O negócio dos Livros escolas II

O Luís

Comentário a comentários sobre «Falando de democracia»

Desde o primeiro texto desta série que tenho vindo a pôr em causa o conceito de democracia que enforma o regime político em vigor em Portugal e noutros estados. Nesse primeiro texto («Enquanto não somos deuses»), socorria-me de Jean-Jacques Rousseau e depois fui pedindo outras ajudas. Seria ocioso repetir aqui toda a argumentação que fui expendendo ao longo de trinta textos (série de que, aliás, o próximo será o último), pois ninguém que tenha lido algumas dessas crónicas alimentará dúvidas quanto ao que penso sobre o tema. O que, obviamente, não signifique que concorde. E por que raio, haviam todos de concordar comigo? Esperar essa unanimidade de opiniões seria estulto da minha parte Porém, nem que seja eu o único a concordar com o que escrevo, tenho o direito de o expressar. O que não me coíbo de fazer, embora saiba que o que aqui escrevo não tem qualquer influência no regular funcionamento das «instituições democráticas». Era o que mais faltava.
Vem este intróito a propósito dos comentários que João Cruz tem vindo a fazer a «Rotativismo e “alternância democrática”», ontem publicado. Nesses comentários acusa-me de diversas felonias, a saber:
a) – acho que milhões de portugueses são manipuláveis débeis mentais o que
b) – no mínimo é paternalista e no máximo fantasioso;
c) – que o meu paternalismo é semelhante ao que anima as vanguardas revolucionárias.
Penso que nestes três pontos se sintetiza o ponto de partida para a argumentação com que João Cruz teve a amabilidade de contemplar um texto que apenas pretende chamar a atenção para um aspecto histórico e particular de um conceito de democracia com o qual, na plena posse dos meus direitos de cidadania, tenho vindo a manifestar o meu desacordo. Direitos que (vá lá!) João Cruz me concede porque, diz ele «A ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana? – orienta para seu lado, outras vanguardas detentoras de outras verdades orientam para outro. Enfim, as democracias plurais como a nossa também têm a virtude de cada um poder puxar a brasa à sua sardinha». Não sabia que existiam democracias «não-plurais», mas adiante, o autor destes comentários concede magnanimamente a cada um o direito à sua utopia, que é como quem diz à sua loucura.
Num comentário a um post de Adão Cruz, em que este nosso amigo aprofunda a explicação que eu tentei dar nas respostas a João Cruz, fazendo-o da maneira clara e directa que lhe é peculiar, o João comenta – «Valha-nos os blogs de gente culta e esclarecida para abrir os olhos ao povo apoiante!». Nunca tinham, que eu saiba, chamado ao Aventar um «blog de gente culta e esclarecida». Registe-se o elogio.
Fique também registado que nunca me animou a intenção de fazer proselitismo, de esclarecer, de iluminar ou de ensinar seja quem for. Nem estou a querer criar um novo partido, nem uma nova vanguarda, nem uma nova igreja. Escrevo para mim próprio e para quem, eventualmente, esteja de acordo com alguma coisa do que digo. E também para os que não estão de acordo. A única pessoa que procuro esclarecer, é a mim mesmo. E já tenho tarefa que baste.
A minha argumentação foi sendo feita nos textos que compõem a série. Não vou repeti-la só porque um leitor da sua trigésima parte não a aceita. Nem lhe recomendo que a leia, não porque não a compreendesse, mas porque não a quereria compreender (direito que lhe assiste). Sem paternalismos, sem querer iluminá-lo ou conduzi-lo seja onde for, recomendo-lhe apenas que leia com atenção os seus comentários. Talvez neles descubra alguma daquela arrogância e pesporrência de quem chega a uma aldeia e pretende impor justiça a torto e a direito, de pôr as coisas no seu devido lugar. E, sobretudo, esclarecer os pobres aldeãos que sem a sua vinda continuariam na escuridão. Embora seja uma aldeia de gente culta e esclarecida.
Em suma, o João Cruz tem todo o direito a dar sua opinião e estou-lhe grato por ma ter dado. Não tem é o direito de ironizar, ou de colocar suspeições, sobre o direito que os outros têm às suas próprias opiniões (ou utopias, se quiser).
E sobre este tema, tenho dito.

Não estejas triste, José !

jose_socrates-c400Vais ver que a vida é boa, há praias, gente, livrarias, discotecas, restaurantes e tempo para discutir as coisas sérias e importantes da nação. Não é preciso ter sempre razão, nem fazer de cada batalha, a última. A companhia dos filhos é uma benção e namorar é melhor que uma maratona.

Não acredites nos que te segredam que é preciso todos os dias apresentar uma esmola para os pensionistas ou dares um subsídio a quem tem filhos, todos se lembrarão sempre que o que destes ao Jorge Coelho nos contentores de Alcântara, sem concurso, representa muito mais do que todos esses subsídios. E, aqui para nós, é fácil governar assim, dar subsídios a um, ajustes directos a outro, um emprego milionário aquele outro, colocar o Lopes da Mota no Eurojust ou a tua madrinha de casamento, a pior presidente de câmara alguma vez parida pelo PS, em Bruxelas.

Dificil seria criar riqueza, ajudar os empreendedores a avançarem com os projectos, produzir bens e serviços exportáveis, substituir importações, melhorar a Justiça, o SNS, a Educação. Agora, dar subsídios eu próprio dou muito melhor que tu, não tenho que agradar a camaradas , não dependo dos carreiristas dos partidos, não quero renovar mandato nenhum. Estás a ver, à partida os meus subsídios eram mais justos que os teus, por isso, não fiques chateado, bem vistas as coisas há muito que não consegues ter uma só ideia para este país.

Dizes tu que o caminho seguido até aqui é para continuar! Ouviste-te bem, José? Este é o caminho dos que te abandonaram nas Europeias, dos que fugiram e já não voltam, dos que querem que descanses. Sabes, isto, mesmo para uma equipa de gente muito boa, é muito dificil, quanto mais para meia dúzia de homens de meia idade que nunca trabalharam, não têm mundo e nunca deitaram mãos a um projecto e tivessem criado um só posto de trabalho. Um só!

Estamos mais pobres mas a vida continua, incluindo para ti, José! Antes de ti houve muitos que julgavam que eram o “tal” !

PS culturalmente igual a 0,4%

É quanto vale para o PS a Cultura. No Orçamento do presente ano vale 0.4% do PIB e em 2008 valia 1%. Felizmente que já não vai poder decidir sozinho se não íamos ficar sem Cultura no Orçamento, grande medida para baixar a despesa do Estado.

É por isso que os nossos monumentos, Património Mundial, estão tão mal tratados, que os nossos teatros, como diz a Carla, são entregues a espectaculos mil vezes vistos, que não há apoio a jovens artistas .

Mas só para consultores estão lá inscritos 400 milhões, não vá faltar consultorias a dizer o que é preciso para convencer o pagode. Isto é de uma pobreza que mata, isto só pode vir de alguem que não lê um livro e que não vai a um museu, como é que se esquecem os nossos monumentos magnificos, velhos de séculos, é assim tão dificil perceber que podemos ter um turismo fluorescente só à volta do nosso património histórico? Que poderia pagar a manutenção e as melhorias nesta área em que somos tão ricos?

Por essa Europa fora, nas visitas ao património, tudo é de um profissionalismo que só pode emergir do grande amor que se tem pela Cultura do país, há uma política cultural que está bem presente nas organizações das visitas e dos espectaculos. Aqui a Cultura não só desapareceu do orçamento como o próprio ministro anda há muito desaparecido .

Agora temos uma política assaz curiosa. As empresas de construção civil são obrigadas a contribuir para a reabilitação do património. Como fazem? O custo fica logo no preço pago nas adjudicações ?

CAMPANHA COMEÇA CHEIA DE ATAQUES E CONTRA ATAQUES



ORA AGORA ATACO EU, ORA AGORA ATACAS TU, ORA VAI ELE DEFENDER-SE

campanha eleitoralA campanha começou.
Multiplicam-se os jantares, os comícios, as palestras, os discursos e as palavras.
Ninguém quer ficar atrás de ninguém nos ataques, nas criticas e nas boas defesas.
Cada um, pensa que é o melhor da sua rua e que as suas soluções são as melhores para Portugal.
O que mais facilidade tem em falar, fala pelos cotovelos e vem dizer que a sra que falou do CAV fez um ataque anti-democrático.
A sra, entretanto tinha dito que considerava a preocupação do ministro espanhol, normal, já que ela suspenderia o CAV, caso formasse governo.
Por causa das esquerdas, o líder comunista diz que o ainda nosso Primeiro não é tal coisa.
O líder dos deputados sentados mais à direita no Parlamento compara por sua vez, o líder dos que se sentam mais à esquerda, com Salazar, e ataca-o por causa dos impostos.
Este, o sr da esquerda das esquerdas, diz que as pessoas que votarem no ainda partido do governo, irão acordar no dia seguinte com uma valente ressaca, e acha-se tão importante, que diz também que a sua campanha é tão boa que já incomodou um País amigo de Portugal, Angola. Para além disso, neste partido, a menina Joana, não exclui ninguém de uma maioria de esquerda.
E isto é só no primeiro dia, e só nos cinco partidos com assento Parlamentar. E não disse nem metade do que se foi dizendo.
Pensem que ainda vamos ter duas semans inteirinhas destas coisas.
Será que há pachorra para tanto?
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.JM

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O socialismo hoje. Uma social-democracia

O socialismo (1) hoje. Uma social-democracia

É-me quase impossível começar um pequeno comentário sobre o sistema socialista de gerir os bens sem começar por uma definição. A definição é a citação do meu mais recente livro acabado a 19 de Setembro: A religião é o ópio do povo (2), escrito especialmente para o IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia (APA), fundada por mim e outros em Abril de 1989.
O socialismo de hoje é bem diferente do analisado no livro citado. O socialismo de ontem era de várias espécies. Tinha nascido com a Revolução Francesa, a queda da Monarquia Absoluta como forma de Governo com um sistema de propriedade em que todo pertencia à coroa reinante, que a entregava ou aos seus familiares, seus parentes mais chegados, ou a agricultores que sabiam lavrar a terra e criar animais, sempre a pagar com grande parte do produto a quem lhes cedesse esses meios de produção. Por outras palavras, nem gestão socialista dos bens existia até ao dia em que o Conde Henry de Saint-Simon começara a partilhar os lucros das suas indústrias, com os seus operários. Era o denominado socialismo utópico (3).
O socialismo utópico influenciou uma série de intelectuais, especialmente académicos e pessoas de fé. Entre eles, o pai de Karl Marx, Hirschel Marx, advogado hebraico, antes da sua conversação ao cristianismo por conveniência, baptizado na Igreja à qual servia, em conjunto com os seus dois filhos, Karl Heirich de 6 anos e Sophie de 10, e sua irmã mais velha, em 1824. O pai e o filho eram membros de um clube de leitores, ao qual assistia também o professor Ludwig Gall, que tinha estudado Saint-Simon e debateu as suas ideias com o pai e o fliho. Aos 15 anos, Marx, além de cristão, era um Saintsimoniano político. O socialismo de Saint-Simon prosperou e Marx e os seus amigos, especialmente o irmão da sua namorada, a Baronesa Johanna von Westphalen, Edgard, passaram a ser socialistas utópicos.
Ao longo dos seus estudos universitário em Bona e Berlim, Marx não ficou nada satisfeito com o denominado socialismo utópico e começou com o seu amigo Friedrich Engels e a sua mulher a entender que a economia era a ciência que governava o mundo. Calada e silenciosa, a Baronesa, já nesses tempos Jenny Marx ouvia os debates dos amigos, juntava os papéis nos quais eles gatafunhavam ideias sobre a propriedade, os salários, o operariado, a propriedade dos meios de produção, conceitos criados por eles e, sem dizer nada, bem criada e educada como era essa aristocrata mulher, em Janeiro de 1848, redigiu só o denominado nesse tempo O Manifesto do Parido Comunista, publicado pela primeira vez em 21 de Fevereiro de 1848 a pedido da Liga dos Comunistas de Marseille que começa logo com esta frase: Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo.
Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich (4) e Guizot (5) , os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado de comunista pelos seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não lançou aos seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista? O documento que revolucionara ao mundo, de apenas 21 páginas, é um ataque contra a burguesia que explorava ao povo (6)
Duas conclusões decorrem desses factos:
1a. O comunismo já é reconhecido como força por todas as potências da Europa;
2.a. É tempo de os comunistas exporem, à face ao mundo inteiro, seu modo de ver, os seus fins e as suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo”.
Este era o socialismo do Século XIX. O de Saint – Simon foi uma base apenas, como as ideias do britânico George Owen e outros, todo analisado no meu livro já publicado.
O texto parte de uma ideia que Jeny Marx bem conhecia: de uma análise histórica, distinguindo as várias formas de opressão social durante os séculos, e situando a burguesia moderna como nova classe opressora. Não deixa, porém, de o citar seu grande papel revolucionário, tendo destruído o poder monárquico e religioso, valorizando a liberdade económica extremamente competitiva e um aspecto monetário frio em detrimento das relações pessoais e sociais, assim tratando o operário como uma simples peça de trabalho (7).
Eis porque o socialismo de hoje não pode ser como os de os Marx e Engels. A análise é contra a propriedade privada e as relações abusivas da burguesia contra o povo explorado. É bem certo que o socialismo em Portugal nasceu como um movimento socialista marxista, mas no decorrer do tempo, o materialismo histórico tem desaparecido por causa do capitalismo, como Marx tinha previsto nos seus textos, foi em frente e ultrapassou as ideias da Revolução Francesa e os princípios do Direitos do homem redigidos por Jefferson durante a Independência do hoje Estados Unidos, enquanto que os princípios dos Direitos do Homem e do Cidadão, do Abade Sieyès, retirados do texto de Jefferson, foram ultrapassados também pela ascensão da burguesia para o grupo explorador.
Apenas fica a ideia de Afirmam sobre o proletariado: “Sua luta contra a burguesia começa com sua própria existência”. O operariado, tomando consciência de sua situação, tende a organizar-se e a lutar contra a opressão, e ao tomar conhecimento do contexto social e histórico onde está inserido, especifica o seu objectivo de luta. A sua organização é ainda maior, pois toma um carácter transnacional, já que a subjugação ao capital despojou-o de qualquer nacionalismo. Outro ponto que legitima a justiça na vitória do proletariado seria a de que este, após vencida a luta de classes, não poderia legitimar o seu poder sob forma de opressão, pois defende exactamente o interesse da grande maioria: a abolição da propriedade. (“Os proletários nada têm de seu para salvaguardar”).
Este sonho dos Marx e Engels, analisados por mim no livro que estou a editar «Capítulo 4: As pretensões da família Marx», parece ficar sintetizada nesta frase: no quarto capítulo fecha com as principais ideias do Manifesto, com destaque na questão da propriedade privada e motivando a união entre os operários. Acentua a união transnacional, em detrimento do nacionalismo esbanjado pelas nações, como manifestado na célebre frase: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”
O socialismo português, estudado no meu livro «Para sempre tricinso. Allende e Eu Tinta da China», no prelo, tem argumentos suficientes para definir que o PS foi criado no estrangeiro e que entre os seus princípios estava o materialismo histórico não apenas como forma de análises, mas como princípio. O XIII Congresso do PS de 2007, diz: 1. Partido Socialista é a organização política dos cidadãos portugueses e dos outros cidadãos residentes em Portugal que defendem inequivocamente a democracia e procuram no socialismo democrático a solução dos problemas nacionais e a resposta às exigências sociopolíticas do mundo contemporâneo.
O Partido Socialista considera-se herdeiro e representante do grande movimento social e político que, a partir dos meados do século XIX, conduziu a luta por sociedades mais justas e solidárias. Essa luta, desenvolvida na frente ideológica, sindical e política, foi determinante para a fundação e a consolidação das democracias contemporâneas e para a consagração e a efectivação dos direitos sociais.
Em Portugal, o pensamento e a acção socialista também remontam à segunda metade do século XIX. O ideal do socialismo democrático passou, desde então, por várias crises, mas nunca deixou de estar presente na sociedade portuguesa. A raiz do PS está indissoluvelmente ligada a esta matriz original.
Na sua forma actual de partido, o PS foi fundado em 1973, através da transformação da Acção Socialista Portuguesa, que havia sido criada em 1964. Nas
ce
u e cresceu na luta contra o fascismo e pela instauração da democracia. A sua história identifica-se com a resistência à ditadura e a construção de uma democracia pluralista e socialmente avançada. Para o PS, a liberdade foi sempre o elemento essencial do combate por uma sociedade mais solidária, justa e fraterna, mais igualitária e coesa; e o pluralismo das ideias e das opiniões foi sempre a marca característica, não só do seu funcionamento e da sua acção como partido, como também do projecto que concebe para a organização política e social de Portugal e da União Europeia
. (8)
A Acção Socialista Portuguesa foi fundada em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, em Novembro de 1964. Representando um novo esforço de estruturação do movimento socialista, o certo é que não logrou estabelecer as bases de implantação a que aspirava, conciliando dificilmente os instrumentos de luta na clandestinidade com as poucas possibilidades de intervenção legal permitidas pelo regime salazarista.
A ASP iniciou a publicação do Portugal Socialista em Maio de 1967, estabelecendo também numerosos contactos com partidos e organizações internacionais, sendo formalmente admitida na Internacional Socialista em 1972.
Foi o embrião do futuro Partido Socialista (9).
O Partido Socialista na Europa sempre fugiu da análise materialista. Orientou os seus militantes contra a ditadura, o colonialismo e em prol do sindicalismo democrata. O Partido Socialista português teve uma excisão, até ao ponto de se organizar em 1964 o Movimento Marxista-Leninista Português.
Marx nunca passou por Portugal, apesar de que a seguir ao 25 de Abril, bem como antes, todos os partidos de esquerda estavam unidos para derrubar a ditadura. O marxismo passou pela mão de Álvaro Cunhal e de Rui D’Espinay (10).
Portugal e Espanha exploravam colónias, e operários de países altamente rurais. Em relação ao Chile, a tentativa de materialismo histórico democrata, já sabemos a história. Allende declarou o PS Chileno como materialista histórico, mas nunca leninista: eram outras sociedades e outros tempos. O Leninismo faleceu com Lenine e ficou apagado. O materialismo histórico tem sido a luta dialéctica para se libertar da opressão burguesa.
Fica, o resto da história, para os meus livros e outros textos deste bloge. Apenas comentar que o PS de hoje não anda de mãos dadas, mas também não se trata mal com o PSD.

(1) Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização económica advogando a propriedade pública ou colectiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação. O Socialismo moderno surgiu no final do século XVIII tendo origem na classe intelectual e nos movimentos políticos da classe trabalhadora que criticavam os efeitos da industrialização e da sociedade sobre a propriedade privada. Karl Marx afirmava que o socialismo seria alcançado através da luta de classes e de uma revolução do proletariado, tornando-se a fase de transição do capitalismo para o comunismo. A ideia é minha, retirada do livro que escrevo: Marx, um devoto luterano, com as palavras do texto que escrevo e de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Socialismo
(2) Iturra, Raúl, Setembro de 2009: A religião é o ópio do povo Pode-se ler em: https://repositorio.iscte.pt/handle/10071/1522
(3) Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, (Paris, 17 de Outubro de 1760 — Paris, 19 de Maio de 1825), foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico. Para este autor, Saint-Simon, o avanço da ciência determinava a mudança político-social, além da moral e da religião. É considerado o precursor do Socialismo, pois, no futuro, a sociedade seria basicamente formada por cientistas e industriais. O pensamento Saint-simoniano pode ser visto nas obras de 1807 a 1821, com o lema: “a cada um segundo sua capacidade, a cada capacidade segundo seu trabalho”. Em um dos seus primeiros livros, Lettres d’un habitant de Genève à ses contemporains, publicado em 1803, ele propõe que os cientistas tomem o lugar dos padres para conduzir a era Moderna. A violência da guerra napoleónica leva-o a se abrigar no Cristianismo, e de uma base Cristã construir as bases para uma sociedade socialista. Previu a industrialização da Europa e sugere uma união entre as nações para acabar com as guerras.
Quando Saint-Simon falou sobre a nova sociedade, imaginou uma imensa fábrica, na qual substituiria a exploração do homem pelo homem para uma administração colectiva. Assim, a propriedade privada não caberia mais nesse novo sistema industrial. Vale notar que existiria uma pequena desigualdade e a sociedade seria perfeita depois de reformar o Cristianismo. Ainda disse que o homem não é apenas algo passivo na História, pois sempre procura alterar o meio social no qual esta inserido. Essas alterações são importantes para que a sociedade seja desmembrada, quando esta sociedade funciona dentro das normas que a ela correspondam, pois não é possível colocar uma regra de uma sociedade em outra.

(4) Klemens Wenzel Lothar Nepomuk von Metternich, príncipe de Metternich-Winneburg-Beilstein, (Coblença, 15 de maio de 1773 — Viena, 11 de junho de 1859) foi um diplomata e estadista do Império Austríaco.
Após a queda de Napoleão, apoiou vigorosamente a restauração da dinastia dos Bourbon em França, e foi um dos mais distintos apoiantes da reconquista absolutista em Portugal, por D. Miguel, opondo-se vivamente ao governo liberalista, após o retorno deste ao poder português. Presidiu o Congresso de Viena, tendo influenciado profundamente as decisões tomadas neste.

(5) François Pierre Guillaume Guizot (n. 4 de Outubro de 1787, Nîmes – f. 12 de Setembro de 1874 ) foi um político francês. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, entre 19 de Setembro de 1847 a 23 de Fevereiro de 1848. Se Guizot é referido no Manifesto, deve-se a coincidência de datas entre a redacção do Manifesto e a chefia da burguesia pelo Primeiro-ministro da França, que era Guizot.

(6) Pode-se ler em: http://ateus.net/ebooks/geral/marx_manifesto_comunista.pdf

(7) Retirado do meu livro antes citado, que pode ser lido com esta ligação na ligação da nota 2 deste texto.

(8) Texto completo em: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=30&Itemid=39

(9) História completa em: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=29&Itemid=38

(10) História completa em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&rlz=1W1ADBR_en&q=ac%C3%A7%C3%A3o+socialista+portuguesa+marxismo&btnG=Pesquisar&meta= Como na Espanha, eram países que tinham outros problemas longínquos da luta da Primeira Internacional presidida por Marx, e dos problemas da América Latina.

POEMAS DO SER E NÃO SER

Tu vens
eu acredito que vens
neste céu de cabelos soltos
e seios ao vento
nesta fome de corpo e pensamento.
Tu vens
eu sei que vens
é hora de vires
nesta vespertina voragem de felicidade
neste céu da cor da angústia.
Tu vens
construir a Primavera
em teu vestido branco de espuma
dominar meu indómito cabelo
com jogos simples dos teus dedos.
Eu quero acreditar que tu vens
pegar docemente nas minhas mãos cegas
e delas fazer uma flor de acácia
com que amacias os lábios
e abres o cofre dos teus seios de fogo.
Tu vens
eu sei
por isso sou feliz no meu silêncio.

                             (adão cruz)

(adão cruz)

Afinal, quem é que manda?

Eu acho que se percebe muito bem quem é que tem as rédeas na mão.

Eu até acho, que se calhar, mais vale começar é a votar para os Conselhos de Administração da Nestlé, Monsanto, PetroChina, Exxon Mobil,  General Motors, EDP, Sonae, Brisa, Portugal Telecom, Galp, etc, etc, etc…

O negócio dos livros escolares

Sem 200,00 euros não se compram os livros necessários para o filhote poder estudar. Se tiver mais que um começa a ser um drama para a maioria das famílias. A “bolsa do livro” era uma ideia estupenda para ajudar estas famílas, mas parece que se mudam todos os anos para que o negócio não acabe.

Esta conversa de que estão todos muito preocupados com as famílias cai à primeira análise. E que a “escola obrigatória” é uma medida de grande alcance, e é, assim se completasse com uma política tão simples de implementar, como seja reunir as condições para que os livros não pesem nas bolsas dos mais pobres.

No meio de tantas medidas de apoio, diárias, nunca se discutiu esta tão importante. E que o livro perdure por “n” anos escolares por forma a servir a mais que um aluno e que possa ser gratuíto.

Nada! O negócio é mais importante o que envolve muita gente interessada. Desde os livros escolhidos e quem os escolhe, a quem os edita, a quem os distribui e vende.

É, no mínimo, estranho que ninguem, ligado ao meio escolar não se indigne com esta situação .

Algum professor poderá explicar este negócio anual de milhões ?

FUTAventar – Para que fique registado

No site da IFFHS!

Arte, beijos e propaganda

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Suposta obra de arte, propaganda reaccionária, uma droga, uma coisa, são alguns dos epítetos com que é mimoseada  esta pintura, exposta na capital colombiana por ocasião da IV Temporada de Artes de Bogotá.

Não consegui localizar o nome do autor, mas o trabalho tem a sua graça: intitulado “¿Por qué no te callas?, numa legenda em círilico, transcreve o célebre beijo entre os ditadores Leonid Brezhnev e Erich Honecker, dado em 1979 num acto público na Alemanha então dita democrática, para os democraticamente eleitos presidentes do Equador e da Venezuela. Em fundo identifico outros dirigentes das emergentes correntes da esquerda bolivariana.

Brezhnev-Honecker

Vamos por partes: sem querer aprofundar o assunto, arte e propaganda, ou arte e ideologia, são irmãs gémeas e siamesas. Vivemos com isso há milhares de anos, e ainda bem. Único critério aceitável para tal: a liberdade de expressão.

Enquanto continuarem a representar os seus povos sendo por eles democraticamente eleitos tenho a maior das considerações pelos presidentes ora retratados, muito mais por Rafael Correa que pelo militar Chavez, é claro, um tudo nada populistas de mais para o meu gosto, é certo, e não os coloco no mesmo saco dos criminosos que realmente se oscularam numa das piores ditaduras do séc. XX.

Já nas críticas  ao quadro encontro homofobia e machismo serôdio q. b., e patetice em abundância. Quem escreve isto:

Por exemplo: uma coisa que diz chamar-se «Fundação Coração Verde» acaba de organizar uma coisa a que chamou «IV Temporada de Arte de Bogotá» e que consta de uma coisa a que chamam «exposição de artes plásticas».

devia ter feito o trabalho de casa, e lido isto:

La cultura China, como invitada especial al evento inaugural de la IV Temporada de Arte de Bogotá, FORMARTE 2009, gracias a la gestión de la Embajada de la República Popular China, se presentará en todo su esplendor, con milenarias expresiones artísticas de oriente, interpretadas por el “Folk Music Group of Tiajin Song & Dance Theatre, las cuales transportarán a los asistentes a los diversos escenarios chinos.

Exacto Fernando Samuel, a coisa inclui os seus queridos camaradas chineses. Não quer ir dar-lhes um beijo na boca?

Carolina Patrocínio votou PS com 17 anos?

Esta jovem, de boquinha fechadinha até tem alguma piada, mas com o ar a circular pelas cordas vocais, perde o encanto. Além disso tem demasiado ar a circular junto ao neurónio.
E desta vez a questão surge no Arrastão.

cpjs

Vejamos.
A menina nasceu a 27 de Maio 1987. Fazendo uma conta simples, podemos ver que em 1997 fez 10 anos. Continuando… 11 em 98, 12 em 99… 18 em 2005. Ok. Parece tudo certo…
Um detalhe: a querida fez anos em Maio e as eleições foram a 20 de Fevereiro.

Pergunta-se:
“Desde que idade vota? Votou sempre no Partido Socialista?”
Responde:
“Desde os dezoito anos, ou seja, desde 2005. Para as legislativas votei sempre PS.”
A conclusão é sempre a mesma: basta saber fazer contas!

O País dos Doutores:

Hoje dei de caras com um cartaz da CDU na minha freguesia cujo nome da candidata surgia da seguinte forma: “Dr.ª. fulana de tal”. Olhei segunda e terceira vez e imediatamente pensei: “está dado o mote para a minha próxima posta no Aventar”.

O meu Pai, farmacêutico de formação e profissão, tinha por hábito advertir algumas pessoas que o interpelavam por “Senhor Doutor” do facto de não ser esse o seu nome de baptismo. Logo de seguida, ironicamente, explicava o processo de baptismo, etc e tal. Foi com ele que aprendi a não gostar dessa “cagança” tão portuguesa. Mais tarde, quando a idade começou a avançar, comecei a ser tratado em determinados locais pelo mesmo “Senhor Doutor” e lá começava eu a explicar que não era, que não tinha ainda acabado o curso e mesmo que o tivesse, etc e tal. Ao ponto de ter deixado de ser cliente de um determinado restaurante da Maia por causa disso – o fulano, dono do dito, começou a tratar-me por doutor, após lhe dizer que não o era, passei a ser engenheiro e a seguir, arquitecto! Após terminar a licenciatura, começou novamente o massacre. Numa primeira fase expliquei que “Doutor” era o meu médico, depois anunciei que não passava receitas e, por fim, desisti tendo como resultado começar a ficar farto.

Neste país de “doutores” e muito respeitinho, a maralha péla-se por ser tratada pelo “Dr.” e nem vos digo a quantidade de vezes que recebo mails, sobretudo de trabalho, cuja assinatura surge como “fulano de tal, Dr.”, assim mesmo, sem tirar nem pôr, pondo a nu os complexos de inferioridade que habitam no mais estranho dos seres. Mais engraçado e cómico é verificar o deleite de certos não licenciados quando tratados por “Dr.”. Não desmentem a coisa, antes pelo contrário, mesmo quando na presença de conhecedores de tal lapso. Recentemente, numa reunião, assisti a uma cena do género. O sujeito da referência impávido e sereno, até engrossou um pouco a voz adaptando-a ao que julga ser o timbre mais correcto para a qualidade em causa. Após a dita, em pleno elevador, o autor do lapso virou-se para mim, afirmando: “eu sei que o tipo não é doutor mas foi pelo prazer de o ver todo emproado e pelo gozo do caricato da situação”. Nem pestanejei tal a surpresa.

Neste país da “cagança com toda a pujança” já espero tudo mas confesso a minha surpresa ao ver num cartaz da CDU, do partido auto-intitulado “do Povo”, a referência ao título académico. O que diria o saudoso “Zé Barbeiro”, o verdadeiro comunista da Areosa, ao ver uma camarada sua tão preocupada em passar receitas…

NÃO CONHEÇO O AUTOR

Há um primeiro-ministro que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,
Mas que mente, sobretudo, impune/mente…
Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eterna/mente.

Cinema Gay em Lisboa

O 13º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, que decorre de 18 a 26 de Setembro no Cinema São Jorge, tem 96 filmes programados e abre com a exibição de “morrer como um homem”, de João pedro Rodeigues, presente em Cannes, na edição deste ano.

O Blogue 69…

Depois de termos conseguido atingir o Top 100 dos blogues nacionais e de sermos, actualmente, o 69º blogue nacional em visitas diárias (um número que nos deve servir de reflexão), já somos o 20º blogue nacional entre os blogues “mais” políticos. Tudo em menos de um ano.

É obra!

Obrigado aos leitores do Aventar.

Aquecer o lugar é que é uma merda

O PS está há 11 anos no governo nos últimos 14 e os últimos quatro em maioria absoluta, isto leva a tentações e a vigarices de quem se julga acima da lei e acima da própria essência da Democracia que é a alternância, já que nem sequer uma alternativa conseguimos votar.

Nestas condições a teia de interesses, de camaradas a defenderem o lugar, nas empresas públicas, nos grupos económicos, na alta administração pública só pode ser barrada obrigando o PS no mínimo a partilhar tal poder. Isso parece que está conseguido.

A seguir precisamos de um governo que arrepie caminho, que trate de ajudar a criar riqueza em vez de andar de braço dado com os que se sentam à mesa do orçamento, as empresas monopolistas ou em cartel, a banca com margens de intermediação superiores a qualquer outras praticadas em países nas mesmas condições, os megainvestimentos com uma dívida pública que nos empobrece.

Esta visão de um Sócrates “amaciado” encobre um político que sabe muito bem a prepotência exagerada utilizada de quem se julgava imune às críticas e convencido que a “anestesia” faria o resto. Em democracia não faz, e isto é tambem uma lição para aqueles que não subscrevem as virtudes de um sistema político que é muito mau mas que não se conhece melhor.

Arrefecer o lugar com uma boa dose de humildade é um remédio muito eficaz para todos estes camaradas de “rabo aquecido” em poltronas milionárias. É que , diz a sabedoria popular, ” as hemorróidas” pegam-se!

QUADRA DO DIA

Tu que no céu estás vivo
Vês muito melhor que nós
Como pode quem é Deus
Deixar as almas tão sós.

COMENTÁRIO A "FALANDO DE DEMOCRACIA" DE CARLOS LOURES

Eu não penso que o povo, português ou outro, seja constituído por débeis mentais. Mas como diz o Carlos Loures, que o povo tem a cabeça feita lá isso tem. E que é muito difícil desfazê-la, lá isso é, se não for praticamente impossível, dentro da máquina infernal de fazer cabeças que toda esta política é, de mão dada com tudo o que é obscurantismo, político, social e religioso. Nenhum poder está minimamente interessado em abrir os olhos dos seus apoiantes. Não me venham dizer que a maioria do povo age dentro da liberdade mental, do pensamento e da razão que só o conhecimento e a cultura permitem. Ninguém tem culpa de ser ignorante, mas a ignorância não pode ser projecto de nada, nem serve de medida a democracia alguma. Na nosso tão folclórico pluralismo, infelizmente, um voto não é mais do que uma reza, uma romaria, ou um palpite clubístico como outro qualquer. Democracia é, de facto, o poder do povo. Só por ironia ou por escárneo se pode chamar poder do povo a esta patranha eleitoral. A forma de como deve ser o povo a governar, não é facilmente entendível pelo próprio povo ou por quem quer que seja que ainda não conseguiu ultrapassar a fronteira para além da qual o homem se mede em termos de razão, dignidade e justiça. Mas não é muito difícil de adivinhar, não por iluminados, presunçosos e cabotinos deste palco da vida, mas por outra parte do povo, séria, digna e sabedora, que, por sorte, ou por exercício de razão, teve acesso à mínima clarividência necessária.

Os programas dos partidos

Bloco de Esquerda
CDU
PS
PSD
CDS-PP

FUTAventar – uma vitória concludente

Mais uma vez e apesar de todas as vicissitudes resultantes de uma equipa que ataca do primeiro ao último minuto e de outra que só defende, e de, aqui e ali, o árbitro fazer os possíveis para prejudicar o alto ritmo imposto, só desconfiei que pode bem por ter sido ele que não aguentou o tal ritmo vertiginoso imposto por esta equipa muito bem trabalhada sob o ponto de vista físico-táctico, apesar dessas vicissitudes resultantes de uma postura tactica que remeteu a equipa “vítima” para a defesa, o Leão conseguiu mais uma vitória a todos os títulos merecida, quer na plano táctico, físico e técnico, apesar das vicissitudes.

Os jogadores apresentaram-se mais secos, menos “glamorosos” mas mais cientes de uma postura técnico-táctica que reflecte a superioridade, de quem pode contar com um jogador internacional e que na primeira hipótese facturou, dando inteira justiça ao jogo, justiça aliás que não temos cá no país nem vamos ter enquanto o Sócrates continuar com aquelas investidas político-partidárias de colocar “camaradas” em lugares chave no processo, como aliás o Pintinho coloca na Federação.

Estádio bem composto de “descompostos” relva bem tratada, temperatura amena e a namorada do Djaló, lá estava mas sem vestido de “chifron”, tipo gata borralheira, a armar ao pingarelho que está muito apaixonada, bem mas isso é outra história, como aliás….

Novo Governo, novos Ministros! (as minhas apostas)

José sócrates disse no debate de ontem que ia haver novos Ministros no próximo Governo. Em cada pasta, um ministro que não era dessa pasta. As minhas apostas para os novos Ministros são as seguintes:
Presidência do Conselho de Ministros – Augusto Santos Silva
Ministro dos Negócios Estrangeiros – Nuno Severiano Teixeira
Ministro das Finanças – Vieira da Silva
Ministro da Defesa – Luis Amado
Ministro da Administração Interna – Rui Pereira
Ministra da Justiça – Pedro Silva Pereira
Ministro do Ambiente – Jaime Silva
Ministro da Economia – J. P. Sá Couto
Ministro da Agricultura – Nunes Correia
Ministro das Obras Públicas – Jorge Coelho (em acumulação com a Mota-Engil)
Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social – Alberto Costa
Ministro da Saúde – Correia de Campos (regresso triunfal)
Ministro da Educação – Valter Lemos
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – Maria de Lurdes Rodrigues (agora para lixar os professores do Superior)
Ministro da Cultura (pasta sem titular desde a saída de Isabel Pires de Lima) – José António Pinto Ribeiro
Ministro para a Comunicação Social (nova pasta) – Emídio Rangel
Secretário de Estado para a TVI – Emídio Rangel

O debate Sócrates – Ferreira Leite (agora a frio)

Passaram as emoções do grande debate de ontem à noite e uma cama faz bem a qualquer um. Uma pessoa reflecte, vê de novo o debate e acaba por formar uma opinião definitiva. Como sabem, sou completamente anti-Sócrates e estou ansioso por me tornar, a partir do dia 27, completamente anti-Ferreira Leite. Só que, como não se pode tratar dos dois ao mesmo tempo, tratemos primeiro deste e arrumemos a figura a um canto da lusa história. Teremos então tempo para tratar da dita senhora.
Posto isto, depois de analisar as coisas mais friamente, parece-me que Manuela Ferreira Leite venceu o debate por uma ligeira vantagem. Mais. Tendo em conta as expectativas que estavam criadas, a de uma humilhação sem precedentes, foi mesmo uma grande vitória para a candidata do PSD. Claro que, entre os meus critérios, não está aquele que fala mehor, aquele que tem mais presença, aquele que apresenta uma imagem melhor.
É verdade, como alguém disse numa caixa de comentários daqui do Aventar, que a senhora muda demasiadas vezes de opinião e que só é séria quando não se ri. Mas não são assim todos os políticos? Basta ouvir a forma como o primeiro-ministro falou dos professores durante quatro anos e a forma como fala agora. E depois destes quatro anos, alguém pode realmente acreditar que José Sócrates é diferente dos outros? Alguém pode acreditar que José Sócrates é sério?
Pronto, era isto. Agora de forma fria e racional, Manuela Ferreira Leite ganhou. Ganhou, sim, ganhou.

Professores na rua antes das eleições

net12Não… Não vou escrever sobre os milhares de professores que continuam desempregados, longe, bem longe das escolas onde poderiam ser tão úteis.
Escrevo sobre a discussão que segue de mail em mail, de site em site sobre a necessidade (ou falta dela) de os docentes voltarem à rua antes do dia das eleições.
Sobre esta questão escrevi que os professores deveriam voltar à rua a 21 de Setembro.
Penso hoje que essa iniciativa não faz sentido.
O espaço público eleitoral deve ser ocupado pelos candidatos e pelas propostas – não devemos misturar a nossa luta com as questões partidárias. Esse foi um dos grandes méritos que conseguimos ter. Não fomos, em momento algum, a reboque dos partidos – o contrário aconteceu, mas isso é um problema dos partidos, não nosso.
Tivemos também a capacidade de introduzir na discussão eleitoral o tema da Escola Pública, em particular no que à carreira docente diz respeito.
Não podemos, a troco de ódios pessoais, deitar tudo a perder.
Além disso, permitem que pergunte: ia para a rua fazer o quê?
Levar a direita ao colo até ao poder?
Eu não quero o Sócrates a Primeiro-ministro, mas quero ainda menos a Manuela Ferreira Leite e a “sua” verdade conservadora.

FUTaventar – S.L. Benfica #4

Confiança. Esta é a palavra. A tranquilidade de me sentar em frente ao computador para ver uma equipa, que sei, vai ganhar! E depois de marcar um golo, o adversário nem do meio campo consegue passar.
Objectivo alcançado porque é nestes jogos que se ganham os campeonatos!

Contrato a prazo dos ministros

Ao longo dos últimos os Professores desenvolveram uma intensa luta contra as políticas do actual governo. Em inúmeros momentos e para muitos de nós a confusão entre as pessoas e as políticas tornou as coisas, quase sempre, demasiado personalizadas: o ódio à divisão na carreira é quase tão grande como aquele que se sente pela “ministra” ou pelo Sócrates. Uma coisa e outra são difíceis de separar.
Talvez por isso, ou por outra qualquer razão, os ministros ficaram ontem a saber que estão na rua de uma maneira ou de outra: com ou sem vitória do PS.
No caso da ministra, obviamente fica um problema a menos com esta senhora bem longe do sistema educativo, mas, caros camaradas socialistas, “O problema” está longe de ser principalmente esse.
As “mães de todos os problemas” são as medidas em concreto – não foi, nem o estilo, nem as pessoas. Foi mesmo uma questão de conteúdo: a divisão na carreira no topo dessa montanha de trapalhadas!

Sem SPORTTV? A solução é:

ver os jogos do futuro campeão na net:

http://www.atdhe.net/index.html

http://www.tvgente.com/

Legislativas 09:

A questão do TGV é o melhor exemplo da política à portuguesa. Quando o PSD foi governo queria muito o TGV. Queria-o tanto que até multiplicou linhas. Por sua vez, o PS afirmava que não podia ser, era muito dinheiro e as prioridades deveriam ser outras.
Quando o PS chegou ao governo passou a defender o TGV. Já o PSD passou a ser totalmente contra.

Entrem os Gatos Fedorentos, SFF.

O circo voador

Escrevo-vos sob o retumbar dos motores. Abrigada da fúria das máquinas que cortam os ares. Daqui até lá em baixo, ao rio, vão descendo os últimos mirones, os que se deixaram atrasar pelo almoço de domingo, e sabem que já não vão encontrar um lugar decente, mas nem por isso se desanimam. De nariz no ar, com os bonés recebidos hoje ou na corrida dos pais natais ou na maratona dos homens com unhas encravadas, aqui estamos a apontar para filhos ou netos a pirueta do avião. Cabe explicar que eu vivo numa cidade que perdeu a esperança de se reassumir como pólo de criação. Vivo numa cidade em que a atribuição de subsídios aos agentes culturais depende da assinatura de uma declaração de compromisso de não fazer comentários críticos a respeito do autarca e da sua gestão. Vivo numa cidade que entregou uma das principais salas de espectáculo – que já foi um dos eixos de uma política de apoio à criação artística – a um senhor produtor que se dedica à reciclagem de espectáculos serôdios, sem deixar espaço a novos criadores ou à experimentação. Vivo numa cidade governada por quem vê os artistas como uma panda de piolhosos, maltrapilhos, sempre ávidos de surripiar mais um subsídio que lhes mate a fome.

Essa gente que produz coisas incompreensíveis para os burocratas, coisas que não possuem, nem de longe, a espectacularidade do rugido dos motores dos aviões, e que ainda para mais não dão lucro. E esmagar essa corja, reduzi-los ao nada a que pertencem, é um serviço que um autarca presta à cidade. E é por isso que esta tarde os aviões nos sobrevoam. Os espectáculos no Rivoli custam dinheiro, mas restam-nos os aviões, esse embriagador circo aéreo, que vem lembrar que quando não há cultura servem-nos espectáculo. E que com pão e circo nos entretemos.

Francisco Leite Monteiro – A autonomia dos Açores e da Madeira

A bem da verdade histórica – a autonomia da Madeira e dos Açores deu os seus primeiros passos no final do séc. XIX

A autonomia dos Açores e da Madeira, será a força que move, que “estabiliza e fortifica o pulsar democrático dos cidadãos insulares” como escreve Rubina Berardo (DN de 19.08.2009) mas é bem anterior a 1976. A autonomia já tem de facto mais de 100 anos não obstante, é certo, que a aprovação da Constituição da República Portuguesa de 1976 consignou, efectiva e definitivamente, o princípio da autonomia da Madeira e dos Açores, como regiões dotadas de estatutos político-administrativos e de órgãos de governo próprios. Em um outro artigo de João Abel de Freitas (DN de 20.08.2009) mais focalizado no aperfeiçoamento da autonomia na Região da Madeira, o autor salienta a falta que vai fazendo um “debate sério e participado sobre a autonomia – o que é, para que serve e até onde vai”.

Neste encadeamento de ideias, parece ser útil tornar claro, onde tudo isto começa. A bem da verdade histórica, que faltará sobretudo no artigo de E.B., há que recordar que a autonomia dos Açores e da Madeira, deu os seus primeiros passos, no final do século XIX. Foi por Decreto Real de 2 de Março de 1895, em relação aos Açores e por carta de lei de 22 de Maio de 1901 que ajustou algumas das disposições do mesmo decreto, tornando-o extensível à Madeira. Tratada que foi a questão, com todo o mérito, por historiadores de reconhecida idoneidade, bastará transcrever, na parte que interessa, o que sobre o assunto refere o “Elucidário Madeirense” da autoria de Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, publicado em 1921 e reeditado em 1940:

“O dia 8 de Agosto de 1901 figura como uma data memorável nos anais deste arquipélago. Foi nesse dia que o conselheiro Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, então presidente do conselho e ministro do reino, referendou um decreto concedendo à Madeira a autonomia administrativa nas mesmas bases em que já anteriormente fora concedida aos distritos açorianos. Não é sem dúvida uma autonomia com amplos poderes de administração local, mas representa um dos mais apreciáveis benefícios com que tem sido dotada a Madeira num longo período de séculos e certamente o maior de todos, no que diz respeito à concessão dos meios indispensáveis para a fácil realização de importantes melhoramentos materiais”. A propósito das faculdades e atribuições consignadas no decreto, o “Elucidário Madeirense” salienta ainda, que as mesmas passaram a residir “numa corporação administrativa, que tem o nome de Junta Geral, cuja organização e funcionamento diferem das suas congéneres do resto do país. … … O primeiro Presidente da Junta Geral do Funchal e que a ela prestou relevantíssimos serviços foi o Conselheiro José Leite Monteiro e teve como primeiro chefe da sua secretaria o Dr. Manuel dos Passos Freitas … … O decreto de 31 de Julho de 1928 ampliou notavelmente a esfera da autonomia administrativa, alargando bastante as suas faculdades e atribuições …”

O percurso no sentido da implementação da autonomia não foi pacífico, aconteceram greves, houve revoltas populares, foram promulgados diplomas visando a sua regulamentação – nomeadamente, a lei de bases de administração das ‘Ilhas Adjacentes’ de 30.04.1938 e o ‘Estatuto dos Distritos Autónomos das Ilhas Adjacentes’ de 1939, sucessivamente revisto em 1940 e 1947 – tendo, todavia, continuado por concretizar muitas intenções e promessas, até à aprovação e promulgação da Constituição da República Portuguesa de 1976. Uma vez mais foi o abrir da porta da esperança desse horizonte que, dir-se-ia, distante e, daí o alerta de J.A.F. para a necessidade de realizar o tal “debate sério e participado sobre a autonomia” para que, embora centenária, paradoxalmente, continue ainda por acontecer.

Publicado também no «Diário de Notícias»