, o Adriano pode ser o ás de trunfo, daqui a uns tempos, quando a fadiga se fizer sentir em jogadores muito rápidos como são o Alan e o Paulo César.

Bem gostaria de ver o Braga campeão, mas falta-lhe o peso que, por exemplo, os Loureiros tinham no Boavista. Sem “mexer” na arbitragem o Braga tem que ser muito melhor do que os outros para aspirar a ser campeão!

Talvez o Pintinho dê um jeito, já que este ano não tem equipa para ganhar. Assim evitava ter de ouvir os lampiões…

A corrupção nas mais – valias urbanisticas

Já tratei deste assunto aqui no Aventar. O nosso país é o único em toda a Europa em que as mais-valias urbanisticas não são retidas pelas finanças públicas. Tratam-se de mais – valias obtidas administrativamente, com é o caso, mais evidente, de alguem que tem um terreno que vale 10 unidades monetárias e que, por conseguir fazer licenciar um prédio naquele mesmo terreno, este passa a valer 100 unidades monetárias.

As mais-valias, 90 unidades monetárias, vão para o próprio que nada fez a não ser pagar para que lhe façam o projecto e lhe licenciem o terreno. Se não fosse levado a sério, estava tentado a dizer que a corrupção num caso destes até torna a negociata mais justa, pois assim há mais quem abocanhe.

Então, se todos sabem que é assim, porque não se muda a Lei? Porque não só está em causa a corrupção, como no final, quem paga são os que compram o prédio do nosso exemplo, e aqui a renda do terreno corresponde acerca de 2/3 do preço final.

Há cidades que têm milhares de fogos construídos sem comprador e sem utilizador, porque o lucro é de tal ordem que é bem melhor construir do que investir na industria. Muita gente comprou casa por causa da baixa de juros bancários, endividando-se, e agora estão com “as mais -valias” às costas de quem enriqueceu com este esquema.

Este governo que nos desgovernou nos últimos quatro anos não teve tempo ? Ou foram os camaradas autárquicos que não deixaram?

Clube dos Poetas Imortais: Maria Rosa Colaço (1935-2004)


Esta canção, «A Outra Margem», interpretada pelo Luís Represas e pelos Trovante, tem letra de Maria Rosa Colaço. A Maria Rosa foi-me apresentada pelo escritor Romeu Correia, seu vizinho em Almada. Foi uma amizade instantânea que começou, ainda nos anos 50, numa tarde de Inverno, no primeiro andar do café Avis nos Restauradores. Era uma rapariga bonita, inteligente, bondosa, calma, com a sabedoria alentejana do seu Torrão natal a cintilar-lhe nos olhos. Sobre a nossa amizade, ela descreve, mencionando-a, o cenário em que decorreu em «O Amor Tem Tantos Nomes» (1998), lembrando aqueles anos cinzentos que a nossa juventude, irreverente e lutadora, conseguia colorir. Alta madrugada, cantávamos debaixo das janelas do Aljube, «Estupidamente, claro, porque os tiranos não se removem com canções nem falsos heroísmos, mas isso eu não, sabia porque aos dezoito anos só sabemos coisas importantes e únicas…», diz Maria Rosa.
Pediu-me que fizesse a apresentação deste livro, o que fiz com prazer em Oeiras, na livraria e galeria municipal Verney. Foi a penúltima vez que estivemos juntos. Falávamos muito pelo telefone. No ano seguinte sofri um acidente de automóvel que me deixou sequelas que se foram arrastando por quatro operações cirúrgicas, um ano quase fora do mundo e os seguintes de lenta recuperação. Pelo telefone, fui relatando a minha situação e segui a doença do marido, a excelente pessoa que o Malaquias de Lemos era, e depois a sua, dizendo que estava maluca quando me afirmava que morreria em breve. Ríamo-nos até às lágrimas quando dávamos conta de que estávamos só a falar de doenças.

Contei-lhe a história do António José Saraiva, quando ao falar com velhos retirava a prótese auditiva e não ouvindo o que o interlocutor dizia, comentava a espaços «Isso é chato…é muito chato». Acertava sempre, dizia ele, pois estavam a falar das maleitas. Ainda ouço as gargalhadas da Maria Rosa. Depois, já eu andava por aí com canadianas, almoçámos uma vez num restaurante italiano junto ao meu escritório, para lhe apresentar o meu editor e avaliar das possibilidades de ele lhe publicar a obra completa. Poucos tempo antes de morrer telefonou-me a despedir-se, como quem parte de viagem. Voltei a chamar-lhe louca, que era coisa que ela não era. Era sim, uma excelente escritora e uma das melhores amigas que jamais tive.

Maria Rosa Colaço, nasceu no Torrão, Alcácer do Sal, em 1935 e faleceu em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, em Outubro de 2004. Completou primeiro um curso de enfermagem e depois o de professora do Ensino Primário. Foi do seu contacto com as crianças que nasceu o livro que a tornou muito conhecida – «A Criança e a Vida» (1984), com mais de 40 edições e traduzido em diversos idiomas. Publicou numerosos livros, dos quais refiro apenas «O Espanta Pardais» (1960), a peça de teatro «A Outra Margem», Prémio Revelação de Teatro em 1958. Foi assessora da RTP durante 12 anos e colaboradora regular do diário «A Capital». O presidente da República, Jorge Sampaio, agraciou-a com a Ordem da Liberdade. Colaborou na antologia «Hiroxima» (1967) com o poema

Serenos e pulverizados continuamos

Aqui tens os teus mitos tu
um dia também terás notícias nossas
os nossos olhos não desistem de furar o asfalto
e crescer como flores proibidas

rastejando entre espingardas e vidros
furamos as paredes e o nevoeiro
rastejamos como vermes
mas nunca à maneira dos desesperados

um dia terás notícias nossas

podes pulverizar-nos
é quase certo que nos pulverizes
podes odiar-nos
é quase certo que nos odeias
podes destruir-nos
é indiscutível que seremos destruídos

mas um dia terás notícias nossas

porque através das paredes e do mar
e do vidro e da dinamite e do ódio
nós continuamos
serenos e pulverizados continuamos.

o chelsea algarvio

1Jesualdo Ferreira, mister, em conferência de imprensa: o Olhanense é «UMA EQUIPA QUE SE HABITUOU A SER DE TOPO» !

 

 

 

 

ass. anarquista argentino (anti-calhabé!)

ps: este é o meu primeiro e último «post» futebolístico.

ps2: este «post» foi auto-censurado !

A pobreza combate-se com os jogos…

Como seria de prever, temos aí os moralistas de pacotilha a criticarem o Brazil por dar prioridade aos Jogos Olímpicos, quando têm tantos e tão grandes bairros de lata, as famosas “favelas”.

Para além de irem contra a política do nosso Primeiro Ministro, que tambem se atira aos megainvestimentos não produtivos para sair da crise, os nossos moralistas não percebem que estas obras para os jogos vão dar imenso trabalho ao pessoal das favelas. Talvez não tanto durante a construção, mas em pleno jogos.

Já viram o que vai ser de “palmanços” de carteiras ? De tráfico de droga e armas? Prostituição? cachaça ( não é água não) cerveja e caipirinhas? Tudo com produtos nacionais? Além, disso, os garimpeiros e os madeireiros vão deixar por uns tempos a Amazónia e assim se salvam uns milhões de árvores.

E quantos recordes serão batidos? E quantas novas drogas descobertas? E quantas novas técnicas de despitagem serão inventadas?

Pelo lado dos “bons” quantas empresas de segurança ? Quantos mais polícias, compra de armamento, carros blindados ? E pela saúde, quantos milhões de doses de medicamentos, quantos dias de internamento, quantas operações?

A festa é, em si mesma, um evento que concorre da maneira mais fantástica para a felicidade do povo, e não só materialmente, com trabalho e emprego, mas tambem com efeitos de desanuviamento stressante. E a seguir, quando tudo terminar ? O descanso bem merecido, e que vai desenvolver o turismo de lazer, praia, mar e sol.

Ficam as favelas, os desempregados, a falta de educação, de saúde pública ?

Pois sim ,mas o carnaval está à porta!

A máquina do tempo: ler o Porto (e ler Óscar Lopes)

O.Lopes

Há um alfarrabista no Porto, a «Modo de Ler», na Praça Guilherme Gomes Fernandes, do qual sou cliente há anos. Mandam-me os catálogos, eu escolho, telefono a fazer a encomenda, enviam-ma registada e, na volta do correio, mando-lhes o cheque. Tudo na base da confiança. Funciona impecavelmente. Há dias, ofereceram-me um livro, de conteúdo valioso e graficamente muito bonito, editado pela Cooperativa Árvore e patrocinado pelo Jornal de Notícias. É uma edição de homenagem a esse grande vulto das nossas letras que é o Professor Óscar Lopes e tem o título «Modo de Ler o Porto». Este post é uma forma de agradecer a oferta, de manifestar a minha admiração por Óscar Lopes, o qual no decurso da minha carreira tive o grato prazer de encontrar por diversas vezes, de lhe dar os meus parabéns pelo seu 92º aniversário e de lhe agradecer tudo o que tem dado à cultura portuguesa.

Em 1969, a Editorial Inova publicou um volume de «crítica e interpretação literária» escrito por Óscar Lopes, com o título «Modo de Ler». E daqui houve nome a livraria, que agora colabora numa homenagem ao Professor, oferecendo este livro a alguns dos seus clientes.

Com um excelente prefácio do Professor Luís Adriano Carlos, onde começa por dizer que «É um sopro da cidade granítica animada pelo espírito criador que Óscar Lopes regista nesta breve colecção de textos. Um modo de ler o Porto que é também um modo de reescrever o seu imaginário vivo e latejante», dizendo depois que ler estes textos «é conhecer e compreender os aspectos mais diminutos, complexos e gerais de todo esse processo histórico, coerente e contraditório, tal como a cidade e a vida.»

Já tinha lido quase todos os textos, mas foi com gosto que os voltei a ler. Direi apenas que o primeiro é uma história literária do Porto, publicada em 1969 em «Modo de Ler», seguindo-se uma análise das repercussões do movimento simbolista (ou decadentista) na cidade e que foi uma conferência realizada no Ateneu Comercial do Porto em Outubro de 1989. Segue-se um estudo do percurso literário entre «O Arco de Sant’Ana», de Almeida Garrett até «Uma Família Inglesa», de Júlio Dinis, texto que fazia parte do volume «Álbum de Família», editado em 1984 pela Caminho, e que nos fala dos diversos «modos de ler» a história das gentes do Porto, de Garrett a Júlio Dinis, passando por Arnaldo Gama e por Camilo. Acaba com – «Daqui Houve Nome Portugal», um pequeno texto crítico sobre a antologia organizada por Eugénio de Andrade em 1968.

Uma iniciativa interessantíssima, um livrinho de grande interesse cultural e que, pelo cuidado gráfico que foi posto na sua execução, os bibliófilos adorarão guardar. Obrigado «Modo de Ler». Obrigado e parabéns Professor Óscar Lopes.

Candidata… aos 97 anos

35155_d20071130_gvx_M

Teresa dos Santos Lopes e Vila Franca da Beira passaram do anonimato ao estrelato em pouco tempo.

Até há pouco, muitos portugueses nunca deveriam ter ouvido falar em Vila Franca de Beira, freguesia que pertence ao concelho de Oliveira do Hospital.

De quem é a “culpa” de tudo isto?

A culpa, no bem sentido da palavra, é da D. Teresa Lopes que, aos 97 anos, é a mais “jovem” candidata numa lista da Junta de Freguesia. Neste caso concrecto, a lista do Partido Socialista à Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira.

Força D. Teresa….

Afundaram-se 34 milhões de euros!

Bem sei que a empresa que vendeu os submarinos já veio dizer que as contrapartidas já estão executadas em cerca de 63% do acordado. Quer isso dizer que os trinta e quatro milhões são o valor das contrapartidas?

O contrato da compra e venda dos submarinos desapareceu! O Louçã, que não perdoa ao Portas ter ficado à sua frente nas legislativas, já disse que o melhor é procurarem entre as milhares de páginas que o Portas levou para casa.

Dez gestores arguidos, sete alemães e três portugueses.

É preciso não esquecer que o consórcio Francês que perdeu o concurso já tinha recorrido a Tribunal, embora o Tribunal de Contas tenha aprovado o contrato.

Mas, o que eu verdadeiramente gostaria de saber, é que mais valias estes comissionistas e intermediários trouxeram ao negócio.

Alguma vez entraram num submarino?

FUTAventar – cobras e lagartos

Foi tão mauzinho o jogo desta noite que em vez de leões só se viram lagartos. O Tonel lá entrou e a equipa tornou a não sofrer golos, esperemos que o Paulo Bento o tire da equipa rapidamente porque sem aqueles golos de cabeça dentro das balizas da lagartagem ninguem goza nada.

O Veloso ,que deve ser o único jogador do Sporting que está a jogar alguma coisa, foi desviado para defesa esquerdo, depois de o Paulo Bento ter queimado o Grimi no Dragão, pondo-o a jogar após 7 meses de lesão.

O Caicedo tem a grande arma de atropelar os adversários o que dá muita alma ao resto da equipa, vendo metade da equipa adversária de rastos.

A assistência ficou-se pelos vinte e tal mil cobras e lagartos que bem podiam ter ficado em casa a ver outros felinos, que são bem mais interessantes.

Acabou tudo com uma assobiadela monstruosa, o que é injusto, porque a equipa ganhou e espero, digo espero, que não esperem que a equipa além de ganhar ainda tenha que jogar bem!

aftermath: joão pinto 1 – municípios 0

woodstockufa. até que enfim. e eu a pensar que as eleições municipais são sempre uma seca. uma espécie de corridinha de caciques. ai não. ora vejam. o distrito de aveiro tem um concelho chamado murtosa. eu gosto muito da murtosa. fui muito bem tratado por toda a gente da câmara da murtosa e pelos seus habitantes que me interpelavam na rua a perguntar o que é que eu andaria por lá a fazer. os murtosianos são muito simpáticos, acreditem! nesta bela terra nasceu há 52 anos o cidadão joão pinto. 52 anos depois joão pinto vive no porto e é o candidato à câmara municipal do porto pelo PCTP-MRPP. é membro do partido desde 1974. é o responsável do partido pela zona norte. não é um candidato qualquer. tem ideias originais. contrariamente a rui rio, elisa ferreira, rui sá e joão teixeira lopes, joão pinto quer ser presidente da câmara para acabar com os presidentes e as câmaras. do programa revolucionário que diz apresentar, três ideias se destacam:

1. os autarcas deveriam ganhar o mesmo que o «rendimento médio dos cidadãos do respectivo círculo eleitoral.» (!) logo, o autarca de lisboa ganharia substancialmente mais que o autarca de miranda do douro. o quê ?

2. o Governo Civil deveria sair da cidade do porto porque seriam «mal-vindos … representantes dos governos que mantêm tropas de ocupação noutros países.» (!) logo, os perigosos governadores civis devem abandonar o país, bem como todos os outros representantes do governo e, por acréscimo, pensamos nós, os próprios governantes do governo. para onde ? não se diz.

3. o porto não deve ser governado pela câmara do porto mas sim por um «órgão supramunicipal, escolhido por eleição directa, e que englobe, no mínimo, os municípios da Área Metropolitana.» mais: «as câmaras desapareciam, assim como as juntas de freguesia, sendo substituídas por um órgão intermédio, para tratar dos problemas locais». muito bem. apenas uma pergunta fica no ar: esse tal órgão intermédio para tratar os problemas locais podería ser uma câmara não chamada câmara ou uma junta de freguesia não chamada junta de freguesia ? fica a questão.

vejamos as consequências de uma possível vitória de  joão pinto: se se extingue a câmara não há presidente e logo o problema do rendimento deixa de se pôr. aliás, não se percebe por que carga de água o próprio candidato o põe. enfim. adiante. o governador civil e todos os conjurados são convidados a dar uma volta ao bilhar grande e provavelmente não os deixam viver neste país que «mantêm tropas de ocupação noutros países». o quê ? não interessa. adiante. a cidade do porto será finalmente governada por um tão aspirado órgão regional que deve ir muito para além da área metropolitana e por um órgão intermédio que, por consequência, não deve ir para além da área metropolitana ou talvez para além da área municipal. percebem ? eu não.

no que me diz respeito, só peço uma coisita ao cidadão joão pinto no que respeita ao alargamento geo-político da coisa: deixe lá a murtosa continuar a ser município, por favor !

ass. anarquista do vale

ps: a fonte para este «post» foi a reportagem de patrícia carvalho, tal e qual vem publicada no jornal público de 1 de outobro de 2009. sobre a veracidade ou não das propostas, faço como pilatos …

imagem: woodstock 1969

A máquina do tempo: ZIP-ZIP e «Big Brother», dois programas que mudaram a televisão

Talvez que o mais evidente sinal de abertura dado pela chamada «primavera marcelista» de 1969 tenha sido o programa Zip-Zip transmitido pela RTP. A censura de Salazar não o teria autorizado e Marcelo que se converteu também em estrela de televisão com as suas «Conversas em família», quis dar um sinal de que os tempos tinham mudado. Como não me canso de repetir, mudou alguma coisa para que tudo ficasse na mesma. O Zip foi uma das pequenas mudanças – a Guerra Colonial, as prisões, a tortura, a repressão, a miséria, continuaram. Isto a par de uma crise económica que nada ficou a dever à actual. Como Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia disseram depois, a ideia foi mesmo essa – ajudar Caetano a democratizar, comprometê-lo com a democratização que prometera. Chegaram mesmo a convidá-lo para ir ao programa, convite que Marcelo Caetano declinou, embora agradecendo.

Não irei pormenorizar como nasceu o programa, pois tudo isso está suficientemente documentado e historiado. Direi apenas que naquelas 32 semanas que o Zip durou, passaram pelo palco do Teatro Villaret, onde o programa era gravado, escritores, actores, cantores, artistas plásticos, personalidades que o grande público conhecia mal ou que mesmo desconhecia – um taxista referindo-se a Almada Negreiros, que foi o convidado do primeiro programa, comentava »Não sabia que havia pessoas tão importantes em Portugal.» Essa revelação de uma face do seu país que a maioria dos portugueses ignorava, foi uma das chaves do sucesso. Ás segundas-feiras à noite, quando o programa era transmitido, parava tudo – «Que surpresa haverá hoje?» – perguntava-se. Como disse Adelino Gomes em «Zip-Zip: Os sete meses que marcaram a televisão em Portugal» (Público, de 25 de Setembro de 2009): «As ruas ficavam vazias. As casas de espectáculos sem público. Pela primeira vez, um programa de televisão marcava a agenda das conversas dos portugueses. Aconteceu durante o segundo semestre de 1969. Em plena “primavera marcelista”». Esta é uma pequena amostra do que era o Zip-Zip, inserida numa homenagem a Raul Solnado quando da sua morte. Acrescente-se que constou que um Conselho de ministros convocado por Marcelo para uma segunda-feira, teve de ser adiado porque a maioria dos ministros não abdicava de ver o Zip:

http://tv1.rtp.pt/noticias/player.swf?image=http://img1.rtp.pt/icm/noticias/images/af/afd48a81db68840971eaccb6ca9f7395_N.jpg&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&file=/informacao/raulzipzip_38506.flv

*
Já vos contei como, vindo para casa, com o rádio do carro sintonizado na TSF, pois o presidente Sampaio ia fazer uma comunicação ao País, o programa que estava a ser transmitido, foi interrompido e o locutor anunciou que o Marco tinha dado um pontapé na Sónia. E aconselhava a ligarmos para a TVI. Intrigado, pois não fazia ideia de quem seriam tais pessoas, logo que cheguei a casa, foi a primeira coisa que fiz e passados momentos lá passaram a gravação do pontapé. Nunca tinha visto o «Big Brother» e, atónito, assisti durante uns minutos ao que agora vos mostro:

Este tipo de cenas foi ocorrendo quase diariamente, desde que entre 3 de Setembro e 31 de Dezembro de 2000 a TVI lançou o «Big Brother. Tal como mais de trinta anos antes perante o Zip, as pessoas interrogavam-se – «O que acontecerá hoje?» Judite de Sousa refere-se num depoimento que acompanhava esse meu texto anterior, ao facto de a tabloidização da televisão corresponder a um gosto do público que «quer sobretudo mais emoção», preferindo conteúdos «que façam apelo à emoção», insistiu. Disse também que «a vida vai estar cada vez mais presente na televisão». Talvez se referisse ao facto de pessoas comuns, como o Zé Maria, a Susana, a Célia ou o Marco, se transformarem personalidades públicas. Mas será que a amostragem reflectia o conceito de «pessoas comuns» – os portugueses são de facto assim? Será que a vida no nosso país tem muito a ver com o que se passava na «casa»?
*
Porque comparo estes dois programas tão diferentes? Parece-me óbvio – porque ambos mudaram a televisão. Tal como acontecera com o Zip, depois do «Big Brother» a televisão mudou também, impondo em três dos canais generalistas a moda dos reality shows. Zip-Zip e «Big Brother» deram lugar a debates sociológicos, a estudos académicos. De notar que, de série para série, o concurso foi perdendo popularidade até que, à 4ª, a TVI suspendeu o programa (embora anuncie uma 5ª série para breve). A única semelhança entre os dois programas é no nível de impacto produzido.
*
Olhando estes dois fragmentos e não levando em conta questões acessórias, circunstanciais, epocais, como o facto de a emissão ser a cores ou a preto e branco, as roupas, a linguagem, o que terá mudado na sociedade portuguesa para que em 31 anos o gosto do público tenha mudado de tal forma. Em 1969 o índice de analfabetismo era elevado. Hoje será residual. Nessa altura tínhamos cerca de 30 mil estudantes nas universidades – hoje, esse número mais do que decuplicou. O poder de compra subiu e o acesso aos bens culturais é mais fácil. E no entanto um programa como o Zip-Zip fazia parar o país, tal como trinta e um anos depois aconteceu com o «Big-Brother». É evidente que o poder da televisão era grande e que actualmente também o é. As circunstâncias históricas são diferentes, mas, apesar de tudo, são melhores, mais favoráveis, menos constrangedoras.

Contudo, verifica-se que o gosto dos telespectadores, embora estatisticamente o índice de literacia seja muito mais elevado, se deteriorou. Não acreditando que as pessoas sejam piores do que eram os seus pais e avós, o que é que aconteceu? Já ouvi diversas explicações. Numa delas, dizem-me que as pessoas pareciam mais educadas, porque eram obrigadas a ser mais contidas e que adoraram o Zip porque era diferente da programação-tipo dos dois canais então existentes – «uma pedrada no charco», como Mário Castrim, o mais conhecido dos críticos de televisão da altura, o classificou. Talvez, de algum modo, todo isto seja verdade. E talvez mesmo que aquilo que eu mostro com a intenção de acentuar o abismo cultural entre duas maneiras de fazer televisão, se vire contra o meu argumento – o preto e branco face à cor, o ar formal dos apresentadores, a linguagem correcta em comparação com o paleio vulgar, ordinário, podem levar quem vê, a optar pela segunda amostra, achando-a mais «realista». Agora que se anuncia uma quinta série do «Big-Brother» é altura de reflectir – pedradas no charco ou o regresso do charco?. Que televisão queremos?

Esmiuçar…

site da rtp

Os Gatos Fedorentos não esmiúçam nada! Esmiuçar é com a RTP.

O site da RTP tem tudo sobre os resultados das Legislativas. Mas mesmo tudo. Consegue-se ver o número de votos ao pormenor. Por zona, por hora, por partido, tudo! Dá, por exemplo, para ver que alguém na freguesia de N. Sra. da Graça Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no Distrito de Portalegre, votou no Partido Operário de Unidade Socialista (POUS). Apenas e só, uma única pessoa num Concelho inteiro! Este dado deixa-me curioso. Quem será?

manual sobre a verdadeira escuta!

woody_allen_image_sleeper«A escuta telefónica pode ser empregue indiscriminadamente, mas a sua eficácia fica ilustrada por esta transcrição de uma conversa entre dois chefes de gang da área de Nova Iorque cujos telefones estavam sob escuta do FBI.

anthony: Está lá? Rico?

rico: Está lá?

anthony: Rico?

rico: Estou.

anthony: Rico ?

rico: Estou a ouvir mal.

anthony: És tu, Rico? Não estou a ouvir.

rico: O quê?

anthony: Estás a ouvir-me ?

rico: Está lá ?

anthony: Rico?

rico: A ligação está má.

anthony: Estás a ouvir?

rico: Está lá?

anthony: Rico?

rico: Está lá?

anthony: Telefonista, a ligação está má.

telefonista: Desligue e torne a ligar.

rico: Está lá?

Por causa desta evidência, Anthony (o Peixe) Rotunno e Rico Panzini foram condenados e estão a prestar serviço, por quinze anos, em Sing Sing por posse ilegal de erva.»

woody allen, «para acabar de vez com a cultura» 1966. trad. jorge leitão ramos. bertrand editora.

ass. anarquista mulder (especialista em scullys, escapes e tubos de ensaio)

Métodos revolucionários (I)

A série de textos «Métodos Revolucionários» está integrada num projecto que se chama “Ras Gustavo e a PUTA” (Política única de transversalidade anarco-artística), e como o nome explica, reúne todas as manifestações possíveis de livre expressão, num infindável limite de suportes… Música, pintura, arquitectura, escrita… Enfim, qualquer operação, símbolo, atitude, manifesto, intervenção, que nos permita rever a enormidade de regras e preconceitos desta sociedade… que ainda tem a lata de se autodenominar “democrática” e de “livre expressão”.
————————————————-
Nestes tempos que não são perfeitos, mas em que pelo menos temos a certeza de alguém estar sempre pior que nós…
Nestes tempos que não são propriamente inspiradores, mas em que pelo menos temos a garantia de estar a um pequeno passo de quem está um bocadinho melhor… e isso já chega!
Nestes tempos modernos, onde se vive no sossego de uma sociedade democrática, no conforto de políticas centristas e moderadas, que asseguram a nossa liberdade… e zelam pela tolerância.
Nestes tempos que nos embalam na certeza máxima de que “o mundo é assim” como nós… umas vezes bem, outras pior… e que enquanto soubermos estar em sociedade e percebermos que a liberdade de uns começa onde acaba a dos outros… tudo terá ordem e sentido.

E faz muito sentido!

Faz tanto sentido que as pessoas modernas se esqueceram de serem elas próprias a determinarem onde começa e acaba a sua liberdade e deixaram a definição desses limites para alguém mais competente.

Houve tempos nas sociedades ocidentais que quem decidia os limites da liberdade era a Igreja.

Houve tempos que foram os políticos, os parlamentos, as constituições e as ditaduras.

Nestes tempos são as democracias, os media, as multinacionais, as crises, os défices, os trusts, os offshores, as especulações imobiliárias, as taxas de juro, a Euribor, o euro, o FMI, a OPEP, a NATO, a ONU, o G8, as ONGês e toda uma infinidade de siglas, nomenclaturas, desígnios e designações que a todos os minutos nos confundem e nos convencem… que quem decide não somos nós! (mas que todavia continuamos livres!!!)

Quero então propor um simples teste à nossa suposta liberdade… Um teste à nossa competência de decidir onde começa e onde acaba esta liberdade, assumindo nós próprios, pela primeira vez, o risco de importunar a liberdade de alguém!
Um teste que não exige tempo ou dinheiro…
É muito simples: cuspir no chão.

Cuspir no chão é um manifesto claro da nossa expressão individual.

Ninguém cospe da mesma forma, nem tão pouco existem duas bisgas iguais! (Posso admitir que exista quem não ache a bisga, ela própria, assim muito atraente, mas para todos os efeitos nesta sociedade tolerante, gostos não se discutem).

Cuspir no chão é um simbolismo da nossa liberdade de expressão. Se eu estiver descontente com o Governo, cuspo na porta da Assembleia, se me irritar com um polícia cuspo na rua. Sempre com a vantagem de muito dificilmente ser preso ou multado por isso [1], e sempre expressando de forma muito inequívoca os meus sentimentos… de uma forma rápida e directa, bem à imagem da nossa fastsociety.
Cuspir no chão não carece de uma fantástica justificação pseudo-intelectual, que tanto elitiza as famigeradas mentes revolucionárias e as isola no seu discurso… tão inalcançável quanto essas revoluções.
Cuspir no chão é um processo pedagógico, que nos liberta dos processos de auto-censura que construímos em prejuízo da nossa liberdade desde o dia em que nascemos.
Cuspir no chão testa a nossa responsabilidade individual, na medida que nos obriga a saber viver com os olhares e possíveis comentários de desaprovação das pessoas que assistirão a esse acto e muito possivelmente não o compreenderão. Nesta circunstância resta-nos duas hipóteses: a primeira é explicar o porquê deste acto e esperar que o interlocutor encontre espaço na sua mente tolerante para ouvir uma explicação que ele não concebe à partida; a segunda é bem mais simples e resume-se a dirigir um sorriso simpático, acrescentando: “- Não era para si!”. Garanto que a segunda resulta melhor!

Entenda-se que toda a pressão social que esta atitude acarreta obriga o cuspidor a não recorrer à bisga de uma forma gratuita. Mais, eu diria que a banalização da bisga é muito pouco provável, tendo em conta que nas sociedades modernas ninguém gasta saliva assim ao desbarato. [2]
A melhor parte é que, cuspir no chão não tem custos e muito dificilmente existirá alguém que não tenha capacidade para o fazer.
Ainda assim acreditem:
– Há quem passe a vida toda sem nunca mandar uma cuspidela!

Nota 1: Lembrei-me que eventualmente a ASAE poderá levantar questões quanto ao cumprimento dos parâmetros de higiene… Por via das dúvidas o melhor é lavar bem os dentes e nunca sair de casa sem o comprovativo relativo à inspecção oral… Não vá o diabo tecê-las!
Nota 2: O actual Governo já manifestou o seu agrado, por se recorrer a métodos revolucionários não poluentes… dizem que isto dá um empurrãozinho à venda de painéis solares.

Cavacadas…

CAVACO SILVA -  CIRCUNSPECTO

A anunciada comunicação ao País (e se calhar também ao Mundo) do Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, foi ontem.

Por motivos profissionais, não pude acompanhar em directo esta comunicação e portanto poderei correr o risco de ter interpretado mal algo que o Sr. Professor tenha dito.

Parece-me que o nosso PR terá atirado as culpas para os dois principais partidos nacionais, ou seja o PS e o PSD.

Cada um terá feito a leitura à sua maneira.

Agora vamos ver com é que vai ser os primeiros tempos do novo mandato de José Sócrates enquanto Primeiro-Ministro, particularmente na ligação com o Presidente da República.

"Inventona"!?

A propósito desta coisa das escutas. Eu estive à procura em dicionários e inventona é uma palavra que não encontro. Será que esta palavra existe mesmo? Se não é “inventona“, se calhar também não é “disparate“…

Fragilizar o sócio na governação

TVI, Público, Cavaco Silva, desapareceram muito convenientemente com a credibilidade que lhes estava associada, da vida dos portugueses. Todos em momentos escolhidos a dedo.

Dois dias depois das eleições, com o conhecer de quem é que vai ser o consorte ( mais com azar) o seu líder salta para as luzes da ribalta pela pior das razões. Os submarinos! Curiosamente, há bem pouco tempo, Portas tinha lembrado que nunca tinha sido ouvido ou acusado de nada e o assunto, como tinha aparecido, assim tinha desaparecido.

Pois, sim, mas agora Portas tem peso, canta de galo, vai levar uma “bebedeira” que lhe baixa a “crista” como em perú em véspera de Natal. Pois é, compincha, somos como as mulheres da vida, temos que ser uns para os outros, chora aí no ombro que alguma coisa se há-de arranjar e, entretanto, vamos negociar.

Pode ser assim, a não ser que tudo isto se passe na zona de Fátima e tratam-se de milagres, ou são fenómenos nunca vistos e são da área do Entroncamento.

Mas se quisermos esquecer tudo o que dizemos todos os dias, principios de sempre da acção política, “não há coincidências em política “, “o que parece é “, o “abraço de urso”, “quem tem amigos destes não precisa de inimigos” então, meus caros, estamos mesmo em presença de uma escolinha de crianças e não de um partido que está há 11 anos no governo.

Quando chegará a vez de o Aventar ser acomodado? Preparem-se !

A máquina do tempo: a lumiosa prensa de Gutenberg

Não é gralha. Escrevi «lumiosa», palavra que significa o mesmo que luminosa, mas tem um sabor mais renascentista. Andou na boca e na pena de homens como Sá de Miranda, Camões e Damião de Góis. Embora a figura que hoje quero visitar seja alguém que ficou no limiar dessa Idade Nova cujas portas tanto ajudou a abrir – refiro-me a Johannes Gutenberg que terá nascido em Mogúncia na década de 1390 e que morreu em 1468. Inspirando-se numa prensa de lagar, própria para esmagar uvas no fabrico de vinho, inventou a sua prensa que tanta luz derramou nestes mais de cinco séculos (e aqui resisti heroicamente à tentação de fazer um trocadilho fácil usando a locução latina «in vino veritas»).

Inventou também os tipos móveis e desenvolveu o fabrico de tintas à base de óleo, mais compatíveis com esses novos caracteres, duradouros e resistentes, feitos em chumbo fundido, técnica que, com melhoramentos, sobreviveu até ao século XX, ainda se encontrando oficinas equipadas com tipos de chumbo e usando procedimentos que, basicamente, não são muito diferentes dos de mestre alemão. Fez pesquisas sobre a qualidade de papel mais adequado ao seu invento. E, no dia 30 de Setembro de 1452 – faz hoje 557 anos – deu como pronta a sua Bíblia, o primeiro livro a ser impresso segundo a nova técnica (e um dos poucos, até aos nossos dias, em que não se pode encontrar uma única gralha). Para comemorar esse 557º aniversário da prensa de Gutenberg, queria falar-vos do projecto que recebeu o nome do grande inventor alemão – o «Projecto Gutenberg».

Tudo começou em 1971, quando Michael Hart, um estudante da Universidade de Illinois, teve acesso a um computador gigante – o Xerox Sigma V do laboratório de pesquisa da instituição. Este computador iria, com outros 14, integrar a rede cibernética que daria lugar á Internet. Hart perseguia a utopia de um dia no Futuro os computadores estariam ao dispor de toda a gente – os jovens viajam muito até ao Futuro, frequentando os velhos mais o Passado. Ambas as viagens são maneiras de não estar no Presente.

Hart, fascinado com as potencialidades deste novo auxiliar da inteligência e da memória humanas, resolveu colocar ao dispor de todos, gratuitamente, obras de literatura em formato electrónico. Nascia o «Projecto Gutenberg». Vinte anos depois, instalado no Colégio Beneditino de Illinois, acompanhado de muitos voluntários, Michael dirigia o projecto. Os textos eram introduzidos manualmente até surgirem os digitalizadores de imagens e os programas de reconhecimento óptico de caracteres.

E (este um dos aspectos positivos dos Estados Unidos!) a ideia que parecia megalómana começou a ganhar corpo. A Universidade Carnegie Mellon aceitou administrar as finanças do ambicioso projecto. Assim, em 2000, foi registada no Estado do Mississippi a Project Gutenberg Literary Archive Foundation, Inc., organização sem fins lucrativos destinada a gerir as vertentes legais do projecto. Vamos acelerar a velocidade: em 2006, a instituição tinha mais de 20 mil livros no seu acervo, entrando por semana 50 novos títulos. Actualmente, segundo o site PT Principal, há 30 mil títulos disponíveis, alguns dos quais em português.

De acordo com um artigo publicado no passado dia 20 no El País, com mais de 50 títulos apenas há obras em espanhol, inglês, chinês, alemão, holandês e finlandês, estando referenciadas três obras em catalão. São uns queridos nuestros hermanos, puseram o espanhol em primeiro lugar – o que deve ser aldrabice – mas esqueceram-se do português (oxalá não tenham pegado na palavra ao Mário Lino, que disse que tínhamos uma língua comum, e não tenham incluído os livros em português no mesmo embrulho do castelhano). Havia, em 19 deste mês, 348 obras em língua portuguesa, existindo a intenção de, ainda este ano, digitalizar mais 240 títulos. Na próxima década, aponta-se para que o português seja a terceira língua europeia com mais obras, depois do inglês e do espanhol.

Já tinha ouvido falar neste projecto, mas só agora aprofundei um pouco mais o conhecimento sobre ele. Portanto, nem só a Google proporciona o acesso a obras literárias de forma gratuita. Nem sequer foi pioneira em tal generosidade. O Projecto Gutenberg põe ao nosso dispor um número crescente de títulos. Com a condição de serem obras caídas no domínio público (cujos autores tenham morrido há mais de 70 anos) ou autorizadas por quem detenha os direitos.

Que bonita maneira de honrar a memória e de homenagear Gutenberg e a sua lumiosa prensa.

Só para ajudar

Nestlé compra leite à família Mugabe. Claro, claro! Já toda a gente sabe que é apenas para ajudar os probrezinhos. Até vou já comprar um chocolate para ajudar.

A máquina do tempo: a televisão do futuro

Numa intervenção no Festival Internacional de Televisão realizado este mês em Edimburgo, Vint Cerf, com 64 anos, um dos cientistas que há trinta anos criaram a Internet e actual vice-presidente da Google, além de presidente da organização que administra a rede, assegurou que a televisão se aproxima de um momento crítico semelhante ao que a indústria discográfica enfrentou com a chegada do sistema áudio digital MP3. Anunciou que está a trabalhar, com outros especialistas, num sistema para a utilização da rede nas comunicações espaciais. Em determinado ponto da sua intervenção, disse Cerf: «85% de todo o material de vídeo que vemos foi pré-gravado, pelo que cada um pode preparar o próprio sistema para fazer oportunamente as descargas que entenda» (…)«Vamos continuar a necessitar da televisão para certas coisas, tais como para as notícias, para os acontecimentos desportivos e para as emergências, mas cada vez será mais como um iPod, no qual se pode descarregar o conteúdo para o ver mais tarde». Dirigindo-se aos executivos da indústria da televisão, Cerf, incentivou-os a que deixassem de ver a Internet como uma ameaça à sobrevivência do meio, devendo encará-la como uma janela de oportunidade: «No Japão já é normal descarregar o conteúdo de uma hora de vídeo em apenas dezasseis segundos». E concluiu afirmando »Quero mais Internet, quero que cada um dos 6000 milhões de habitantes do planeta possa ligar-se à Rede, pois considero que podem contribuir com saberes que a todos beneficiariam.

Portanto, do ponto de vista tecnológico, a televisão tal como hoje a conhecemos, tem os dias contados. Para além da televisão digital, que já é uma realidade, projectam-se inovações que transformarão radicalmente a «caixa que mudou o mundo» que, logo para começar, deixou de ser uma caixa. Anunciam-se novidades tais como o aumento do visionamento da televisão através da Internet e do telemóvel e o desenvolvimento de uma nova tecnologia, a 4K, que permite ver filmes com uma definição de oito megapixéis (em vez dos dois que os actuais televisores de alta definição proporcionam). Além de muitas outras novidades que, surgindo em catadupa, irão tornando obsoletos equipamentos acabados de comprar iremos, por exemplo, ter ecrãs de visão dupla, verso e reverso.…

http://www.youtube.com/watch?v=3SGU6VZk3kY

Anuncia-se a televisão holográfica e em 3-D. A holografia, que se prevê há muito tempo, é a técnica que permite criar imagens tridimensionais em movimento, com a utilização de raios laser. Desde 1947 que se investiga esta tecnologia. Um professor da Universidade do Texas é da opinião que dentro de 10 anos teremos os primeiros televisores holográficos. Nunca irá parar este tsunami de inovações tecnológicas que, já num futuro próximo, transformarão a televisão num «iPod» gigante. Quem quiser (e souber) poderá construir a sua própria grelha de programas, seleccionando-os no vasto leque de oferta que o cabo já oferece. Quem souber, insisto, poderá (pode já hoje) ver televisão de grande qualidade, incluindo serviços de notícias.
*
Mas pondo de parte todas estas inovações que assim, ou de outra maneira, irão ocorrer, há um aspecto que me interessa mais do que as inovações tecnológicas, as que se vão dar no imediato e aquelas com que a nossa imaginação não consegue sequer sonhar. De algum modo, pela positiva e pela negativa, os três excelentes jornalistas que vimos no vídeo com que iniciei este post, abordaram a questão que me parece central – a dos conteúdos que os novos meios irão servir. Mário Crespo pôs o dedo na ferida ao assinalar a degradação dos conteúdos que a diversidade de canais generalistas trouxe consigo, a «era da tabloidização» a que deu lugar. Judite de Sousa preferiu desculpabilizar essa descontrolada produção de incultura – com o equivalente à celebre frase de Pessoa – primeiro estranha-se, depois entranha-se. (no fundo, Pessoa e Judite falam de lixo – da Coca-Cola o grande poeta e dos programas televisivos campeões de audiências a jornalista). Porque não se trata de emoções aquilo por que grande parte do público anseia. Trata-se de fuga ao quotidiano descolorido ou mesmo negro que a maioria das pessoas vive. Porque não me diga a Judite que as telenovelas, por exemplo, reflectem a realidade. E não se trata de hipocrisia, como ela diz.
Eu conto a minha experiência: vinha no carro para casa e estava sintonizado na TSF para ouvir uma comunicação ao País que o presidente Sampaio ia fazer quando, como quem anuncia um acontecimento de grande importância, o programa que estava a ser transmitido, foi interrompido e o locutor anunciou que o Marco tinha dado um murro na não sei quantas. E aconselhava a ligarmos para a TVI. Quando cheguei a casa, foi a primeira coisa que fiz e passados momentos lá passaram a gravação do murro ou do pontapé. Nunca tinha visto o «Big Brother» e, atónito, lá assisti durante uns minutos àquele espectáculo deprimente de seres humanos a comportarem-se ao nível mais rasteiro que se pode imaginar. Será a isto que Judite de Sousa chama «emoções»?
Mário Zambujal faz uma referência importante ao carácter educativo que a televisão (pelo menos o serviço público) nunca devia perder de vista e Crespo, lucidamente, afirma que a RTP «terá de mudar de formato, pois no actual formato híbrido não tem futuro». É uma realidade, querendo proporcionar ao grande público as tais «emoções» de que fala a Judite de Sousa (e que mais não são do que concessões à estupidez), mas não o fazendo da forma totalmente despudorada com que a TVI actua, perde nas audiências e trai absurdamente o seu dever para com os contribuintes – o de ser um serviço público de televisão – educando, esclarecendo, informando, divertindo. Servindo.

A Democracia tem regras mesmo na república das bananas

João Rodrigues, no “i” fala na asfixia democrática que existe hoje nas Honduras. Suspensão das liberdades democráticas, recolher obrigatório, assassinatos políticos e desaparecidos, a mesma política que tem por trás os grandes interesses oligarquicos que se sentem ameaçados. A história da América latina é a história dos golpes de Estado contra governos democráticos e reformistas- da Guatemala de Arbnz na década de cincoenta ao Chile de Allende na década de setenta, passando pelas recentes tentativas falhadas de afastamento de Chavez e Morales na Venezuela.

Teria sido a vontade do presidente deposto de realizar um referendo não vinculativo, para a convocação de uma assembleia constituinte, que reveja uma constituição feita à medida dos interesses de uma pequena elite, num país onde 2/3 da população vive abaixo dos níveis de pobreza.

Esta explicação é tão boa como outras que já vimos escritas, estamos todos de acordo com os considerandos e com a descrição de um país miserável “a chiquita banana” ou a “república das bananas” com as Honduras em mente quando se inventaram aqueles termos.

O que ninguem explica é o que terá levado o Presidente a propor um referendo quando a constituição tem os seus próprios termos de revisão, dando assim um pretexto aos que estão sempre prontos a matar a Democracia.

Fazer juras de amor à Democracia e à Constituição não leva a lado nenhum se não formos os primeiros a cumprir com as regras democráticas.

E o que sempre perguntei e ainda ninguem respondeu é: cumpriram?

PS: interpretar a minha perplexidade como apoio aos golpistas tambem não é democrático.

As autárquicas – O Beato

Aqui no Beato existe o Convento do Beato onde se fazem aquelas reuniões de gente que pensa de maneira igual mas que não são um partido. Este convento foi recuperado pela empresa – Nacional das massas e das bolachas – e tem dentro de si uma cripta de uma antiga Igreja, que desabou com o terramoto de 1755, e onde estão sepultados os membros da Família Menezes, uma das mais ricas e poderosas e onde serviu como criado o Luis de Camões.

Há um belo livro do Prof Hermano Saraiva ” A vida ignorada de Luis de Camões” em que esta cripta é central para apoiar a teoria desenvolvida por aquele académico, de que a lírica de Camões (há quem a considere mais importante que os Lusíadas) não é mais que a descrição da sua vida.

Nessa cripta lá está o túmulo do Marquez, e da Marqueza mãe, Violante de seu nome, muito mais nova que o Marquez e que teria sido amante de Camões. Descansa tambem naquele lugar o jovem Marquez Francisco de Menezes um dos jovens nobres que morreu no deserto de África ao lado de D. Sebastião.

Quem lá não se encontra é a filha mais nova Joana, que teria sido varrida da vida activa pela família depois de se ter envolvido com o poeta, o que determinou o desterro deste para o longínquo Macau.

À volta desta fábrica existe um os últimos bairros operários de famílias que durante gerações ali moraram e trabalharam, chamado Madre de Deus, onde mora o Presidente Eanes .Esta cripta foi transformada para dar lugar à primeira fábrica de panificação do país por alvará de D. Maria l.

Fazem parte do Beato , os bairros de Chelas, fundamental para o fogo de artifício, o bairro do Armador, fundamental para as imagens na televisão tipo farwest, a muito antiga e conhecida Picheleira, que é onde eu moro quando se trata de pagar impostos, e as Olaias que consta no meu cartão de visitas.

Nunca houve tantas obras como há um mês para cá. Arranjo de jardins, de ruas, lavagem e rega de árvores. E já apareceram uns tipos no Twister a mandarem uns Olás a querem parecer muito familiares, tu cá tu lá, mas isso acho que é devido à popularidade do Aventar…

O actual presidente é o Hugo Chambre, é do PS e tem 32 anos e está a candidatar-se novamente.