ASSOCIAÇÃO ATEÍSTA PORTUGUESA

ASSOCIAÇÃO ATEISTA PORTUGUESA

Objectivos:
A Associação Ateísta Portuguesa propõe-se e constituem seus objectivos:

Fazer conhecer o ateísmo como mundividência ética, filosófica e socialmente válida;
A representação dos legítimos interesses dos ateus, agnósticos e outras pessoas sem religião no exercício da cidadania democrática;
A promoção e a defesa da laicidade do Estado e da igualdade de todos os cidadãos independentemente da sua crença ou ausência de crença no sobrenatural;
A despreconceitualização do ateísmo na legislação e nos órgãos de comunicação social;
Responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista.

Manifesto
Na sequência da legalização da Associação Ateísta Portuguesa, os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.

Os ateus e ateias que integram a Associação Ateísta Portuguesa, ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.

O objectivo da «Associação Ateísta Portuguesa» é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.

A Associação Ateísta Portuguesa defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.

A criação da Associação Ateísta Portuguesa coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune. Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a «Associação Ateísta Portuguesa» denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.

O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte.

A Associação Ateísta Portuguesa representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.

FC Porto – FutAventar#6:

Traineira ao fundo!

O debate Manuela Ferreira Leite – José Sócrates. Afinal quem foi o primeiro-ministro nos últimos 4 anos?

Todos aqueles que esperavam uma goleada histórica no debate de hoje devem estar, neste momento, muito desiludidos. Manuela Ferreira Leite não só não foi humilhada como conseguiu uma ligeira vitória. Poderia ter ganho à vontade, e nisso concordo com o José Magalhães, mas a sua falta de jeito não lhe permitiu tal façanha.
Quanto ao desempenho de José Sócrates, a certa altura pareceu-me que não foi ele o primeiro-ministro nos últimos 4 anos, tal era a forma como atirava as culpas de tudo para a sua adversária. Como é possível, pergunto eu, sabendo-se que o PS esteve no poder 11 anos nos últimos 14?
Espantosa, também, a forma como se vitimizou. Dizendo que Manuela Ferreira Leite estava a atacá-lo pessoalmente e a dedicar-se à maledicência. Senhor primeiro-ministro, atacá-lo pessoalmente era falar da licenciatura ao Domingo, do Freeport, da Cova da Beira, dos projectos manhosos da Guarda, da Sovenco, da casa comprada a metade do preço, das declarações de rendimentos do Tribunal Constitucional, dos documentos do Notário desaparecidos. Isso sim, seriam ataques pessoais.

LEITE – 5, SÓCRATES – 4

.MFL GANHA, POR POUCO

Empate técnico.
MFL, perdeu uma boa oportunidade de cilindrar JS.
O seu pouco traquejo em debates deste tipo, deu vantagem a ao ainda nosso Primeiro, nesse ponto.
Sócrates não perdeu votos, e Leite não os ganhou.
Ninguém ganhou com o debate.

there is a light that never goes out

duerer_praying_hands

enfim, a ESPERANÇA nos nossos corações ! 

esperemos que a manelita crie RIQUEZA, RIQUEZA nas nossas contas bancárias, directamente, claro está, porque não serão certamente os nossos empresários que, de borla e à francesa, acompanhando as visitas oficiais do presidente da república, se limitam a encher a pança de acepipes e se esquecem do cardápio de negócios ou então aqueles que, à boa maneira portuguesa, como diz o grande homem de negócios do norte, «estou-me a marimbar para o estado, vou investir outdoors». 

esperemos que o filósofo termine com sucesso a rede de creches e lares, e de forma abrangente, com vagas para a totalidade da populaça, porque das duas uma: ou acabamos a ter que aprender a ler e a contar outra vez ou então perdemos toda e qualquer faculdade para tal, medicados durante dias, meses e anos a fio. pouco importa. para o filósofo, ou melhor, para «o filho que matou o pai e a mãe para ser orfão», VIVEMOS NO MELHOR DOS MUNDOS. 

há por aí algum antero de quental numa vila do conde do hoje e do agora que nos salve dos ingleses, perdão, dos espanhóis ?

ass: ANARQUISTA DUVAL

Carta aberta a Ferreira Fernandes

Caro Ferreira Fernandes,

Li hoje a sua crónica no «Notícias Magazine de Sábado», ou lá como se chama o pasquim do «Jornal de Notícias» onde agora escreve.
Nessa crónica, diz o senhor que viu um «Prós e Contras» que resumia os últimos quatro anos, porque ali estavam aqueles que não conseguiram governar, representados pelo ministro Santos Silva, e aqueles que não deixaram governar, representados por Francisco Lopes do Partido Comunista. Referia-se, como explicou ao longo do seu texto, à avaliação de professores.
(ah, o bom Prós e Contras que, só por si, foi todo um programa de Legislatura. Passou por ali, qual braço armado do Governo, grande parte da campanha movida contra os professores desde 2005. Durante anos, a Ministra da Educação pôs e dispôs do programa à medida das suas conveniências, tendo proibido sempre a presença de Mário Nogueira no painel de convidados. Na única vez em que Mário Nogueira foi convidado, há bem pouco tempo, a Ministra não apareceu).
Voltando ao seu texto. É espantoso! O actual Governo teve maioria absoluta durante quatro anos, mas o Partido Comunista não o deixou governar. Nem José Sócrates diria melhor.
Diz o senhor que foi o Partido Comunista que impediu a avaliação dos professores. Pensa, depreende-se, que todos ou a maioria dos professores são comunistas e que nenhum deles terá votado PS. Pensará também que todos os professores são seres acéfalos que não sabem pensar pela sua cabeça e que se limitam a seguir as ordens do chefe, que neste caso deverá ser Mário Nogueira.
Parece que o deputado comunista não soube dizer o que faria com os professores que tivessem negativa na avaliação. Isso significa, para si, que os professores não querem ser avaliados. Mais uma vez, é espantoso!
Pessoalmente, não tenho qualquer problema em ser avaliado e até defendo um modelo que distinga efectivamente entre os bons e os maus professores e que influencie a progressão na carreira. Só tenho pena que o Ministério não tenha conseguido implementar um modelo decente e minimamente exequível. Mas já agora, respondo à sua pergunta. A um professor que tenha nível negativo na avaliação, depois de ponderadas as circunstâncias, deve ser dada uma segunda oportunidade, se necessário através de formação profissional. Se mesmo assim continuar a ser um mau professor, deve ser afastado do ensino. Obviamente.
Mas lamentavelmente, o meu caro Ferreira Fernandes ignora que tudo começou com um movimento espontâneo dos professores, em particular as gigantescas manifestações de 2008, e que os Sindicatos (14 Sindicatos, a maior parte deles não afectos à CGTP) se viram obrigados a segui-los, sob o risco de ficarem para trás.
E ignora que foi o próprio Ministério da Educação que reconheceu que o monstro burocrático que criou, o modelo de avaliação de professores, não era exequível, de tão burocrático. Daí ter simplificado. Uma, duas e três vezes. Tão simplificado que, actualmente, já não avalia nada – menos ainda do que o anterior sistema. Basta não ter faltas injustificadas para ter BOM.
Ignora também o meu caro Ferreira Fernandes que foi o próprio primeiro-ministro que reconheceu discrepâncias e erros no modelo inicial e no modelo simplificado que «está» em vigor.
Ignora ainda que o modelo de avaliação proposto não passa de uma cópia do modelo chileno herdado de Augusto Pinochet, como refiro num outro «post».
Foi por isso que o Governo não conseguiu avaliar os professores. Porque o seu modelo de avaliação era muito mau. Não foi pela acção do PCP. Não foi por falta de gentileza. Foi porque era um péssimo modelo que não fazia qualquer distinção entre bons e maus professores e que era impossível de ser posto em prática nas escolas.
Quanto ao mais, o senhor pensa que os professores deviam gostar de uma patroa que durante quatro anos os insultou e os tratou mal. O senhor gostará desse tipo de patrões. Nós não – lamento.
Quem escreve sobre Educação devia estar melhor informado, meu caro Ferreira Fernandes. Já em 1937, Túlio Lopes Tomaz, em «Algumas Considerações sobre Instrução e Educação em Liceus em Portugal», n.º 38, dizia: «Isto de falar sôbre educação, deve ser coisa fácil, pois não há actualment barbeiro bem informado ou boticário bisbilhoteiro que não guarde, num bôlso interior, quatro frases repolhudas, apanhadas no ar, ou em folha de couve local, e que podem condensar-se em uma única afirmação: tudo é muito mau, excepto a quitessência nelas contida.»
Quem escreve sobre Educação, repito, devia estar melhor informado. E, já agora, não ser desonesto intelectualmente.

Sempre ao dispor,

Ricardo Santos Pinto, professor.

O debate José Sócrates – Manuela Ferreira Leite minuto a minuto

Aqui fica a visão do chat do Aventar, em directo, durante o debate entre os dois candidatos a primeiro-ministros. A análise fria e racional vem a seguir, mas podem continuar a participar no chat, agora com o balanço do debate:

Aventar: É o último debate pré-campanha eleitoral, Manuela Ferreira Leite e José Socrates vão trocar argumentos, que aqui vamos comentar. Nós e todos os nossos leitores, claro.

20:41 [Comentário de João Cardoso]
Para alguns o debate já acabou, ora vejam este comentário, que retirei do Público Online:

20:42 [Comentário de João Cardoso]

12.09.2009 – 20h06 – ROLF, Lisboa SÓCRATES DEU UMA VALENTE COÇA NA VELHA ! Sócrates ganhou o debate na Sic em toda a linha. Ficou-se a perceber mais uma vez quem é que encarna as ideias de progresso, das energias renováveis, das novas tendências degitais, do carro eléctrico e da sociedade moderna. Portugal não pode nem vai gser governado por uma velhota avòzinha salazarenta ao serrviço do país antiquado de Santana Lopes!

20:54 [Comentário de Atributos – José Magalhãe]
preparados?

20:58 João Cardoso: Parece que estamos

21:02 Atributos-José Magalhãe: Espero não me irritar muito. O Sócrates mex com os nervos de qq um

21:04 João Cardoso: Já mexeu com os meus à entrada: aquela de que só há 2 vencedores possíveis é de quem já suspendeu a democracia

21:05 Atributos-José Magalhãe: E a sra é que a queria suspender

21:09 Ricardo: cá estou

21:09 Atributos-José Magalhãe: Tem calma… ainda estamos nos anúncios

21:10 João Cardoso: Sim, já passou o do Ministério da Saúde…

21:13 Atributos-José Magalhães: quem espera….

21:14 [Comentário de Ricardo]
Cá estamos. Prognósticos?

21:15 Atributos-José Magalhães: só no fim…. mas acho que o tigre da malásia vai perder pontos (votos) aqui

21:20 Atributos-José Magalhães: O homem disse isto tudo sem se rir…. caramba!

21:25 Atributos-José Magalhães: bem fala frei Tomaz

21:28 Ricardo: como é que ela se está a portar?

21:29 João Cardoso: A resposta de que um de nós não vai ser deputado se ganhar as eleições, foi brilhante

21:29 Atributos-José Magalhães: Muito melhor do q eu estava à esoera

21:31 Atributos-José Magalhães: HUMILDADE?

21:31 João Cardoso: É humidade, enganou-se

21:31 Atributos-José Magalhães: rsrsrs

21:33 Atributos-José Magalhães: A cara de MFL vale um poema

21:34 Atributos-José Magalhães: O homem decorou uma data de citações

21:35 Ricardo: é o costume, as citações. mas nunca as leu.

21:35 Atributos-José Magalhães: e aponta o dedo…. mal criado

21:37 Atributos-José Magalhães: Só acaba o tempo para MFL?

21:39 Ricardo: está a defender-se bem no caso do tgv

21:39 João Cardoso: Mesmo não concordando com ela, tens razão

21:40 Atributos-José Magalhães: tb acho

21:41 Atributos-José Magalhães: Falou bem , a senhora

21:41 Ricardo: PORTUGAL NÃO É UMA PROVÍNCIA ESPANHOLA!

21:42 Atributos-José Magalhães: LÁ VEM A ARROGÂNCIA

21:42 Ricardo: o ENDIVIDAMENTO É O PONTO FULCRAL

21:43 Ricardo: Sócrates comprometeu-se em 2005 a não aumentar impostos.

21:43 Atributos-José Magalhães: mas explicou tudo mt bem explicadinho aos Portugueses

21:44 Ricardo: falA, Demagogia!

21:44 João Cardoso: Claro, este ano baixava os impostos

21:45 Atributos-José Magalhães: ano de elições…. no próximo subiria

21:46 Atributos-José Magalhães: O tempo está bem contado?

21:48 Ricardo: Piscando o olho ao centro, fala dos reformados

21:49 Atributos-José Magalhães: O palavroso parece falar mais tempo…. não gosto

21:50 João Cardoso: O homem tá fora da lógica mais elementar

21:51 Ricardo: lá vem ele com os programas alheios, sempre com um sorriso trocista e uma evidente falta de sentido de Estado

21:52 Atributos-José Magalhães: O homem percebe pouco do que MFL fala

21:53 Ricardo: Manuela Ferreira Leite continua a defender-se muito bem e a dar explicações racionais para as suas políticas. Quem a ouvir até acredita!

21:53 Atributos-José Magalhães: que magnânimo… a adr tempo

21:55 Atributos-José Magalhães: Lá estáo homem a não perceber… será que dá resultado?

21:55 Ricardo: Agora estão a discutir quem introduziu mais portagens

21:56 Atributos-José Magalhães: Ele interrompe constantemente e ninguèm diz nada

21:56 Ricardo: O senhor tem a noção? Mesmo sendo inúteis?

21:57 João Cardoso: Ele disse oportunismo… e continua sem se rir

21:57 Ricardo: Ferreira Leite defende-se menos bem no caso das SCUT

21:57 Atributos-José Magalhães: O homem é burro, ou faz-se

21:57 Ricardo: também porque o outro não pára de o interromper

21:57 [Comentário de joaquim seco]
o Sócrates está a ganhar?

21:58 Atributos-José Magalhães: Como ele consegue….. não se rir…. é fantástico

21:58 Ricardo: PS quer criar medo em relação à privatização da Segurança Social

21:59 Atributos-José Magalhães: Para já, só no tempo

21:59 Ricardo: ó joaquim seco, acho que estão empatados

22:00 Ricardo: com ligeira vantagem para Ferreira Leite (sem rancores, ó Freitas)

22:00 Atributos-José Magalhães: pela minha contagem q tem 9 pontos…. acho que MFL ganha 5-4

22:01 Atributos-José Magalhães: lá vem o programa dos outros

22:01 joaquim seco: vocês são do psd?

22:02 Ricardo: Sócrates vem com o Salario Minimo e tem razão, é uma pedra no sapato de Ferreira Leite

22:02 Ricardo: eu não, joaquim seco. BE /PCP, por aí.

22:02 Atributos-José Magalhães: eu sou do FCP

22:02 João Cardoso: Neste jogo sou neutro, mas sensível à irritação

22:03 joaquim seco: que adianta aumentar o salario mínimo quando não há emprego para ninguem?

22:03 Atributos-José Magalhães: O homem fez tudo no ultimo ano…. ano de eleições, claro

22:04 Atributos-José Magalhães: deu tudo e mais alguma coisa…. quem vier a seguir que se amanhe

22:04 Atributos-José Magalhães: Boa.MFL… ele que responda

22:05

22:06 Atributos-José Magalhães: ele continua a não entender MFL…. boa defesa

22:06 João Cardoso: Eu passei 4 anos a aturar este demagogo

22:07 Atributos-José Magalhães: Nunca mais é dia 27 para dar um pontapé neste gajo

22:08 Atributos-José Magalhães: O homem brinca com as palavras

22:09 Ricardo: Volta a defender-se muitoo bem com a Segurança Social. Daqui a 10 anos, ele não vai estar lá e as reformas vão ser metade do que são agora.

22:10 Ricardo: Novo tema: SNS. Será que vai fechar do encerramento das Urgências e das Materni
da
des? E das taxas moderadoras nas cirurgias?

22:12 Ricardo: Não deve ser difícil defender-se no caso da SNS

22:15 João Cardoso: Este debate tem mais tempo que os outros, ou sou eu a fazer mal as contas?

22:15 Atributos-José Magalhães: este terá uma hora. Osoutros 45m

22:16 Ricardo: Sim, tem mais 15 minutos. Ela podia ter aproveitado bem a questão do SNS e não o fez, pelo contrário.

22:16 João Cardoso: Muito democrático. São 15 m de suspensão

22:17 Atributos-José Magalhães: Raios partam o empate….. e eu q só dou nove pontos no total

22:19 Ricardo: Na educação, Sócrates fica marcado pelo ataque sem precedentes à classe profissional dos professores

22:20 Atributos-José Magalhães: ele interrompe mas não deixa interromper

22:20 João Cardoso: Agora temos música

22:20 Atributos-José Magalhães: e a ministra da educação?

22:21 Atributos-José Magalhães: ele vai mante-la?

22:21 Ricardo: Não respondeu à pergunta: vai manter a Ministra e a política contra os professores?

22:22 Ricardo: Terá cometido erros na avaliação dos professores…

22:22 Atributos-José Magalhães: quanta humildade

22:22 Atributos-José Magalhães: tantos papeis que o eng tem

22:23 Ricardo: Novos Ministros! Não vai manter a coisa

22:23 João Cardoso: Claro que não: agora vai-se virar para a literatura infantil

22:24 Ricardo: ela atacou-o pessoalmente? ela dedicou-se à maledicência? ele é parvo ou faz-se?

22:24 João Cardoso: Chegou o momento bloco central: ainda se beijam

22:27 João Cardoso: Não tendo levado a dose que o Leixões hoje apanhou, Socrates sai-se mal.

22:28 Ricardo: Pareceu-me muito empatado, com ligeira vantagem para Ferreira Leite. Atendendo a que se esperava uma goleada de Sócrates…

Fim do debate.

ASSOCIAÇÃO ATEÍSTA PORTUGUESA

Exmo. Senhor
Dr. Fernando Horácio Moreira Pereira de Melo
Presidente da Câmara Municipal
presidencia@cmvalongo.net
Avenida 5 de Outubro
4440-503 Valongo

Senhor Presidente da Câmara
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) tomou conhecimento de que a Câmara Municipal de Valongo, na sequência das obras de reabilitação, efectuadas na jardim da Praça 1º de Maio, na cidade de Erme-sinde, pretende erigir uma estátua da senhora de Fátima naquele espaço público, situação que, a verifi-car-se, configura um atentado contra o princípio constitucional, que consagra a separação Estado/ Igre-jas, ao mesmo tempo que discrimina e ofende agnósticos, ateus e crentes de outras religiões.
A alienação de um espaço público, de forma permanente e definitiva, por iniciativa dos representantes da autarquia, para promover uma determinada religião, neste caso através de uma estátua pia, para a qual já está construído o respectivo pedestal, além de ser claramente lesivo da ética republicana e de violar a laicidade do Estado, não vem prestigiar o poder autárquico nem a isenção eleitoral, comprome-tendo a laicidade a que devia sentir-se obrigado .
Não colherá, tão pouco, o argumento de, eventualmente, se tratar de uma iniciativa votada democrati-camente pelos órgãos autárquicos do concelho do Valongo, já que as decisões a nível municipal não podem violar os princípios constitucionais nem o mais elementar bom senso.
Assim, a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) solicita ao Sr. presidente da Câmara que se digne informar esta associação se a informação é verdadeira e, em caso afirmativo, pronunciar-se sobre este assunto, a fim de poder actuar em conformidade, caso se concretize o atentado contra a laicidade do Estado.
Aguardando a resposta de V. Ex.ª, com a possível brevidade, apresento-lhe os meus cumprimentos.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 11 de Setembro de 2009
Carlos Esperança
(Presidente da Direcção) TM – 917322645

A Sua Excelência, o Dr. Salvador Allende Gossens

Nota da Administração: O prof. Raul Iturra pediu expressamente que este texto fosse publicado apenas hoje, dia 12 de Setembro. Por ter nascido no Chile, ontem foi dia de luto para ele.

Ontem, 11 de Setembro de 1009, estive em silêncio. Era o aniversário do assassinato do Presidente Constitucional do Chile, Sua Excelência Dr. Salvador Allende.
Dr. por ser médico e não por arrogância, como em muitos sítios da Europa e da América Latina, continentes onde apenas se tem um grau académico e as pessoas gostam de ser denominadas por Dr.. Enquanto isso, nós os Doutores costumamos pedir para sermos chamados pelo nome. Excelência, por ter sido a forma de se endereçar a ele como Presidente de todos os chilenos.
Um protocolo que acabou quando ele foi eleito, por sufrágio universal, Presidente da República do Chile. Gostava de ser denominado Companheiro Presidente e era assim que nos o chamávamos quando tínhamos a sorte de falar com ele.
A sua história é conhecida por todos. O que não se sabe, era da sua calma, serenidade, tratamento igualitário à Babeuf (1) da Revolução francesa. Como ele, lutava pela igualdade, usando o socialismo científico da Karl Marx, retirado, como devoto luterano que era, da teoria económica de Lutero dos anos 1540 em frente.
O Companheiro Presidente, como se sabe, fez tudo, excepto ser médico. Ministro de Estado nos Governos Radicais dos anos 30 do século passado, Senador (2) durante vinte anos e Presidente da República, eleito para seis anos, mas que não conseguiu atingir pela traição da Forças Armadas do Chile, inédito na nossa História Cronológica, por ordem dos manda-chuvas Nixon e Kissinger. História mais do que sabida.
A sua vida familiar e como indivíduo tímido que era, é outra história. Teimoso e persistente, mas com respeito pela humanidade e direito dos outros, excepto pela burguesia, que explorava a imensidão do povo pobre que era o Chile.
Nunca esqueço o dia, comigo ainda no Chile e com quinze anos de idade, em que um dos motoristas do nosso Senhor Pai entra na nossa quinta, colocada no sítio mais alto das terras da indústria que produzia força eléctrica e separada dos 370 descosidos que para ele trabalhavam, para me dizer: Don Raulito, está o Senador Allende às portas das terras e da população, mas o Senhor Engenheiro não o deixa entrar, mandou fechar o portão e colocou a Guarda Civil para ele se afastar. No Chile são chamados Carabineros e fazem parte da Forças Armadas.
Furioso, percorri a correr esses dois quilómetros que separavam a nossa quinta das casas do operariado, entrei de imediato ao quartel da polícia e mandei abrir as portas. A Guarda não queria, mas eu bati com um punho na mesa, acrescentei que era uma ordem para ser obedecida e que do Patrão eu tratava depois. Agarrei chefe da Guarda pelo braço, fomos cumprimentar o Senador, enquanto o resto dos carabineros corriam a abrir os portões da propriedade privada. Mandei a Guarda entrar para os seus aposentos e acompanhei o Senador casa após casa, para falar com as pessoas. Aliás, mandei um outro operário para juntar pessoas e o encontro foi feito com discurso nas partes públicas dessas terras.
O Senador, preocupado por mim, disse-me para me ir embora. Não ouvi: era o dinamizador da sala. Fiquei, ouvi, cumprimentei todos e cada um dos operários, referi que não sofreriam represálias e assim foi: o debate foi feito em casa, à qual tinha acesso livre toda a Democracia Cristã, que mais tarde ajudaria a derrubar o Presidente Constitucional, voltando atrás ao perceber o delito que tinham cometido e ajudaram a libertar o país… após muitas mortes, cadeia, exílios, ente os quais, o meu, o de minha mulher, filha de um General, sendo hoje a nossa descendência Britânica, outra Neerlandesa ou Holandesa, como são enganosamente denominados.
Saímos do Chile, para estudos, eu e a minha mulher, voltamos atempadamente para as eleições e o nosso candidato ganhou. A seguir, nunca mais o vi. No dia da sua morte, ganhei um campo de concentração, do qual os meus docentes da minha britânica Universidade me resgataram.
Desde esse dia, fui socialista materialista histórico: a Sua Excelência era o melhor orador. Vamos ouvir os seus discursos e a convicção das suas explicações. A história parece ser a minha, mas é parte da benfeitoria do Companheiro Presidente. Ele foi morto a 11 de Setembro, eu fui preso e enviado para o exílio até hoje. Voltar? Imensas vezes, por curto espaço de tempo,, para pesquisar saber social entre os meus.
Silêncio. O Companheiro Presidente fala:

1) Babeuf, Nöel Gracchus Gracchus Babeuf (1760-1797), o primeiro que, durante a Revolução Francesa, soube ultrapassar a contradição, da qual tinham-se retirado todos os políticos que se estimavam aderentes à causa popular, uma contradição entre o direito a existência e a recuperação da sua propriedade de trabalho e a sua liberdade de trabalhar onde melhor houver, para ganhar o direito da liberdade económica. Por causa do seu pensamento e da sua actividade com o adágio todos somos iguais, foi o iniciador de uma sociedade nova. Por causa dessa procura de igualdade, o cidadão Babeuf foi guilhotinado pelos seus colegas de Partido, os partisanos de Robepierre Foi um premonitor do tempo da história socialista científico criada por Karl Marx, a sua mulher a Baronesa Prussiana Johanna von Westpalen ou Jenny Marx, e ideias retiradas de um texto sobre a evolução da propriedade privada e a família de Friedrich Engels, sedo Jeny Marx a redactora de Manifesto Comunista. Base dos princípios social -democrata do Companheiro Presidente.
2) A república do Chile tem um poder legislativo bicameral, como na Grã-bretanha. O Senado era a Câmara Alta e o poder era exercido pelo Presidente da República por meio do veto presidencial para um certo tipo de leis.

Moby no Porto:

Desculpem mas hoje, por causa deste senhor, não vejo debates nem vou ao futebol:

…prefiro estar no Parque da Cidade a assistir ao concerto que a Porto Lazer organiza.

Até Já!

Debate Manuela Ferreira Leite – José Sócrates

Falando de democracia: Ainda o tema do iberismo (II)

continuação daqui

No primeiro semestre de 2009 o défice espanhol disparou – o governo de Zapatero gastou quase o dobro da receita encaixada – situava-se esse défice no final de Julho em aproximadamente 40 mil milhões de euros. Segundo a OCDE, a taxa de desemprego em Espanha situava-se nos 18,7%, sendo a mais elevada entre os países pertencentes à instituição, cuja média estava, em Maio, nos 8,3%. Em Portugal a percentagem de desempregados, embora elevadíssima, andava pelos 9,1%. Não significa isto que em Portugal se viva melhor do que em Espanha – as estatísticas não dizem tudo e a economia paralela, lá mais do que cá, é uma realidade. Tomaram muitos de nós viver como alguns daqueles «desempregados».
No entanto, no caso de uma integração num mercado de trabalho tão rarefeito, os portugueses partiriam em desvantagem – índices de formação mais baixos e a desvantagem da língua – o castelhano (ainda que isso fosse dito de outra maneira) seria o idioma oficial e obrigatório e os portugueses que, embora, de facto, compreendem o castelhano, não o falam conforme supõem e indicam nos «curricula». Na sua quase maioria, falam um «portunhol» ridículo do qual o jornalista João Marcelino nos deu um excelente exemplo num dos vídeos que pudemos ver. Para os portugueses em geral a integração seria um desastre. Contudo, há portugueses e «portugueses».
Os empresários, alguns empresários, vêem na integração uma solução para a grave crise económica que atravessamos. Os grandes vislumbram a hipótese de um mercado mais do que quintuplicado, a oportunidade de parcerias com grupos espanhóis ou com grupos internacionais sediados em Espanha. Falaciosamente agita-se a miragem de um mercado de 800 milhões de pessoas, como se as ex-colónias obedecessem ainda aos ditames das antigas metrópoles. Outros, menos grandes, sonham com a possibilidade de vender os seus negócios em condições favoráveis a esses grupos. Quer nuns, quer noutros, verifica-se um desprezo generalizado pelo conceito de independência nacional. Tudo se reduz a uma questão de mercado. Mas esta gente da alta roda do capital, eu compreendo. Se for preciso até dizem que são patriotas, e que estão a defender os interesses nacionais… O que se torna mais difícil compreender é ver esse desprezo compartilhado por gente que, no seio de uma «Ibéria unida», passaria à condição de cidadãos de segunda, a heróis de «chistes» que os falantes castelhanos logo inventariam sobre os «portuguesitos». Com a arrogância própria da ignorância, riem-se quando lhes falamos de valores como o idioma, a História, a cultura. Nem sabem o que são essas coisas. Vi num blog a afirmação de que «seria giro» os clubes portugueses jogarem no campeonato espanhol – o que representa, pelo menos, uma visão inédita do tema, reduzindo-o a uma dimensão futebolística. Embora os cidadãos do estado espanhol não pareçam muito entusiasmados com a ideia, ao centralismo castelhano ela não deixa de ser simpática, porque provaria àqueles bascos, catalães e galegos que defendem a independência das suas nações que até os portugueses, mais de trezentos anos depois de terem abandonado o redil a ele regressam de cabeça baixa e pedindo licença para entrar.
Quem defende a integração de Portugal em Espanha, onde seria uma Comunidad autonómica, a 19ª, salvo erro, tem de ter consciência de uma coisa – Num referendo a anexação não passará. Se este ou outro governo nos integrassem à revelia da vontade popular, como entrámos na União Europeia, violando a Constituição da República, teríamos um grande problema – todos nós, portugueses, traidores e invasores. Onde quero chegar é que confio em que há portugueses e portuguesas corajosos em número suficiente para fazer a vida negra a quem nos quisesse anexar e a quem nos tivesse vendido. Poderia ser o fim de um estado artificial e sem razão para perdurar – a Espanha hegemonizada pela Castilla miserable, ayer dominadora,/ envuelta en sus andrajos desprecia cuanto ignora como disse Antonio Machado em «Campos de Castilla» e Josep Vidal nos recordou. E Vidal disse-nos também no seu excelente comentário ao meu texto sobre a questão do iberismo: «A Espanha é uma má companheira de viagem para qualquer projecto de integração em qualquer âmbito cultural, estando totalmente incapacitada, não só para liderar, como também para participar em qualquer projecto de iberismo.» (…)«Os actuais estados europeus, independentemente de serem monarquia ou república – e não é necessário que te diga que não sou, de modo algum, afecto à monarquia, que considero uma forma de governo anacrónica e periclitante – não conseguiram afastar-se do conceito patrimonialista que herdaram das antigas monarquias (Ponho-te como exemplo a questão da capitalidade do Estado; hoje em dia não faz sentido falar de “capital”, mas continuamos a fazê-lo em vez de falarmos de pólos ou centros dinâmicos para determinados projectos… O governo pode estar em qualquer local, mas nem tudo deve passar pelo governo, seja Lisboa, Madrid, Barcelona ou Valência…) E enquanto não nos desfizermos desse lastro, os projectos de integração – inclusivamente de convivência em igualdade – estão condenados ao fracasso, por algo de tão básico como a falta de respeito. Em suma, podemos dar cabo da cabeça discutindo, mas, basicamente, estamos perante uma questão de respeito: respeito pela singularidade, pela diferença, pela identidade… Essa é a premissa sobre a qual se podem construir num plano de igualdade todas as alianças e todos os acordos para trabalharmos juntos em projectos concretos… Mas em Espanha – onde se diaboliza o nacionalismo catalão, rotulando-o de excludente – pratica-se visceralmente, para além de toda a racionalidade, um nacionalismo incluente, assimilacionista. Essa é a tónica dominante, com todas as honrosas excepções que podemos assinalar (e oxalá fossem muitas). E isso conduz-nos a outro dos motivos essenciais pelos quais os projectos de integração – ou de convivência em igualdade – estão condenados ao fracasso: a ignorância. Não é que não nos tenham ensinado a conhecermo-nos, é porque nos ensinaram a ignorar-nos, ensina-se a «desconhecer» o que é diferente. Com? Com preconceitos, com desinformação, com a tergiversação da história até limites escandalosos.»
«Se Espanha não tem solução, se Espanha não quer outra solução, por que não aceitamos que a única saída que depende estritamente de nós, a que não passa por pedir licença a mais ninguém, é a da independência? De maneira surpreendente, os argumentos contra a independência são do tipo: “A independência não pode ser e, além disso, é impossível”. Quero dizer que quem argumenta contra é que a torna impossível. Não sou tão estúpido para subvalorizar as dificuldades do processo, está claro. Porém, se me colocam perante a alternativa de uma impossibilidade historicamente experimentada – a inclusão em Espanha – e uma impossibilidade por experimentar, inclino-me pela segunda via». (Salvador Cardús, sociólogo e escritor, que publica semanalmente um artigo no jornal diário Avui, dizia em 3 de Julho (citado por Josep Vidal).
Em 19 de Agosto , um leitor galego fez o seu comentário, lamentando a falta de uma referência à dimensão económica do tema, na sua opinião (e na minha) fundamental. Terminava dizendo: «Como galego amante de Portugal, só posso desejar aos portugueses que não acabem cedendo a sua soberania a Espanha
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Para a minha nação – a Galiza – a dependência dos espanhóis tem sido historicamente nefasta… e continua a sê-lo». A este amigo, para já, deixo-lhe uns versos da também nossa Rosalía de Castro em «Cantares Galegos»: «Que Castilla e castellanos,/todos num montón a eito,/non valen o que unha herbiña/destes nosos campos frescos».
Acrescente-se que o tema da integração tem uma raiz eminentemente económica (o leitor galego tem toda a razão). O que o que se esconde por detrás desta campanha, tem como base o desiderato de um mercado alargado onde algumas empresas portuguesas possam expandir-se, o que é natural que aconteça com meia dúzia delas. Enquanto isso, a grande massa das empresas, nomeadamente as PMEs, seriam implacavelmente cilindradas e destruídas, implicando uma taxa de desemprego que não é possível calcular, mas que nos mergulharia numa miséria ainda mais atroz do que aquela em que estamos.
Em contrapartida, a desconstrução do estado espanhol implicaria na Catalunha, por exemplo, uma catástrofe de sentido inverso – milhares de empresas, competitivas como só os catalães sabem ser, perderiam um mercado de mais de quarenta milhões de pessoas, passando a estar confinadas ao pequeno mercado nacional. Por isso, apesar da vontade de muitos patriotas, os tubarões catalães querem continuar a ser espanhóis. E alguns tubarões portugueses almejam também esse mercado.
Estranhamente, os grandes aliados de quem quer preservar a independência nacional portuguesa, são, sempre segundo o tal estudo de Salamanca, a maioria dos cidadãos do estado vizinho. Enquanto apenas 34% dos portugueses seria contra a união, do lado espanhol a percentagem dos opositores seria de 30%, havendo 29,1% que se manifestou indiferente ao projecto. Isto significa que, se prevalecesse a estúpida ideia de nos integrarmos, teríamos de pedir licença para entrar e, obviamente não impor condições, aceitar um rei como chefe de Estado, a capital em Madrid e o português como segunda língua, sendo o castelhano o idioma oficial da tal Ibéria (que, obviamente, continuaria a chamar-se Espanha. Porque haveriam eles de se dar ao incómodo de mudar o nome?).

*
Em 1965, com um grande grupo de gente apanhada na leva de prisões causada pela traição do controleiro do sector universitário do PCP (um tipo que, curiosamente se chama ou chamava Nuno Álvares Pereira), eu à época ligado à FAP, estive com Mário Lino num calabouço colectivo do 2º piso do Aljube e depois em Caxias. Recordo nele um militante do PCP, onde esteve até 1991, rapaz amante de cinema (creio que dirigia o Cineclube Universitário), bem disposto, inventor de boas pilhérias – lembro-me dele, ataviado de bispo, com trajos fabricados por nós e por um báculo feito com um cabo de vassoura oficiar uma missa em improvisado latinório. Porém, aos poucos, a imagem do ministro arrogante e trapalhão, faz desvanecer a recordação positiva que guardo do jovem de há mais de 40 anos. Agora é o golpe final – Mário Lino, ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações declarou-se «iberista confesso», numa palestra em Santiago de Compostela (afirmando que «temos uma língua comum»). Como já vimos, há várias espécies de «iberismos» Na maior parte dos que se dizem iberistas existe a ideia da integração na monarquia espanhola, com capital em Madrid, e o castelhano como língua principal. A ideia tão absurda, respondo, citando o meu antigo companheiro de prisão: Jamais! Jamais!

HOJE, TORÇO INTEIRAMENTE PELA DRA MANUELA

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ASSIM COMO PASSO A SER BENFIQUISTA OU SPORTINGUISTA NOS JOGOS INTERNACIONAIS NOS QUAIS ELES CONCORRAM

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.Não é difícil de entender.
É um imperativo Nacional.
O sr Pinto de Sousa é a modos que um estrangeiro que só nos quer levar de vencida, seja de uma maneira, seja de outra.
Qualquer voto, num partido qualquer que não seja o do ainda nosso Primeiro, é um não voto no partido do governo.
Hoje, voto PSD. Amanhã não sei, mas sei que não voto PS.

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JM
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Há vida para além de Sócrates

A maior central fotovoltaica do mundo está a ser estudada há vários meses por um grupo de empresas portuguesas para ser instalada no Alentejo ( o local específico ainda é secreto)e que será 45 vezes mais potente que as de Serpa e Moura que continuam a estar entre as 50 maiores do mundo.

A ideia é vender energia electrica “verde” para os países nórdicos que precisam de compensar a emissão de CO2 conforme o tratado de Quioto. Entretanto, e para o mesmo efeito, a Alemanha está a preparar uma Megacentral no deserto do Sara para abastecer a UE. O SOL começa a ser visto como uma fonte inesgotável de energia e Portugal foi abençoado como o país com mais horas de sol da UE.

A Megacentral em estudo ( a LUZ.ON tem como associados Mário Batista Coelho, o homem que ergueu a central de Moura, a Fundação de Calouste Gulbenkian, a Efacec e a EIP – electricidade industrial Portuguesa ) quer avançar na criação de um “cluster” nacional, onde entraria tambem a Quimonda, ou a parte correspondente à tecnologia dos painéis solares.

Este projecto terá um custo que será metade do custo previsto para o TGV (sem as alcavalas), poderá fornecer energia para três milhões de pessoas, representa quase quatro barragens iguais à do Alto Lindosos e duas centrais de Sines da EDP.

E evita 1.8 milhões de toneladas de CO2.

Mas claro que não tem o “cachet ” de um TGV a parar em todas as estações e sem passageiros…

As perguntas do dia são…

1 – Quantas vezes vai Manuela Ferreira Leite (economista, ex-ministra das Finanças) confundir a taxa de IRC com a de IRS? Mais ou menos que no debate anterior?

2 – Quantas vezes vai José Sócrates (líder do PS) referir propostas do programa eleitoral da adversária?

O debate de hoje promete.

Navegação sem GPS

Aqui há uns tempos soube-se que Bob Dylan estava a ponderar aceitar a oferta de uma das muitas empresas que produzem GPS para ser uma das vozes disponíveis para os ditos aparelhos. Dylan brincava com a possibilidade dizendo “acho que seria bom se estivessem a precisar de indicações e ouvissem a minha voz a dizer algo como: ‘à esquerda na próxima rua… Não, direita… Sabes uma coisa? Vai sempre em frente’. Provavelmente eu não deveria fazê-lo porque, para onde quer que vá, acabo sempre no mesmo sítio – Avenida Solitária”. Os seus fãs adorariam, suponho, mas Dylan e as suas errâncias contrariam a essência do GPS e da sua perfeita e eficientíssima acção: fazer-nos chegar o mais depressa possível ao destino e assim livrar-nos dos atrasos e do inesperado. E tudo o que hoje tem por destino a poupança do tempo e a obtenção de resultados tem sucesso garantido, mas não vejo em que medida se poderá coadunar com o espírito dylanesco. Não encarem isto como o ataque de uma tecnofóbica ao GPS, só faltava. Que é muito útil, que avisa onde estão os radares, a bomba de gasolina mais próxima, etc, tudo muito benéfico e prático e meritório. Mas não estaria mal desligá-lo de vez em quando e deixar-se errar.

Há um poema muito famoso de Robert Frost, citado como justificação de variadas e espantosas borradas, no qual o poeta descreve como, perante duas estradas que divergiam num bosque, e lamentando não poder percorrer ambas, escolheu a menos percorrida e que isso fez toda a diferença. A estrada menos percorrida é para os bravos, claro, e nada garante que não termine apenas na Avenida Solitária. Mas em alguém momento, ainda que seja um único, seria bom, digo eu, poder apontar no nosso diário de bordo que escolhemos essa estrada. Há uns anos, uma grande amiga contou-me, sem perder tempo com lágrimas, que tinha ficado sem emprego e que, estando num momento de desorientação e incerteza, tinha decido usar a indemnização que recebera, e que era o único dinheiro que lhe restava para os tempos de desemprego, numa viagem à Patagónia. Eu contive-me a custo porque o que me apetecia era gritar-lhe que estava louca e que esse seria um disparate do qual se arrependeria para sempre. Antes de abrir a boca ouvi a descrição que ela me fez das expectativas que tinha para a viagem, e admirei a sua bravura. Sim, era insensato, era de loucos, ninguém no seu perfeito juízo o faria. Mas por que não? Aquela viagem acabou por ter o seu cariz iniciático e transformou-se num momento de reencontro e de crescimento. E quando regressou arranjou um novo trabalho e tudo se normalizou sem mais dramas. Perdemo-nos, reencontramo-nos, passamos pela Avenida Solitária e com um pouco de sorte temos um vislumbre da rua central, onde estão todos e a vida palpita.

HOJE, TORÇO INTEIRAMENTE PELA DRA MANUELA

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ASSIM COMO PASSO A SER BENFIQUISTA OU SPORTINGUISTA NOS JOGOS INTERNACIONAIS NOS QUAIS ELES CONCORRAM

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Não é difícil de entender.
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O sr Pinto de Sousa é a modos que um estrangeiro que só nos quer levar de vencida, seja de uma maneira, seja de outra.
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Hoje, voto PSD. Amanhã não sei, mas sei que não voto PS.

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JM
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Debate Manuela Ferreira Leite – José Sócrates

Paris Hilton no Dicionário de Citações da Oxford University Press… Sim, da Oxford University Press

Que há coisas estranhas, há. Esta é uma delas. Paris Hilton tinha apenas uma virtude: ser a socialite (seja lá o que isso for) mais famosa do mundo. Agora passou a ter outra: está, pelo menos num aspecto, ao lado de verdadeiras personalidades, como Confúcio ou Oscar Wilde. Juro.

Este estranho encontro ocorre nas páginas da mais recente edição do Dicionário de Citações, publicado pela Oxford University Press. Sim, não é engano. Pela Oxford University Press. É verdade. E com este primor de frase: “Veste-te bem onde quer que vás, a vida é demasiado curta para passar despercebido”. Hein, que tal? É ou não uma frase brilhante?

paris_hilton_1109

Pois claro que é, terão pensado os editores ingleses, que a escolheram para figurar no palco das frases dos maiores pensadores de todos os tempos.

Como é evidente, qualquer um de nós poderia figurar no dicionário, com frases até mais inúteis que aquela, mas não somos socialites.

Voltando a Paris, Hilton…

Em todo este processo, os autores terão registado severas dificuldades em não incluir outras frases geniais, o que soa a injustiça. Poderiam integrar, por exemplo, estas: “A Barbie sempre foi uma das minhas heroínas. Ela pode não fazer nada, mas está sempre deslumbrante”; ou “Nada do que eu escreva num e-mail tem significado. São só palavras que eu escrevo”.
Paris Hilton reagiu no seu Twitter: “É tão fixe que eu tenha uma citação no dicionário”. É fixe não é? Não sei é se é assim tão fixe para o tal dicionário.

Legislativas – Sondagens:

PS: 37%
PSD: 35%
BE: 11%
CDU: 8%
PP: 6%
(cesop)

PS: 33,6%
PSD: 32,5%
BE: 9,6%
CDU: 9,4%
PP: 8,0%
(Expresso)

PS: 35,3%
PSD: 32,4%
BE: 16,2%
CDU: 6,9%
CDS-PP: 5,2%
(Marktest)

PS – 39,5 A 41,5%
PSD – 33 a 35%
Bloco – 10 a 12%
CDU – 8 a 9%
CDS – 7 a 8%
(FMSá)

PORTAS – 6, LOUÇÃ – 3

PORTAS GANHA

Portas quer formar governo. Louçã não quer.
Portas trabalha para convencer as pessoas que merece sê-lo. Louçã só lhe interessa poder atacar quem governar, e poder dizer mal de tudo e mais alguma coisa.
Só por isso, o discurso de Portas é superior.
Hoje, neste debate, ninguém queria parar. Por eles, ficavam ali toda a noite.
As ideias não convergem de modo algum. Estes dois não se entendem, nem se entenderão nunca.

O debate Paulo Portas – Francisco Louçã, no dia em que o Bloco aparece com 16% no Barómetro da TSF

Para o inefável Mário Bettencourt Resendes, o vencedor da noite foi… José Sócrates. Assim mesmo. Para alguns, José Sócrates ganha sempre, mesmo quando não está presente. Quanto ao resto, foram bem visíveis as diferenças entre uma Direita muito Direita e uma Esquerda a sério. Mais uma vez, Paulo Portas veio com a treta do Rendimento Mínimo financiar a preguiça. Curiosamente, nunca se vê o líder do CDS a vociferar contra os milhões que o Estado andou a injectar nos Bancos. Ainda assim, teve o desplante de dizer que foi o seu Partido que mais fez pela pobreza em Portugal.
Francisco Louçã, mais agressivo do que contra José Sócrates (por que será?), acabou por ganhar o debate contra um contendor que cada vez mais representa menos no espectro político português. Logo no dia em que o Barómetro da TSF/Marktest dá ao Bloco de Esquerda 16% das intenções de voto. Pode parecer exagerado, mas atenção! Esta sondagem não é da Eurosondagem, é da Marktest – a mesma que acertou nas Europeias.

Sócrates e a família política

Ficamos sem saber se Sócrates se esqueceu da sua militância na JSD, ou se se sente da  família (política) de Manuela Ferreira Leite.

Eu acho que ele nunca saiu da JSD, limitou-se a perceber que o PS lhe facilitava a carreira de desenhador de mamarrachos. Mas isto sou eu a achar, claro.

No 11 de Setembro, falemos do sistema educativo do Chile (ainda) de Pinochet e das assustadoras semelhanças com o sistema educativo português (ainda de Sócrates)


Ao contrário do que muitos pretendem fazer passar, o Chile não é um modelo no que diz respeito ao sistema educativo. Daí que não se perceba muito bem por que razão, ao implementar um novo modelo de avaliação de professores, o Ministério da Educação português foi copiar o modelo chileno.
Nada me move contra o Chile. Pelo contrário. No que me toca, admiro os escritores chilenos e toda aquela atmosfera – cores, sons e cheiros – que nos é transmitida pelos livros de Isabel Allende ou de Luis Sepulveda. Aliás, a página 73 da «Casa dos Espíritos» de Allende (edição Difel) nunca me saiu da cabeça. Um «guisado afrodisíaco» que um dia – prometo a mim mesmo há anos – ainda hei-de experimentar, nem que para isso tenha de deixar de ser vegetariano por um dia.
Uma questão diferente é considerar que o Chile é um país-modelo nestas questões. Pessoalmente, continuo a pensar que, em termos de educação, os países da Europa desenvolvida são o exemplo a seguir. O próprio Governo o admitiu, ao falar no fim das retenções até ao 9.º ano, como acontece na Finlândia.
No que respeita à avaliação de professores, por exemplo, o modelo de avaliação chileno é de inspiração clara da ditadura de Pinochet. As medidas de fundo começaram a ser esboçadas ainda durante o seu Governo, como refere Raul Iturra na carta aberta à Ministra da Educação.
Aliás, seria ingénuo pensar que os tentáculos e as influências de Pinochet terminaram no momento exacto em que ele entregou o poder. É elucidativo que, até 1998, Pinochet tenha continuado a ser o mais alto responsável pelas Forças Armadas do país, altura em que passou a ocupar o lugar de Senador no Congresso chileno.
E basta ver que o poder passou de Pinochet para Patrício Aylwin, que apoiou o golpe contra Salvador Allende em 1973. Durante muito tempo, no Chile, o Regime Militar é que continuou a dominar. A administração local estava ainda nas mãos de pessoas designadas por Pinochet e o próprio continuava a ser o chefe das Forças Armadas.
Aliás, Francisco Rojas, director da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e um dos mais importantes analistas políticos do país, dizia em 1998 que, «para chegar à democracia plena, o Chile ainda precisa de uma reforma constitucional, além de superar a vocação autoritária, enraizada não só nas Forças Armadas, mas em toda a sociedade chilena» e que «as paixões estão envolvidas em certos simbolismos vinculados à situação actual, que mostra que a figura do general Pinochet continua influenciando os chilenos.»
Como referiu em 2007 Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, «o Chile ainda adopta o modelo educacional criado no final da década de 80 pelo ditador falecido Augusto Pinochet, com pequenas alterações.»
Em Julho de 2008, Juan Guzmán, o juiz que processou Augusto Pinochet, afirmou que «mesmo depois de 18 anos do fim da sangrenta ditadura, tem-se avançado muito pouco na direcção de uma verdadeira democracia, porque ainda hoje se mantém vigente a Constituição de Pinochet e uma Corte Suprema que colaborou com a ditadura militar.
O juiz declarou que o Chile ainda se rege pela “constituição elaborada pela ditadura de Pinochet, que cria instituições pinochetistas e permite que uma minoria autoritária continue ditando leis na República democrática”. Segundo Guzmán, desde 1990, quando Pinochet deixou o poder depois de 17 anos no comando do Estado chileno, muito pouco se transformou na estrutura jurídica e legislativa do país.»
Notícia de Junho deste ano publicada no MNN: «Há mais de dois meses estudantes e professores chilenos têm-se mobilizado numa luta incessante contra a aprovação da reforma educacional proposta pela presidente Bachelet. A Lei Geral da Educação (LGE), que vem sendo discutida desde 2006, foi aprovada pelos parlamentares na última semana. Essa nova legislação surge para substituir a Lei Orgânica Constitucional da Educação (LOCE), que vigora no país desde a ditadura de Pinochet.
Como já explicitado em artigos anteriores, os protestos dos estudantes e professores têm ocorrido constantemente desde o final de Abril. Eles acusam a nova legislação de ser apenas uma adaptação da velha lei de Pinochet. Com a reforma educacional, Bachelet estaria, então, apenas dando continuidade ao projecto do ditador.
Entre os dias 16 e 19, ocorreu a segunda greve dos professores chilenos. O objectivo da paralisação era evitar a aprovação da reforma educacional no parlamento. Segundo os organizadores, 80% dos professores teriam aderido à greve. Jaime Gajardo, presidente do Colégio dos Professores, afirmou que: “Estamos falando de milhares e milhares de pessoas. Reunimos facilmente 15 mil na Plaza de Armas, além de estudantes e de outros grupos, mas apenas 10 mil professores se mobilizaram”.
Diante da grande mobilização, a Ministra da Educação, Mónica Jimenez, afirmou que foi baixa a adesão dos professores à greve. Todavia, desmentindo a ministra, as estatísticas do secretário regional ministerial da educação (SEREMI), Victor Schuffeneger, confirmaram que 80% das escolas metropolitanas não tiveram aulas.
Combatendo as críticas da ministra, Gajardo afirmou que: “O pior caminho que a ministra pode seguir é o de continuar insistindo que estas mobilizações almejam outros fins, e o de não reconhecer que o que temos aqui é uma reivindicação generalizada da sociedade para que se realizem mudanças substanciais no sistema de ensino. Existe um consenso, porque nós temos feito consultas com líderes regionais e as mobilizações têm o objectivo de retirar a LGE do parlamento, de modo a superar as limitações do actual projecto em discussão”. Contudo, mesmo diante das grandes mobilizações, o parlamento aprovou a reforma que agora segue para o senado.
Ou estoutra notícia: «Como noticiamos em edições anteriores, há mais de dois meses o Chile vem sendo palco de manifestações e protestos de estudantes e professores contrários à reforma educacional. Segundo os manifestantes, a legislação educacional de Bachelet não atende as reivindicações para que se construa uma educação pública e de qualidade. A nova legislação seria apenas a continuidade da lei educacional de Pinochet, que vigora no Chile desde 1990.
Mesmo após o parlamento chileno ter aprovado a nova legislação educacional, estudantes e professores chilenos seguem em luta nas principais cidades chilenas. Colégios e universidades continuam ocupados, assembleias com centenas de estudantes têm sido realizadas e muitas avenidas tomadas pela marcha contra a Lei Geral da Educação de Bachellet.»
Ou ainda esta: «Os estudantes lutam para que a Lei Geral da Educação não seja aprovada pelos parlamentares e para que ela seja revista em diversos pontos fundamentais. Segundo o presidente do Colégio dos Professores, Jaime Gajardo: «Esperamos que no dia 21 de Maio, os deputados digam que vão rever este projecto e que vão ter mais tempo para debater e discutir um novo projecto educacional para o Chile. Pois, este projecto actual em vários pontos é igual ao projecto da Lei Orgânica Constitucional de Ensino (LOCE).” Esta lei foi outorgada pelo ditador Augusto Pinochet, um dia antes de deixar o poder, em 1990, consagrando a educação privatizada.»
Semelhanças com Portugal?
Uma das maiores polémicas no actual sistema educativo do Chile, esclareço eu, prende-se com o facto de os alunos e as suas famílias receberem um «voucher», que lhes permite optar entre escolas públicas e escolas priva
da
s. A pura e clara privatização do ensino que, mais uma vez, vem dos tempos de Pinochet. E não é também isso que está por trás das reformas educativas de Portugal? A entrega das escolas às autarquias prevê-se para breve, e este é só um primeiro passo para o que virá a seguir.
As repressões de que os manifestantes têm sido alvo mostram à saciedade que existem ainda fortes resquícios do Chile de Pinochet. Até nas comemorações do 1.º de Maio 122 trabalhadores foram presos e a polícia lançou gás lacrimogéneo. «O secretário do Interior, Felipe Harboe, disse que as 122 detenções foram muito inferiores às realizadas no ano passado», refere uma outra notícia, como se isso fosse motivo de grande orgulho.
Tudo isto para concordar com Francisco Rojas quando diz que, ainda hoje, a sociedade chilena é profundamente autoritária. E era-o mais ainda em 1998, e mais ainda em 1990.
E quanto ao actual modelo de avaliação de professores no Chile? Como instrumentos de avaliação, utiliza-se como fonte de informação, no Chile, o portefólio do professor com descrição de actividades e planificações, pautas de auto-avaliação, entrevista ao avaliado e relatórios dos órgãos de direcção e coordenação da escola.
Actualmente, a compra e venda de portefólios tornou-se um negócio muito rentável no país. É a pura mercantilização do processo de avaliação de professores.

Debate Manuela Ferreira Leite – José Sócrates

O "Centrão" foi à vida (se o BE quiser…)

As eleições servem para indicarem o que os eleitores querem e pensam que seja melhor para o país. Se os eleitores não querem uma maioria absoluta é porque perceberam que um tal cenário dá no que se vê. Prepotência, autismo, quero, posso e mando e com os resultados que estão à vista.

Contrariamente ao que nos querem fazer crer, normal é não haver maioria absoluta. A Democracia tem essa capacidade de permitir arranjos, cenários deferentes de governação, de incentivar a “cultura do consenso”.

Tudo aponta que seja essa a intenção de voto nas próximas eleições legislativas, e neste contexto, o mais natural é que o BE possa ter uma percentagem de votos que permita uma maioria com o PS. Mais, como a maioria parlamentar se obtem à volta dos 42% dos votos é até aritmeticamente possível que possa alcançar a maioria parlamentar tambem com o PSD.

O BE , como partido responsável, pode furtar-se a negociações para se alcançar um governo estável à volta de consensos sobre os grandes problemas da nação? Pode, porque partidariamente lhe é mais confortável, eximir-se às responsabilidades que o povo com o voto livre e democrático, lhe cometeu?

Não pode, porque isso seria a sua morte a prazo. Afinal para que serve o voto no BE?

Este raciocinio aplica-se da mesma forma quer ao PS quer ao PSD. E se estiverem reunidas as condições necessárias para se conseguir uma maioria parlamentar, os partidos têm que encontrar uma forma de estabelecer cenários para a governação do país. Ou uma fórmula de governo estável ou consensos parlamentares com vista à solução dos grandes problemas nacionais que duram há décadas , atrasando o país inexoravelmente, empobrecendo gerações de cidadãos.

Uma coisa é certa. O “centrão” foi à vida!

Turquia #2:

Já agora e desta vez a propósito deste desafio, aqui fica a posta principal:

“A propósito da visita do Presidente da República à Turquia vou ressuscitar uma posta que coloquei em tempos na blogosfera sobre a pátria de Ataturk – foi a 14 de Maio de 2007 e como resposta a um Amigo. Por acaso desconheço a posição do nosso PR sobre a matéria. Aliás, desde a sua célebre declaração aos portugueses sobre o Estatuto dos Açores pouco sei das suas opiniões sobre o que quer que seja.

Meu caro Amigo,

As últimas eleições francesas foram disputadas por dois candidatos, Segolenè Royal e Nicolas Sarkosy. A primeira representava a esquerda francesa e o segundo, a direita. Isto em termos muito simplistas pois, como bem sabes, Segolenè não representava assim tanto a esquerda socialista tradicionalista (que a detesta, profundamente, por a considerar demasiadamente liberal) nem Sarkosy representa certas franjas mais moderadas da direita francesa. Era o que tinham e a mais não estavam obrigados.

O Povo francês, de forma esmagadora, decidiu votar e com o seu voto fez uma escolha clara: Sarkosy. Como já escrevi antes, espero que não se arrependa. Entendo o voto francês: a insegurança que se vive nas grandes cidades francesas (que eu próprio sou testemunha no caso de Paris ou Marselha); o “papão” Europa provocado por aqueles que não querem respeitar o “Não” francês à Constituição Europeia e o desemprego crescente dos licenciados (lá como cá), sem esquecer alguma intolerância religiosa da comunidade Árabe residente em França. A tudo isto se soma a intranquilidade provocada por uma certa esquerda radical que não sabe respeitar a vontade da maioria – como, aliás, se viu posteriormente. Foi um voto profundamente “nacional”. O que se entende.Contudo, desconfio muito das intenções de Sarkosy.

Desde logo, porque entendo que violência gera mais violência e não resolve problemas de segurança. Temo que se resvale da “força da autoridade” para a prática do “autoritarismo”. A seguir, não esqueço que Nicolas Sarkosy não nasceu ontem, esteve no governo francês nestes últimos anos – mais dedicado a cimentar uma posição forte como candidato da inevitabilidade do que a governar. Mas, mais grave, considero perigoso (no mínimo) a sua posição face a uma integração da Turquia na UE. Como bem sabes, Sarko, é completamente contra. O que, a meu ver, é uma estupidez e um erro trágico para a segurança da Europa e do Mundo.

Não sendo um “turcófilo”, como se afirma Pacheco Pereira num lúcido artigo de opinião do Público (Sábado, 12 de Maio/2007), considero a Turquia como um país europeu. Mais, é fundamental para a Turquia e para todos nós, um forte apoio da Europa aos enormes movimentos “pró-europa” existentes nas classes intelectuais e nas elites turcas. Os povos Árabes sofrem às mãos de tiranos sem escrúpulos, refugiam-se no verdadeiro ópio do povo que é o fundamentalismo religioso (todo ele, seja qual for a crença) e vivem desgraçadamente – experimentem visitar um qualquer país árabe, mesmo aqueles aqui ao pé da porta como o Magrebe e facilmente compreendem esta minha afirmação, basta olhar-lhes nos olhos. Os povos Árabes só se vão libertar deste ofensivo colete-de-forças quando, tal como nós, tiverem acesso a liberdade de expressão. Quando conseguírem ter aquilo que nós temos e que nem sempre sabemos valorizar. Ora, a Turquia, não é apenas uma das portas da Europa, é também uma importante porta na Ásia e nos países Muçulmanos. Com o desenvolvimento económico que uma entrada na UE acarreta (como connosco antes e agora nos países do leste), a Turquia seria um motor de desenvolvimento e uma alavanca democrática para todo o Mundo Muçulmano. Sabes porquê, meu caro PJ, porque todos nós, queremos o melhor para os nossos filhos e os Árabes (como antes os Russos, pegando numa célebre canção de Sting) também amam os seus filhos.

É esta a tragédia de uma certa direita quando na mão dos “Sarkos” deste Mundo.Pode ser que eu esteja enganado. Deus queira.

Julgo que, agora, percebes melhor as minhas profundas reticências e até alguma rejeição a Sarkosy. A mesma que tenho para com certas franjas da nossa direita, agora entretidas com a “perseguição” aos estrangeiros que querem vir trabalhar para Portugal (cuja resposta dos Gatos Fedorentos foi absolutamente genial), que não entendem a importância desta força de trabalho e acréscimo cultural. Não entendem hoje, como ontem e nunca entenderão. É preciso conhecer Mundo, compreender a natureza humana e não confundir casos de polícia com problemas de segurança (que sempre existiram). Como não entenderam nem reconhecem a importância “dos de fora” na nossa epopeia dos descobrimentos – o período mais áureo da nossa história. Coincidência? Não me parece”.

(mais tarde escrevi ESTE em resposta a comentários de leitores).

Cartazes das Autárquicas (Vendas Novas)

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O regresso de Jorge de Sena

jorgedesena01m

Não, não, não subscrevo, não assino

que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas – armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos queiram secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de falácia imensa.
E todos eram povo e em nome del’ falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e á inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do pais no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois quedo lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Africas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o Otelo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocratado oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio o navegante intrépido).
Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa – defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte.
Não é tempo para tratar de poéticas agora.

Jorge de Sena, Fevereiro 1976.

E a Turquia na UE? Avente a sua opinião

turquiaAí está um assunto que divide muita gente e que anda desaparecido há muito tempo. Entra? Não entra? Qual é a sua opinião?

A Alemanha e a França vão estar de acordo em deixar entrar um país com 80 milhões de habitantes que passaria a ser o segundo mais populoso? E Muçulmano? E até onde vai a Europa em termos territoriais? Vamos importar toda a conflitualidade de territórios tão longinquos?

No entanto, pode vir a ser uma ponte importantíssima de diálogo entre a UE e os países muçulmanos mais moderados, o que seria uma contribuição muito grande para a pacificação e para a integração dos 50 milhões de muçulmanos que já vivem na UE.

Avente sobre este assunto tão importante. Envie os seus comentários ou os seus textos que serão publicados.DSC01555DSC01557
Nas fotos:
Em cima, Mercado das Especiarias em Istabul.
Em baixo, exterior e interior da Mesquita Azul.